Santo do Dia (Rua Pará) – 8/8/1966 – 2ª feira [SD 147] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Rua Pará) — 8/8/1966 — 2ª feira [SD 147]

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Satanás está posto nos olhos do impuro * A impureza recuaria se se pregasse como o Cura d’Ars * É um conflito de vinte séculos entre fidelidade e infidelidade

* Satanás está posto nos olhos do impuro

de agosto é a festa de São João Maria Vianney, confessor, intercessor pela santificação do clero e modelo dos que têm cura de almas. Século XIX.

Trechos do catecismo sobre a impureza, escrito por São João Batista Vianney.

Notem que São João Batista Vianney não é um santo só, ou um intercessor como está escrito aqui, mas é um intercessor e um modelo. O papa Pio XI quando o canonizou, instituiu-o modelo de todos os vigários do mundo, de todos os párocos do mundo. Portanto, o que ele diz é modelo para os outros dizerem coisas análogas, e o que ele fez é modelo para outros fazerem coisas análogas. Nós vamos ler, portanto, palavras que são modelo para as pregações sacerdotais.

Há almas que são tão mortas, tão apodrecidas, que marasmam na sua infecção sem o perceber e não podem mais desvencilhar-se dela. Tudo as leva ao mal, tudo lhes lembra o mal, mesmo as coisas mais santas. Elas têm sempre essas abominações diante dos olhos, semelhantes ao animal imundo que se habitua à porcaria e se agrada nela, que se rola nela, que nela dorme, que ronca sujidade. Essas pessoas são objeto de horror aos olhos de Deus e dos santos anjos.

Oh, meus filhos, se não houvesse algumas almas puras para indenizar Deus e desarmar sua justiça, haveríeis de ver como seríamos punidos. Só em ver uma pessoa reconhece-se se ela é pura. Há nos seus olhos um ar de candura e de modéstia que leva a Deus. Vê-se em outras, ao contrário, que têm um ar todo inflamado. Satanás põe-se-lhes nos olhos para fazer cair os outros e arrastá-los no mal.

Os senhores estão vendo que é uma exposição soberba do que é a impureza, dos seus efeitos na alma, de como Deus a vê, etc., e acaba com essa tirada magnífica, que é a respeito do papel de Satanás. Satanás está posto nos olhos do impuro. Está posto para olhar os outros e levar os outros para o mal. O olhar do impuro contamina com sua impureza.

Que impuro? Não é qualquer impuro, mas esse impuro que está no marasmo, que afundou, que não sai mais, que não muda mais, que está completamente liquidado pela impureza. Este impuro se torna então um habitáculo de Satanás.

* A impureza recuaria se se pregasse como o Cura d’Ars

Os senhores vêem aqui a força dessa pregação. E os senhores imaginem que de todos os púlpitos da Cristandade se ouvissem coisas dessas. Eu lhes pergunto se a impureza não recuaria enormemente. O que aconteceria com as mini-saias se se falassem coisas dessas? Porque uma moça que tem o hábito de usar mini-saia está inteiramente nesse caso. Não escapa. Pode comungar quinze vezes por dia, como o Ademar de Barros, que não escapa. Ela está completamente perdida na impureza.

Os senhores imaginem se todos os pregadores dissessem isso, como o mundo estava diferente. Então, por que o mundo não é como deveria ser? Antes de tudo porque os pregadores não pregam o que deveriam pregar. E por que não pregam o que deveriam pregar? Porque não são o que deveriam ser. Nós temos que nos colocar francamente nessa posição.

* É um conflito de vinte séculos entre fidelidade e infidelidade

Por que eu estou repetindo isso, que nós sabemos tão bem? Estou repetindo isso a propósito das palavras de um santo. E para mostrar que aqui não se trata — eu sempre insisto nesse ponto e nunca será suficiente insistir — de um conflito entre uma opinião nossa e a opinião de pregadores. Mas trata-se de um conflito entre vinte séculos de ensinamento da Igreja, vinte séculos de pregação da moral verdadeira e da prática da moral verdadeira pelos santos, e de canonizações contínuas de modelos exímios de santidade, que protestam contra o que hoje se passa.

Então, na nossa tomada de posição, não há uma opinião individual que se levanta contra a opinião de uma instituição, mas há a fidelidade a esses vinte séculos que se prolonga pela noite dos dias de hoje. Há a fidelidade ao legado dos santos, ao legado dos mártires, dos papas, ao legado dos pastores, ao legado enfim de tudo quanto é a Esposa Mística de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica. E é em nome disso e por fidelidade a isso que nós protestamos.

A nossa luta não é uma luta de indivíduos contra indivíduos, mas é uma luta da fidelidade contra a infidelidade.

Aqui essas palavras do Santo Cura de Ars exprimem bem isso, e é por isso que estou repetindo. Eu quero que os senhores apalpem com a mão, que os senhores tomem — para usar a palavra de hoje — a vivência de que isso não é apenas uma opinião de A, de B ou de C, ou minha, mas que é muito mais do que isso: é a fidelidade a vinte séculos de história da Igreja Católica. Isso é o que me parece fundamental dizer aqui.

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