Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 24/6/1966 – 6ª feira [SD 280] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 24/6/1966 — 6ª feira [SD 280]

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O inefável das relações de Nossa Senhora com São João Batista ainda no seio materno * É provável que ele tenha praticado a sagrada escravidão de amor para com Maria

que é o seguinte: 24 de junho, hoje é festa de São João Batista. D. Guéranger, no L’Anée Liturgique, diz a respeito dele o seguinte.

São João recebeu a graça de uma santidade incomparável, provavelmente já no seio de sua mãe, com a visita da Santíssima Virgem a Santa Isabel. Assim, sendo talvez o primeiro que penetrou o mistério da divina e virginal maternidade, não separando nunca o filho de sua mãe, ao mesmo tempo que adorou Jesus, honrou Maria acima de toda criatura. “Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o Fruto de vosso ventre”, é a afirmação unânime da tradição, que pronunciando essas palavras, Isabel nada mais foi que porta-voz de seu filho. O início da vocação de João como testemunha da luz…

É o nome, a palavra João quer dizer isso.

tem Maria por objeto. E Ela dá a primeira expressão do sentimento de admiração e louvor que o anima. Anjo ele mesmo como o chamavam os profetas, retoma e completa a saudação de Gabriel à soberana do Céu e da terra. Assim já se manifesta o papel de Maria na santificação dos eleitos. O grito de sua alma eleva-o à santidade, é primeiro som da voz da Virgem. Foi por ele, com efeito, que com grande pressa, após a Anunciação, Ela atravessou as montanhas. Mas reserva ainda a João outros favores. Até então silenciosa, entoa diante dessa criança seu cântico divino, que dá ao Batista plena compreensão do mistério inefável. Como santificou o precursor de seu Filho, a Mãe de Deus deve agora formá-lo e instruí-lo, o “Magnificat” é a primeira lição incomparável do filho de Isabel. Mais três meses ainda continua essa educação maravilhosa. E por isso, melhor que os judeus, podemos dizer: “Que pensais que será essa criança?” A Dispensadora dos celestes tesouros guardou para João a primeira efusão dessa torrente de graças, da qual Ela se tornara o divino reservatório. O caudal que escapar dessa cidade santa não será suspenso até o fim dos tempos, levando a cada alma seus eflúvios, mas seu choque impetuoso em toda a sua força inicial, ainda não dividido, encontrou João em primeiro lugar. Quem poderia medir essa torrente? E seus efeitos? A Santa Igreja não o diz. Mas a admiração que lhe causa o misterioso crescimento de João sob o olhar atônito dos Anjos, perdendo de vista a fraqueza desse corpo de criança ante a maturidade de sua alma, chama no dia da gloriosa natividade do Precursor: “É grande o homem que Isabel deu ao mundo.

* O inefável das relações de Nossa Senhora com São João Batista ainda no seio materno

Esses comentários verdadeiramente eloqüentes de D. Guéranger, se prendem a uma consideração de fundo que é interessante ressaltar aqui.

Nos diz o Evangelho que quando São João ouviu a voz de Nossa Senhora, Santa Isabel declarou que ele estremeceu de júbilo dentro do ventre materno. O que quer dizer que, por um privilégio raríssimo, provavelmente São João foi limpo do pecado original logo no momento em que ele nasceu. E, portanto, ele teve o uso da razão ainda antes de ele ser posto à luz do dia. O que quer dizer que ele estava no claustro de Santa Isabel, mas já ele tinha vida de razão, já ele rezava, já ele podia receber comunicação, pelo menos de um modo sobrenatural, dos fatos externos que se passavam em relação a ele. E é por isso que vendo Nossa Senhora chegar, ele teve uma espécie de sobressalto de alegria, e é por isso que a tradição unânime considera que aquela saudação de Santa Isabel a Nossa Senhora, foi uma saudação pensada por ele e dita por ele, e de que ela foi o eco.

Quer dizer, ele, ainda no ventre materno, já prestava a Nossa Senhora um grande culto. Mas daí se deduz que estando ele em Santa Isabel como em um templo, como em um sacrário, ele era mais do que Santa Isabel. E as relações de Nossa Senhora, durante os meses em que Ela permaneceu ali, as relações foram mais com ele do que com Santa Isabel. E ele foi, portanto, exceção feita do Menino Jesus, a criança, a criatura por excelência, para a qual se deu o primeiro jorro, como diz bem D. Guéranger, ainda não dividido e com toda a sua força inicial, o primeiro jorro das graças derramadas por Nossa Senhora para a Humanidade.

* É provável que ele tenha praticado a sagrada escravidão de amor para com Maria

Dizer isso é dizer tanto, que é dizer tudo. E não tem mais nada para falar a respeito da grandeza dele, a não ser o seguinte: é muito difícil admitir que um tão grande santo, tão amado por Nossa Senhora, Nossa Senhora atravessou as montanhas por causa de Santa Isabel, mas mais ainda por causa dele, um santo tão amado por Nossa Senhora não tenha conhecido o mistério da escravidão a Nossa Senhora, e que não tenha sido ele mesmo um escravo de Nossa Senhora. O que quer dizer que entre todos aqueles que procuram a devoção a Nossa Senhora perfeita segundo São Luís Maria Grignion de Montfort e ele, existe um vínculo poderoso, e que ele é, a esse título, em larga medida, um patrono de todos nós.

Nessas condições, nós devemos rezar a ele com confiança. Uma confiança redobrada pelo fato de que ele, segundo tudo indica, pertencia à família dos essênios, que nas encostas do Monte Carmelo continuavam Santo Elias e prenunciavam a Ordem do Carmo. Por todas essas razões, nós devemos nos considerar unidos a ele. Tanto mais que nós nos consideramos, a justo título, ainda carmelitas e sabemos quanto a muitos dentre nós, quão significativamente a incomparável carmelita Santa Teresinha do Menino Jesus, tem feito favores. Todas essas circunstâncias nos levam, então, a considerar [como] nossa data, muito o dia de hoje.

Eu gostaria de passar dessas alturas para um ponto muito prático. Mas assim a gente deve ser. Numa certa ordem a gente deve ter a cabeça mais alta que as estrelas. E em outra ordem, a gente deve ter tão voltada para a realidade, que é capaz até de contar grãos de poeira. Portanto, nós vamos passar dessas culminâncias, para algo de concreto. E algo de concreto é o seguinte:…

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