Santo
do Dia – 6/10/1966 – p.
Santo do Dia — 6/10/1966 — 5ª-feira
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Os mistérios da vida de Nosso Senhor são meditados na recitação do Rosário * Outros métodos de meditação da vida de Nosso Senhor * O Rosário é especialmente detestado pelos inimigos da Igreja e é sinal de verdadeira piedade * Glória, influência e imponderáveis do Santo Rosário * A meditação na Via Sacra e nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio * Rosário: devoção marial por excelência, vinculado à Mediação Universal de Maria *A recitação do Rosário é sinal do amor de Nossa Senhora e um símbolo da devoção a Ela * Uma confirmação a contrario sensu: o ódio do demônio e dos maus ao Rosário * O simbolismo do Rosário e a espada na Capela da Sede do Reino de Maria * Graças a pedir a Nossa Senhora no Rosário: sermos lutadores d’Ela, inteiramente d’Ela e inteiramente lutadores
* Os mistérios da vida de Nosso Senhor são meditados na recitação do Rosário
Hoje é a vigília da festa do Santo Rosário. É festa também de São Bruno. Mas, dada a grandeza da festa do Santo Rosário, eu acho mais importante nós dizermos uma palavra sobre esta devoção agora.
Os senhores conhecem, afinal de contas, muito bem em que consiste o Rosário. É a meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo: os gaudiosos, depois os dolorosos e depois os gloriosos; a meditação [que] se faz em três terços, cada um com cinco mistérios, meditando, portanto, cinco mistérios gaudiosos, cinco mistérios dolorosos e cinco gloriosos. Naturalmente, os senhores compreendem que é magnífico meditar a respeito dos mistérios da vida de Nosso Senhor, e, depois, os mistérios que estão apontados ali, naquela enumeração, não sendo os únicos, estão muito bem concatenados, muito bem expostos, e nós podemos facilmente compreender o proveito que as [almas?] têm com essa meditação.
* Outros métodos de meditação da vida de Nosso Senhor
Entretanto, nós devemos reconhecer que outros métodos de meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor existem na Igreja. Nós temos, por exemplo, a meditação feita segundo os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, de alguns mistérios da vida de Nosso Senhor. Nós temos toda a técnica inaciana que pode aplicar-se, como meio de meditação, a cada um dos pontos do Rosário.
Quanto aos mistérios dolorosos, existe uma outra devoção, que os medita magnificamente, embora não coincidam exatamente uns mistérios com os outros, que é a Via Sacra. [Os] senhores compreendem, portanto, que o Rosário, sendo uma devoção muito importante não é, entretanto, senão uma outra apresentação — considerado na sua última essência — de modos de meditação e de modos de devoção que a Santa Igreja, no seu engenho materno, multiplica de várias formas.
* O Rosário é especialmente detestado pelos inimigos da Igreja e é sinal de verdadeira piedade
E, por causa disso, fica sem [?] uma explicação muito clara a seguinte questão: por que é que todos os inimigos da Igreja detestam tanto o Rosário?
Detestam-no mais e o combatem mais do que todas as devoções congêneres, por que também, de outro lado, o Rosário é de uma predileção especial dos filhos verdadeiros de Nossa Senhora, dos verdadeiros filhos da Igreja, de maneira que [eles têm] um empenho, um apego, que não é só ao método, mas é [a] alguns imponderáveis, e [que] é o próprio objeto do Rosário, usado continuamente como um espécie de garantia de bênção, garantia de favor de Nossa Senhora, etc. De maneira tal que, por exemplo, não se concebe uma pessoa verdadeiramente piedosa que não tenha consigo continuamente seu terço, não se concebe uma pessoa piedosa que não reze pelo menos [um] terço por dia, não se concebe um membro do “Catolicismo” que não reze o Santo Rosário, os três terços do Rosário todos os dias, ou que não podendo fazer por justas razões, entretanto, não tenha, por isso, um grande pesar e uma viva esperança de rezar o Rosário.
* Glória, influência e imponderáveis do Santo Rosário
São numerosas as Ordens Religiosas que usam o Rosário como elemento integrante de seu hábito. É generalizado o hábito de enterrar os defuntos com um Rosário entrelaçado nas mãos e com o Crucifixo. Quer dizer, para a sepultura, para esperar a ressurreição dos mortos, o verdadeiro católico não se contenta em ir com Crucifixo, mas ele vai também com o Santo Rosário.
As indulgências de que os Papas cobriram o Rosário são sem-conta, são sem-número. A invocação de Nossa Senhora do Rosário é generalizadíssima: catedrais, dioceses, Famílias Religiosas, santos com o nome de Rosário, pessoas usando o nome de Rosário em várias nações. Por exemplo, na Espanha é freqüentíssimo, nos países de língua espanhola.
De todos os lados o Rosário goza de uma influência, de uma aceitação da parte dos bons comparável apenas ao ódio que goza da parte dos maus. Há vários fatos que contam do demônio procurando atormentar esta ou aquela alma, e o demônio recua quando a alma atormentada acena para ele com o Rosário. Há numerosos fatos de blasfêmia, promovidas pelo demônio, contra o Santo Rosário. Todo o mundo que tem mau espírito odeia o Rosário, ou subestima o Rosário, ou diretamente o combate. Os jansenistas odiavam, os protestantes odiavam, os comuno-progressistas modernos, os “liturgisqueiros” modernos o odeiam. [Os] senhores tomam qualquer revista que é impregnada de espírito liturgicista, os senhores a folheiem de todos os jeitos: ela ou tem a respeito do Rosário um silêncio de morte, ou ela combate o Rosário.
Então, nós nos deveríamos perguntar porque essa glória tão especial do Rosário, que, afinal de contas, para a qual não se encontra um fundamento quando nós analisamos a última substância do Rosário, que é a meditação dos mistérios da Paixão e da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Parece-me que a gente deve reconhecer que, de início, está uma das belezas da Igreja Católica. É que a Igreja Católica, sendo enormemente precisa no seu pensamento teológico, é entretanto na sua vida cheia de imponderáveis. Nós devemos reconhecer que uma das belezas da doutrina católica é que essas várias devoções trazem consigo imponderáveis, e que esses imponderáveis são, por alguns aspectos, o suco da devoção.
* A meditação na Via Sacra e nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio
[Os] senhores tomam, por exemplo, a devoção admirável da Via Sacra. Na Via Sacra se encontra algo da ternura de São Francisco de Assis. E os imponderáveis da Via Sacra convidam a uma meditação enternecida, uma meditação comovida da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Morte sacratíssima, de um modo especial, que é um espírito que flutua em torno da Via Sacra e que é um imponderável que é, talvez, o melhor de sua eficácia. É uma graça, uma graça específica que está ligada a esta forma de devoção.
Também os Exercícios Espirituais de Santo Inácio. É um modo não propriamente de devoção, mas de meditação. Eles trazem consigo uma graça de uma “logicidade”, de uma energia, de uma honestidade de consciência ao se pôr diante de seus próprios problemas, de uma generosidade…
(…)
* Rosário: devoção marial por excelência, vinculado à Mediação Universal de Maria
…de Nossa Senhora, a grande fonte de inspiração de nossa meditação, e fazendo d’Ela o alvo imediato de nossa oração durante a meditação. E, a meu ver, por causa dessa focalização muito especial de Nossa Senhora é que o Rosário é mesmo a devoção marial por excelência. Mais marial até do que o Ofício de Nossa Senhora. E eu creio que é por causa disso que, no fundo, o que está por detrás do Rosário é aquela grande verdade de Fé que nós devemos anelar do fundo de nossa alma que se torne um dogma, e que é a verdade da Mediação Universal.
O sistema de rezar o Rosário, apelando para Nossa Senhora em tudo, e rezando Ave Maria…, Ave Maria…, Ave Maria…, enquanto se considera algum ponto, ou rezando diretamente Ave Maria…, mas relacionando com aquele mistério, ou concentrando o principal da atenção no mistério, ou concentrando o principal da atenção na Ave-Maria, entretanto, numa união contínua com Nossa Senhora; é este caráter marial que, a meu ver, é o suco do Rosário. É exatamente ele que não teria sentido se a Mediação Universal não fosse verdadeira. Porque é uma coisa que só se concebe que se faça com a Medianeira Universal, e é porque ele representa, então, um prelúdio de toda a teoria, de toda a teologia de São Luís Maria Grignion de Montfort. [Porque] Ele representa um prelúdio de toda a verdade de Fé referente à Mediação Universal, é que exatamente ele é tão odiado pelo demônio. E é por causa deste imponderável que nós nos devemos agarrar muito ao Rosário.
*A recitação do Rosário é sinal do amor de Nossa Senhora e um símbolo da devoção a Ela
E então eu resumo. O Rosário, por causa da nota marial que confere a esta meditação, por causa da invocação continuamente marial que se faz durante ele, é um sinal de que Nossa Senhora ama alguém, o fato de alguém ter uma devoção especial ao Rosário. Ou um sinal de que Ela ama alguém, o fato de Ela, através do Rosário, levar a alma a amar uma posição que só se justifica em face da Mediação Universal. E, portanto, o Rosário é o verdadeiro símbolo da devoção do fiel de Nossa Senhora, daquele que quer pertencer a Nossa Senhora inteiramente.
* Uma confirmação a contrario sensu: o ódio do demônio e dos maus ao Rosário
Segundo lugar: isto se confirma pelo ódio do demônio e pelo ódio dos maus. O demônio e os maus são muito perspicazes, muitas vezes mais perspicazes do que os bons. E, quando eles odeiam muito alguma coisa, nós já podemos ter, mais ou menos, a certeza de que essa coisa é muito boa. Então, temos uma confirmação a contrario sensu.
* O simbolismo do Rosário e a espada na Capela da Sede do Reino de Maria
E daí, para os senhores verem com que cuidado toda a nossa Sede foi planificada, daí o fato de haver um Rosário colocado na porta da Capela nossa. É para chamar a atenção de que as duas verdades ou os dois pensamentos que devem marcar aquele que entra lá são, antes de tudo, a fidelidade ao Rosário e, através do Rosário, a essa devoção omnímoda a Nossa Senhora, que é, afinal de contas, da Mediação Universal. E depois, a espada que nos lembra o espírito de luta. Não é por um enfeite que aquilo está lá. Aquilo foi colocado de propósito, daquele jeito, para chamar a atenção daqueles que entram, e marcar, como uma espécie de prefácio, preparar por uma espécie de golpe na mentalidade de quem entra, o espírito com que dentro daquela Capela a gente deve estar. Os senhores compreenderão bem, então, que este simbolismo é um estímulo contínuo que nós quereríamos dar para que, cada vez mais, nós praticássemos a devoção ao Santo Rosário.
* Graças a pedir a Nossa Senhora no Rosário: sermos lutadores d’Ela, inteiramente d’Ela e inteiramente lutadores
Fica, então, este pensamento aqui para pedirmos o quê? Nós nos devemos lembrar que a devoção do Rosário é uma devoção de luta, e nós estamos numa época de luta. Pedir a Nossa Senhora que Ela faça de nós lutadores d’Ela, inteiramente d’Ela e inteiramente lutadores. Eu não conheço melhor pedido para ser feito continuamente através do Santo Rosário.
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