Santo
do Dia (Auditório da Pará) – 19/9/1966 –
2ª-feira – p.
Santo do Dia (Auditório da Pará) — 19/9/1966 — 2ª-feira
Nome
anterior do arquivo:
Como Nossa Senhora é descrita pela vidente. Respeitabilidade, majestade e misericórdia de Nossa Senhora. Sua pureza cristalina. O pranto de Nossa Senhora. Seu olhar inefável. Pedir a Nossa Senhora a apetência do Céu e da contemplação dos sagrados olhos d’Ela.
Nossa Senhora de la Salette
Como a vidente descreve Nossa Senhora em sua aparição * Sobrenaturalidade, majestade régia e misericórdia da Virgem * idade que incutia temor reverencial e amor * A verdadeira majestade não repele, mas atrai * O cristal reflete a pureza de Nossa Senhora * Sumamente Rainha, sumamente Mãe e Mãe de suma misericórdia * Dois modos de chorar: com fraqueza ou com sobranceria; como era o pranto de Nossa Senhora * O olhar inefável da Santíssima Virgem * O filho de Nossa Senhora é sério e rejeita a desordem * Pedir a Nossa Senhora a graça de desejar o Céu e a apetência de ver os sagrados olhos d’Ela
…eu provavelmente farei o Santo do Dia e deixarei para o Santo do Dia de amanhã, se Deus quiser, uns dados assombrosos que me deram em Belo Horizonte: profecias de Santa Hildegarda, no século XII, sobre a Revolução. Mas é interessantíssimo. Mas é um comentário um pouco doutrinário e eu tenho impressão que a essa hora da noite os comentários doutrinários não pegam muito. De maneira que vamos… eu dou os dados para você depois.
* Como a vidente descreve Nossa Senhora em sua aparição
Bom, dia 19 de setembro — hoje é 19 ou não? É amanhã? Hoje? É aparição de Nossa Senhora de la Salette. No livro de Duramey, “Des plus beaux textes sur la Vierge”, vem o seguinte. É um depoimento feito por Mélanie Calvet, que é a menina que viu Nossa Senhora.
Aparência:
“A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada. Parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La. Entretanto, Ela permanecia imóvel e inalterável. Sua fisionomia era majestosa, imponente, mas não imponente como são os grandes da Terra. Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que sua majestade impunha respeito entremeado de amor. Ela atraía.
“Ao seu redor, como em sua pessoa, tudo inspirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável. Ela parecia bela, clara, imaculada, cristalina, celeste. Parecia-me também como uma boa mãe cheia de bondade, amabilidade, amor para conosco, compaixão e misericórdia.”
Era o caso de dizer que ela merecia entrar na Academia Francesa de Letras, essa pastorinha analfabeta, por esta descrição. Porque é uma descrição admirável. Daqui a pouco vamos… Eu leio a ficha toda, depois fazemos o comentário.
Lágrimas:
“A Santa Virgem chorava durante quase todo o tempo em que me falou. Suas lágrimas corriam lentamente, uma a uma, até seus joelhos. Depois, como fagulhas de luz, elas desapareciam. Eram brilhantes e cheias de amor.
“Eu quisera consolá-La, e que Ela não chorasse. Mas parecia-me que precisava mostrar suas lágrimas para melhor mostrar seu amor esquecido pelos homens. As lágrimas de nossa terna Mãe, longe de enfraquecer seu ar de majestade de Rainha e Senhora, pareciam, ao contrário, embelezá-La, torná-La mais amável, mais radiante.”
Olhos:
“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna Mãe, não podem ser descritos por uma língua humana. Para deles falar, seria preciso um Serafim, seria preciso a própria linguagem de Deus, de Deus que formou a Virgem Imaculada, obra-prima de seu poder. Os olhos da augusta Maria pareciam mil e mil vezes mais belos que os brilhantes, os diamantes e as pedras preciosas. Eram como a porta de Deus, por onde se podia ver tudo aquilo que pode encantar a alma… somente [essa visão dos olhos da mais pura das virgens] [este trecho não consta no original, mas consta mais adiante nesta mesma reunião] seria suficiente para ser o Céu de um bem-aventurado, seria suficiente para fazer uma alma entrar na plenitude das vontades do Altíssimo, entre todos os acontecimentos que sucedem no curso da vida; seria suficiente para impelir uma alma a contínuos atos de louvor, agradecimento, reparação e expiação.
“Somente esta visão [concentra] a alma em Deus e a torna como uma morta-viva que olha as coisas da Terra, mesmo as coisas aparentemente mais sérias, como brinquedos de criança. Ela só queria ouvir falar de Deus, daquilo que se refere à sua glória.
O… [¼ de linha em branco] …é o único mal que ela vê sobre a Terra e por causa dele ela morreria de dor se Deus não a sustentasse”.
* Sobrenaturalidade, majestade régia e misericórdia da Virgem
É uma verdadeira beleza cada um… [¼ de linha em branco] …diz respeito à aparência de Nossa Senhora. As idéias que estão simbolizadas na aparência de Nossa Senhora… há várias idéias simbolizadas, mas eu poderia escolher três.
A idéia primeira é de um ente completamente celestial, que está inundado de valores sobrenaturais e de graças, como compete Àquela que — segundo o recente Santo do Dia de Dom Sigaud — o Anjo chamou da “graça personificada”. Realmente, como que personificando a graça de Deus. Então, a primeira idéia é da sobrenaturalidade.
A segunda é de uma majestade régia, que não tem nome, que se exprime n’Ela toda, mas que por outro lado se irradia em torno d’Ela.
E a terceira, que a Revolução não gostaria de ver conjugada com a majestade, é uma bondade que também não tem nome, uma pena, uma misericórdia, uma condescendência, um expandir afavelmente todos os seus dons sobre os outros, para fazer os outros participarem desses dons, que é uma coisa que parece contraditória com a majestade, mas que é o corolário indispensável da majestade, e é essa efusão incomparável de bondade que está em Nossa Senhora.
E então, todos os traços que estão dados aqui são feitos para simbolizar isso. Os senhores vejam a narração agora:
“A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada”.
É um apanágio da majestade, exatamente, a majestade: a altura. Tanto é que aos príncipes que não são reis se diz: “Vossa Alteza”. É evidente que não é altura física, mas a altura física é uma imagem física da altura nos outros sentidos. E, portanto, não era necessário, mas convinha a Nossa Senhora a altura física; convinha, entretanto, uma altura bem proporcionada. Porque a altura bem proporcionada é o contrário da altura monolítica, da altura acachapante, da altura esmagadora. E o que torna a altura exatamente condescendente e, por assim dizer, acessível, é a perfeição de suas projeções. É o encaixe de várias coisas pequenas nela, com graça e harmonia, que tornam essa altura variegada. É uma unidade na variedade.
Então, essa perfeição das proporções d’Ela, quase que “contrafortizando” aquilo que a altura poderia ter de um pouco assustador. Depois, continua:
“Ela parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La.”
Realmente, um ente inteiramente espiritual, no qual o corpo era apenas uma dependência, completamente dominada pelo espírito; e não sujeita, portanto, à lei da gravidade e à atração da Terra. O sobrenatural n’Ela estava na sua plenitude.
* Respeitabilidade que incutia temor reverencial e amor
Depois, continua:
“Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que sua majestade impunha respeito entremeado de amor.”
Então, era um respeito que, de um lado, incutia temor e, do outro lado, incutia amor. É, propriamente, a imagem da majestade verdadeira. É uma majestade que mete um temor reverencial, quer dizer, é um temor feito não do medo da chibata — que acessoriamente pode entrar — mas é feito daquele medo de desgostar um tão alto ser, e, por outro lado, um amor que Ela incutia pelo fato de ser quem era.
E então está esplendidamente expresso isso. Bom.
“Ela atraía.”
* A verdadeira majestade não repele, mas atrai
Realmente, a verdadeira majestade atrai. A verdadeira majestade não repele. Quando a gente vê uma majestade que repele, é uma falsa majestade. Por exemplo, Napoleão tinha uma majestade que repelia. Era porque era um marmiteiro vagabundo. Não tinha nada de majestade autêntica. A verdadeira majestade atrai, não repele.
Bem:
“Ao seu redor, como em sua pessoa, tudo respirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável”.
O que [é] que havia em torno d’Ela? Um campinho ordinário, com umas ervinhas, uma coisa qualquer. Mas Ela entrava ali e tudo se transformava num palácio. Por quê? Porque a Escritura diz:… [½ linha em branco] …“Toda a glória da filha do rei — que é Nossa Senhora — lhe vem de dentro dela, e ela comunica essa glória a tudo quanto está em torno dela”.
* O cristal reflete a pureza de Nossa Senhora
Bem:
“Ela parecia bela, clara,…”
É a claridade luminosa, sobrenatural.
“…imaculada, cristalina, celeste”.
É muito interessante para quem, como eu, gosta dos cristais, ver a necessidade de colocar, de juntar a idéia de cristalino para firmar a pureza e o que havia de diáfano dentro d’Ela; algo da nobreza dos cristais aparece dentro disso. Se me lembrarem, posso falar de uma coisa a respeito de cristais. Eu posso até falar fora do Santo do Dia, para não tomar tempo.
* Sumamente Rainha, sumamente Mãe e Mãe de suma misericórdia
Bem, agora vem o corolário:
“Parecia-me também como boa mãe, cheia de bondade, amabilidade, amor para conosco, compaixão e misericórdia”.
Quer dizer, aqui está a justaposição perfeita. E por isto que São Bernardo, constituindo a “Salve Rainha”, ele pôs esse paradoxo logo no começo: “Salve Rainha”; logo depois, “Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa”. Sumamente Rainha, sumamente Mãe, e Mãe de suma misericórdia. Essa justaposição nos dá bem a idéia da majestade perfeita.
Os senhores vêem um pouco isso na figura de São Pio X, que está naquele quadro que está colocado na Sala São Pio X, lá na Aureliano Coutinho, e que eu reputo uma fotografia, debaixo do ponto de vista fisionômico, melhor de São Pio X do que aquela fotografia grande e, entretanto, muito bonita, que tem no Alcácer. São Pio X aparece ali com uma força de expressão de fisionomia, que a gente vê que é um herói que não recua diante de nada e não teme nada. Mas há tanta doçura irradiando da fisionomia dele, tanta bondade, que é impossível não o amar e não o respeitar. Aqui está a grandeza católica verdadeiramente na sua boa expressão.
* Dois modos de chorar: com fraqueza ou com sobranceria; como era o pranto de Nossa Senhora
Bom, depois passa a falar das lágrimas. Nossa Senhora chorava. Mas há dois modos de chorar: há um modo de chorar cheio de fraqueza e há um modo de chorar cheio de sobranceria. A gente chora quando está abaixo da dor, mas pode chorar também quando está acima da dor. Vamos ver como é o pranto de Nossa Senhora:
“A Santa Virgem chorava durante quase todo o tempo em que me falou. Suas lágrimas corriam uma a uma, lentamente, até seus joelhos”.
Tudo isso é simbólico, não é? Eram lágrimas que corriam lentamente, indicando o domínio. Nada de descabelado, de convulsivo, de pranto d’ópera. Nada disso. Eram lágrimas como de uma rainha cheia de uma tristeza nobre, de uma tristeza serena. Elas se sucedem umas às outras. Chegam até o joelho, para indicar o impulso com que elas são choradas, o fundo de alma que está nisso. Como para indicar que assim como a lágrima Lhe corre quase ao longo de todo o corpo, esta dor inunda quase toda a alma, inunda toda a alma. É um símbolo belíssimo que há nisso.
Depois acrescenta:
“Depois, como fagulhas de luz, elas desapareciam”.
O modo de desaparecer… Como é que podia acontecer com as lágrimas de Nossa Senhora? Cair na terra? Ficar formando um bolinho misturado com terra? Ou prosaicamente empapar o vestido d’Ela? A gente pode compreender uma rainha com os hábitos úmidos e pesados de lágrimas? Não. Então, esse desaparecer como faíscas é uma beleza. A lágrima que no último momento brilha, dá uma luz e é recolhida pelo Padre Eterno nos seus esplendores. É uma solução lindíssima para um problema que facilmente poderia se tornar prosaico.
Depois continua:
“Eram brilhantes e cheias de amor”.
Também as lágrimas de uma tal Rainha, deviam ser luminosas. Não podiam ser lágrimas opacas, que é que os senhores imaginam de lágrimas terrosas. Não podia ser. Lágrima d’Aquela que é toda pura, só pode ser lágrima cristalina. E, diz ela, um brilho de amor. A gente compreende que um certo brilho possa significar especialmente o amor. Vejam o mundo de tato que há em todas essas formulações, como tudo isso é bem pensado.
Continua:
“Eu quisera consolá-La, e que Ela não chorasse, mas parecia-me que precisava mostrar suas lágrimas para melhor mostrar seu amor esquecido pelos homens. As lágrimas de nossa terna Mãe, longe de enfraquecer seu ar de majestade de Rainha e Senhora, pareciam, ao contrário, embelezá-La,…”
Embelezavam a majestade. A verdadeira rainha é tal que ela tem uma beleza quando ela está alegre, outra beleza quando ela está triste, outra beleza quando ela está despreocupada. Em tudo são belezas especiais. Em Nossa Senhora, as lágrimas davam uma beleza inconfundível, que é a beleza da dor da Rainha. É um aspecto fisionômico próprio.
Bem:
“…pareciam, ao contrário, embelezá-La, torná-La mais digna de amor,…”
“Amável”, aí, quer dizer digna de amor.
“…mais radiante”.
Isso é que é o curioso. “Radiante” no sentido seguinte: mais irradiante. Não é alegríssima, mas é mais a sua personalidade [que] se expandia.
* O olhar inefável da Santíssima Virgem
“Olhos:
Os olhos…”
A face é o resumo do corpo. Os olhos são o resumo da face. Quer dizer, os olhos são a quintessência de toda a expressão do corpo. Então, como é que se exprimiria a alma de Nossa Senhora na parte de seu corpo santíssimo, que é a mais expressiva?
“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna Mãe, não podem ser descritos por uma língua humana. Para deles falar, seria preciso um Serafim, seria preciso a própria linguagem de Deus, de Deus que formou a Virgem Imaculada, obra-prima de seu poder”.
Realmente, é o sublime, o próprio do sublime é não poder ser descrito por língua humana.
“Os olhos da augusta Maria pareciam mil e mil vezes mais belos do que os brilhantes, os diamantes e as pedras preciosas”.
Mais uma vez vem uma comparação, que me é cara: compara não só as lágrimas d’Ela, mas também os olhos d’Ela, com cristais, com pedrarias. De tal maneira isso é, na ordem da matéria, uma criatura excelente.
“Eram como a porta de Deus, de onde se podia ver tudo aquilo que pode encantar a alma”.
A expressão é magnífica. Porque na Ladainha se diz Nossa Senhora “Janua Caeli”, Porta do Céu. E, realmente, Nossa Senhora é a mais clara manifestação de Deus, mais do que qualquer anjo. E quem olhar, portanto, os olhos de Nossa Senhora, olha a mais alta manifestação de alma, de uma alma que é o espelho da justiça de Deus.
Então a gente compreende que é qualquer coisa totalmente inefável, indizível. Não se pode dizer o que seja a expressão de olhar de Nossa Senhora. Eu tenho impressão que mais transcendente, apenas o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que este então, bom… não há palavras para falar. Então, não tem o que dizer. Se a gente pensar nos mil olhares de Nosso Senhor, a gente acompanhar as cenas do Evangelho pensando no olhar que Ele tinha na cena, só isso dá uma meditação dos Evangelhos superabundante, magnífica. Tomando a Sagrada Face e imaginando como ela era. Sobretudo, eu acredito que as duas imagens onde uma meditação assim melhor se possa fazer, são o Santo Sudário e o Beau Dieu d’Amiens, que, pelo que eu conheça, é a mais bela imagem de Nosso Senhor. Para mim é a imagem perfeita de um dos aspectos de Nosso Senhor.
Então continua:
“Somente essa visão dos olhos da mais pura das virgens seria suficiente para ser o Céu de um bem-aventurado”.
Fala da mais pura das virgens naturalmente porque chamou a atenção dela a pureza desse olhar. E como é que não poderia ser puríssimo[?!] Eu tenho impressão que é um olhar “castificante”. Quem olhasse esse olhar, poderia ficar casto a vida inteira, na hora. Só porque seu olhar conseguiu fitar o olhar imaculadamente puro de Nossa Senhora.
“Seria suficiente para fazer uma alma entrar na plenitude das vontades do Altíssimo, entre todos os acontecimentos que sucedem no curso da vida;…”
Quem visse os olhos de Nossa Senhora, faria a vontade de Deus para sempre.
“…seria suficiente para impelir uma alma a contínuos atos de louvor, agradecimento, reparação e expiação”.
São os atos de culto: louvor, agradecimento, expiação e reparação. Quer dizer, bastaria isso para ter tanto o que louvar, tanto que expiar, tanto para reparar, tanto para dar ação de graças, que a vida inteira se passaria nisso.
“Somente essa visão concentra a alma em Deus e a torna como uma morta-viva, que olha as coisas da Terra…”
…sem importância… Então, vai explicando que depois que uma pessoa viu isso, não dá importância a mais nada, que só dá importância a não pecar.
* O filho de Nossa Senhora é sério e rejeita a desordem
Agora eu vou [dar] para os senhores um pequeno contraste, na linha “Ambientes e Costumes”, os senhores podem ter idéia. Os senhores pensem no olhar de Nossa Senhora e comparem com a atmosfera da sala que foi descrita aqui. Os senhores compreendem quem é que estava naquela sala. Um “quem” com “Q” maiúsculo. Quem é que estava naquela sala. A gente é levado a rir com uma certa indulgência, dizendo: “Ah! desordem de estudante”. Não é verdade. O filho da Sabedoria, o filho de Nossa Senhora não faz coisas daquelas em nenhuma idade de sua vida. Porque é sério, porque é sábio, porque é direito, porque lhe repugna [a] desordem, em qualquer circunstância, em qualquer situação. E uma indulgência, nesse sentido, é descabida, porque é porque em moço que os moços são assim que, depois, quando eles ficam maiores ainda, quando ganham mais idade, eles constituem o mundo assim como nós estamos vendo.
De maneira que isso deve ser, de nossa parte, o objeto de um riso, sim, mas não um riso com indulgência. O riso da severidade, o riso da censura, porque aquilo é a manifestação, em estado juvenil, desse reino do demônio, que nós estamos vendo aqui fora. E assim é que as coisas devem ser consideradas.
* Pedir a Nossa Senhora a graça de desejar o Céu e a apetência de ver os sagrados olhos d’Ela
Isto posto, vamos pedir a Nossa Senhora da Salette que nos dê uma impregnação de algo de todas essas graças na alma. E que, sobretudo, nós tenhamos a apetência de ver os sagrados olhos d’Ela, o espelho de sua Face, espelho de seu Coração. Que nós possamos, por esta forma, ter a apetência de ver os olhos de Nossa Senhora no Céu.
Imaginem que o Céu fosse só isto: nós, a vida inteira, a eternidade, sentirmos sobre nós, fitados, os olhos de Nossa Senhora. E, fitados os olhos divinos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que não houvesse mais nada… e haveria matéria para nós sermos inundados de felicidade eternamente.
Então, para nos dar o desejo do Céu, nós devemos pensar uma eternidade [com] esses olhos, contendo todas as variedades de expressão, todas as expressões de amor para conosco, de sublimidade, de grandeza de Deus, tudo isso pousado sobre nós, a nos ver e a nos analisar, a se embeber em nós, e nós embebidos eternamente neles. Não precisaria mais nada para a gente ter um imenso desejo do Céu; um tão grande desejo do Céu, que a gente seria tentado a uma oração que [um] ultramontano não deve fazer: é a oração pedindo para morrer logo, porque nesta Terra a coisa, decididamente, está repugnante demais.
Vamos, então, rezar.
Como é?
Eu rezo, que eu estou com preocupação do horário…
*_*_*_*_*
Auditório da Pará