Santo do Dia – 1/10/66 – Sábado . 6 de 6

Santo do Dia — 1/10/66 — Sábado

Nome anterior do arquivo: 661001--Santo_do_Dia_Sabado__b.doc

O verdadeiro escravo de Maria é supremamente criterioso, ousado, digno, forte, intrépido, combativo, aguerrido e puro * Nossa Senhora é a porta do céu, e devemos ter a convicção contínua de que nós não podemos, uma só vez, nos dirigir a NSJC sem ser por meio d’Ela * Um modo de relacionar a verdade de fé da mediação universal de Nossa Senhora com a nossa vida eucarística * No momento da transubstanciação pedir a Nossa Senhora que Ela esteja ali presente e que peça para nós os frutos da missa, como Ela pediu para nós os frutos da cruz * Pedir a Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, que Ela obtenha a graça da ruína imediata do reino do demônio e a vinda do reino d’Ela * Sabedoria é a virtude por onde os homens são capazes de conhecer, de admirar e de contemplar as coisas pelas suas altíssimas causas, e amar as coisas na proporção das altíssimas causas

Hoje é festa de Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças e também de São Remígio, bispo e confessor. Dele diz o Martiriológio que converteu à Fé de Jesus Cristo a nação franca, conferindo o batismo a Clóvis, seu rei. Estamos também na novena […inaudível].

A respeito da festa de Nossa Senhora Medianeira, São Luiz Maria Grignion de Montfort, no Tratado do Amor da Sabedoria Eterna, diz o seguinte:

* Trecho do Tratado do Amor da Sabedoria Eterna, de São Luís Maria Grignion de Montfort

Eis, enfim, o maior dos meios e o mais maravilhoso de todos os segredos para adquirir e conservar a Divina Sabedoria, a saber: uma terna e verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria é o ímã sagrado que, estado em um lugar, atrai a si mesmo, fortemente, a Sabedoria Eterna, que não pode resistir a Ela.

Este ímã lhe atraiu sobre a terra todos os homens e atrai, ainda todos os dias, em cada particular onde ele é. Se uma vez nós temos Maria conosco, nós temos, facilmente em pouco tempo e por Sua intercessão, a Divina Sabedoria.

Maria é, de todos os meios para ter Jesus Cristo, o mais seguro, o mais fácil, o mais curto e o mais santo. Quando nós fizéssemos as mais assustadoras penitências, quando nós empreendêssemos as viagens as mais penosas e os maiores trabalhos, quando até mesmo nós efundíssemos todo o nosso sangue para adquirir a Divina Sabedoria, e que a intercessão e devoção da Santíssima Virgem não se encontrasse em todos esses esforços, eles seriam como inúteis e incapazes de nos obter a Sabedoria.

Mas se Maria diz uma palavra por nós, se o Seu amor se encontra em nós, se nós somos marcados com a marca dos fiéis servidores que guardam as suas vias, nós teremos, em pouco tempo e com poucos esforços, a divina Sabedoria.

Notai que não somente Maria é a Mãe de Jesus, a cabeça de todos os eleitos, mas que Ela é a Mãe de todos os seus membros. De tal maneira que é Ela que os engendra, os carrega em Seu seio, os põe no mundo da glória pelas graças de Deus que Ela lhes comunica.

É a doutrina dos Santos Padres e, entre outros, de santo Agostinho, que diz que os eleitos estão no seio de Maria e que Ela não os põe no mundo senão quando eles entram na glória. De mais a mais, é a Maria que Deus deu a ordem de habitar em Jacó, de tomar sua herança em Israel e de dar as raízes de seus eleitos aos predestinados.

* Sabedoria é a virtude por onde os homens são capazes de conhecer, de admirar e de contemplar as coisas pelas suas altíssimas causas, e amar as coisas na proporção das altíssimas causas

Esse tópico diz respeito à mediação de Nossa Senhora, considerada do ponto de vista supremamente precioso da aquisição da Sabedoria. À medida que nós vamos desenvolvendo mais os estudos de São Luiz Grignion de Montfort, nós vamos compreendendo que, de algum modo, a devoção a Nossa Senhora é um meio e que a aquisição da Sabedoria é o fim.

A aquisição da Sabedoria quer dizer, dessa virtude por onde os homens são capazes de conhecer e de admirar e de contemplar as coisas pelas suas altíssimas causas, e de amar as coisas na medida em que devem ser amadas na proporção dessas altíssimas causas.

* O verdadeiro escravo de Maria é supremamente criterioso, ousado, digno, forte, intrépido, combativo, aguerrido e puro

O que forma um tipo de homem supremamente criterioso, ousado, digno, forte, intrépido, combativo, aguerrido e puro, que é o verdadeiro escravo de Maria, a verdadeira representação ou imitação de Maria nessa terra.

Mas nós poderíamos dizer que assim como Nossa Senhora nos dá, com essa força, a Sabedoria, Ela nos dá também todos os outros dons e todos os outros benefícios; e que a verdade que está por detrás disso e a respeito da qual nunca será suficiente insistir, é a seguinte verdade:

* Nossa Senhora é a porta do céu, e devemos ter a convicção contínua de que nós não podemos, uma só vez, nos dirigir a NSJC sem ser por meio d’Ela

Nossa Senhora é a porta do céu. Não se entra no céu a não ser por meio d’Ela. Se todos os santos que há no céu e todos os Anjos pedissem uma graça e Maria não se associasse a esse pedido, eles nada obteriam. Nossa Senhora, sozinha, pedindo, sem a cooperação deles, pode obter. De tal maneira é certo que é por Nossa Senhora que nós chegamos a Nosso Senhor, e que todas as graças que nós pedimos ao céu só nos vem quando Maria as pede, e que todas as graças que o céu nos manda, Nossa Senhora é, não só o veículo de nossas preces para o céu, mas das graças que do céu para a Terra. Essas graças é por meio de Nossa Senhora que devemos obter.

Agora, em que termos isso se traduz na vida espiritual quotidiana de um de nós? É na convicção contínua de que nós não podemos, uma só vez, orar a Deus, nos dirigir a Nosso Senhor Jesus Cristo, pedir qualquer coisa ao céus, sem ser por meio de Nossa Senhora.

Não é necessário que nós tenhamos isso explicitamente formulado em cada oração. Mas é indispensável, em todo caso, que isso esteja presente em nosso espírito pelo menos como fundo de quadro, e que constantemente nos dirijamos a Nossa Senhora para, por meio d’Ela, nossas orações se tornarem onipotentes.

De outro lado, entretanto, uma grande confiança. Porque quando se pede qualquer coisa a Ela, Ela concede mesmo. Nós podemos ter a certeza de sermos atendidos se pedirmos qualquer coisa. E por causa disso nós, então, temos a confiança de que tudo que nós peçamos seja atendido.

* As melhores ocasiões para nos lembrarmos da mediação de Nossa Senhora é o Rosário e a Sagrada Comunhão

Qual é o modo, quais são as ocasiões boas para nós nos lembrarmos disso? Antes de tudo, quando nós rezamos o Rosário. Uma pequena reflexão, uma pequena lembrança, concreta: “Nossa Senhora é a Medianeira de todas as graças, eu vou pedir agora a Ela tudo quanto eu quero, porque Ele é medianeira”.

Outra ocasião esplêndida é a Sagrada Comunhão. Quando a gente comunga, a gente deve pedir… Deve! Não é uma obrigação, mas é sumamente lógico, sumamente coerente, a gente pedir que Nossa Senhora prepare nossa alma para a comunhão. Esse pedido pode vir até muito tempo antes da comunhão: duas, três, quatro horas antes da comunhão.

* Preparação para a comunhão por meio de Nossa Senhora

Pedir a Nossa Senhora que vá dispondo nossa alma para nossa preparação para a comunhão ser boa. No momento em que nós nos ajoelhamos para preparar a comunhão, pedir a Ela: “Minha Mãe, vinde a minha alma, entrai em meu espírito, agi nele. Ainda que seja de um modo árido e que eu nada perceba, dai à minha alma as disposições necessárias para comungar bem”. Depois preparar a comunhão pedindo a Nossa Senhora que Ela não só disponha nossa alma para comungar bem, mas que no momento da comunhão e no momento da ação de graças, Ela esteja presente conosco, esteja rezando conosco a Nosso Senhor Jesus Cristo.



Assim nós temos uma preparação certamente esplêndida. Porque Nosso Senhor, quando vier a nossa alma, encontrará a lembrança pelo menos de Nossa Senhora, um desejo, pelo menos, de fazer aquilo em união com Nossa Senhora. E esta lembrança e este desejo são enormemente eficazes para que Nosso Senhor se sinta bem recebido. Porque Ele está bem onde está Maria, e onde Maria não está, Ele não está bem.

Por ocasião da comunhão é de muito bom aviso oferecermos a Nosso Senhor eucarístico, presente em nós como se nós fôssemos um tabernáculo, nós oferecermos a Nosso Senhor os quatro atos de culto: adoração, ação de graças, reparação e petição. Então, apresentarmos a adoração por meio de Nossa Senhora.

* Um modo de relacionar a verdade de fé da mediação universal de Nossa Senhora com a nossa vida eucarística

O quê dizer por meio de Nossa Senhora? Quer dizer, uma enormidade de coisas, mas pelo menos essas duas:

Primeiro pensamento, que Nossa Senhora seja nosso canal, nós vamos adorar a Nosso Senhor, que Ela apresente a Nosso Senhor a nossa adoração.

Mas depois há também uma outra coisa que é esplêndida. É dizer a Nosso Senhor o seguinte: “Eu quereria Vos amar muito mais do que eu amo; eu quereria vos receber aqui, agora, nesse momento com um recebimento moralmente faustoso, com amor inexprimível, de que eu, infelizmente, não sou capaz. Mas como eu tenho, pelo menos, esse desejo de querer, como há em mim, pelo menos, esse pesar de não ser assim e de não poder isso, eu Vos peço que aceiteis as adorações de Nossa Senhora como se fossem minhas. Eu a convidei à minha casa para Ela Vos receber como se fosse eu, e de algum modo sou eu que faço”.

Porque se eu A trouxe para minha casa e Ela recebe Nosso Senhor de um modo incomparável, então, é evidente que, de algum modo, eu estou na raiz disso porque eu A trouxe para dentro de minha casa.

É mais ou menos como um homem que vai receber a visita de um rei. Ele não sabe fazer ao rei a saudação conveniente. Mas ele convida uma pessoa que sabe fazer a saudação para saudar o rei em nome dele. É claro que aquela saudação, de algum modo, é do dono da casa. Ora, dessa casa de algum modo eu sou dono. E, então, eu convido Nossa Senhora para vir a essa casa e peço, então, a Ela que adore a Nosso Senhor por mim.

O mesmo se deve dizer da ação de graças. Eu não sei agradecer suficientemente. Que Nossa Senhora agradeça, seja o canal dos meus agradecimentos mas, ao mesmo tempo, que o agradecimento d’Ela seja como que o meu. E o mesmo se deve dizer da reparação e depois da petição.

Uma comunhão feita assim — em íntima união com Nossa Senhora — é a melhor das comunhões. É a comunhão perfeita. De maneira que aqui nós temos, então, um modo de relacionar a verdade de fé da mediação universal de Nossa Senhora com a nossa vida eucarística.

* No momento da transubstanciação pedir a Nossa Senhora que Ela esteja ali presente e que peça para nós os frutos da missa, como Ela pediu para nós os frutos da cruz

O mesmo se deve dizer quando nós assistimos a consagração, na missa. Os srs. sabem que a consagração é a substância da missa. Naquele momento se dá a transubstanciação e Nosso Senhor oferece, renovado mais uma vez, o sacrifício do Calvário.

Está bem, então, nessa hora, nos associarmos por meio de Nossa Senhora, que estava ao pé da Cruz e que do alto do Céu, com uma emoção indizível e uma compreensão sapiencial também indizível, presencia todas as missas que se rezam na Terra. Em qualquer missa que se reza na Terra, ali está o olhar amoroso de Nossa Senhora adorando o Divino Filho d’Ela, naquele ato, naquela circunstância. Então, pedir a Nossa Senhora que Ela esteja ali presente e que peça para nós os frutos da missa, como Ela pediu para nós os frutos da cruz.

* Pedir a Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, que Ela obtenha a graça da ruína imediata do reino do demônio e a vinda do reino d’Ela

Os senhores têm aqui pelo menos alguns pensamentos que relacionam, então, essa verdade da mediação universal com os atos de nossa vida de piedade. Eu indico só mais um ato e esse ato é o seguinte: se Nossa Senhora é a Medianeira de todas as graças e se Ela pode obter tudo, pela intercessão d’Ela, Ela, ainda que só Ela, mas inteiramente Ela, pode perfeitamente nos obter a graça da ruína imediata do reino do demônio, da vinda do reino d’Ela.

Então, nós dizermos a Ela com freqüência: “venha a nós o Vosso reino, ó medianeira de todas as graças, por meio da qual pode vir essa graça incomparável da queda do reino do demônio e da vinda de Vosso reino. Vossas orações já anteciparam a vinda do Messias e determinaram a queda do primeiro reino do demônio, que se estendeu desde o pecado original até a Encarnação do Verbo. Então, rezai mais uma vez para que caia esse segundo reino do demônio e que venha esse super-triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Vosso reino, o advento de Vosso reino”.

Então, aqui está uma oração magnífica para nós recitarmos várias jaculatórias durante o dia, sempre tendo como fundo de quadro a verdade da mediação universalmente de Nossa Senhora que hoje se comemora.

* Algumas intenções para a recitação do terço

Rezando agora o terço, eu ponho algumas intenções para todos nós apresentarmos a Nossa Senhora:

A primeira das intenções é que essa verdade se grave em nossa alma e que esse modo de rezar se incorpore completamente aos hábitos da nossa vida espiritual.

O segundo é para cada um de nós, que Nossa Senhora dê, nessa noite, em que ainda estamos — já não estamos, mas Ela é materna e tem pena dos horários do grupo — na festa d’Ela, portanto, que Ela nesta noite nos dê, a cada um, uma graça preciosa, que é a graça que ela mais quisera que nós tivéssemos, na sua bondade e no conhecimento das nossas necessidades espirituais.

E, em terceiro lugar, que Ela nos alcance a urgente queda do reino do demônio e o advento do Reino de Maria.

*_*_*_*_*