Santo
do Dia (Auditório da Pará) – 5/8/1966 – 6ª
feira [IIA D 31] – p.
Santo do Dia (Auditório da Pará) — 5/8/1966 — 6ª feira [IIA D 31]
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Antes mesmo da eleição, Calisto III faz o voto de perseguir os turcos, pela guerra, maldições, anátemas, execrações e todas as maneiras que estiverem ao seu poder * Seu primeiro cuidado foi de enviar pregadores por toda a Cristandade para exortar os príncipes e os povos à santa expedição * Belgrado, sitiada por um exército otomano de cento e cinqüenta mil homens, é defendida pelas forças de Jean Corvin * João Capistrano, na primeira linha de batalha e de cruz à mão, exorta os soldados a vencer ou morrer * A Europa, salva pelo braço de Huniade, deve-lhe reconhecimento eterno * Quando Deus quer agir, Ele permite que tudo pareça perdido * O ensinamento que a Batalha de Belgrado nos traz
Hoje, dia 5, é festa da dedicação de Santa Maria das Neves, também chamada Santa Maria Maior. Esta basílica foi consagrada no ano de 432. Seu teto é recoberto com o primeiro ouro vindo da América. Foi aqui que os rosários rezados por São Pio V alcançaram a vitória de Lepanto.
Nesse mês, em 1963, foi publicado em “Catolicismo” o estudo “A Liberdade da Igreja no Estado Comunista” em sua primeira versão.
Estamos cheios de comemorações de batalhas, porque foi na Basílica de Santa Maria Maior que São Pio V rezava, estava conferenciando com uma roda de cardeais, em certo momento se distanciou e começou a rezar o rosário para obter a vitória de Lepanto. E, de fato, ele teve uma visão que comunicou a ele que tinha havido a vitória de Lepanto.
Ao mesmo tempo amanhã é festa da Transfiguração de Nosso Senhor e comemoração da Batalha de Belgrado. E de um modo muito caseiro, a comissão de história me explica que não tem nada sobre a Transfiguração e que então se poderia comentar a Batalha de Belgrado, o que faço de bom grado.
* Antes mesmo da eleição, Calisto III faz o voto de perseguir os turcos, pela guerra, maldições, anátemas, execrações e todas as maneiras que estiverem ao seu poder
Isto é da História de Rohrbacher.
O excelente papa Nicolau V morreu em 24 de março de 1495. A 8 de abril os cardeais elegeram Afonso Borgia para sucessor do trono pontifício, o qual tomou o nome de Calisto III. Ele predissera sua elevação, com a segurança que recebera, dizia ele, de São Vicente Ferrer, seu compatriota.
Por causa disso, e também por causa de sua idade (78 anos) e de sua aparência entusiasta, chamavam‑no “O velho sonhador”. Mas ele sentia‑se tão seguro desse seu entusiasmo contra os turcos, que antes mesmo de sua eleição, fizera um voto, assinando‑o com o nome pontifício que adotou depois, concebido nos seguintes termos: “Eu, Calisto papa, prometo a Deus todo poderoso e à Santa e Indivisível Trindade, que perseguirei os turcos, inimigos crudelíssimos do nome cristão, pela guerra, as maldições, os anátemas, as execrações e todas as maneiras que estiverem em meu poder”.
* Seu primeiro cuidado foi de enviar pregadores por toda a Cristandade para exortar os príncipes e os povos à santa expedição
Cumpriu ele seu voto perfeitamente. Seus primeiros cuidados foi enviar pregadores por toda Cristandade para exortar os príncipes e os povos a contribuírem com seus bens e suas pessoas, tanto quanto pudessem, para essa santa expedição. Entregou ao franciscano São João de Capistrano a missão de pregar a Cruzada na Alemanha. Os príncipes cristãos em maior parte primeiramente prometeram que secundariam os desejos do Pontífice.
Pelas palavras de Enéias Silvius, enviado do imperador junto ao papa, via‑se que esse príncipe estava resolvido a empreender todas as suas forças; que os reis da França, Inglaterra, Aragão, Castela e Portugal estavam dispostos a fazer o mesmo; que o duque de Borgonha empenhara‑se no mesmo fim, e que numerosos príncipes da Alemanha haviam feito votos para seguir na expedição.
Os povos cristãos, por seu lado, excitados pelos discursos dos pregadores apostólicos, forneceram somas consideráveis das quais o papa serviu‑se paras construir e equipar uma frota de 16 galeras, que ele enviou contra os inimigos da cruz do Salvador.
Calisto III recorreu também à oração e ordenou preces em toda a Igreja, a fim de obter a proteção e o socorro do céu.
Os senhores estão vendo uma coisa bem feita. Uma coisa muito bem preparada antes de ser feita e preparada como se deve fazer. Quer dizer, preparando a opinião pública, e sobretudo rezando para vir o auxílio do Céu.
Os resultados não se fizeram esperar pelas vitórias que na Europa e na Ásia os príncipes começaram a obter contra os inimigos da Cristandade.
* Belgrado, sitiada por um exército otomano de cento e cinqüenta mil homens, é defendida pelas forças de Jean Corvin
Maomé II, após a tomada de Constantinopla, contava que a conquista do império do Ocidente lhe custasse pouco e já se considerava como senhor de toda a Cristandade.
Assim, não tendo a menor dúvida de que logo arvoraria o crescente otomano em Viena e Roma, avançou sobre a Hungria com uma exército de 150.000 homens.
Uma coisa imensa para aquele tempo.
Sitiando Belgrado em 3 de junho de 1496,…
Belgrado era um ponto necessário para dar passagem para a Hungria e era, portanto, uma porta do Ocidente.
… o jovem rei Ladislau fugiu de Viena, mas o bravo Jean Corvin, comumente chamado Huniade, … [inaudível]… da Transilvânia e regente da Hungria, que havia com tanta freqüência abatido os turcos quando comandados por Amurad, reuniu prontamente tudo o que pôde de forças. Eram poucas, antes de Maomé. Ao mesmo tempo pediu a São João Capistrano que apressasse a marcha dos cruzados que ele convencera ao combate.
Entretanto, os turcos cobriram o Danúbio com barcos de uma forma especial adaptada a esse rio, deles desembarcando velhas tropas acostumadas a vencer sempre. Huniade, à frente de uma frota composta de barcos mais leves e, conseguintemente, em forma de melhor manobrar, atacou os infiéis e os venceu.
Os senhores estão vendo, portanto, que foi uma batalha fluvial.
* João Capistrano, na primeira linha de batalha e de cruz à mão, exorta os soldados a vencer ou morrer
Depois entrou em Belgrado, cidade pequena mas muito fortificada, na confluência do Danúbio e do Save. São João de Capistrano, que estava com ele, animava os soldados no meio do combate, segurando na mão uma cruz que recebera do papa.
Vejam os senhores a beleza da cena: um santo no meio da batalha, brandindo uma cruz que recebera do papa e animando todos para a guerra.
Os turcos voltaram à carga e resolveram tomar a cidade. Embora rechaçados com grandes perdas, não recuavam, passando sobre os cadáveres de seus compatriotas, estendidos em todas as direções. Uma tal firmeza como que atraía a vitória para seus estandartes e já os cristãos começavam a fugir. Era 22 de julho.
Quando tudo parecia desesperar, o monge João avança para a primeira linha, a cruz na mão…
Os senhores podem imaginar a cena: as tropas turcas avançando, as nossas numa debandada, um ambiente de pânico e de tragédia, e no meio disso São João Capistrano que avança teatralmente para o centro da cena, com a cruz dada pelo papa na mão.
… exorta os soldados a vencer ou morrer, repetindo essas palavras: “Vitória, Jesus vitória”.
Os senhores podem imaginar isso berrado no meio do campo de batalha, com estrondo das armas, gritos dos doentes, dos feridos, a barulheira toda e a voz dele dominando: “Jesus, vitória”.
Os cristãos, reanimados, atiram‑se sobre os infiéis.
É, evidentemente, um golpe da graça.
Lançam‑nos fora das fortificações da cidade, retalham‑nos em pedaços. Inutilmente Maomé procura reanimar suas tropas. Elas fogem em todas as direções, insensíveis às promessas e ameaças. Ferido ele mesmo e prestes a ser feito prisioneiro, transportam‑no para uma aldeia. A retirada se faz em tal desordem, que quarenta bandeiras, dezesseis peças de artilharias, todas as munições e uma parte das bagagens permanecem em mãos do vencedor.
* A Europa, salva pelo braço de Huniade, deve‑lhe reconhecimento eterno
Huniade e São João Capistrano foram dois homens dignos um do outro. O príncipe caiu doente das fadigas dessa penosa campanha e morreu em Zemplen em setembro do mesmo ano de 1456. O Papa Calisto afligiu‑se muito com a morte desse herói e todos os cristãos o choraram. Maomé mesmo lamentou‑o, dizendo que não restava na terra nenhum príncipe digno dele, Maomé.
A Europa, salva pelo braço de Huniade, deve‑lhe reconhecimento eterno.
* Quando Deus quer agir, Ele permite que tudo pareça perdido
Os senhores estão vendo aqui a beleza da conjunção de três fatores: em primeiro lugar, um papa disposto a combater; em segundo lugar, um santo que representava a força moral da Igreja católica ante o adversário; em terceiro lugar, um príncipe disposto ele também a ser a espada nas mãos do papa para combater os infiéis.
Mas não faltou o episódio característico: a Providência querendo dar a essa vitória uma glória suprema, quis mostrar que era ela que estava intervindo. E por isso permitiu uma flexão, e permitiu que as coisas todas permanecessem perdidas em determinado momento.
É como diz Joseph de Maistre: quando Deus quer agir, Ele permite que tudo pareça perdido. Então Ele age de maneira que se compreende que é só Ele que podia alcançar esse resultado.
Quanto pode a voz de um santo! A voz de um santo ganha batalhas, salva civilizações, muda o curso da história. Pela voz de um santo Ele remediou todo aquele abatimento, toda aquela prostração e conseguiu ganhar a vitória.
* O ensinamento que a Batalha de Belgrado nos traz
Qual é o ensinamento disso para nós?
Em primeiro lugar, uma sensação de admiração e de nostalgia dos tempos em que tais papas, tais reis, tais príncipes, tais fidalgos, tais santos lutavam contra os inimigos da Igreja. Os nossos eram muito melhores do que são hoje, os adversários eram muito menos maus do que são hoje. Porque Maomé, por pior que fosse, não era de nenhum modo um comunista, ou não era de nenhum modo um La Pira.
Por outro lado, e isso importa notar também, para nós deve vir a convicção de que freqüentemente em nossas lutas — é bom dizer isso numa hora de vitória — parecerá que estamos perdidos. É a hora de rezar a Nossa Senhora para conseguirmos auxílio. É essa a hora em que a glória maior vem. E a maior glória de nossas guerras não é a de serem ganhas por nós, mas é a serem ganhas por intervenção d’Ela. E isso então convém fixar bem.
Em terceiro lugar, convém pensar bem no valor da santidade. Sem um santo, tudo isso não teria adiantado de nada. O ardor de um papa, coisa tão sagrada, o valor de tantos reis que cumpriam sua vocação e sua missão mandando tropas para lá, de um príncipe heróico que capitaneava batalhas, nada teria adiantado sem a presença de um santo. Porque as grandes batalhas da História, os santos é que as ganham, quer as batalhas cruentas, quer as batalhas incruentas, quando o que está em jogo na batalha é a causa da Igreja ou da Civilização Católica.
Esses são os princípios que nós devemos lembrar na previsão da festa de amanhã.
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