Santo
do Dia – 29/6/1966 – p.
Santo do Dia — 29/6/1966 — 4ª-feira
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A Batalha do Alcácer
Nós devíamos analisar um texto para o Santo do Dia — eu vou fazer a análise um pouco depressa, que eu estou me sentindo meio nevrálgico.
A jornada culminante dos monges.
Isso, de que livro é isso?
(Sr. –: É a história da batalha do Alcácer.)
É João Ameal, história de Portugal, 2ª edição.
A jornada culminante dos monges batalhadores portugueses é porventura da conquista do Alcácer, em tempos de Dom Afonso II. Empresa de grande vulto, para ela são convocados freires das três principais ordens…
Freire é frei. Os religiosos.
Templários, hospitalários e espatários. Sublime rivalidade os excita a ânsia de vencer ou morrer tão nobremente uns com os outros. Reunidos no acampamento antes do embate, levantam para Deus os olhos, as almas vêem fulgurar no azul [uma] enorme cruz de luz vivíssima. É o anúncio da vitória.
Se a multidão da gente moura inunda a perder de vista a planície fronteira, nada importa: a vitória será maior.
As hostes cristãs precipitam-se contra a massa densa dos islamitas. Uma chuva de ouro cai sobre um pequeno troço de nossos cavaleiros. Reflexos acordam nas lanças e nos escudos. De tal violência é a corrente de fogo, tão vibrante luz o ar, que os freires, em galopada, julgam-se desdobrados por esquadrões de anjos. No espaço acima deles também galopa aérea a maravilhosa cavalaria.
É preciso dizer o seguinte: o Ameal é naturalista e ele não quer dar a explicação exata, os guerreiros estavam vendo, com certeza, uma revoada de anjos que acompanhavam eles. E ele então pinta a coisa como se fosse uma sugestão, etc., mas era o que os guerreiros estavam vendo.
O triunfo obtido é completo. A matança prolonga-se durante três dias, e nunca será possível distinguir a quem tal se deve, tão confundidos andam nesse remoto pincel de espiritualidade medieval os cavaleiros da terra, corações erguidos ao céu, e os cavaleiros do céu descidos por mandado de Cristo, a auxilias e secundar os cavaleiros da terra.
Os senhores estão vendo que, portanto, a tradição era preciosamente essa: que tinham intervindo na luta para dar a vitória exatamente aos cavaleiros de Nossa Senhora. Isso é muito bonito porque exatamente as revelações privadas sobre a “Bagarre” dizem isso: que vai haver um momento em que os bons — e eu tenho impressão de são as últimas tropas da Igreja do deserto — os bons vão se reunir num punhado, e que vão dar uma batalha que vai ser a batalha decisiva, mas para a qual eles são um pinguinho de gente. E quando eles estiverem verdadeiramente perdidos, o chefe deles invoca São Miguel Arcanjo. E nesse momento São Miguel Arcanjo desce do céu com seus guerreiros e junto com esse pinguinho de gente derrota fragorosamente as tropas do demônio. Então, é um dos momentos, enfim, é um dos lances que indicam o fim da “Bagarre”. É essa a derrota em que os maus acabam sendo liquidados, que é a coisa simultânea com a morte de um papa, a eleição de um papa bom e Nossa Senhora que entra no Vaticano, sobe até o alto da cúpula de São Pedro e estende o seu manto sobre todo o mundo, conta Catarina Emmerick. Quer dizer, são fatos concomitantes, e que indicam a derrota do poder das trevas. Então é possível, se nós formos fiéis e se Nossa Senhora nos der essa graça, é possível que nós lutemos e em determinado momento de muito cansaço, quando tudo parecer perdido e houver gente tentada a dizer:
– Esse Dr. Plinio me arrastou para um beco sem saída…
É possível que neste momento, em que algum elemento judicioso esteja dizendo entre nós:
– Mas vamos e venhamos.
Eu não gosto de gente que diz “mas vamos e venhamos”, porque é gente que nem vai nem vem. Bom, diz “vamos e venhamos”, mas seria bem o caso de se pensar um acordo, é possível que num momento desses os prudentes caiam mortos no chão e nós vejamos o céu se abrir, os anjos se misturarem conosco e os inimigos caírem aos milhares e aos milhões. E muito possivelmente, vários dos que estão aqui vão presenciar esse fato e vão lutar nessa luta. E eu digo isso para os senhores esperarem. Porque esperar não é só ter esperança, mas é também suportar as demoras de Deus. Há dois sentidos da palavra esperança, um é: espere porque vem logo. E é verdade, porque vem logo. Essas coisas o tempo passa e as coisas levam menos tempo do que a gente supõe. Mas um outro é: vai demorar, fique esperando. Isso aí é um dos aspectos mais duros da virtude da esperança. Então, ficar esperando porque vem quando a gente menos espera. Os senhores vejam o comunicado da CNBB. Veio quando a gente menos esperava. E eu acabava de dizer aos nossos amigos aqui que desde a publicação do “Em defesa da Ação Católica” até aqui num grupo favorável em relação à opinião pública como agora. Quer dizer, esperando, esperando, exspectavi. Diz a Escritura: Esperando, esperei. Quer dizer, ficar esperando longamente. Nunca aconteceu que quem esperasse durante muito tempo, Deus não viesse depois com juros para pagar. E qual vai ser a nossa alegria quando, de um modo inopinado, nós percebemos anjos que baixam, que baixam e que baixam, e nós lutando com um anjo de cá e outro de lá, e nós damos um cutucão e o anjo mata, nós matamos e o anjo derruba. Esta cooperação com a milícia angélica. Eu não sei o que vale mais a pena, se vale mais a pena morrer nesse no momento, ou assistir o raiar da aurora do Reino de Maria, de tal maneira isso é maravilhoso. Então, sursum corda, não é verdade? Levantar as almas bem para o alto, porque é o futuro que nos espera. Ao mesmo tempo, ponto bem menor, mas não sem interesse, fica explicado porque o Alcácer chama Alcácer. E com isso vemos encerrar.