Santo do Dia – 10/9/1966 – p. 2 de 2

Santo do Dia — 10/9/1966 — sábado [SD_222]

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Santa Pulchéria, imperatriz do Oriente e virgem; detém bárbaros, dilata de mil anos o Império, esmaga as heresias; grande devota de Nossa Senhora.

* Imperatriz virgem canta salmos e detém bárbaros * Imperatriz virgem obtém mais mil anos para o Império * Ela esmaga as heresias e estimula a devoção a Nossa Senhora

A festa de Santa Pulchéria e a Defesa do Dogma Mariano

Santa Pulchéria foi uma Imperatriz do Império Romano do Oriente no século V. Diz dela Dom Guéranger:

Ao lado de São Cirilo de Alexandria em sua luta contra Nestório, no triunfo da Mulher sobre o antigo inimigo, aparece-nos a admirável figura de uma mulher, de uma santa que foi durante quarenta anos o terror do inferno e, por duas vezes, em nome da Rainha do Céu, esmagou a cabeça de serpente odiosa.

Num século de ruínas, encarregada aos quinze anos da direção do Império, Pulchéria deteve por sua prudência, [por] sua energia, as convulsões internas, enquanto que, pela única força dos Salmos divinos que ela entoava com suas irmãs, virgens como ela, continha os bárbaros!

* Imperatriz virgem canta salmos e detém bárbaros

Vocês vejam que coisa linda: Bizâncio, capital deslumbrante, amável, dos Bósforos, com as sua grandes catedrais, com seus palácios, com seus estádios, com suas escolas, com seu luxo, não é. Em Bizâncio, instalada uma Imperatriz que canta os Salmos com suas irmãs virgens e que, por essa forma, rechaça os bárbaros que vão invadir o Império e protege aquele reduto da Cristandade contra toda deterioração. Este coro da Imperatriz com suas irmãs virgens cantando salmos para a proteção do Império, é um dos mais bonitos episódios que a História possa ter apresentado à consideração humana.

Enquanto o Ocidente agitava-se nas convulsões da última agonia, o Oriente encontrava no gênio da sua Imperatriz a prosperidade dos mais belos dos dias.

Vendo a meta do grande Theodósio consagrar suas riquezas privadas para multiplicar nos seus muros as igrejas dedicadas à Mãe de Deus, Bizâncio aprendia com ela o culto a Maria, que devia ter a sua

salvaguarda em tantos dias maus. E valeria do Senhor, Filho de Maria, mil anos de misericórdia e de compreensível paciência.

Com efeito o Império Romano do Ocidente estava caindo, os bárbaros estavam invadindo o Império. Mas nos quarenta anos de governo de Santa Pulcheria aquela torrente de bárbaros, por razões que os historiadores nem chegam a afirmar inteiramente, não desceram até Bizâncio, cidade tão rica ou mais, do que era a cidade de Milão, ou a cidade de Ravena, ou a cidade de Roma, então meias capitais do Império Romano do Ocidente.

* Imperatriz virgem obtém mais mil anos para o Império

O Império Romano do Ocidente caiu e o Império Romano do Oriente ainda durou mil anos! E, como diz bem Dom Guéranger, foi a proteção dessa dama, dessa alta e santa dama que assegurou mil anos de salvaguarda ao Império Romano do Oriente! Os senhores vêem que é uma verdadeira maravilha, não é?

Bem, Santa Pulcheria saudada pelos concílios gerais como a guardiã da Fé e o sustentáculo da Unidade, os concílios reconheciam que o poder civil deve intervir para salvaguardar a Fé.

Coisa que não é tão clara para os teólogos de hoje.

Segundo São Leão, a parte principal em tudo que neste tempo se fez contra os adversários da Verdade Divina, duas palmas estão em suas mãos, duas coroas sobre sua cabeça, diz este grande Papa, porque a Igreja lhe deve a dupla vitória sobre a impiedade de Nestório e de Eutiques, que, embora divididos no ataque, visavam o mesmo fim: a negação da Encarnação e do papel da Virgem Mãe na salvação do gênero humano.

* Ela esmaga as heresias e estimula a devoção a Nossa Senhora

Os senhores estão vendo que ela abalou duas heresias num século cheio de santos. Ela foi considerada o principal fator para esmagar estas heresias e ela tem, portanto, alguns aspectos por onde ela nos faz lembrar a Nossa Senhora que, sozinha esmagou as heresias em todo o mundo.

Grande devota de Nossa Senhora, ela construiu como os senhores viram, numerosas igrejas a Nossa Senhora em Bizâncio, o que — como diz bem Dom Guéranger —, fez retardar especialmente a queda do Império, porque a devoção a Nossa Senhora é o meio para perpetuar a vida e para evitar qualquer espécie de morte.

E assim nós temos a vida de Santa Pulcheria.

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