Santo do Dia – 8/10/1966 – p. 5 de 5

Santo do Dia — 8/10/1966 — sábado Local?

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Um argumento irretorquível sobre as virtudes que ornavam São José. São José e a Santíssima Virgem foram de raça patriarcal, régia e principesca. Por que convinha que São José fosse nobre. A nobreza e a pureza supereminentes de São José. Não há imagens de São José que correspondam à descrição de São Bernardino de Sena

Comentários de São Bernardino de Sena sobre São José

Um argumento irretorquível sobre as virtudes que ornavam São José * São José foi de raça patriarcal, régia e principesca * Genealogia da Mãe de Deus: descendia de patriarcas, reis e príncipes * Por que convinha que o pai adotivo de Nosso Senhor fosse nobre * São José teve de modo supereminente a nobreza e a pureza * Não há imagens de São José que correspondam à descrição de São Bernardino de Sena

Hoje é festa de Santa Brígida, Viúva, no dia oito, e nós vamos ter…

Não havendo, para a data de amanhã, um santo para comemorar, eu tenho um pedido aqui para fazer um comentário a respeito de um trecho de um sermão de São Bernardino de Sena sobre São José, mandado pelo Dr. Aluísio Torres, de Belo Horizonte.

* Um argumento irretorquível sobre as virtudes que ornavam São José

O trecho é o seguinte:

As graças de Deus, especialmente em São José, são proporcionadas à sua missão. A respeito de todas as graças particulares concedidas a qualquer criatura racional, é regra: sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial, ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à pessoa assim escolhida, e à sua missão; dons que a ornam abundantemente. Isso é evidente quanto aos Padres do Antigo Testamento: Moisés, Josué, Abraão, Isaac, Jacó, Davi, Salomão e os outros profetas. É evidente também, no Novo Testamento, quanto à Virgem Santíssima, aos Apóstolos, Evangelistas, Doutores e Fundadores de Ordens religiosas. E realizou-se plenamente quanto a São José, pai supositício de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e dos Anjos, o qual foi escolhido pelo Padre Eterno para fiel nutridor e guarda de seus principais tesouros: seu Filho e sua Esposa. Tal missão ele a cumpriu fidelissimamente.

Isso é um desses argumentos irretorquíveis. A respeito de São José, diretamente e por fonte histórica, nós muito pouca coisa sabemos. Apenas sabemos que ele era um varão justo. A única coisa que diz dele a Escritura. Então, ficamos nos perguntando como é que seria… quais seriam as virtudes que ornavam São José; e qual era um dado que se poderia ter para computar a extensão de suas virtudes. São Bernardino de Sena dá aqui um argumento irretorquível. De todo o mundo que teve uma grande missão, nós sabemos, pela exemplificação histórica, que teve também altos dons correspondentes a essa missão. Ora, São José teve uma missão como ninguém teve; logo, ele deve ter tido dons de toda ordem correspondentes a essa missão. E nós sabemos com uma certeza plena que ele foi grandíssimo, embora não tenhamos nenhuma descrição concreta de como essa grandeza foi. É um silogismo do qual não se pode fugir.

* São José foi de raça patriarcal, régia e principesca

Nobreza de São José segundo a carne. Primeiro, eis descrito nesse homem santíssimo o estado da natureza no qual brilha a nobreza de sua geração. Ele foi efetivamente, de raça patriarcal, régia e principesca segundo a linha reta de sua nobreza natural. Para melhor compreender, consideramos a nobreza natural de três pessoas: da esposa, do esposo e de Cristo. Nobreza segundo a carne; a Bem-aventurada Virgem Maria.

É interessante essa argumentação, porque acho que os senhores nunca viram um sermão que tratasse de elogiar São José enquanto nobre. Era enquanto um pobrezinho de um carpinteirinho, muito coitadinho, que serrava uma madeirinha, que ganhava um dinheirinho para comprar um pãozinho. Isso aqui é São José descrito pela “heresia branca”. Fazer uma descrição de São José enquanto príncipe da casa de Davi e apelando para toda a prodigiosa ascendência que ele tinha atrás de si, isso não se vê.

* Genealogia da Mãe de Deus: descendia de patriarcas, reis e príncipes

Nobreza segunda a carne; a Bem-aventurada Virgem Maria. A Bem-aventurada Virgem foi mais nobre que todas as criaturas tendo existido ou por existir. Foi São Mateus, colocando três vezes quatorze gerações desde Abraão até Jesus Cristo inclusive, mostra que Ela é descendente de 14 patriarcas, de 14 reis e de 14 príncipes.

Isso é que é argumentar, não é verdade? E os estudos genealógicos tão desprezados pelos modernos, inclusive pela esquerda católica, adquirem aqui um lustre extraordinário. Porque bastaria dizer de Nossa Senhora que Ela foi Mãe de Deus, para estar dito tudo quanto se poderia dizer. Está bem. O próprio Espírito Santo quis indicar a grandeza d’Ela, indicando-Lhe a genealogia. E essa genealogia é uma genealogia de patriarcas, de reis e de príncipes. Então, São Bernardino de Sena, com imensa dor para o espírito democrático de nosso tempo, põe isso em evidência.

São Lucas, descrevendo também sua nobreza a partir de Adão e Eva…

Uma genealogia não pode ser mais antiga.

prossegue em sua genealogia até Cristo Deus. Cristo recebeu da Virgem toda a sua humanidade; em conseqüência do parentesco, foi constituído Filho de Davi que Lhe dá irmãos de nobre origem. A dignidade de príncipe, de rei, de patriarca de todo o povo de Israel foi estabelecida em vista da Santíssima Virgem, para demonstrar claramente que a nobreza corporal concedida ao gênero humano em Adão foi dada por Deus principalmente para chegar, por meio de numerosas gerações, à Virgem Maria. E pela Virgem Mãe terminar em Cristo, bendito Filho de Deus.

Em outros termos, a Providência julgou necessário, para a grandeza de Nossa Senhora, que Ela nascesse nobre e procedesse de um sangue nobre; de tal maneira a origem nobre é uma coisa capaz de ser adorno, até para Aquela que é adorno de todas as coisas, e que é Nossa Senhora. Continua. Está esplêndido como antidemocracia-cristã; nós precisamos publicar isso no “Catolicismo”.

* Por que convinha que o pai adotivo de Nosso Senhor fosse nobre

Nobreza de São José segundo a carne: São José nasceu de raça patriarcal, régia e principesca, em linha reta. Pois São Mateus leva em linha reta todos esses pais, de Abraão até o esposo da Virgem, demonstrando claramente que nele se terminou toda a dignidade patriarcal, régia e principesca. E se São Mateus, em vez da genealogia de Maria, deu a de São José, fê-lo por três razões.

Realmente, São José, como os senhores sabem, não era o pai natural de Nosso Senhor Jesus Cristo. Então, por que [é] que se deu essa genealogia dele? Vem aqui a explicação:

Primeiro, para se conformar ao uso dos hebreus da Sagrada Escritura, que jamais estabelece genealogia pelas mulheres, ou pelas mães, mas sempre pelos homens e pais, porque a varonia prepondera. Em seguida, principalmente, por causa do parentesco. Maria e José pertenciam à mesma tribo, sendo parentes. Além disso, segundo a lei, as mulheres e, principalmente, as herdeiras, como foi a Virgem, só deviam se casar com homens da sua tribo, e até do próprio parentesco, no grau permitido.

Nossa Senhora era herdeira, quer dizer, Ela não tinha homens na sua irmandade, e Ela herdava a nobreza que vinha por meio de São Joaquim. Ela, então, deveria se casar com um homem da mesma tribo e, de preferência, do mesmo parentesco dentro da tribo; para que aquela nobreza que vinha daquela linha caísse o mais próximo possível da própria linha.

Portanto, sendo São José um justo, como afirma São Mateus, se Maria não fosse de sua tribo, jamais A teria desposado. Enfim, recensearam-se ao mesmo tempo em Belém, como descendentes da mesma estirpe. Em terceiro lugar, dá-se a genealogia de José e não de Maria, para mostrar a excelência do matrimônio de Maria e José, durante o qual nasceu Cristo e no qual era tão estreita a união que, por sua causa, José foi chamado, de certo modo e verdadeiramente, o pai de Jesus Cristo.

Quer dizer, convinha que São José, sendo pai apenas adotivo de Nosso Senhor, fosse parente num grau muito próximo de Nosso Senhor, para que de algum modo a consangüinidade desse mais calor vital, calor ontológico àquele parentesco adotivo.

Nobreza de Jesus Cristo, de certo modo recebida de seus pais. Cristo foi, portanto, por parte de ambos os pais, Patriarca, Rei e Príncipe. Os Evangelistas descreveram a nobreza da Virgem e de José, para manifestar a nobreza de Cristo. José foi, portanto, de tanta nobreza que, de certo modo, se é permitido assim exprimir, deu a nobreza temporal a Deus na pessoa de Jesus Cristo.

Em matéria de nobiliarquia, é o sumo da nobiliarquia. Dar a sua própria nobreza a Deus, ser tão nobre que Deus quer revestir-se daquela carne nobre para se fazer homem, é verdadeiramente uma maravilha. Os senhores vêem como um santo sabe tratar superiormente de um tema e tirar desse tema luzes, que pregações opacas e não santas, durante séculos de pregação, não saberiam tirar. Esse é o esplendor da santidade.

Bem…

* São José teve de modo supereminente a nobreza e a pureza

Vida santa de São José com a Santíssima Virgem. Se na Paixão, Cristo confiou sua Mãe somente a um discípulo virgem, não se deve supor que antes da conceição, enquanto jovem, ele a tenha confiado aos cuidados de um homem virgem? Por isso diz São Jerônimo que José foi virgem para que de Maria nascesse, de uma união virgem, um filho virginal.

Então, depois da nobreza de São José, ele colocou a virtude que mais convêm ao nobre, e a virtude cuja carência conspurca as duas coisas mais nobres que há na Terra, que são, em primeiro lugar, o sacerdócio e, em segundo lugar, a nobreza, é a impureza. A virtude que mais convêm ao nobre é a pureza. Um nobre impuro, ao ser impuro, ele cai no pecado que mais radicalmente destrói a sua virtude. São José teve de modo supereminente a nobreza, ele teve também de modo supereminente a pureza. E ele teve uma e outra virtude de um modo supereminente pela nobreza, pelas razões explicadas, quanto à pureza, pela razão aqui indicada. Deus quis, Nosso Senhor Jesus Cristo quis que sua Mãe Virgem, quando Ele morreu, fosse entregue a um apóstolo virgem. Será que ele não teria querido que Ela fosse entregue, que Ela estivesse sob a guarda de um esposo virgem? Para ser esposo da Virgem das virgens, alguém poderia não ser virgem? É uma coisa verdadeiramente inconcebível.

* Não há imagens de São José que correspondam à descrição de São Bernardino de Sena

E então aqui fica a minha lamentação. Como é pena que não haja no Grupo um artista que saiba fazer uma imagem de São José de acordo com as concepções de São Bernardino de Sena. Homem de trajes simples, porque era pobre, mas brilhando, através da simplicidade dos trajes, a dignidade, a categoria, a largueza de visão, a segurança de si, de um homem que é patriarca, rei e príncipe. E, ao mesmo tempo, nisso tudo, o fulgor da virgindade iluminando todo ele. Isso seria um São José real, um São José segundo o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, tão diferente de toda espécie de imagem de São José que eu conheço. Eu ainda estou para conhecer uma imagem de São José que corresponda à figura que dele faz a piedade do verdadeiro católico e que dele faz essa estupenda descrição de São Bernardino de Sena. Eu pediria ao Dr. Castilho para tomar depois essa ficha, pedir ao Dr. Aloísio a documentação exata para nós tirarmos proveito disso para o “Catolicismo”.

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