Conferência
pública (Rua Pará) – 7/10/1966 – 6ª-feira
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Conferência pública (Rua Pará) — 7/10/1966 — 6ª-feira
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Atuação da TFP face ao problema comunista
1º Parte: A teoria da ação: concepções da TFP a respeito do perigo comunista e como deve ser desenvolvida uma atuação anticomunista, de acordo com esses conceitos.
Excelentíssimo Senhor General Eduardo d’Ávila Melo, digníssimo Comandante da Segunda Divisão de Infantaria, Ilustríssimo Senhor Coronel Rubens Fleury Varela, chefe do Estado maior da Segundo Divisão de Infantaria, senhores oficiais, meus amigos.
É com extrema satisfação que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade acolhe neste momento a Vossa excelência e as Vossas Senhorias para exposição dos objetivos que ela tem, exposição esta que segundo eu entendi pelo convite que me foi feito deveria tomar como ponto de referência principal a atuação desta sociedade face ao problema comunista. E como é esse o ponto de referência mais importante eu permitiria de começar exatamente desenvolvendo algumas concepções que esta Sociedade tem a respeito do problema comunista ou do perigo comunista, do modo pelo qual ele é realmente um perigo, e do modo pelo qual ele pode se conjurado, para depois então, em função disto, mostrar como se desenvolve a atuação da Sociedade. Há portanto, duas grandes partes fundamentais nesta conferência, uma das quais representa uma espécie de teoria da ação, mostrando como é que a ação anticomunista deve ser feita segundo os conceitos que nesta Sociedade se adotam, e em segundo lugar, uma parte prática que mostra o que efetivamente tem sido feito.
Na parte primeira portanto, a que eu vou me dedicar agora, nós devemos começar por considerar que entre as pessoas de boa vontade que tomam uma posição anticomunista no Brasil e que desejam sinceramente combater o comunismo, nem sempre os conceitos a respeito da natureza do problema comunista e do modo de o conjurar são conceitos inteiramente claros.
Como fundo de quadro existem três posições capitais nesta matéria que nos convém distinguir. Há alguns que tem do perigo comunista um conceito que é verdadeiro mas que se cifra embrionariamente no seguinte: o comunismo é uma ideologia malsã que conduz à subversão completa da civilização cristã e até de todos os elementos que possam constituir uma civilização qualquer que seja, ela representa portanto, a ruína da pátria e é preciso lutar contra esse adversário que costuma operar da seguinte maneira: o adversário constitui pequenos núcleos, pequenos nas células, estas células fazem uma ação de proselitismo por onde elas aumentam e se tornam capazes então de produzir as agitações, essas agitações crescem de ponto e podem transformar-se numa insurreição, essa insurreição pode transformar-se numa revolução.
Se a partir de um ponto de infestação ou de infecção tão pequeno como serão as células, se pode então chegar a um perigo tão grande, a primeira idéia que ocorre naturalmente ao espírito é de um homem que está diante de um fogo de um incêndio que começa por pequenos focos. A primeira idéia é de extinguir o incêndio nos seus primeiros focos iniciais. E então essa seria a ação da polícia: compete à polícia, à polícia de ordem política e social de observar todos os manejos iniciais, de apreender as pessoas e o material de propaganda que nesses manejos iniciais se utilizam, e enfim se por alguma razão a ação da polícia não for suficiente para matar o perigo, no começo então se lança mão à força, quer dizer, há uma insurreição, há uma revolução , e por meio da força se esmaga essa revolução, depois vem a repressão e acabou-se, o problema está resolvido.
Esta posição contrasta fundamentalmente com outra posição que nós poderíamos dizer que é a sociológica, que consiste em considerar que o perigo comunista provém exclusivamente de carências de caráter econômico e social. Aonde existem carências pode haver comunismo, aonde não existe carência não pode haver comunismo. De maneira que então visto o comunismo com o fruto da miséria e dos desajustes sociais, fruto único e exclusivo das misérias e dos desajustes sociais, então em conseqüência o modo de resolver a questão comunista estaria muito menos no emprego da polícia e da ação da força e eventualmente da força militar do que numa ação de caráter econômico e social que resolve todas as carências.
Nós poderíamos encontrar uma terceira tendência em matéria de comunismo que consiste em ver o comunismo sobretudo como uma ideologia. A idéia tem uma força própria, ela se propaga com argumentos próprios. Quando ela versa sobre as grandes questões metafísicas de estrutura do universo como é a doutrina comunista, então quando versa sobre problemas dessa natureza é preciso que a ação ideológica e doutrinária do comunismo se contraponha uma outra ação ideológica e doutrinária. E então a reação anticomunista seria sobretudo uma reação feita pelo proselitismo das idéias anticomunistas em oposição às idéias comunistas.
Nós temos então para sintetizar uma luta de força, uma profilaxia de caráter econômico e social, e uma luta ideológica, e conforme o feitio dos espíritos se é levado muito freqüentemente aqui no Brasil a dar o papel exclusivo a um desses fatores.
Diante dessa tríplice via, a posição da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade consiste na afirmação de que esses três fatores atuam, que o comunismo de fato é até certo ponto a inoculação artificial de uma ideologia malsã contra a qual a polícia deve agir e eventualmente contra a qual a força do Estado, o poder militar, deve agir. Que o comunismo resulta, nem sempre, mas com freqüência, da miséria e dos desajustes sociais. Eu digo “com freqüência” e “nem sempre” porque muitas vezes se vê que o comunismo nasce em ambientes que são opulentos. Sem falar no fenômeno deplorável do comunista grã-fino tão freqüente aqui no Brasil. Sem falar nisso, nós poderemos apresentar o índice de votação dos comunistas em algumas zonas onde o operariado vive muito bem, como por exemplo em todo o norte da Itália, especialmente em Milão, aonde a votação comunista é maior do que a votação [comunista] no sul da Itália, onde o trabalhador manual vive mal. E nós podemos apresentar lugares numerosos onde o trabalhador manual vive mal e onde não há uma irradiação eficiente da ideologia comunista. Declarar, portanto, que o comunismo é um produto necessário da miséria é uma afirmação que nós não aceitamos. Mas nós aceitamos que a miséria é um fator favorável ao comunismo, é um fator que facilmente coopera com o comunismo. De maneira que ainda que a miséria por outras razões não devesse ser combatida – e ela deve ser combatida – ainda que por outras razões não devesse ser combatida, a miséria entretanto deveria ser combatida pelo fato de que ela constitui um caldo de cultura não indispensável, mas freqüentemente propício ao comunismo.
Nós afirmamos, por outro lado, também que o comunismo é substancialmente uma ideologia, e que enquanto ideologia, enquanto sistema doutrinário ele se difunde por argumentos próprios e tem o poder inerente da idéia e da argumentação, e que portanto é preciso uma ação de caráter ideológico também para contrastar e para deter a ação comunista. De maneira que essas três vias se completam harmonicamente, e, se bem que nós aqui nos consagremos especialmente ao combate ao comunismo na via ideológica nos termos que daqui a pouco os senhores vão ver que nós nos colocamos, embora nós nos consagremos à via ideológica nós o fazemos muito conscientes de que esta não é a única via e que não basta a difusão ideológica para jugular o comunismo, que é preciso a ação policial, e é preciso uma cuidadosa ação sócio-econômica para preparar condições que tornem fácil a repressão ao comunismo.
Assim explicada inicialmente essa posição, eu me despreocupo, no momento, dos outros aspectos da repressão ao comunismo – eu repito: o aspecto da força policial,etc, o aspecto da economia – para me preocupar apenas naquele que essa Sociedade mais especialmente tem voltado as suas atenções.
Uma vez isto posto, nós devemos dizer o seguinte: a importância da luta ideológica na repressão ao comunismo provêm fundamentalmente do seguinte: o comunismo precisa para dar o seu golpe e para vencer em determinado país, ele precisa de um certo vulto numérico. Se ele não tiver um determinado vulto, um determinado número de elementos em seu contingente, ele não terá meios, nem sequer os meios materiais para dar o seu voto, nem os meios para ter os quadros necessários para governar depois de ter dado o golpe, nem depois os elementos necessários para se manter depois de dado o golpe. De maneira que o recrutamento de uma certa minoria apreciável para dar o golpe comunista é um recrutamento indispensável. E esses recrutamentos só se podem fazer por via ideológica, porque sem pessoas que tenham absorvido a ideologia, sem pessoas que estejam persuadidas de que essa ideologia é verdadeira, não é possível que esses quadros se constituam. E portanto como fenômeno inicial e como ponto de partida de todo o desenvolvimento comunista nós temos evidentemente uma tomada de posição ideológica.
É verdade que por outro lado a posição ideológica é indispensável para que o comunismo se mantenha e não apenas para que ele conquiste o poder. Ainda que nós imaginemos um golpe comunista triunfante em determinado país, se nesse país a massa da população é muito profundamente anticomunista, como é que se poderá manter de fato o poder comunista nesse país? É verdade que os governos hoje têm meios de repressão de qualquer movimento de descontentamento popular como no passado não tinha. É verdade, portanto, que é mais difícil derrubar um governo totalitário apoiado nas armas, apoiado na polícia, uma ditadura comunista, é mais difícil derrubar hoje do que era difícil derrubar no passado. Mas há um fato a cujo império ninguém pode furtar. E é que quando uma determinada sociedade, quando um determinado país está profundamente imbuído de certos princípios há uma força imanente em todas as coisas, há uma pressão do conjunto da opinião pública, à qual as estruturas mais duráveis, mais consolidadas por uma longa tradição não tem conseguido resistir. E se o comunismo se chocar contra um país que na sua grande maioria não apenas é vagamente anticomunista,mas é militantemente anticomunista, se isto acontecer haverá como conseqüência que o poder comunista nesse [país] não dure.
Os exemplos históricos são os mais numerosos a esse respeito. Os senhores considerem o Cristianismo. Não houve no passado poder mais imponente, mais largamente apoiado pela força militar do que o poder dos Césares. Entretanto, apesar de todas as perseguições, o Cristianismo foi se desenvolvendo. E chegou determinado momento onde se tornou impossível a manutenção do Estado pagão antigo. Quando Constantino com um piparote derrubou o império pagão antigo para estabelecer o império cristão, esse piparote foi tão fácil e tão natural porque todo o império estava cristianizado na sua realidade. E aquela superfície pagã que restava não podia resistir à ordem profunda das coisas.
Os senhores tomem a França de 1789. A monarquia francesa com um milênio de glórias e de passado. Em determinado momento ruiu. Ruiu por quê? Porque o pensamento dos enciclopedistas, o pensamento da escola liberal, as tendências republicanas, tinham de tal maneira minado todo o país que toda a estrutura rígida da monarquia absolutista não era capaz de manter uma ordem de coisas que já não encontrava seu apoio na realidade.
Os senhores tomem a Espanha na revolução comunista de há uns vinte anos atrás. O que aconteceu com a Espanha? A Espanha teve a revolução comunista, os comunistas tomaram conta do poder, mas houve um alçamento geral contra eles, porque os espanhóis todos eram anticomunistas. E a vitória da revolução anticomunista, da revolução franquista há trinta anos atrás foi em última análise a vitória da nação inteira levantada em armas para depor uma ordem de coisas que ela abominava.
Ainda na Polônia de nossos dias que é já uma ditadura comunista inteiramente moderna, o comunismo só se mantém dominando aquela nação profundamente católica por causa de um perigo, e que é o perigo da invasão russa, e um perigo extrínseco portanto. O Cardeal Wishinske e o episcopado polonês fazem entender - e isto ainda vi muito claramente com contatos que eu tive com altas autoridades eclesiásticas quando eu estive em Roma - fazem entender ao povo polonês que se os poloneses derrubaram [Gomulka?] e os atuais detentores poloneses do poder comunista na Polônia, os russos invadirão a Polônia. E para evitar um comunismo executado por russos,é preciso então, nesta concepção do Cardeal Wishinske, aceitar um governo comunista polonês como mal menor. E então as próprias autoridades eclesiásticas recomendam que não se derrube já o comunismo polonês. Mas se não houvesse o perigo extrínseco de uma ameaça russa o comunismo na Polônia absolutamente não duraria.
O que nos leva então à idéia dupla de que o comunismo tem a maior necessidade de ter um proselitismo ideológico para constituir seus quadros e depois uma ação que não é diretamente de recrutamento de comunistas para o caso de que eles não possam fazer de alguém um comunista, mas é uma ação psicológica de tal natureza que torna a maioria, se não comunista , pelo menos pouco rígida e na perspectiva de um domínio comunista. De maneira que essa maioria aceite com uma tal ou qual passividade a eventualidade de um domínio comunista. Então nós temos duas linhas de progresso da ideologia comunista numa determinada sociedade, e uma é o recrutamento dos quadros comunistas e a outra é o amolecimento, a flexibilização de uma grande parcela da opinião pública para aceitar resignadamente, para aceitar com torpor o domínio que os comunistas possam, em determinado momento, adquirir sobre o país. E essa dupla ação corresponde igualmente a uma ideológica em sentido contrário: é em primeiro lugar de lutar para que os comunistas tenham o menor número possível de prosélitos, mas em segundo lugar também de dar aos que não são comunistas uma consistência nas suas opiniões anticomunistas, uam rigidez nas suas opiniões anticomunistas de maneira tal que na hipótese de uma arremetida comunista, a reação da massa anticomunista seja a mais coerente, a mais previdente, a mais vigorosa, a mais intransigente possível. E é com essa dupla barreira, e essa dupla ação ideológica é que se pode fazer a impermeabilização ideológica de um país em relação ao perigo comunista.
Como os senhores terão ocasião de ver, essa dupla ação é desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade na medida dos recursos de que ela dispõe.
Isto posto, nós devemos estudar agora os métodos pelos quais os comunistas realizam sua ação ideológica nas duas pistas indicadas.
O primeiro método nós o poderíamos chamar o método explícito e direto e outro nós poderíamos chamar o método implícito e indireto. O método explícito e direto é muito mais antigo do que o método implícito e indireto. Como é que se faz o método explícito? É o método claro: manda-se por exemplo, se se quer implantar o comunismo em determinado estado do Brasil onde esse comunismo não exista, manda-se para lá um grupo pequeno de “intelectualóides” comunistas. Esses “intelectualóides” se misturam, se infiltram em alguma classe social, vamos dizer, na classe dos médicos ou dos advogados, ou entram nas universidades, ou tomam um pouco de contato com a oficialidade superior, qualquer coisa, e com o clero, entram então esses prosélitos do comunismo e começam então a desenvolver uma ação persuasiva.
Haverá sempre em qualquer sociedade um certo gênero de descontentes que está pronta para se tornar comunista. Esses descontentes aderem no primeiro momento ao comunismo, e se forma então um núcleo, uma célula comunista. Em geral os participantes dessa célula ou núcleo fazem uma propaganda explícita, o que quer dizer, em outros termos, que eles se declaram comunistas, eles advogam a doutrina comunista enquanto tal, eles distribuem literatura diretamente comunista, e seu objeto próximo é que alguém que não era comunista passe a ser comunista. Com o desenvolvimento desse método se constitui o movimento comunista. Nos países onde a lei permite isso depois o partido comunista. Mas esse método produziu – a História o demonstra – resultados que são muito limitados.
Quando nós consideramos que Marx escreveu o seu “Manifesto” há uns cem anos atrás, e nós consideramos ao cabo desses cem anos o resultado obtido pelo comunismo, esse resultado ao mesmo tempo maravilhoso e o decepcionante. Ele é maravilhoso se nos colocarmos no seguinte contraste: há cem anos atrás, um pensador judeu que escreve uma obra, que essa obra visa transformar completamente o mundo daquele tempo, esse pensador difunde a sua obra, cria uma corrente de pensamento e de homens de ação, e ao cabo de cem anos nós temos uma grande parte do mundo sujeita ao comunismo. Se os senhores consideram que o domínio comunista vai do Elba até o Vietkong, se os senhores considerarem que vai do Mar Adriático até o Oceano Pacífico, os senhores compreendem que é um dos maiores impérios de toda a terra, e que debaixo desse ponto de vista o sucesso alcançado é um sucesso impressionante. Mas, por outro lado, se os senhores consideram as raízes desse sucesso, a origem desse sucesso, algo de frustro começa a aparecer. Na Rússia, os comunistas tomaram conta do poder com um golpe de estado, um golpe de estado favorecido menos pela força deles do que pela extraordinária debilidade de dois homens que eles encontraram diante de si:primeiro, o Czar Nicolau II e depois, Kerensky.
Os senhores considerem, depois, que houve revoluções anticomunistas na Rússia, mas que foram abaladas com violência, mas que nunca houve na Rússia um plebiscito, que nunca houve na Rússia uma eleição, e que o governo soviético na Rússia até hoje se sentiu na contingência de empregar continuamente a violência, e a mais extrema violência, para se manter. Os senhores chegam à conclusão que a ação repressiva do comunismo foi quase nula, o comunismo não conseguiu embeber de sua doutrina o povo russo, ele conseguiu é manter-se à força como um grupo de celerados pode manter-se à força, dominando uma maioria honesta, mas uma ação persuasiva ele não desenvolveu.
A expansão do comunismo pela Europa, pela China, deveu-se no final da Segunda Guerra Mundial, como é bem sabido, a um conjunto de golpes que foram golpes de astúcia, ora golpes de força. Em nenhum lugar uma eleição regular deu posse ao comunismo. No Ocidente se tem realizado desde Marx até hoje incontáveis eleições livres e limpas e em que o Partido Comunista tem tido a possibilidade de fazer a pregação que entenda, com os meios de propaganda e os recursos financeiros maiores possíveis. Entretanto, chamado o eleitorado por toda parte – constituído, na sua maioria, das camadas modestas da população- chamado o eleitorado a votar, a essa classe pobre à qual o comunismo oferece tudo, a essa classe pobre o comunismo é tão refratário que em nenhum lugar o comunismo conseguiu ganhar uma eleição, o que exprime bem a realidade de que o comunismo como ação persuasiva, por esse processo de persuasão direta, o comunismo não conseguiu resultados ponderáveis. Pelo contrário, enquanto persuasão o comunismo foi uma imensa frustração, o que coloca os comunistas naturalmente na obrigação de pensarem numa revisão de método. E é exatamente essa revisão de método que, por sua vez, leva os comunistas a adotarem uma série de manobras de caráter internacional, tendentes de um lado a inutilizar, a desorientar aqueles que são anticomunistas, e de outro lado produzir não mais a mutação direta e quase artificial do homem não comunista para o homem comunista, mas a produzir em um número incontável de pessoas um processo de deslizamento, um processo de escorregar, por onde sem se advertirem, as pessoas as pessoas vão acabar dando no comunismo. E por esta forma então o comunismo conta deslocar uma situação da opinião mundial que para ele é no fundo uma situação muito desfavorável. É uma série de golpes de habilidade dos quais nós podemos nos dar uma idéia considerando uma série de ventos que têm soprado nesta matéria desde a Segunda Guerra Mundial para cá.
Quais são esses ventos? Houve um tempo em que a posição anticomunista era considerada naturalmente como uma posição militante. O homem que queria combater o comunismo via no comunismo o supremo oposto , e o dizia claramente e entrava com o comunista numa polêmica positiva, numa polêmica declarada. Essa posição anticomunista vigorou mais ou menos até o fim da Segunda Guerra Mundial. Depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, no seio da sociedade burguesa, no seio da sociedade ocidental começaram a se difundir opiniões, impressões que começaram a mudar essa posição, relegando o anticomunismo militante para uma posição francamente desagradável aos olhos de importantes setores da opinião pública. A primeira coisa foi essa idéia que começou a soprar, de que o anticomunismo era uma coisa estéril, que o anticomunismo era estéril porque era anti, e que nunca se deve ser anti, a gente sempre deve ser a favor, todo conceito negativo é um conceito que demole e não constrói, e o anticomunismo portanto é uma destruição e não uma construção, de maneira que então não se deve ser anticomunista.
Esse modo de ver é um modo ao qual não falta até uma certa infantilidade. Porque o anticomunismo é uma formulação negativa de uma porção de valores positivos. Muita gente quer ser anticomunista e é anticomunista porque quer a prevalência de valores que o comunismo derruba. De maneira tal que em última análise se é anti por ser pró. Se eu faço, por exemplo, uma campanha contra o câncer eu estou fazendo uma campanha a favor da saúde, e a minha campanha apesar de chamar anticâncer é uma campanha eminentemente positiva. Se eu faço uma campanha contra o analfabetismo, eu estou fazendo uma obra positiva porque eu estou fazendo uma obra a favor da cultura. Aliás, grande número de conceitos do homem, conceitos dos mais positivos do homem, se exprime em termos negativos.
Os senhores querem uma coisa mais positiva do que a independência? É o valor pelo qual a pessoa se governa a si mesma, ou um país se governa a si próprio. Ora, como é que eu exprimo a independência? Eu exprimo por um conceito negativo,é a não-dependência. Mas eu não vou dizer que a independência do Brasil foi um acontecimento negativo porque foi uma não-dependência, é uma tolice. É um recurso da linguagem humana, esse recurso se exprime, a linguagem humana exprime em termos negativos um conceito positivo. E o anticomunismo, portanto, bem entendido, é uma coisa fundamentalmente positiva. Apesar do que, começou a se espalhar uma onda, uma impressão de que o anticomunismo era uma coisa antipática; que mais valia a pena construir do que valia a pena destruir.
Depois desta primeira posição, começa então uma interpenetração entre o mundo comunista e o mundo não-comunista, feito para distender a posição de horror, de repúdio moral das nações anticomunistas em relação ao comunismo. É ora um circo russo, ora um ballet russo, ora um astrônomo russo, ora um geógrafo russo, ora um filósofo russo que faz a visita a um determinado país. Aparentemente não tem nada , mas o que é que acontece? É que neste convívio, as coisas que convivem, ou as pessoas que convivem distendida e amistosamente levam a não dar mais importância aos pontos que as separam. E aquela posição de repúdio ao comunismo vai assim se diminuindo, vai se desgastando em virtude do estabelecimento de umas tais relações cordiais que nos fazem esquecer que de fato aquelas pessoas que vêm cá, muitas vezes até são pessoas que são forçadas a parecer comunistas e não o são, mas que o poder que está por detrás disso é um poder inimigo, e que nós não podemos, em relação a esse poder inimigo, distender a nossa posição.
Os senhores imaginem duas nações em guerra. Vem durante a guerra, por exemplo, vamos dizer o Brasil em guerra, vamos considerar hipoteticamente, com a Argentina. Durante a guerra vem um ballet argentino dançar no Brasil, depois vem um circo argentino mostrar seus ursos ou não sei, seus bichos aqui no Brasil. Não tem nada, não derruba nenhuma cidade, não coloca o adversário dentro de nenhuma trincheira, mas produz uma desmobilização. Se eu estou combatendo o argentino e me extasio com o ballet argentino, na hora de sair de lá a minha capacidade de luta com a Argentina evidentemente decaiu um tanto. É isto que essas relações cordiais vem produzindo.
Por outro lado, nós temos também a impressão que se semeia de que algumas ditaduras comunistas não são tão ruins porque não são verdadeiramente ditaduras. Assim, por exemplo, a do general Tito. O titoismo seria uma forma mais doce de comunismo, uma forma portanto menos antipática de comunismo. E por causa disso o titoismo deveria ser considerado com uma certa tolerância, com uma certa simpatia. Então a gente começa a distinguir um comunismo antipático de um comunismo menos antipático. E a gente vai insensivelmente para a idéia de que há um comunismo mais ou menos simpático e um outro comunismo antipático. E é mais uma vez uma posição de repúdio, uma posição de luta, que é atenuada por uma coisa que no fundo é um erro. Porque o comunismo, seja ele como for, igual a si mesmo por toda parte, é substancialmente incompatível com nosso modo de ver e com as nossas persuasões.
Depois começa, a partir disso, uma outra coisa que é a distensão religiosa do comunismo. É um dos maiores blefes que o comunismo tem intentado na História e que consiste no seguinte: em última análise, a Igreja Católica dispõe de quinhentos milhões de adeptos em toda a terra. Se os senhores somam a religião católica às outras religiões cristãs não-católicas; se os senhores somam essas religiões às religiões não-cristãs, o contingente religioso do mundo é de longe maior do que o contingente ateu. Há incomparavelmente mais pessoas religiosas do que atéias. Então a gente vê que diante desse fato, e diante do malogro de sua campanha de luta direta contra a religião, o comunismo a partir de certa altura da Segunda Guerra Mundial resolveu mudar de tática e resolveu fazer luzir aos olhos da religião e dos homens religiosos do mundo inteiro uma verdadeira promessa implícita, mas clara, e a promessa consiste no seguinte: se em um certo país em que a religião seja x, os comunistas chegarem ao poder, eles não atacam a religião materialmente. Dão à religião toda liberdade de culto. Exigem apenas como contrapartida que o sistema comunista fica prevalecendo em matéria econômica, política e social. Quer dizer, em lugar de haver o que deu-se com a Rússia logo com a queda do czarismo, o fechamento de todas as igrejas e a perseguição a todas as religiões, ao contrário, o comunismo entra e deixa as religiões com liberdade. Mas nenhuma religião se intrometa no seguinte: ele elimina a família, ele elimina a propriedade e organiza a vida civil como quiser. Se as religiões aceitarem isso elas terão liberdade. Essa promessa cria em muitas pessoas a esperança: “Eles dizem bem, se a religião continua livre é menos mal, e se nós formos combatê-los então nós devemos reconhecer que nós atraímos sobre nós uma perseguição que não atrairemos se não os combatermos. Então nós, enquanto religiosos, deixamos de lutar contra o comunismo. O comunismo que organize a sociedade como quiser.”
Eu tive ocasião de ver no período do João Goulart uma circular reservada mandada por uma personalidade de grande influência nos meios católicos, mandada a todos os bispos do Brasil, e mandada a um certo número de líderes católicos leigos também dizendo isto expressamente: não valia a pena os católicos estarem combatendo o comunismo porque em pouco tempo o governo seria comunista e desataria uma perseguição religiosa contra a Igreja. Era melhor, portanto, os católicos deixarem o comunismo se estabelecer que aí não viria perseguição religiosa nenhuma contra a Igreja.
Os senhores estão vendo a sagacidade extraordinária do golpe: é tomar o maior obstáculo a bolchevização de um país e tentar neutralizá-lo, tentar neutralizá-lo com essa idéia de que a religião não tem mais necessidade de combater o comunismo. É um dos melhores artifícios que o comunismo tem adotado para isolar os meios religiosos da luta anticomunista. Para isolá-los e depois, naturalmente, para os penetrar. Porque uma vez feito o isolamento começa a penetração. Porque se o comunismo não tem nada contra a Igreja, quem sabe se a Igreja pode até colaborar com ele, e se pode colaborar com ele, por que não há de colaborar? Então começa a colaboração, e com a colaboração vem necessariamente a infiltração dentro dos próprios meios católicos e dos meios religiosos em geral. E então esta é outra manobra dos comunistas para desgastar a resistência anticomunista mundial.
Uma outra manobra muito adotada por eles é a manobra do que nós chamamos, num ensaio que publicamos, a baldeação ideológica inadvertida, e é a famosa técnica do diálogo: “Ah, você é comunista, eu sou anticomunista; não vamos fazer polêmica, vamos dialogar, nós vamos dialogar muito cordialmente, esse nosso diálogo não é uma discussão, esse diálogo é um procurar comum da verdade feita no tom mais amistoso possível.” Neste diálogo, insensivelmente se escorrega um certo relativismo: Será que…? Eu então estou certo de minhas convicções, vou discutir com um comunista. Se eu admito que eu estou procurando uma atitude comum com ele, eu em última análise estou admitindo que talvez eu esteja errado. A partir do momento que eu admito que eu talvez esteja errado o comunista sabe com uma sagacidade extraordinária ir transformando gradualmente a opinião do interlocutor. De maneira que sem ele perceber, ao longo do falso diálogo o interlocutor se tornou comunista. Ele primeiro é relativista, depois de relativista ele se deixa embair pelos aplausos do comunismo, porque o comunista sabe aplaudir quem vai cedendo à resistência dele, ele se deixa portanto embair pelos aplausos do comunista, ele se deixa aliciar com a idéia de uma paz com o comunismo que evite a guerra mundial, ele se deixa dominar pela idéia de que o comunismo promove de fato o bem das classes operárias. Em pouco tempo o diálogo o transformou num simpatizante, e de simpatizante, em pouco tempo, ele acaba sendo um comunista, mas isso sem perceber; quando ele é comunista que ele se dá conta disso e ele não percebeu que ele é comunista, e que ele não é mais, que ele deixou de ser comunista. É uma técnica que está no oposto do proselitismo explícito, é jeitoso, é por iluminação gradual, ou se preferirem por escurecimento gradual, é por esta forma que aos poucos vão se modificando as opiniões, e assim então áreas inteiras da população podem tornar-se, em um tempo não muito longo, áreas que são dominadas pelo comunismo.
Depois disso, nós devemos considerar o modo pelo qual se pode então fazer uma ação anticomunista. Esta ação anticomunista deve ser a ação,[em] primeiro, contrária à ação comunista explícita. E isto consiste… [inaudível]… eu diria então que há um meio que consiste em fazer uma ação anticomunista explícita por meio de obras explicitamente anticomunistas, e como os senhores verão, nós temos editado essas obras e as temos difundido largamente.
Por outro lado, há um meio de fazer ação anticomunista implícita, e essa ação anticomunista implícita consiste no seguinte: fazer com que a massa da população brasileira, a massa não comunista da população brasileira se dê uma idéia da gravidade do problema comunista. Se faça uma idéia de como a infiltração comunista entra sem que a pessoa perceba. E em terceiro lugar, através deste processo, seja capaz então de determinar uma reação vigilante da opinião brasileira. E é isso, sobre isso especialmente, nesse ponto especialmente que tem agido a nossa sociedade, e é, vamos dizer, é esta a nossa grande especialidade.
Por que que é a nossa grande especialidade? Não quer dizer que nos reputemos grandes especialistas. É aquilo em que grandemente nos especializamos, podemos ser muito pequenos especialistas. Bem , mas no que é que consiste, por que é que nós preferimos isto? Porque o grande perigo não é a ação comunista explícita, já fracassada. O grande perigo é a vitória da ação comunista implícita, e por isso agir sobre ela é cortar o perigo no que ele tem de pior. E é por causa disto que nós estamos consagrados especialmente a esse fim.
Quais são as dificuldades especiais que nós temos encontrado?Nós temos encontrado, em última análise, uma dificuldade que é a seguinte: de um lado há uma orientação anticomunista, eu digo mal, uma orientação comunista de fundo católico, ou dizendo melhor - porque comunismo e catolicismo, como escreveu o Papa Pio XI, são termos que urram ao se encontrar juntos, e portanto, nós não podemos usar a palavra comunismo católico – é uma certa irradiação comunista pintada do lado de fora de católico e circulando em meios católicos, e depois uma certa irradiação comunista pintada de burguesa e circulando dentro de meios burgueses. O nosso contato com todos os setores da opinião pública brasileira nos levou à seguinte convicção, bastante fundada: No momento, no Brasil, o principal perigo comunista não está nas classes trabalhadoras, o principal perigo comunista está nas classes cultas. E o principal perigo comunista nas classes cultas no momento está especialmente nos dois setores principalmente interessados, pela ordem natural das coisas, em combater o comunismo, e são o setor religioso de um lado e o setor burguês de outro. Esta afirmação não é uma afirmação feita no ar. Nós temos dezenas de núcleos nas mais diversas cidades do Brasil. Eu lerei daqui a pouco para os senhores a lista desses núcleos. Bem, em todos esses núcleos a parte preponderante é de jovens, jovens de todas as classes sociais, desde operários até pessoas jovens das famílias mais altas ou mais tradicionais, jovens operários, bancários, comerciários, universitários, alguns estudantes. Esses jovens saem às ruas para as nossas campanhas de abaixo-assinados. Esses jovens saem às ruas para oferecer ao povo as nossas obras para vender. Eles vão aos bairros operários, desfraldam um estandarte que os senhores terão visto pelas ruas, que é um estandarte rubro com um leão dourado, escrito em baixo, em ouro, as palavras tão negredadas pelo comunismo: Tradição, Família, Propriedade.
Bem, os senhores querem saber quais os bairros onde é mais amável a acolhida? Os bairros operários de São Paulo: é Pari, Belém, Belenzinho, etc. Os senhores querem saber onde é que vem a maior objeção? Na proximidade de certas sacristias, no bairro do Jardim América, no bairro do Jardim Europa e no bairro de Higienópolis, aí são as principais objeções. É um absurdo, é uma coisa que ninguém diria, mas é um fato concreto, palpável, que assim se comprova, à maneira de um inquérito, de uma verdadeira investigação. Muito freqüentemente nossos rapazes fazem ponto na Praça Portugal, que os senhores naturalmente conhecem, é aquela praça em que acaba a Avenida Rebouças e que começa a Avenida Brasil. É freqüente passarem lá, enquanto os rapazes estão vendendo as nossas obras ou recolhendo abaixo-assinados, é freqüente passarem automóveis em toda velocidade, que gritam desaforos. Esses automóveis são em geral automóveis de luxo. É o grã-fino de salão, é o comunista de salão, a mais desprezível das parcelas comunistas. É freqüente, nas saídas de certas sacristias, pessoas se apresentarem com insígnias de associações religiosas e falarem contra a nossa Sociedade. Isto é freqüente aonde mais se deveria achar que o fato não existe. Ora, como é que se pode explicar isto? A não ser através de um trabalho soberanamente bem feito, soberanamente inteligente que aos católicos apresenta o comunismo sob um aspecto que eu daqui a pouco mostrarei como é, aos burgueses apresenta-se com outro aspecto que eu [também] direi daqui a pouco como é. Bom. Fazer em face de esta ação é na ordem ideológica, no momento presente, o trabalho mais importante para quem queira fazer ação anticomunista.
Como é que se apresenta a coisa nos meios católicos? Evidentemente quando eu falo de meios católicos eu estou longe de dizer que todos os meios católicos são assim. Eu estou dizendo que há disso nos meios católicos, e que isso representa nos meios católicos uma força de um dinamismo, uma força minoritária de um dinamismo grande e de uma ação muito difusa, com uma visualização muito manhosa. A coisa começa por dizer isto: O católico não deve ser comunista, isto é uma coisa evidente, é contrário à doutrina católica, etc., etc.. Porém nós devemos tomar em relação ao comunismo uma posição diferente do que tomava antes a Igreja.
Depois do Concílio Vaticano II – o Concílio Vaticano é um olho do qual se abusa para os fins mais indébitos possíveis, nunca um documento eclesiástico foi objeto de tantas interpretações desfigurativas quanto o Concílio Vaticano II, as resoluções do Concílio Vaticano II – depois do Concílio Vaticano II nós devemos reconhecer duas coisas: Primeiro, que os pobres estão numa situação miserável, que não podem mais esperar por algum tempo, porque, de repente, arrebenta uma revolução social e leva tudo pelos ares, e que portanto, urgentemente, a coisa que é importante é acabar com a pobreza, é favorecer os pobres, comunismo não, comunismo é uma questão secundária, é preciso ajudar os pobres. E se os comunistas lutam do nosso lado contra os burgueses que não ajudam os pobres como deviam ajudar, então nós seremos aliados dos comunistas. Alguém objetará: “E se vier o comunismo?” Resposta: “Se vier o comunismo, há de ser menos ruim do que o pauperismo atual; vamos lutar, nós não somos comunistas, mas nós somos mais anti - capitalistas do que anticomunistas.” Então uma transfiguração de posições: o comunista que ontem era meu inimigo passa a ser meu aliado, o burguês que ontem era meu aliado passa a ser meu inimigo. E os sóis inimigos naturais do comunismo, que são as elites dirigentes e a Igreja, passam a lutar um contra o outro. Os senhores estão vendo o esplêndido resultado que essa manobra apresenta.
Do ponto de vista religioso esta visualização é simplesmente infantil. Em primeiro lugar, para não tomar as coisas senão do ponto de vista do pauperismo, quem é que nos diz que na Rússia os pobres passam melhor do que nas nações ocidentais? Nós não sabemos exatamente do contrário? Como é que os pobres passam tão bem na Rússia e é um paraíso em que é preciso guardar os que estão dentro a tiro, se alguém tentar fugir desse paraíso morre, é delicioso, os pobres vivem muito bem lá, mas todo [mundo] quer escapar de todo lado, e aquilo é uma vasta penitenciária. Como é que se pode acreditar nesse bem-estar dos pobres lá? Quer dizer, se nós quisermos evitar o pauperismo, se nós vivermos o amor tão louvável, tão justo, tão cristão para com a classe pobre, a primeira preocupação é de evitar a implantação do comunismo, porque o comunismo é a redução de todos os pobres, exceto uma pequena casta de usufrutuários – evidentemente são os detentores do poder – e depois a redução de todos os pobres a miseráveis, pela completa incapacidade de organizar bem a produção, de organizar bem o comércio e de atender verdadeiramente às necessidades da população.
Em segundo lugar, não é verdade que a primeira preocupação deva ser, para o católico, de resolver o problema da pobreza. A Igreja Católica não é uma escola de serviço social, ela não foi feita principalmente para resolver o problema social, ela foi feita para levar os homens ao Céu, ela foi feita para dar a formação moral aos homens, para formar almas elevadas. Quando uma nação tem almas elevadas e verdadeiramente cristãs, o pauperismo desaparece por efeito da justiça e da caridade do operar dos cristãos. Mas é uma ação de alma que a Igreja faz e que ninguém, a não ser ela, pode fazer, é a formação do homem, é a formação espiritual, que é a condição para uma sociedade temporal bem organizada, e não o contrário, a sociedade temporal bem organizada uma condição para a formação espiritual.
De maneira que lançar a Igreja irrefletidamente e até doidamente, numa mera atividade de solução do problema social e cair no erro que ontem denunciava muito bem numa carta que “O Estado de São Paulo” publicou, não sem alguma indiscrição, o bispo de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer. Talvez os senhores tenham lido esta carta, o Prelado, a propósito das agitações do Nordeste, encarece exatamente que não se deve, em nome da Igreja, procurar organizar uma… [faltam palavras] …de obras contra ricos ou de ricos contra pobres, mas o que é preciso é a união das classes sociais num pensamento de justiça recíproco, de caridade recíproca, e se isto a Igreja consegue é sobretudo por meio de uma formação espiritual. Mas de qualquer forma que seja, este é grande o sofisma que vai embaindo centenas de católicos para não falar em milhares de católicos numa política de concessão ante o comunismo.
Esta política é responsável por coisas verdadeiramente singulares. Eu falarei daqui a pouco a respeito disso, mas quando nós publicamos – o arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo de Proença Sigaud, o bispo de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer, eu e o economista Luiz Mendonça de Freitas – um livro intitulado “Reforma Agrária – Questão de Consciência” , em que tomávamos perante a reforma agrária uma posição que daqui a pouco eu esclarecerei qual era, mas que era uma posição contrária ao agro-reformismo confiscatório e socialista. Quando publicamos este livro o Dom Mayer e o Dom Sigaud conversaram com uma alta autoridade eclesiástica deste Estado, e esta alta autoridade dizia: “Eu sou a favor da reforma agrária porque não leva cinco anos que a agitação que lavra nas fazendas terá determinado o morticínio de todos os fazendeiros e terá determinado o bolchevismo em todo o interior do estado de São Paulo.” Há muito mais de cinco anos esse livro se publicou, ou por volta de cinco anos que este livro se publicou, e onde é que está a agitação? Está tudo em paz, tudo quimeras feitas exatamente dessa espécie de susto comunista e de desejo de uma colaboração que afinal de contas é uma colaboração que redunda na tentativa de isolar e de desprestigiar os católicos que queiram efetivamente lutar contra o comunismo.
Ao par desta posição, há uma posição na burguesia, e a posição na burguesia é a seguinte: O comunismo é uma coisa ruim, mas o comunismo se resolve por meios econômicos. Toda luta anticomunista, portanto luta ideológica anticomunista é uma luta inútil. A gente vence o comunismo aumentando os salários, aumentando as pensões, melhorando as condições dos operários. Com isso o comunismo desaparece completamente. Por outro lado, o que é preciso fazer, isso sim, é um bom socialismo. É preciso cada vez mais concentrar a produção em poucas mãos, é preciso acabar com as pequenas empresas em favor das grandes, é preciso centralizar de todas as formas a produção e por essa forma a produção se decuplica; a produção se decuplica e ao cabo de algum tempo naturalmente também se vai transferindo uma parte disso para o operariado. Mas isso é uma coisa forçosa, é o socialismo. Nós remotamente teremos que chegar ao comunismo através do socialismo. É preciso ceder para não perder. Se nós não nos habituarmos à idéia de que, através da participação dos operários no lucro, na direção e na propriedade das empresas, dentro de uma geração ou duas, os operários se tornem donos de todas as empresas, se não nos habituarmos a isto, o comunismo toma conta logo. E então o que nós temos que fazer é entregar tudo para o comunismo desde logo.
Há um grande banqueiro em São Paulo, que conversando com uma pessoa de minha família, na pior crise janguista, esta pessoa se manifestava muito apreensiva e esse banqueiro de repente saiu com esta: “Oh, vocês estão aborrecidos com isto, eu não estou, porque nós, diretores de empresa, regime comunista teremos em todo o caso uma boa posição para nós.” E revelou então uma coisa que eu nunca soube deste ultra-burguês. Diz ele: “Eu sou íntimo amigo do Luís Carlos Prestes.” Um grande banqueiro! Diz ele: “Eu até já disse a ele: “Luís Carlos” – olhe o nível de intimidade, hein! – “Luís Carlos, quando vier o comunismo você me tira do meu banco. Me dá a direção da fazenda de Fábio Prado – uma grande fazenda do interior – eu vou lá viver uma vida sossegada de banqueiro aposentado, não sou dono da fazenda, mas diretor da fazenda. Você me garante as costas quentes e eu vivo mais ou menos tão sossegado como no meu banco.”Pequeno sorriso: “Do que adianta toda essa ação anticomunista?” Quer dizer, o centro do mundo é ele, o centro dele é o abdômen dele, é o que mais vale. Se ele estiver bem nutrido e com uma vida confortável e garantida pode mudar a ordem do orbe terratio, não há princípios morais interessados nisto, não há valores culturais, não há questões religiosas, não há nada, há apenas o interesse pessoal dele, e havendo uma composição com o interesse pessoal dele está tudo consentido. De onde então, ao contrário do que muita gente poderia imaginar vendo a nossa atuação, um certo frio, quando não um certo desdém em muitos círculos da alta burguesia – é claro que não em todos – da alta burguesia de São Paulo em relação a uma ação ideológica anticomunista, incompatibilidade com o ideológico enquanto ideológico, por entender que o mundo é só econômico, técnica do “ceder para não perder” como meio para fazer com que o dilúvio chova sobre os netos deles e não sobre eles.
Os senhores ouviram falar naturalmente na famosa Marquesa de Pompadour, concubina de Luís XV. Ela tinha essa expressão: “Depois de nós o dilúvio.” Ela via [que] as ondas do que seria futuramente a Revolução Francesa iam crescendo, e ela dizia: “Bom, vamos gozar, o dilúvio vai chover em cima de nossos netos.” Esses dizem mais ou menos a mesma coisa: “Bem, nossos filhos, nossos netos, vão cair no inferno comunista, mas nós ainda vamos ser administradores da fazenda Fábio Prado; ainda é um bom arranjo, vamos passar por isso. Esses bobos que estão se esbaldando contra o comunismo não entendem nada.” Por incrível que seja são sofismas dessa natureza, são objeções dessa natureza que criam um campo de entrada para o socialismo pré-comunista nos meios burgueses, para um falso socialismo cristão nos meios católicos, e que inutilizam na reação contra o comunismo a parte mais ponderável, mais influente naturalmente numa reação anticomunista. E então a nossa atuação se destina a quebrar esta ação psicológica que eu depois descreverei aos senhores.
Entretanto, se o general estiver de acordo, eu proporia que antes de nós passarmos para esta segunda parte, que já não é mais uma teoria geral do comunismo e do anticomunismo como eu acabo de fazer, mas que é uma descrição histórica das nossas atividades, antes de passar para esta segunda parte, os senhores me façam as perguntas que entenderem convenientes, as objeções que entenderem convenientes e depois nós faríamos um pequeno intervalo, serviríamos um pequeno café e depois nós começaríamos a parte histórica mais leve do que a parte doutrinária até aqui tratada. Eu pergunto portanto se alguns dos senhores me queriam fazer alguma objeção ou alguma pergunta. Se me permitirem o uso do método empregado habitualmente neste auditório, eu começo por bancadas, e começaria portanto a perguntar aos senhores do lado de cá se quereriam me fazer alguma objeção ou alguma pergunta. Ou então os senhores do lado direito.
(Sr. –: Eu gostaria de fazer duas perguntas ao senhor. A primeira é a seguinte: eu tenho ouvido falar em comunismo ateu. Eu gostaria de saber por que… [faltam palavras]…)
Pois não, com muito gosto. O comunismo, antes de ser uma escola política ou social é uma escola filosófica. Essa escola filosófica tem como pressuposto que Deus não existe, e que toda a marcha das coisas da natureza é uma evolutiva processiva do menos bom para o melhor, rumo a uma perfeição que jamais será atingida, porque a evolução não tem termo. E esta força evolutiva reside fundamentalmente na matéria, na qual [a] matéria é a única realidade existente no universo. Esta posição implica naturalmente em ateísmo, e portanto, o comunismo enquanto tal é fundamentalmente ateu. Agora, essa expressão “comunismo ateu” e a afirmação de que nós somos contra o comunismo ateu, é uma expressão,ou é uma afirmação que é inteiramente justa e verdadeira, mas [que] não deixa de prestar a um certo equívoco, porque dá a impressão de que pode haver um comunismo não ateu, e que contra esse comunismo não ateu não somos, não é verdade! Eu me referirei [a] mais pormenores do problema na segunda parte de nossa exposição, quando eu tratar de um livro, de um ensaio que eu escrevi, chamado “A liberdade da Igreja no Estado comunista”, mostrando que se houvesse um regime comunista católico, quer dizer, tomando não a filosofia comunista mas o sistema social comunista em conexão com o sistema católico, esta conexão seria imoral, porque a moral católica é contrária à abolição da propriedade privada. E portanto nós deveríamos ser igualmente contrários a um comunismo não ateu. Este livro foi objeto de uma carta de louvor calorosa da Santa Sé, de maneira que ninguém pode dizer nada a respeito da inteira harmonia desse livro com o pensamento católico. Não sei se a minha resposta responde a sua pergunta. O senhor disse que tinha outra pergunta, qual seria?
(Sr. –: O senhor, no final da exposição, referiu-se a socialismo cristão…[faltam palavras]…)
O socialismo cristão é uma coisa que, de direito, não pode existir. Pio XI definiu que socialismo e cristianismo são termos incompatíveis, por esta razão que eu acabo de dar agora, porque tudo quanto seja mutilação da propriedade além do limite natural e harmônico dado pela doutrina da Igreja, tudo isto é anticristão. De maneira que o termo é impróprio, mas a gente se refere a socialismo cristão quando se refere ao erro daqueles que imaginam poder ser socialistas e cristãos, não porque acha que possa haver um socialismo cristão. Não sei se minha resposta …[faltam palavras]… está claro.
Haveria uma outra pergunta que os senhores gostassem de me fazer?
(Sr. –: O senhor nos apresentou na sua palestra, na primeira fase,[ou] primeira parte, dois fatos que conduzem à pergunta que eu vou fazer: Primeiro, o senhor disse que os moços da Sociedade às vezes são vaiados, ameaçados, e inclusive ouvem palavrões…)
Ah, sim!
(Sr. –: …desaforos, particularmente ao pessoal que mora no bairro dos Jardins, provavelmente é gente mais “ cabeluda”…)
Aqui em Higienópolis também.
(Sr. –: Exato. E com carro de luxo conforme o senhor disse. Bem. Posteriormente, o senhor nos diz que a maior reação talvez seja encontrada na alta burguesia, onde provavelmente há maior dinheiro. Isto tudo me conduz a uma pergunta: por que é isto? Terão eles medo de que esse país venha a ser comunista ainda? Ou será outro motivo, por diletantismo? Ou eles têm medo do comunismo?)
Pois não.
(Sr. –: Têm medo que nós viremos comunistas, e então vão se aproveitar depois para dizer que não eram “ gorilas”.)
Eu respondo com muito gosto. Há uma certa forma de deterioração do espírito que é tão ilógica que a gente não a pode imaginar, é só vencendo-a que a gente entende. É a deterioração de espírito própria àqueles que usam mal o seu dinheiro, de maneira a entender que a vida é feita exclusivamente para o prazer. A partir do momento em que o mau uso do dinheiro – porque isto não vem necessariamente do fato de ser rico, mas é um defeito [a] que os ricos estão mais propensos – o mau uso do dinheiro leva a essa posição de exclusivo diletantismo perante a vida, cria-se uma espécie de antipatia fundamental contra qualquer pensamento sério. Porque a seriedade é uma atitude de espírito contrária ao gozo da vida. A partir dessa fobia contra a seriedade de pensamento vem uma fobia contra uma interpretação ideológica séria dos direitos que eles mesmos têm, e em geral contra toda escola de pensamento muito coerente, muito séria e muito profunda. Porque é preciso ser frívolo, é preciso ser leve, é preciso ter as asas da imaginação pouco carregada do peso das idéias para gozar a vida de um modo integral. De maneira que então, a partir dessa posição vem a idéia seguinte: a luta contra o comunismo é uma luta. Esta luta supõe seriedade e profundidade, e supõe que eu renuncie desde já uma posição mental que é o centro do meu prazer. Em vez disso, prefiro enganar-me, prefiro iludir-me, prefiro até passar para um comunismo, para ele vir daqui a cinqüenta anos, do que entrar numa luta que me priva hoje do suco da minha delícia, e que é a minha frivolidade. Eu não sei se eu me exprimo bem.
(Sr. –: Certo. Perfeitamente.)
Bem. Mais do que o medo, que também existe, mais do que um fundo de simpatia que nas idéias da Revolução… [inaudível] … representam esse estado de espírito de um modo magnífico diante da alegria estúpida dos troianos quando o cavalo de Tróia entrou dentro de Tróia, não é? Ninguém queria ouvir a voz de Cassandra que dizia as coisas sérias, não é? É aqui que está o fundo do caso. Haveria outra pergunta?
(Sr. –: Eu gostaria de saber se dentro da Igreja já existe uma corrente que procure combater a esta outra corrente que se aproxima do comunismo combatendo o pauperismo.)
Como o senhor verá pela segunda parte de minha exposição, o senhor nos faz o prazer de estar na sede dela. Esta corrente somos nós. Evidentemente nós somos uma sociedade cívica, não somos uma sociedade religiosa, mas a nossa atuação no meio religioso é enorme. O senhor verá na segunda parte da conferência como é que isto se concatena e quais são as possibilidades de ação desta corrente.
(Sr. –: Eu gostaria de ver ainda alguns casos de reação além da Sociedade. Como há correntes de pensamentos que procuram combater alguns casos que eu vi há pouco tempo, em que eu vejo que … [inaudível] … se não reagiu, custou a reagir nesse impasse.)
Essa pergunta vem muito a propósito na segunda parte da conferência em que eu vou tratar disso. Se o senhor me perguntar nessa ocasião eu lhe responderei com gosto. Algum dos senhores quer me fazer alguma pergunta?
(Sr. –: Eu queria saber se o senhor acredita numa possibilidade de uma coexistência pacífica entre dois poderes ou senão, se o senhor acha que seria eternamente uma luta entre duas ideologias.)
A Igreja e o comunismo.
(Sr. –: Ou o capitalismo também.)
Bem. Igreja e comunismo há uma incompatibilidade absoluta. O comunismo só deixará paz à Igreja no dia em que a Igreja deixar de combater o comunismo. Mas então, no dia em que ela deixasse de cumprir sua missão. Isto, como Ela é a Igreja de Deus, nunca Ela deixará de fazer. Setores grandes dela poderão infelizmente deixar de fazer por causa da miséria do homem. Mas sempre haverá católicos em luta contra o comunismo. Do ponto de vista do capitalismo, se o capitalismo, se a classe capitalista se deixar tragar pelo comunismo aos poucos – o comunismo não a tragará logo – e durante esse período de devoração a classe capitalista gozará de uma relativa paz. É a paz dos pântanos. Mas propriamente o comunismo visa a extinção das classes dos capitalistas. De maneira que no fundo, paz não pode haver. Não sei se respondi bem a sua pergunta. O senhor, mais algum dos senhores teria mais alguma pergunta?
(Sr. –: Aliás, em complemento ao que o senhor disse, o próprio Kruschev dizia que a coexistência pacífica era uma arma que eles tinham para… [inaudível] …)
Ah, claramente.
(Sr. –: O próprio Kruschev declarava isso, que a coexistência pacífica tinha seu objetivo, que era a melhor maneira de destruir o mundo ocidental. E a palavra capitalismo, é preciso tomar cuidado com ela, porque os comunistas dizem capitalismo, mas o capitalismo do século passado, do tempo de Mar. Marx foi influenciado por um mundo completamente diferente do nosso, completamente. Era como se nós hoje em dia acreditássemos na república de Platão. )
É isso mesmo, tem toda razão.
Eu estou deixando para ouvir as objeções do general no fim, porque o chefe fala no fim, mas o senhor quer me perguntar alguma coisa?
(Sr. General: Depois de ouvir o senhor a gente tem até vergonha de falar.)
Ah, não diga isso.
(Sr. –: Poderia dar uma explicação [de] porque a Igreja, em todos os séculos de sua existência, tem agido de uma forma talvez particular, não tenha chegado ao público, e porque ela começou a agir nesses últimos cinco ou dez anos mais publicamente contra o comunismo.)
O senhor diz que portanto a Igreja até cinco ou dez anos atrás não agia publicamente contra o comunismo.
(Sr. –: Como age hoje. )
Quer dizer, de um modo, de um modo o senhor diz mais brando em relação ao comunismo ou …
(Sr. –: Talvez dentro dela ela agia, mas não chegava ao povinho. )
Sei.
(Sr. –: …[faltam palavras] …
Bom. Como o senhor verá pela exposição que vem na segunda parte, houve um [tempo?], nos meios católicos de uma espécie de quisto, de uns trinta anos para cá, de um quisto no sentido de uma [dubificação?] em relação ao comunismo. E foi esse quisto que chegou a furo nos últimos cinco a dez anos no público, porque a Igreja, quanto mais o senhor vai caminhando para trás, mais ela é contra o comunismo. Quanto mais recentemente o senhor vai caminhando, tanto mais o senhor vê que a posição dos documentos pontifícios não muda, mas de muitas autoridades eclesiásticas muda. É o histórico do que vem na segunda parte. General, eu estou às suas ordens para … não quereria fazer alguma objeção, general?
(Sr. General: Não, objeção nenhuma, o senhor foi magnífico! )
Não, isso é gentileza sua.
(Sr. General: Não senhor, absolutamente. É pena até que o auditório não seja muito maior. O senhor deve ter visto que eu fiz questão que viessem principalmente os jovens, principalmente os jovens. )
Eu estou vendo, é.
(Sr. General: Não é? Tem muita… )
…muita mocidade aí.
(Sr. General: A maioria aqui é pessoal até de reserva, não é ? A maioria absoluta é pessoal que está estagiando conosco. )
Ótimo, está muito bem. Eu tenho muito gosto nisso. Bom. Como me disseram que o general – são coisas, um general pode tudo, não é? Pode obrigar até a caceteação, não é? – e me disseram que o general tinha a idéia que quase per perversum em relação aos senhores, de que eu fizesse uma conferência longa, eu resolvi dividir a conferência em dois ritmos, em dois momentos. De maneira que agora, se o senhor estiver de acordo, nós tomamos um pouco de café e daqui a dez minutos retomamos para uma parte mais leve e mais breve.
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Rua Pará