Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 28/9/1966 –
4ª feira [SD 218] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 28/9/1966 — 4ª feira [SD 218]
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Por sua dupla missão de expulsar os demônios e proteger a Igreja, São Miguel é escudo e espada de Deus * Como protótipo do cavaleiro, é o aliado nas lutas do Grupo: defender a honra divina, vencer o demônio, implantar o Reino de Maria * Traços de semelhança quanto a cores, atitudes, luta, entre São Miguel e nós, segundo uma revelação * Modelo de verdadeira humildade, como o nome indica, e também de contemplação * Algo da contemplação de Deus face-a-face deve filtrar para a terra e nos dar o senso de que o Céu é nossa pátria * Falta hoje a noção da felicidade celeste indispensável para o desapego do transitório, do que é nada, da terra que é só um pouco de poeira
Hoje é festa de São Wenceslau, de cuja entrada na Dieta nós lemos a notícia maravilhosa ontem, e amanhã nós vamos ter a festa de São Miguel.
Dele diz aqui o nosso calendário:
São Miguel, príncipe da milícia celeste, no combate que houve no céu, combateu os anjos rebeldes. Compete-lhe continuar esta luta para nos livrar do demônio. Dele dependem os Anjos da Guarda. É o anjo protetor da Igreja e o que apresenta ao Padre Eterno a oblação eucarística.
Nós estamos na novena de Nossa Senhora do Rosário e na novena de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças.
* Por sua dupla missão de expulsar os demônios e proteger a Igreja, São Miguel é escudo e espada de Deus
Eu chamo a atenção dos senhores para este fato de que São Miguel é o chefe então, é o que lutou contra o demônio e o precipitou no Inferno. Ele é o chefe dos Anjos da Guarda dos indivíduos e o chefe também dos Anjos da Guarda das instituições. E é ele mesmo Anjo da Guarda da Instituição das instituições, que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
Ele tem, portanto, uma função tutelar, a respeito da qual a gente se pergunta que relação há entre a atitude dele, ou a missão dele, derrubando no Inferno os que se levantavam contra Deus Nosso Senhor, de um lado, e a proteção que ele dispensa à Igreja e aos homens neste vale de lágrimas e nesta arena que é a vida, de outro lado.
E nós vemos que estas duas missões se concatenam.
Ele defendeu a Deus, Deus quis servir-se dele como seu escudo contra o demônio. Deus quer que ele seja o escudo dos homens contra o demônio, Deus quer que ele seja o escudo da Santa Igreja Católica contra o demônio. Mas um escudo que não é meramente escudo; é gládio também. Ele não se limita a defender, mas ele derrota, ele precipita no Inferno.
É, portanto, esta a dupla missão de São Miguel.
* Como protótipo do cavaleiro, é o aliado nas lutas do Grupo: defender a honra divina, vencer o demônio, implantar o Reino de Maria
É por causa disto que São Miguel era considerado na Idade Média, pelos cavaleiros, o primeiro dos cavaleiros, o cavaleiro celeste. Leal, perfeitamente como um cavaleiro deve ser; forte, idealmente como deve ser um cavaleiro; puro, como um anjo e como o cavaleiro deve ser; vitorioso como deve ser o cavaleiro, que põe toda a sua confiança em Deus e, depois de ter nascido Nossa Senhora, põe toda sua confiança também em Nossa Senhora.
É, portanto, esta figura admirável de São Miguel que, vista assim, nós devemos considerar, a figura de nosso aliado natural nas lutas. Porque “Catolicismo”, a TFP, o nosso Grupo, não quer ser outra coisa do que um grupo de homens que executam, em nível humano, a tarefa de São Miguel Arcanjo. Quer dizer, de defender a honra de Deus, defender a glória de Nossa Senhora, defender a Igreja Católica, defender a Civilização Cristã, mas defender em luta, em nível de contra-ofensiva, de maneira a prostrar no chão o império do demônio e a estabelecer nesta terra o Reino de Maria.
Nós vemos, portanto, que há uma afinidade enorme e que andam muito bem aqueles dentre nós que queiram constituir São Miguel Arcanjo seu especial patrono.
* Traços de semelhança quanto a cores, atitudes, luta, entre São Miguel e nós, segundo uma revelação
Nós temos a respeito de São Miguel, na Catarina Emmerich, “Visões e Revelações Completas”, os seguintes dados:
Vi novamente a Igreja de São Pedro com sua grande cúpula. Sobre ela resplandecia o Arcanjo São Miguel, vestido de cor vermelha, tendo uma grande bandeira de combate nas mãos.
Os senhores vêem como o vermelho nos é caro e quantas razões há para que o vermelho nos seja caro.
A terra era um imenso campo de batalha.
Os senhores estão vendo que é a Bagarre.
Os verdes e azuis lutavam contra os brancos.
Quem serão estes? Os senhores um dia saberão.
Estes, sobre os quais reluzia uma espada de fogo, parece que iam sucumbir.
Os brancos, eram, portanto, evidentemente, os bons.
Nem todos sabiam por qual causa combatiam.
Então é bem certo mesmo; eram os bons.
A Igreja era de cor sangrenta como a roupa do Arcanjo.
O que falta para que se possa dizer isto da Igreja?
Ouvi que me diziam: “Terá um batismo de sangue. A Igreja vai ser purificada no sangue do martírio e da perseguição”. Quanto mais se prolongava o combate, mais se apagava a viva cor vermelha da Igreja e se tornava mais transparente.
Quer dizer, naturalmente a purificação ia fazendo dela algo de diáfano, de puro.
O anjo desceu e se aproximou dos brancos. Estes adquiriram grande coragem sem saber de onde lhes vinha.
Somos nós mesmos.
O anjo derrotou os inimigos, que fugiram em todas as direções. A espada de fogo que estava sobre os brancos desapareceu.
Era uma espécie de ação diabólica, de maldade, uma coisa assim que oprimia os brancos.
Em meio ao combate, aumentava o número dos brancos. Grupos de adversários passavam para eles.
Cristalizações, e pânicos, e conversões, etc.
E numa ocasião passaram em grande número.
Qual é esta ocasião em que passa um grande número? Qual vai ser este fato? Nós o saberemos se Deus quiser.
Sobre o campo de batalha havia, no espaço, legiões de santos que faziam sinais com as mãos, diferentes uns dos outros, porém animados do mesmo espírito.
Naturalmente é sinais: “Para a frente! Avança, não esmoreça, ataque”, etc., e nós combatendo em baixo sob o sopro.
É muito mais do que São Boleslau com dois anjos. É o céu inteiro aberto para nós e nós vencendo para a implantação do Reino de Maria.
* Modelo de verdadeira humildade, como o nome indica, e também de contemplação
Há também do D. Guéranger uma ficha a respeito da vocação contemplativa dos anjos:
Assim a Igreja considera São Miguel como o mediador de sua prece litúrgica. Ele se mantém entre a humanidade e a divindade. Deus que distribui, com uma ordem admirável, as hierarquias visíveis e invisíveis, emprega por opulência, para louvor de sua glória, o ministério destes espíritos celestes que contemplam sem cessar a face adorável do Pai, e que sabem, melhor do que os homens, adorar e contemplar a beleza de suas perfeições infinitas.
Aí é que diz que ele é o que apresenta ao Padre Eterno a oblação eucarística. E foi assim que ele apareceu também em Fátima, para os pequenos pastores: com o cálice na mão.
Mi-Ka-El: quem como Deus? Este nome exprime por si só, em sua brevidade, o louvor mais completo, a adoração mais perfeita, o reconhecimento mais inteiro da transcendência divina e a confissão mais humilde do nada da criatura.
Modelo, portanto, de humildade. Porque quem exclama que ninguém é como Deus, exclama que não é nada. E esta é a humildade perfeita.
A forma de humildade própria do cavaleiro não é o heresia-branca: “Ah, você é que é mais do que eu…”. Não é isto, não. É Deus [que] é tudo e ninguém é nada. Agora, a partir disto vamos conversar. Isto, sim.
Também a Igreja da terra convida os espíritos celestes a bendizer o Senhor e cantá-Lo e louvá-Lo e bendizê-Lo sem cessar. Esta vocação contemplativa dos anjos é o modelo da nossa, como nos faz lembrar o belo prefácio do Sacramentário de São Leão: “É verdadeiramente digno render-Vos graças a Vós, que nos ensinais por Vosso apóstolo, que nossa vida é dirigida aos céus; que com benevolência quereis que nos transportemos em espírito ao lugar onde servem estes que veneramos, especialmente dirigirmo-nos para estas alturas na festa do Bem-Aventurado São Miguel Arcanjo”.
* Algo da contemplação de Deus face-a-face deve filtrar para a terra e nos dar o senso de que o Céu é nossa pátria
Realmente aqui está um traço da devoção aos anjos, que é preciso muito notar.
Os anjos são habitantes da corte celeste. E na corte celeste eles vivem numa eterna contemplação, numa contemplação de quem vê Deus face-a-face. E as visões de todos os grandes místicos nos referem as festas que há no Céu e que são verdadeiras festas. Não são imagens ou quimeras, não, mas são verdadeiras festas em que Deus vai manifestando sucessivamente suas grandezas e eles aclamam com triunfos novos, que não terminam nunca dos nuncas.
E há uma felicidade celeste, há um senso de que é a pátria de nossa alma e é propriamente a ordem de coisas para a qual nós fomos criados, que corresponde plenamente a todas as nossas aspirações. Há um senso da felicidade celeste pela contemplação face-a- face de Deus, que é a perfeição absoluta de todas as coisas, há algo disto que deve e pode passar para a terra. E nas épocas de verdadeira fé alguma coisa desta felicidade filtra, alguma coisa desta piedade é sentida pelas almas piedosas e comunicada depois através das almas piedosas, mais notavelmente piedosas, como um tesouro comum para toda a Igreja.
* Falta hoje a noção da felicidade celeste indispensável para o desapego do transitório, do que é nada, da terra que é só um pouco de poeira
E é isto que falta tanto hoje em dia, de maneira tal que não se tem a idéia de uma felicidade celeste. E sem a idéia de uma felicidade celeste não se tem apetência do Céu, e as pessoas se chafurdam na pura apetência dos bens da terra.
Mas se pudessem compreender por um instante o que é uma consolação do Espírito Santo, o que é uma graça do Espírito Santo, o que é este tipo de felicidade que a consideração dos bens celestes comunica, se pudessem compreender isto por um instante que fosse, então começava o desapego dos bens da terra. Então se começava a compreender como tudo é transitório, como tudo isto não é nada, como há valores que estão acima disto e que tornam a terra toda um pouco de poeira.
É isto que exatamente falta e que os santos anjos podem nos obter, eles que estão inundados desta felicidade, e que de vez em quando se comunica sob esta forma aos santos. Há uma forma de fenômeno místico que é um concerto — Santa Terezinha teve isto, ela até fala na “História de Uma Alma” — muito longínquo de uma harmonia maravilhosa e extraterrena. E é um pouco do eterno cântico dos anjos que chega, por esta forma, aos ouvidos dos bem-aventurados, para lhes dar exatamente apetência das coisas do Céu.
Em nossa época esta apetência falta fabulosamente. As pessoas só se interessam e só se empolgam pelas coisas da terra, empolgam-se pelo dinheiro, empolgam-se pela politicagem, empolgam-se pelo mundanismo, empolgam-se pelas trivialidades do noticiário de todos os dias, mas não se empolgam pelas coisas elevadas, pelas coisas doutrinárias e, menos ainda, pelas coisas especificamente celestes.
Então, pedir aos anjos que nos comuniquem o desejo das coisas celestes de que eles estão inundados, é uma excelente intenção para ser juntada na festa de amanhã ao grande pedido dos pedidos, que é o de São Miguel Arcanjo nos fazer imitadores dele, perfeitos cavaleiros de Nossa Senhora nesta terra.
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