Santo
do Dia (Auditório da Pará) – 26/9/1966 –
2ª feira [SD 168] – p.
Santo do Dia (Auditório da Pará) — 26/9/1966 — 2ª feira [SD 168]
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Na biografia de São Eleázaro, vamos considerar os dados de sua vida e o que é a “heresia branca” * O visgo da “heresia branca” é tal, que até nesta biografia ela se faz notar, gosmenta como quiabo * A “heresia branca” não só esvazia, mas põe um recheio nauseabundo na vida de um guerreiro vencedor de batalhas * Era preciso representá-lo como herói, diplomata, em seu trono, um senhor feudal na força do termo
… continua a novena da Nossa Senhora Medianeira e hoje é aniversário de D. Geraldo de Proença Sigaud .
* Na biografia de São Eleázaro, vamos considerar os dados de sua vida e o que é a “heresia branca”
Amanhã é festa de Santo Eleázaro, confessor. Do livro do Gal. Silveira Mello, “Os Santos Militares”, há a respeito dele a seguinte síntese biográfica:
Eleázaro, que viveu de 1285 a 1313, e portanto em plena Idade Média, era natural de Sabran, na diocese de … , hoje Avinhão. Filho do conde de Arignan, do reino de Nápoles, sucedeu ao pai. Sua mãe era mulher de invulgar piedade. Consagrou-o a Deus ao dar à luz e educou-o na virtude. Eleázaro foi bem instruído nas ciências humanas e nas verdades eternas, distinguindo-se também no jogo das armas, tornando-se cavaleiro como era costume no seu tempo. Guardou, em meio aos perigos da mocidade no convívio palaciano, a pureza do corpo e a alma.
Casou-se muito jovem ainda, com Delfina de Gal Glandèves. De comum acordo o casal guardou continência, vivendo em perfeita união em contínuos exercícios de penitência, oração e caridade. Ambos faziam parte da Ordem Terceira Franciscana.
Ao morrer seu pai, Eleázaro herdou o condado de Arignan, em Nápoles. Assumiu o seu governo, fazendo-se admirar pelos seus súditos, lutando contra as dificuldades que lhe opunham amigos e auxiliares que não concordavam com sua maneira de governar.
Comandou com João, irmão do rei de Nápoles, um exército contra Henrique VII, que encabeçava o partido gibelino na Itália. Em duas batalhas que então se deram, Eleázaro derrotou o soberano germânico, que veio a falecer pouco depois, em 1313. Em conseqüência das vitórias alcançadas, recebeu Eleázaro novas honrarias e prêmios. Desempenhou, a seguir, as funções de chefe do Conselho do reino de Nápoles e dirigiu a educação do príncipe Carlos, filho do rei.
Além de hábil general e político, Eleázaro era exímio cavaleiro. Certa vez, num torneio de armas promovido pelo rei Roberto de Nápoles, distinguiu-se de tal modo nas competições, que provocou aplausos, tal sua destreza e elegância.
Em 1325, Eleázaro vai a Paris, enviado por Roberto de Nápoles, a fim de pedir a mão da filha do conde de Valois para o príncipe da Calábria. Em França adoeceu gravemente, aí falecendo santamente no dia 27 de setembro. Foi sepultado revestido do hábito e do cordão de franciscano.
Muitos milagre foram obtidos por sua intercessão. O papa Urbano V canonizou-o em 13 de abril de 1357 quarenta e quatro anos depois de sua morte, ainda em vida de sua mulher, a condessa Delfina.
Desta vez nós termos dois comentários a fazer. Em primeiro lugar — em primeiro lugar teoricamente, não cronologicamente — o comentário a respeito da vida do santo; em segundo lugar logicamente, mas em primeiro cronologicamente, o comentário a respeito do que é “heresia branca”.
* O visgo da “heresia branca” é tal, que até nesta biografia ela se faz notar, gosmenta como quiabo
Porque esta é a vida menos “heresia branca” que os senhores podem imaginar. Mas há um certo modo cantado e rimado dessa biografia, que ela acaba dando um tom de “heresia branca”.
Nessas biografias eu já me dei conta de que elas são tais, que às vezes eu leio com toadas de voz de “heresia branca” porque a frase impõe a toada de voz. Não é possível escapar disso. E aí os senhores vêem o que é o visgo esquisito e singular da “heresia branca”.
Os senhores sabem bem com que garbo militar e guerreiro as arquibancadas eram ornamentadas. Os senhores sabem bem como as cerimônias eram próprias a despertar o senso da luta, da coragem, da força. As cerimônias assim eram precedidas de torneios. Os senhores sabem bem o furor do torneiro. Os senhores compreendem, portanto o que representava a expressão “ganhar o torneio”, como expressão de uma personalidade oposta ao “heresia branca”. Vejam a cadência da frase como é “heresia branca”:
Além de hábil general e político, Eleázaro era exímio cavaleiro.
A gente não consegue deixar de sentir o tom de voz heresia branca.
Certa vez, num torneio de armas promovido pelo rei Roberto de Nápoles, distinguiu-se de tal modo nas competições,…
Não sei, dDá um jeito de ar de mocinha.
… que provocou aplausos, tal sua destreza e elegância.
Acaba a frase não dando nada da realidade histórica que está contida nisso.
Era preciso imaginar o corcel e Santo Eleázaro espumando, Santo Eleázaro revestido com aqueles elmos com plumas. Não é verdade? Vigoroso e disparando contra o adversário a toda, com uma lança. Que espetáculo magnífico!
Esse biógrafo, general do quê? Silveira Mello, mais sacristão do que general, esse general encontrou meios de reduzir, de pôr nesse açúcar.
Os senhores vejam o que há de impalpável, de “heresia branca”, a meu ver. Parece ser como o quiabo. É uma coisa gosmenta e que deixa gosma em torno de si por todos os lados.
Os senhores estão vendo como é de tal modo “heresia branca”, que numa vida magnífica, a gente pode acabar dando o tom de “heresia branca”.
* A “heresia branca” não só esvazia, mas põe um recheio nauseabundo na vida de um guerreiro vencedor de batalhas
Depois faz uma imagem: Santo Eleázaro com o elmo na cabeça vestido de Terceiro Franciscano, encolhidinho assim e com ar de quem está com elmo e está fazendo cara feia para ele. De baixo põe: “Santo Eleázaro, terceiro franciscano, antigo guerreiro”. Está acabado. O que fazer?
A “heresia branca” não só esvazia as coisas, mas enche de um recheio que, em última análise, é impossível não chamar de nauseabundo e que deforma completamente a coisa.
Vamos agora depois disso à quiabosidade em que está envolvido e explicar isso.
Então nós temos a vocação de um santo. Os senhores estão em presença do quê? De um santo. Fundamentalmente de um santo guerreiro, vencedor de batalhas, vencedor de torneios. Vencedor de batalhas e de torneios da época em que a guerra era preponderantemente uma luta individual de cavaleiros contra cavaleiros. Em que não se podia ser um bobinho mexendo na retranca de uma metralhadora. Para ser guerreiro tinha que ser guerreiro mesmo, de corpo e de alma. E esse era ele.
Não abandonou o mundo desgostoso com a guerra e sequioso de paz. Deixou a vida mundana pelo claustro … [inaudível]… quiabo, não há melhor visgo. Não, ele praticou a vida inteira a vida guerreira e, ao praticar essa vida guerreira, nela se santificou. É um santo que atingiu a sua santidade através da conquista da virtude dentro da vida guerreira. Isso foi o que se deu com ele.
Por outro lado, um santo de alta categoria social. Não era um santo marmiteiro, não era um santo populista, não entenderia D. Hélder Câmara. Era um santo nobre, que governou um feudo, que privou com reis e príncipes, e acabou encarregado da formação do futuro príncipe, se não me engano herdeiro, não me lembro bem, da casa real de Nápoles.
Quer dizer, portanto, um homem que além de guerreiro e cortesão, foi um homem que freqüentou pompas da corte, que se vestiu, que trajou, que falou, que andou, que mexeu como um cortesão, com todo o brilho, com todo o donaire, ou melhor, com todos os ademanes de uma verdadeira corte medieval e que enquanto cortesão e enquanto guerreiro atingiu um verdadeiro êxito, que foi, portanto, o protótipo do senhor feudal. Porque é isso.
* Era preciso representá-lo como herói, diplomata, em seu trono, um senhor feudal na força do termo
O que era um senhor feudal?
O senhor feudal era um governador de feudo, grande figura na corte, guerreiro e herói de torneio. É, portanto, o protótipo do senhor feudal. E nós temos aqui um senhor feudal lo que se dice enquanto tal colocado nas honras dos altares.
Isso é que era preciso dizer. E era preciso ter quadro representando Santo Eleázaro sentado no seu pequeno torno de conde, decidindo, distribuindo a justiça, era preciso ter quadros dele apresentando-se esplêndido de nobreza e de fidalguia diante do rei de Nápoles. Era preciso ter quadros dele guerreando, dele exercendo uma missão diplomática na corte da França … [inaudível]… mais brilhantes … [inaudível]… e então dizer: “Este é um senhor feudal na força do termo, elevado à glória dos altares”. Para desmentir essa balela de que a condição de senhor feudal enquanto tal era uma condição incompatível com o animus belevolus, com a qualidade, com a doçura de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Isto é o que era preciso dizer e isto é o comentário que a vida de São Eleázaro nos sugere.
Isto posto, vamos rezar as orações do dia. Nós vamos rezar as três Ave-Marias em continuação à novena de Nossa Senhora Medianeira e vamos rezar um Memorare por D. Sigaud.
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