Santo do Dia – 31/10/1966 – p. 8 de 8

Santo do Dia — 31/10/1966 — 2ª-feira

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Visão de Catarina Emmerich sobre o simbolismo do rosário; sua origem; coroa de rosas, contas; simbolismos da criação e Redenção no rosário; seu misterioso poder, à maneira de um sacramental; jamais se apartar dele e rezá-lo diariamente; objeção: rezo mal, prefiro não fazê-lo…; importância de portar a água benta.

* Beata Catarina Emmerich, visão sobre o rosário * Origem do rosário * Simbolismo do rosário. Da rosa para o diamante * Significado da rosa * Representação histórica no rosário * Valor insondável do rosário * Rosário, mistério e força de um sacramental * A criação e a Redenção ligadas ao rosário * Sabedoria e rosário * O quê nós temos no rosário * Nunca dos nuncas deixar de rezar o rosário * Exemplo de Santo Afonso de Ligório * Não ficar jamais sem o terço * Objeção: rezo mal o rosário. Prefiro não fazê-lo * Uso da água benta * Recipientes para água benta * O uso da água benta e bênção de Deus

O Santo Rosário

* Beata Catarina Emmerich, visão sobre o rosário

Hoje, dia trinta e um de outubro, é o último dia do mês do Rosário. E é oportuno ler, nas “Visões e Revelações Completas” de Catarina Emmerich, algo a respeito do assunto. Ela teve uma visão a respeito da qual ela refere o seguinte:

Vi o Rosário de Maria com todos os seus mistérios. Certo solitário havia honrado Maria, Mãe de Deus, tecendo-lhe grinaldas de flores. Tive então uma compreensão profunda da significação das flores e folhas daquelas grinaldas, que eram oferecidas por ele cada vez com maior fervor.

Então a Virgem pediu para ele uma graça a seu Divino Filho. A graça foi concedida e é o Santo Rosário.

Vi o Rosário rodeado de três ordens de flores de diferentes cores nas quais eram representadas, em figuras transparentes, todos os mistérios da Igreja, do Antigo e Novo Testamento. No centro do Rosário estava Maria com o Menino, de um lado rodeada de Anjos e por outro, de virgens, que se davam as mãos.

A cruz saiu de um fruto semelhante a maçã da árvore proibida: transpassada de lado a lado, sua cor era especial e estava cheia de pequenos cravos. Na parte inferior ostentava a figura de um jovem, de cuja mão saía um sarmento que se estendia pelo braço da cruz, na qual viam-se outras [figuras?] que sorviam líquidos do ramo. A união dos galhos estava formada por raios ou fios de diferentes cores, entrelaçados como raízes, segundo seu sentido natural ou místico. Cada um dos “Pai-Nossos” estava rodeado de uma grinalda de folhas, dentre as quais saía uma flor em que se via a imagem de alguns dos mistérios dolorosos ou gozosos, de Maria.

As “Ave-Marias” eram estrelas. De pedras preciosas. Nelas estavam figuras, por ordem, os patriarcas e ascendentes de Maria nas obras que se referiam à Encarnação e à Redenção.

Dessa maneira o Rosário compreende o Céu, terra, Deus, a natureza e a História e a restauração de todas as coisas mediante o Salvador que nasceu de Maria. Este é o Rosário tal como a Mãe de Deus o deu aos homens, sendo a devoção que mais lhe agrada. Poucos o rezam bem. Só a graça, a simplicidade e a piedade podem compreendê-lo. Encoberto e distante de tudo aquilo que é terreno, somente se aproxima das almas mediante a meditação e o exercício dessa devoção.

* Origem do rosário

É pena que a beleza… é difícil dar uma idéia da beleza dessa visão, por causa, exatamente, da enorme riqueza de pormenores que ela comporta. Mas, em última análise, como os senhores viram, deu-se isto: que havia uma pessoa piedosa que tecia para Nossa Senhora flores, grinaldas de flores no sentido material da palavra, e oferecia essas grinaldas a Nossa Senhora. Nossa Senhora tomou esse ato de piedade dessa alma amada por Ela, e que Ela convidava a ter para com Ela um amor especial, Nossa Senhora tomou esse ato de piedade como ocasião a toda humanidade, ou melhor, como ocasião para conceder a toda humanidade, especialmente, a toda Igreja Católica, um favor imenso que é a devoção do Santo Rosário.

Quer dizer, Ela tomou esse ato de piedade e como que agradecendo esse ato de piedade, como que dando valor a esse ato de piedade, Ela transformou essa devoção de entregar a Ela flores materiais em uma devoção de um florilégio especial, ou melhor, florilégio espiritual. E esse florilégio espiritual era rico em simbolismos de toda ordem.

O que é que simbolizam propriamente todas essas coisas que ela viu?

* Simbolismo do rosário. Da rosa para o diamante

Nós temos aqui três espécies de valores simbolizados. Temos, em primeiro lugar os valores espirituais propriamente religiosos, implicados na devoção. Quer dizer, a devoção a Nossa Senhora com o Menino Jesus, com a cruz, com todo o sofrimento que a cruz representou. Isso vem representando nas figuras que apareceram e vem no valor atribuído aos “Padre-Nossos”, e “Ave-Marias”.

Os senhores viram que a “Ave Maria”, Nossa Senhora vê cada “Ave Maria” do Rosário como se lhe fosse oferecida uma estrela resplandecente. E assim, cada vez que nós rezamos para ela um terço, nós que oferecemos cinqüenta estrelas resplandecentes. E se o Rosário é inteiro, nós lhe oferecemos cento e cinqüenta estrelas resplandecentes. Os senhores vêem a proporção, da rosa para a estrela, o símbolo é muito mais eloqüente. Uma coisa é oferecer uma simples rosa, uma outra coisa é oferecer uma coisa que é um brilhante, que é uma jóia tal que dá a impressão de uma estrela.

É que aquele homem oferecia a Nossa Senhora flores materiais. O Rosário tem um sentido espiritual. E as coisas espirituais têm um valor tal que a encontrar para elas uma comunicação no reino da matéria, uma comparação nós temos apenas com os astros que pela sua beleza deslumbram os homens. Então, daí a constituição do Rosário como estrelas resplandecentes.

* Significado da rosa

Agora, o que é mais interessante é o seguinte: é que o Rosário, por essa forma, é algo de sobrenatural que representa algo de natural. É uma devoção sobrenatural que representa, que trás consigo a lembrança das rosas, sendo que a flor é algo que compagina, que concatena em si tudo quanto há de gracioso, de belo na natureza. E como a rosa é a rainha das flores, a gente pode dizer que debaixo de um certo ponto de vista a rosa representa toda a Criação.

* Representação histórica no rosário

Então, é o emprego de toda a Criação para representar coisas de caráter sobrenatural, de caráter extraordinário, de caráter acima da matéria, que estão colocadas aqui. Mas depois — e isso para mim é mais curioso — há toda uma representação histórica paralela com o Rosário. E todos os antecedentes do Salvador, todas a sua genealogia, tudo o que fizeram os antigos profetas, está ligado misteriosamente a cada conta do Rosário. De maneira que toda História que antecedeu à Igreja, toda a História da Igreja, estão representadas nas contas do Rosário de um modo que a gente não sabe relacionar bem porque não estão explicitamente contidas nos vários pontos de meditação, mas quer dizer que quando a gente reza o Rosário de algum modo Nossa Senhora vê a representação de todos esses mistérios, Ela vê uma homenagem a esses mistérios e como que uma continuidade desses fatos do passado, nas várias contas do Rosário.

* Valor insondável do rosário

Então, os senhores compreendem que pela intenção d‘Ela, o Rosário ficou enriquecido de valores simbólicos preciosíssimos, que a oração do Rosário é uma oração que tem, portanto, um valor extraordinário e, de algum modo, insondável, porque é evidente que essas correlações históricas apresentam algo de insondável para nossa inteligência. Nossa inteligência não é capaz de enunciar e de referir adequadamente a riqueza, enfim, esses nexos riquíssimos que existem entre essas reminiscências históricas ligadas ao Rosário e o próprio Rosário.

Aqui nós vemos quanto espírito de finura é preciso ter para considerar as coisas de caráter sobrenatural. Se os senhores vêem o modo pelo qual na boa devoção popular o Rosário se estabeleceu, os senhores notam uma confiança no Rosário que vai além dos simples méritos dos “Padre-Nossos” e “Ave-Maria”; vai além da simples excelência do método de meditação.

Os senhores considerem que numerosas Ordens religiosas tomaram o Rosário como elemento integrante de seu hábito. Quantas são as ordens religiosas em que os fundadores, quase sempre santos, quiseram que do hábito pendesse sempre o Santo Rosário. Quantas são as pessoas que movidas por um instinto, por uma graça do Espírito Santo, conduzem continuamente o Rosário consigo e que não largam o Rosário nem de dia nem de noite. E que quando dormem põem o Rosário no bolso do pijama, ou em algum outro lugar, para estarem ligados ao Rosário.

Quantas são as pessoas que têm o Rosário entrelaçado na cabeceira da cama. Quantas sãos as pessoas que têm enfrentado tentações, afugentando o demônio ao brandir o Rosário. Que confiança têm as pessoas simplesmente trazendo o Rosário consigo, põem à distância o demônio. O ódio misterioso que o demônio tem também contra o Rosário.

* Rosário, mistério e força de um sacramental

Os senhores vêem aí o fato de Nossa Senhora, em numerosas aparições, e Lourdes, por exemplo, ela se apresentar trazendo o Rosário. Os senhores vêem que há no Rosário qualquer coisa de misterioso, qualquer coisa que é imponderável, e que não se reduz aos simples termo do que se pode explicitar e que já é riquíssimo. Há no Rosário algo que tem um mistério e a força de um sacramental, algo que faz do Rosário um tal elemento para a perseverança na virtude e para a luta contra o demônio, que não é só o fato de se rezar o Rosário, mas o instrumento pelo qual se reza fica de tal maneira premunindo o homem que muitos santos têm chamado o Rosário a arma mais decisiva contra o demônio.

Os senhores vêem que há aí dentro disso qualquer coisa de misterioso. Uma bênção que Nossa Senhora pôs ali e que a piedade dos fiéis compreendeu, ou melhor, entrevê, vislumbra, mas não sabe reduzir a termos definidos. E esta revelação de Catarina Emmerich dá a explicação, ou ao menos dá uma parte da explicação.

Nossa Senhora quis fazer do Rosário isto que está dito com muita propriedade no fim, e que é o seguinte:

Dessa maneira, o Rosário compreende,

Quer dizer, abrange.

o Céu e a terra, Deus, a natureza e a História e a restauração de todas as coisas mediante o Salvador que nasceu de Maria.

* A criação e a Redenção ligadas ao rosário

Quer dizer, toda a Criação e a Redenção estão ligadas por um vínculo simbólico ao Rosário. É algo de imponderável, mas é algo de um valor enorme e que se trata, para nós, de considerar, para que nossa devoção ao Rosário seja cada vez maior.

Mas, isto não basta. Se Nossa Senhora quis reunir todos esses elementos simbólicos no Rosário, é evidentemente para uma visão de conjunto grandiosa. Porque vejam que foram reunidos aqui as seguintes coisas: o Rosário compreende o Céu, a terra, Deus, a natureza e a História, a restauração de todas as coisas mediante o Salvador.

* Sabedoria e rosário

Quer dizer, tudo quanto há, toda a Criação e toda a Redenção, e o próprio Criador autor da Criação tudo isso está representado no Rosário. O que quer dizer que o Rosário tem qualquer coisa de arquitetônico. É uma reunião de valores arquitetônicos, em que esses símbolos estão numa certa ordem para apresentar a verdade total, para apresentar o conjunto total de tudo quanto Deus fez e, mais ainda, uma concepção, uma consideração geral do próprio Deus. E assim dar aos homens uma visão global daquilo que eles devem ver para se salvar.

O Rosário é, portanto, um instrumento da Sabedoria. É a sabedoria de Deus, ou melhor, é a sabedoria que vem de Deus, passa por Nossa Senhora e nos toca a nós que rezamos o Rosário. E é, portanto, a arma daqueles que querem ser os filhos da Sabedoria Eterna, que querem ser por isso os filhos de Nossa Senhora, que é Sede da Sabedoria.

Com efeito, que que é a sabedoria?

A sabedoria é uma virtude que nos faz ver não essa coisa aqui, aquela, aquela outra, mas o conjunto geral das coisas na sua ordem arquitetônica. É uma virtude de caráter intelectual eminentemente arquitetônica. E é através dessa sabedoria que nós, de fato, nos unimos a Deus e nos unimos a Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Sabedoria Eterna e incriada.

* O quê nós temos no rosário

Assim, nós temos no Rosário todos os valores que nós conhecemos. O valor do “Padre-Nosso”, a oração ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo; o valor da “Ave-Maria”, que é a oração tirada diretamente da saudação Angélica; o “Glória Patri”, que é uma oração santíssima, que é o que os Anjos cantam continuamente no Céu. Mas nós temos ligado a isso a meditação dos mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo e da vida de Nossa Senhora. Mas nós temos ainda mais uma riqueza misteriosa e fecunda em graças, que nos comunica uma visão arquitetônica de toda a obra de Deus e de toda a religião católica.

* Nunca dos nuncas deixar de rezar o rosário

E nisso nós temos então no Rosário, um manancial opulento de graças que sabemos e de graças que não sabemos. De maneira tal que tudo isso nos deve ligar, nos deve incutir desejos de cada vez mais sermos devotos do Santo Rosário. Essa devoção ao Santo Rosário é uma devoção de tal natureza que todo membro do Catolicismo deve considerar como normal rezar os três terços diariamente. Aquele que por “capenguice”, por uma deficiência qualquer não reza esses três terços diariamente, ele, esse deve considerar-se numa situação lamentável, que ele deve deplorar e da qual ele, com toda força deve procurar sair. De maneira tal a rezar o Rosário sempre, sem nunca parar um dia. O normal do membro do Catolicismo é que nunca dos “nuncas” ele deixa de rezar diariamente os três terços do Rosário.

* Exemplo de Santo Afonso de Ligório

Eu creio que já comentei aqui esse fato da vida de Santo Afonso de Ligório.

Santo Afonso estava velho, creio que já com noventa anos, paralítico; tinha um irmão leigo para o servir. E ele era guiado numa cadeira de rodas pelos vários corredores do convento para se distrair um pouquinho. E enquanto ele era conduzido por esse irmão leigo, as vezes rezava o Rosário. Às vezes ele dizia para o irmão leigo:

Já rezamos os três terços do Rosário?

O irmão dizia:

Homem, não sei se já foram os três ou se do terceiro terço falta alguma coisa. Mas o senhor está tão cansado, tão doente, pode perfeitamente deixar de rezar.

Ele dizia:

Não, então por via das dúvidas vamos rezar tudo quanto está incerto.

E depois dizia porquê. Porque depende a minha salvação eterna. Se eu rezar o Rosário todo dia eu me salvo. Se eu não rezar o Rosário todo dia, eu não me salvo.

Isso era um santo, Doutor da Igreja, bispo e fundador.

Agora, o que dirá de nós? Quer dizer, nós devemos ter, portanto, esse desejo ardente de rezar o Rosário todos os dias. Se alguém não reza o Rosário todos os dias, eu dou uma recomendação na parte do Rosário que reza, todos os dias peça a graça de rezá-lo inteiro; de receber a graça de rezar o Rosário todos os dias. E para aquele que reza o Rosário todos os dias, não violar nunca essa regra. Tomar o Rosário como a comunhão diária. Comunhão diária é uma coisa que não se perde, que não se deixa passar, não tem perigo. Fazer o mesmo cabedal da oração do Rosário. Rezar sempre, todos os dias do ano não deixar de rezar o Rosário.

* Não ficar jamais sem o terço

E depois, uma pequena recomendação que importa muito: é não ficar jamais sem o Rosário. O Rosário sempre no bolso; o Rosário sempre consigo, enquanto estiverem dormindo, seja qual for o modo pelo qual o carreguem consigo. É bonito, é piedoso o costume de ter o Rosário entrelaçado na cabeceira. Mas eu acho que melhor ainda é tê-lo consigo mesmo, sobre si mesmo. Ou o coloquem à maneira de um colar, no pescoço, ou o coloquem no bolso do pijama, ou o tenham de outra maneira qualquer, mas tenham consigo mesmo; porque é uma tal defesa contra as ciladas do demônio, é um tal modo de atrair continuamente a proteção de Nossa Senhora, que realmente eu não conheço, nesse gênero, nada de melhor do que estar continuamente com o santo Rosário.

Nessas condições, vamos consagrar a nossa oração dessa noite a que Nossa Senhora nos dê essa dupla graça: de pedir, diariamente, o Rosário diário, a graça do Rosário diário, se ainda não temos esse hábito. E além disso, de perseverar nessa graça até o último alento de nossa vida, se nós já temos esse favor do Rosário diário.

Contra isso se levanta, às vezes, um sofisma: “Dr. Plinio, eu não rezo o Rosário bem, e por isso eu prefiro não rezar”.

* Objeção: rezo mal o rosário. Prefiro não fazê-lo

Isso é um verdadeiro estapafúrdio. Uma oração mal rezada por “capenguice”, por falta de capacidade de concentração de atenção, pode valer aos olhos de Nossa Senhora absolutamente tanto quanto uma oração bem rezada. Mas vamos dizer que ela valha a quinta parte de uma oração bem rezada. Se o meu Rosário vale apenas a quinta parte do que devia valer, isso não é razão para rezar nenhuma. É razão para rezar cinco vezes mais. É claro. Pois se é absolutamente necessário que eu apresente a Nossa Senhora orações totalizando um “X”, então, não posso dizer para Ela: “Olhe, sabe o que tem? É tão pouco que eu achei que não vale a pena”. É pelo contrário. É como quem tem um remédio. Vai ao médico, o médico diz: “Olhe, seu remédio é bom, mas está meio velho. A capacidade curativa dele está reduzida a um quinto”.

Imaginem que os senhores, com uma dor muito forte, uma nevralgia, por exemplo, os senhores com uma dor muito forte, vem o médico e diz isso, os senhores dizem: “Ah, bom, então mais vale a pena continuar doendo porque se é uma só quinta parte…” Diz para o médico: “Não, me arranje cinco vezes que eu tomo cinco pastilhas de cada vez, mas eu liquido essa dor”.

Assim se nossas orações valem pouco, então rezemos mais e procuremos dar quantidade, já que não podemos dar qualidade. Porque há uma coisa que a gente não pode dar, que é zero. Essa é a razão dos preguiçosos. Então, mais vale a pena dizer de uma vez: “Eu sou preguiçoso, eu não tenho coragem a não ser recitar um jaculatória. Então, ó minha Mãe, que sois tão boa e tão compassiva, aceitai o reconhecimento que eu faço de minha preguiça. E se Vós sois o Refúgio dos pecadores, sois o refúgio dos preguiçosos, porque é uma forma de pecado. Então, aceitai-me. Eu vos ofereço a minha preguiça para entrar sob a Vossa proteção”. E aqui vai uma jaculatória: Nossa Senhora dos preguiçosos, dai-me a graça de vencer a preguiça. Isso eu compreendo. É a oração do publicano que bate no peito, que diz, realmente, eu sou mau, mas quero melhorar etc., etc.. O que eu não compreendo essas curvinhas… [faltam palavras] …eu não rezo e sou zeloso da boa orientação, orientação, sou zeloso da oração, sou tão piedoso que não rezo. Isso é uma brincadeira.

Quer dizer, portanto, rezar o Rosário em todas as circunstâncias, em todas as ocasiões. É essa a recomendação que fica e a graça para ser pedida hoje à noite.

Já que eu estou nesse ponto e que eu vejo tantos membros de outros Estados aqui reunidos, eu gostaria de tratar de outra questão, e até vou perguntar, por curiosidade, como está a coisa.

* Uso da água benta

Um membro de Catolicismo deve ter habitualmente à sua cabeceira água benta. As insídias do demônio são incontáveis. E não basta ter água benta na sede, é preciso ter água benta consigo, na cabeceira, e é preciso aspergir-se com água benta antes de dormir. Quando a gente acorda à noite, dorme à noite, adormece, a última coisa que a gente deve fazer: água benta. Quando acorda, de manhã, a primeira coisa que deve fazer: água benta. Há uma porção de miserinhas que nós tiram esses bons hábitos. “Não tenho vidro bom para guardar água benta, a minha água benta suja”.

Fulano, você não tem água benta?

Não.

Por quê?

Quebrou o vidro que eu tinha água benta.

Há de tudo isso. Ou então: “Água benta? Pedir lá para o padre? Não quero. Eu prefiro, que fujo… eu acho que a vantagem de fugir do padre é maior do que a vantagem de ter água benta”. Nenhuma dessas razões é válida. Nós de fato devemos ter nos grupos sempre água benta, que só não existe na sede da rua Pará, embaixo; em cima tem. Mas eu quero arranjar um jeito de pôr embaixo.

* Recipientes para água benta

Bem, ter sempre um vidro de água benta, que se pede ao padre. Há um processo de renovar água benta, e os senhores com certeza conhecem, e que assegura o abastecimento de água benta com um mínimo de visitar sacerdote. Há mil formas de vidrinhos úteis para água benta. Ainda mais nessa era da matéria plástica. É a única vantagem que eu descobri, até agora, para matéria plástica, é conter água benta. Vidrinhos de “Suita” vidro… Aquilo que não merece nome de vidro.

Enfim, “envolucrozinhos” de “Suita” à maneira de vidro. Como é fácil levar aquilo e pôr água benta dentro. Não é propaganda, mas vidros de homeopatia existem magníficos para água benta. É só jogar fora a homeopatia tida como ineficaz e supérflua, jogar fora e pôr dentro a água benta.

Bem, há Mil modos e até, se quiserem, nós podemos aqui arranjar vidrinhos de homeopatia vazios e sem nome de remédio e pôr em circulação para os que queiram isso para guardar água benta. Mas é uma outra coisa preciosíssima.

* O uso da água benta e bênção de Deus

A gente imaginar, que cada vez que a gente se asperge com água benta tem a certeza de receber a bênção de Deus, porque a benção de Deus está ali imanente no sacramental e não tem dúvida nenhuma que usando o sacramental recebemos a bênção. Nós sabemos quantos casos há de demônios que são afugentados com água benta; nós sabemos quais são as tentações que o homem pode sofrer — noturna fantasmata — fantasmas noturnos de que as Completas pedem que nós sejamos livres.

Não é isso?

Bem, tudo isso, negligenciar de ter água benta é verdadeiramente, é uma espécie de relaxamento. Então, eu queria saber, a título de curiosidade, o seguinte. A minha pergunta é indiscreta. Quem pergunta o que não deve, não tem o direito a resposta exata. De maneira que não constitui violação da verdade responder meio “mile canescamente”. Mas, enfim, eu queria saber o seguinte: quantos aqui têm, na sua cabeceira, água benta, habitualmente? Levantem os braços.

É, são quase todos, mas com importantes ilhas. Permitam-me: importantes ilhas visíveis. Eu recomendaria muito que os chefes de grupos, ou de seções, quero dizer, ou de sub-seções, se entendam depois com o Dr. Eduardo, se quiserem vidrinhos de homeopatia de água benta para carregar por aí. Se é que na alopatia não existe também isso, coisa muito melhor. Nesse caso eu não insisto.

Bem, e com isso encerramos.

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