Santo
do dia – 11/8/66 – 5ª feira .
Santo do dia — 11/8/66 — 5ª feira
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Um episódio de Santa Clara com os sarracenos prova a importância da vida interior * Leitura da ficha sobre Santa Clara * Ao confrontar a beleza da conversão e consagração de Santa Clara com a atual crise na Igreja, vê-se o tamanho do tombo * Se o terrível espetáculo da crise na Igreja nos é indiferente, então é o caso de perguntar onde foi parar nossa Fé * “Nunca Nossa Senhora quis dever tanto a tão poucos, Ela que é a Rainha do Céu e da Terra”
Amanhã, dia 12 de agosto, o nosso cortejo deverá realizar-se sob o patrocínio de uma grande contemplativa. E é muito bonito isto: que uma coisa tão ativa se realize debaixo do signo de uma tão intensa contemplação. Amanhã é festa de Santa Clara.
* Um episódio de Santa Clara com os sarracenos prova a importância da vida interior
Santa Clara era de nobre família e fundou, juntamente com São Francisco de Assis, a Ordem dos [Franciscanos?].
Pôs em fuga os sarracenos que sitiavam o seu mosteiro avançando para eles com o Santo Cibório na mão, Século [XIII?].
Nós estamos na novena de Nossa Senhora da Assunção.
É uma beleza esta cena dos sarracenos que avançavam no seu furor e Santa Clara que vai de encontro a eles com o Santíssimo Sacramento. E diante dessa virgem com o Santíssimo Sacramento na mão, tudo pára e tudo recua.
De tal maneira é verdade que os meios materiais para derrotar os inimigos da Igreja estão freqüentemente dentro da ordem da Providência que a gente tem de procurá-los, mas quando eles faltam a gente não deve achar que a Providência por isso está faltando. Pelo contrário, Ela se prepara para dar as maiores graças e de suas melhores graças para a gente compreender bem como esses meios são secundários.
Uma alma que verdadeiramente faça um ato de generosidade interior renunciando… [inaudível] …sua santificação, pode provavelmente fazer muito mais bem para a causa católica do que todo o cortejo de amanhã. E olhe que se esse cortejo der certo, Nossa Senhora espera um grande feito.
Aí os senhores vêem qual é o valor de… [inaudível] …e da vida interior.
* Leitura da ficha sobre Santa Clara
A ficha que eu tenho aqui e que é tirada de Dom Gueranger, L’Anne Liturgique, e fala a respeito da conversão de Santa Clara.
Quatro anos se tinham passado somente quando esta profecia do santo se realizaria.
era São Francisco de Assis.
Quando Francisco pregava em Assis, na igreja de São Jorge, uma jovem de nobre família tinha resolvido ir com sua mãe e sua irmã para ouvir uma das suas instruções. Clara ouviu esta palavra toda ardente de amor, ela contemplou esta fisionomia transfigurada de São Francisco e desde este momento ela escolheu São Francisco como guia de sua alma.
Ela confiou o seu desígnio a uma tia e com ela foi a Santa Maria dos Anjos. Quem poderia dizer o que passou na alma do pai Seráfico nesta primeira entrevista com aquela que deveria ser a sua auxiliar na obra que o Céu lhe confiou?
Com efeito, Santa Clara foi fundadora da Ordem Segunda como está dito na biografia, quer dizer, da Ordem das Freiras Franciscanas que hoje por causa dela se chamam Clarissas.
São Francisco desvendou a Clara, as belezas do Esposo Celeste, a excelência da Virgindade. Depois ele a entreteve com tudo aquilo que ele tinha de mais caro no coração: o poder e os encantos da pobreza e a necessidade da penitência. Clara ouviu surpresa e enlevada. Ela escutou e atendeu ao chamado divino em seu coração.
Em pouco tempo a sua deliberação estava fixada: ela quebrará todos os vínculos que a unem à terra e se consagrará a Deus.
Agora, depois da conversão vem a consagração.
Na noite de Domingo de Ramos do ano 1212, ela deixou furtivamente a casa paterna e em companhia de algumas amigas íntimas, tomou o caminho de Santa Maria dos Anjos. Francisco e seus irmãos foram ao encontro delas com tochas na mão e as introduziram no santuário de Maria.
Foi lá, no meio da noite, que se passou a cena dos desponsórios espirituais de Santa Clara. Francisco lhe perguntou o que ela queria e ela respondeu: “O Deus do Presépio e do Calvário. Eu não quero outro tesouro nem outra herança”. Enquanto Francisco lhe cortava os cabelos, ela depositou tudo quanto tinha de precioso, suas jóias, seus ornamentos, e recebeu o hábito grosseiro, a corda, um véu grosso e se consagrou a Deus para todo o sempre.
* Ao confrontar a beleza da conversão e consagração de Santa Clara com a atual crise na Igreja, vê-se o tamanho do tombo
Os senhores estão vendo aqui a beleza da cena. Na pequena cidade de Assis, um cortejo de moças que sai fugindo do império das famílias que queriam evitar estes sacrifícios. Anda por ruas tortuosas de Assis devagarzinho para não despertar a atenção de ninguém.
Logo depois saem da cidade e, no campo, no espaço que separa a cidade de Assis do conventozinho de Santa Maria dos Anjos, encontram um outro cortejo. E este cortejo mais celeste ainda do que o delas.
Era São Francisco de Assis, que era um outro Cristo na Terra, que tinha até semelhança fisionômica com Nosso Senhor Jesus Cristo e que tinha as chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo nas mãos. São Francisco de Assis com alguns daqueles Santos que o ajudaram a fundar a obra franciscana, São Francisco que caminham com tochas na mão para receber estas virgens.
Os dois cortejos se unem e vão depois juntos à igreja de Nossa Senhora. E lá então, no silêncio da noite, a igreja provavelmente fechada, uma pequena roda provavelmente constituída por aquelas poucas pessoas, Santa Clara renuncia a tudo, São Francisco lhe corta os cabelos e ela dá o grande passo definitivo do qual nascerá a Ordem das Franciscanas, à qual pertenceriam tantas Santas e que deu e ainda dá glória a Deus de tantas formas e de tantos modos.
Isto equivale a um verdadeiro ACC. É preciso que nós saibamos medir a glória verdadeira das coisas santas e católicas, até onde vai.
E depois nós saibamos fazer o confronto disso com a chaga profunda que nós temos diante de nós, para nós compreendermos em que… [inaudível] …estamos.
* Se o terrível espetáculo da crise na Igreja nos é indiferente, então é o caso de perguntar onde foi parar nossa Fé
Pensem os senhores bem no esplendor desta cena e imaginem agora Kharman Guia ou um automovelzinho qualquer no duro, com um padre sem batina que vai passear com três ou quatro freiras endomingadas para ir para à praia tomar banho de mar. E os senhores compreendem o tamanho do tombo, o tamanho do desastre, o tamanho da transformação e os senhores compreenderão bem então como valia a pena ter nascido apenas para este fato:
Nesta noite e neste momento, verificar e tomar nota desta transformação, sentir a alma dilacerada de dor por causa desta transformação, sentir a alma ferver de indignação por causa desta transformação, e tomar a deliberação de consagrar a sua vida inteira pela lutar contra isto.
Consagração contra consagração, ou melhor, consagração paralela a consagração.
Santa Clara deixou tudo para entrar no convento. Nós estamos vendo a casa de Deus trincada. Nós estamos vendo a dignidade dos ministros do altar arrastada pela lama e daí para cima, nós estamos vendo os véus das religiosas caírem, nós estamos vendo o estado religioso desmoronar, nós estamos vendo “iê-iê-iê” profanando as nossas igrejas.
Se este espetáculo para nós é indiferente, depois disto ainda para nós a vidinha de todos os dias tem mais importância e é mais importante para nós termos automóvel, arranjar uma roupa, arranjar um empreguinho, conseguir umas molas cômodas para cama, progredir na respectiva profissão, ser sei lá o quê, do que a luta contra isto, então é o caso de perguntar onde foi parar nossa Fé.
No que nós cremos? O que é que tomamos a sério? É só quando a um católico falta completamente a seriedade é que ele é capaz de, numa época destas, colocar suas coisas de sua vidinha particular num plano paralelo, ou como que paralelo, com relação a esta grande dor da Igreja Católica, a esta grande agonia da Igreja Católica, que repete a Agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo, que está crucificada, e não morre, porque morrer não pode, porque do contrário Ela já até teria morrido.
* “Nunca Nossa Senhora quis dever tanto a tão poucos, Ela que é a Rainha do Céu e da Terra”
E então neste dia de Santa Clara e neste desfile de amanhã nós devemos dar este sentido, nós vamos desfilar diante da cidade de São Paulo, nós vamos desfilar diante desta cidade para afirmar nossa Fé nos princípios que nós sustentamos.
É muito mais do que a questão do divórcio que nós vamos simbolizar aos olhos de São Paulo. Nós vamos simbolizar a nossa afirmação de que nós queremos ser verdadeiramente católicos ultramontanos, e o espetáculo que vai ser realizado amanhã é um espetáculo de ultramontanismo.
Está bem, que não seja apenas um espetáculo, que seja um propósito diante de Deus, de Nossa Senhora, dos Anjos, dos Santos, diante de todos os membros que estiverem ali, do Movimento, a afirmação do propósito de viver fundamentalmente para isto. Para isto e para mais nada do que isto. Se alguém depois de ter feito esse propósito seriamente caísse morto, teria ganho a sua vida e teria valido a pena ter nascido para isto.
Quanto mais tendo, provavelmente, uma longa vida para viver diante de si para a luta, que por ser contra o pior inimigo, por ser na pior das épocas, com menor número de pessoas, é por isso mesmo a melhor e a maior das lutas. Porque é pela melhor causa, nos maiores apuros, na maior dificuldade de encontro dos meios, etc.
E por causa disto, muito mais do que os que voaram sobre Londres, Nossa Senhora poderá dizer de nós no Juízo Final, o que Churchill disse daqueles que voaram sobre Londres: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.
Mas é muito mais do que tantos, não é questão de número. A gente poderia talvez dizer que nunca Nossa Senhora quis dever tanto a tão poucos, Ela que é a Rainha do Céu e da Terra.
Vamos, portanto, pedir a Nossa Senhora que, por ocasião deste cortejo, Ela encha as nossas almas dessas resoluções, destas considerações e deste espírito. E que isto seja ocasião para nós interiormente renovarmos a nossa consagração a Nossa Senhora com um ato de piedade muito meditado, muito bom, antes do cortejo de amanhã ou a qualquer hora, ir a um altar de Nossa Senhora ou diante de uma imagem de Nossa Senhora nas Sedes do Grupo, renovar a Consagração para dar inteiro sentido ao cortejo que amanhã nós devemos fazer.
Com estas palavras, vamos então encerrar.
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