Santo do Dia – 4/6/66 – Sábado . 12 de 12

Santo do Dia — 4/6/66 — Sábado

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Comentários ao Salmo XVII, “o Salmo da Bagarre”

Índice

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* O salmo XVII debaixo de certo ponto de vista pode ser chamado o salmo da Bagarre

Vamos passar então ao Santo do Dia. O assunto do Santo do Dia é um Salmo XVII, relacionado — os senhores tem aí o salmo? Foi distribuído aqui dentro também? — relacionado a um Salmo profético que se relaciona com Nosso Senhor.

O profeta Davi aqui faz o papel, tudo quanto ele diz respeito às humilhações e à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo durante os dias de Semana Santa e depois à gloria de sua Ressurreição.

São episódios pessoais da vida do rei Davi, mas são episódios de um significado profético.

Então, o que ele diz ao mesmo tempo se aplica a ele e se aplica a Nosso Senhor. Mas como os senhores verão depois, como uma terceira interpretação, também tem uma relação extraordinária com a Bagarre, e debaixo desse ponto de vista pode ser chamado o Salmo da Bagarre. Me parece mais simples, primeiro ler relativamente a Nosso Senhor e ao profeta Davi, e depois fazermos nossas relações com a Bagarre.

Então o Salmo é o seguinte:

* Uma exclamação de confiança enorme em Deus, de uma pessoa muito atribulada

Eu te amo, Senhor, fortaleza minha, Senhor, meu firme apoio, meu baluarte, meu libertador, ó meu Deus, minha rocha de refúgio, meu escudo, força da minha salvação, meu asilo.

Os senhores estão vendo que é uma exclamação de confiança enorme em Deus, de uma pessoa muito atribulada.

Ele vê Deus sob a forma de uma fortaleza que o defende, de um apoio sobre o qual ele pode deitar o seu peso, de um baluarte contra o inimigo, de um libertador que vai salvá‑lo de um perigo, uma rocha na qual alguém se refugia, um escudo [de] defesa contra alguém, e a força da salvação e um asilo. Quer dizer, Deus é visto assim.

E assim é que Davi via a Deus na aflição pela qual ele passou, que era a revolta do filho Absalão contra ele. E assim também Nosso Senhor Jesus Cristo pensava no Padre Eterno, nos momentos de aflição extrema no Horto da Oliveiras, em que ele sabia que ia passar por um tormento verdadeiro, mas ele sabia também que o Padre Eterno seria o refúgio dele. E no fim, depois das maiores aflições, a vitória seria dele.

Depois continua:

Invocarei o Senhor digno de louvor e serei salvo de meus inimigos. Cercaram‑me as vagas da morte…

Vejam como isso diz respeito a Nosso Senhor:

cercaram‑me as vagas da morte, as ondas da morte e torrentes devastadoras me aterrorizam.

Isso aí é bem Nosso Senhor cercado, com o medo da morte no Horto das Oliveiras: torrentes devastadoras aterrorizaram a ele. “Redes do Inferno me envolveram”. O inferno aqui não é o inferno de satanás, mas é as regiões inferiores, as regiões dos mortos.

Como se diz que Nosso Senhor desceu aos infernos, quer dizer ao limbo. Quer dizer, a morte, as sombras da morte o envolveram durante sua agonia.

* Na minha tribulação invoquei o Senhor e clamei ao meu Deus

E eu clamei: surpreenderam‑se os laços da morte. Na minha tribulação invoquei o Senhor e clamei ao meu Deus. Ele ouviu a minha voz desde o seu templo e meu clamor penetrou nos seus ouvidos.

De fato, Nosso Senhor clamou a Deus: “Pai, se for possível, afasta‑se de mim esse cálice. Mas faça‑se a Vossa vontade e não a minha”. E a voz d’Ele subiu de tal maneira ao Céu que veio um Anjo especialmente para confortar a humanidade santíssima d’Ele. Mas sobretudo Ele foi atendido porque Ele foi depois glorificado, e depois de ter morrido Ele ressuscitou. De maneira que Deus foi de fato a defesa d’Ele.

Agora, o que aconteceu, como é que o Padre Eterno glorificou a Deus? Nosso Senhor Jesus Cristo morreu, e então o que que aconteceu?

Foi sacudida e tremeu a terra, os fundamentos dos montes vacilaram e abalaram‑se porque ardia a ira…

Era Deus que ardia em ira. Os senhores sabem que quando Nosso Senhor disse o Consumatum est, a terra toda se obscureceu, o sol se obscureceu, a terra toda tremeu, o véu do templo se rasgou e as sepulturas onde os justos estavam se romperam e os cadáveres dos justos começaram a passear pela cidade de Jerusalém, para recriminar, a não sei bem quem, pelo deicídio que tinha sido feito.

Agora os senhores vêem Deus então como simbolizado a cólera de Deus descrita magnificamente. Deus se irou. Deus ardia em ira e por isso a cólera d’Ele pôs em movimento o universo.

Subiu fumo das suas narinas.

Vejam que magnífica essa comparação. O Padre Eterno como um ancião de cujas narinas sai fogo de ódio pelo crime que foi cometido.

E o fogo devorador saiu de sua boca, carvões foram por ele acessos.

Os senhores estão vendo: da boca saíram carvões acesos. É o ódio de Deus contra aqueles que tinham cometido crimes, deicídio, etc.

Ele inclinou os céus.

Quer dizer, como quem desce um toldo, como quem desce uma escadaria.

inclinou os céus e desceu e uma nuvem escura estava sob seus pés.

Quer dizer, Deus vem visível, com uma nuvem debaixo de seus pés, Ele deixa o Céu, Ele vem á Terra.

* O Deus da verdade e da luz para castigar os homens se vestiu de trevas, para espalhar trevas por toda parte para castigar os homens pelo pecado que tinham cometido

E subiu sobre um Querubim e voou e era levado sobre as asas do vento.

Os senhores vejam que coisa magnífica, Deus carregado pelas asas do vento e fazendo pairar sua cólera sobre toda a Terra, e com o fogo saindo de sua boca, e fumaça saindo de suas narinas.

Deus vestiu‑se de trevas como de um véu, como de um manto de águas tenebrosas e de densas nuvens. Diante do resplendor de sua presença, inflamaram‑se carvões em brasa.

Os senhores estão vendo que é Deus presente e incutindo um terror extremo nos homens. Ele que é o Deus da verdade e da luz para castigar os homens se vestiu de trevas, para espalhar trevas por toda parte, e para por essa forma castigar os homens pelo pecado que tinham cometido.

E o Senhor trovejou do céu e o Altíssimo fez ouvir a Sua voz, desferiu as Suas setas…

Os senhores vejam Deus como um arqueiro, jogando setas sobre os homens.

e [desbaratou?] muitos relâmpagos, e aterrou‑os. E apareceram os fundos do mar e ficaram a descoberto os fundamentos da Terra, às ameaças do Senhor, o sopro impetuoso de sua ira.

Não pode haver uma coisa mais bonita do que a cólera de Deus pondo o mar numa tal agitação, que até o fundo do mar aparecia aos olhos dos homens apavorados, tal era a revolta das águas.

São símbolos magníficos de mil modos da ira de Deus se desencadear.

* Uma previsão da Ressurreição: “Eles atacaram‑me no dia de minha aflição, mas o Senhor fez‑me meu protetor, retirou‑me para um lugar espaçoso, salvou‑me porque me ama”

Estendeu do alto sua mão, tomou‑me e tirou‑me das muitas águas.

Enquanto Deus por essa foram castiga os pecadores, Ele faz ressuscitar a Nosso Senhor Jesus Cristo; Ele estendeu do alto a Sua mão, tomou‑me e tirou‑me da muitas águas; estava como um náufrago debaixo das águas e Deus o tirou.

Livrou‑me do meu fortíssimo inimigo e dos que me aborreciam, que eram mais poderosos do que eu.

Eles atacaram‑me no dia de minha aflição, mas o Senhor fez‑me meu protetor, retirou‑me para um lugar espaçoso, salvou‑me porque me ama.

Os senhores estão vendo que tudo isso é uma previsão da Ressurreição de Nosso Senhor.

O Senhor me recompensou segundo a minha justiça.

Aqui vem a glorificação depois da Ressurreição.

E segundo a pureza das minhas mãos me retribuiu, porque eu guardei os caminhos do Senhor e não me afastem, pelo pecado, do meu Deus; porque todos os seus Mandamentos estão diante de meus olhos e não repeli de mim os seus preceitos, antes fui íntegro em sua presença e guardei‑me da culpa, guardar‑me‑ei da culpa.

Aqui, mais uma vez é Nosso Senhor também. A santidade ilibada de Nosso Senhor e sua obediência sem limites ao Padre Eterno, foram a razão pela qual Ele foi glorificado, depois de seus adversários terem sido completamente arrasados. Então ele diz:

E o Senhor me retribuiu segundo minha justiça e segundo a pureza das minhas mãos, que está presente aos seus olhos; como o homem piedoso mostra‑se piedoso, como o reto usa de retidão, mostra‑te piedoso, como o reto usa de retidão, com o puro mostra‑se puro, com o astuto, mostra‑te prudente, porque tu salvas o povo humilde, mas humilhas os olhos dos soberbos. Os olhos soberbos.

Quer dizer, aqui é o princípio geral: Deus age com cada um conforme as ações de cada um. E porque Nosso Senhor Jesus Cristo foi santíssimo nas suas ações, Ele foi glorificado. Poque o povo — não sei bem qual, porque não sei mais qual é o povo deicida — mas um povo X foi deicida, ele foi então castigado de todos os modos, porque assim faz Deus.

Tu, ó meu Deus, iluminas as minhas trevas, porque por Ti acometo esquadrões inimigos e com o meu Deus assalto a muralha.

Quer dizer, porque Deus é assim, então eu lutarei, diz Davi, sempre do lado de Deus, porque Deus retribui.

* Um elogio do batalhador católico, do guerreiro católico

Sem mácula o caminho de Deus, a sua palavra é provada ao fogo, é escudo para todos que se acolhem a Ele. Quem é Deus fora do Senhor? Ou que rocha fora de nosso Deus? Ele é o Deus que me revestiu de força e que fez meu caminho fosse imaculado, e que tornou meus pés velozes como os dos veados, e me estabeleceu sobre as alturas, que adestrou minhas mãos para a peleja e meus braços para manejar o arco de bronze.

Aqui é uma magnífica imagem do Varão Católico. Verdadeiro combatente e lutador, que, por que sabe que Deus recompensa, ama o bem e o recompensa, odeia o mal e o castiga, e auxilia o que luta por Ele, reveste o Varão Católico, reveste o ultramontano das armas sobrenaturais como que ele deve lutar.

Então é um elogio do batalhador católico, do guerreiro católico. E continua:

E deste‑me o teu escudo salvador, e tua direita me susteve e a tua solicitude me fez grande.

Quer dizer, Deus é meu escudo, a mão direita de Deus é o meu sustentáculo. A expressão do poder do homem é a mão direita, e a solicitude de Deus fez com que eu ficasse grande.

* Deus não permite a derrota daqueles que lutam com fidelidade por Ele

Tu abriste caminho largo aos meus passos e não vacilaram os meus pés. Persegui os meus inimigos, alcançava‑os e não regressava sem os ter aniquilados. Eu lhes quebrei as forças e não poderão levantar‑se. Cairão debaixo de meus pés.

É a luta do contra‑revolucionário obstinadamente fiel. Os heróis da reconquista espanhola poderiam ter dito isso. Deus os ajudou ponto por ponto e de minúsculos que ele eram, eles foram crescendo, crescendo e expulsaram os mouros da Península Ibérica.

Quer dizer, todo aquele que luta com fidelidade a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, pode apropriar‑se dessa palavras porque para ele virão essas forças, para ele virão esse auxílios e ele não será derrotado.

E não será derrotado por quê? Por que Cristo não foi derrotado, por que Davi não foi derrotado? Porque Deus não permite afinal a derrota daqueles que lutam com fidelidade por Ele, Isso é o que esta dito aqui. E continua:

E tu me revestistes de força para o combate e abatestes debaixo de mim os meus adversários, e pusestes em fuga os meus inimigos e aniquilastes os que me aborreciam.

É, ou não é verdade que, por exemplo, Isabel a Católica, no dia da queda de Granada, podia ter dito isso? Perfeitamente.

Godofredo de Bouillon diante de Jerusalém poderia ter dito isso. O papa, quando Constantino derrubou o paganismo, poderia ter dito isso.

É o cântico de todas as grandes vitórias dos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora.

Gritaram e não havia que quem os salvasse.

Realmente, esses todos foram derrotados.

E o Senhor não os ouviu. Eu os dissipei como pó que o vento espalha.

O que foi feito de Juliano Apóstata?

Eu os calquei como lama das praças.

O que foi feito com Ario?

Livraste‑me das contendas do povo, estabeleceste‑me das nações. Um povo que eu não conhecia me serviu e me obedeceu logo que me viu. Os estrangeiros me lisonjearam, os estrangeiros empalideceram e saíram tremendo das suas fortalezas.

Aqui é uma censura magnífica ao povo judaico. O povo que Ele conhecia não obedeceu a Ele. Mas depois os gentios vieram e obedeceram a Ele. Um povo que não me conhecia, ou que eu não conhecia me serviu, me obedeceu logo que me viu.

Não é isso. Outros estrangeiros que não obedeceram ficaram apavorados. É a vitória do cristianismo, é a Idade Media, o triunfo da civilização crista, é o [desbarate?] dos hereges, é a era de São Luís e de Santo Tomás de Aquino que nós podemos ver aqui.

Viva o Senhor e seja bendita minha rocha; seja exaltado Deus meu Salvador, Deus que me concedeu tirar vingança e me submete os povos.

Que magnífica expressão essa, hein! Deus que me concedeu tirar vingança.

Como isso arranha a heresia‑branca, mole, abobada, covarde.

* Todo aquele que luta por uma causa justa tem o direito a toda espécie de socorros, torna‑se fortíssimo, desbarata os adversários

Tu que me livrastes dos meus inimigos, me exaltastes sobre os que me resistiram, arrancaste‑me do homem violento. Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações e cantarei um salmo a teu Nome, tu que concedestes grandes vitorias a teu rei e que usastes tua misericórdia com teu ungido, com Davi e sua posteridade para sempre.

É o encerramento cantando a misericórdia de Deus.

Bom, o que está no fundo disso aqui, é, portanto, o seguinte pensamento, eu repito rapidamente:

Primeiro o homem aflito, desde que ele é aflito por uma causa justa, deve orar a Deus. E a esse que é aflito por uma causa justa, Deus protege.

Segundo pensamento: de fato isso aconteceu com essa pessoa que aqui, que é o rei Davi. E aconteceu com Nosso Senhor Jesus Cristo, de que Davi era uma figura. E aconteceu porque em relação ao próprio Cristo, Deus aplicou esse modo de proceder.

Terceiro, uma conclusão: todo homem, Davi ou seja quem for, que luta por uma causa justa, que luta pela causa de Deus, porque, afinal de contas, justa é só a causa de Deus, ou as causas que tem conexão com a causa de Deus. —‑ todo aquele que luta por uma causa justa tem o direito a toda espécie de socorros, torna‑se fortíssimo, desbarata os adversários.

Não talvez, ele na sua vida terrena, mas a corrente, o grupo, a força que ele representa, esta vencerá. É uma questão de fidelidade. Porque aquele que é inteiramente fiel, aquele vence mesmo.

E quando nós observamos derrotas a longo prazo, derrotas numa longa escala histórica, nós observamos derrotas da verdadeira causa, a gente pode estudar: é porque houve infidelidade. Porque não havendo infidelidade, Nossa Senhora ajuda mesmo e a gente vence.

* Nós que somos os aflitos, porque lutamos pela boa causa; podemos nos apropriar de tudo quanto está dito aqui. E o terror de Deus que está descrito aqui é uma imagem da Bagarre que virá

Então, os senhores agora podem retraçar isso, porém, nas bocas, essa situação toda na boca de um ultramontano durante a Bagarre, de um ultramontano nos dias de hoje; o ultramontano é o pisado, o ultramontano é o humilhado, é o escarnecido.

O Atila ainda há pouco falava na praça Portugal, enquanto se vendiam os Bucos ou os Diálogos, as pessoas que passavam buzinando de ódio.

Todo o mundo se acha no direito de odiar o ultramontano. Ele é hostilizado e perseguido até pelos seus íntimos. Eu diria que ele é perseguido especialmente pelos seus íntimos. Essa perseguição é tal que os próximos nossos que tolerariam em nós vícios, não toleram em nós a virtude.

Quer dizer, nos estamos, somos os pisados, nós somos os perseguidos, nós somos os aflitos.

Mas nós que somos os aflitos, porque lutamos pela boa causa, podemos nos apropriar de tudo quanto está dito aqui. E o terror de Deus que está descrito aqui é uma imagem da Bagarre que virá. Tais os pecados que estão sendo cometidos, tais os crimes que está havendo na Terra, chegaram a tal auge, que aqui [alto?] eu não quero mencionar, mas que o senhores sabem bem qual é, um auge tão grande que pior do que ele só o deicídio, a um tal auge chegaram, que chegou também a hora de Deus descer.

Então, os senhores agora se apropriam de tudo isso, coloquem como falando de Deus o que se diz aqui de Deus, de Nossa Senhora, que é para nós a longa manus de Deus, e releiam.

E os senhores compreenderam então que toda a doutrina da Bagarre sai com harmonia de tudo isso. E como então há uma promessa esplêndida para nós nesse Salmo.

Não que o salmo tenha querido profetizar isso. Mas é que a analogia das situações autoriza a aplicação. Os Senhores releiam isso: é isso ou não é o que o ultramontano deve dizer na sua posição de hoje?

Eu vos amo Senhora, fortaleza minha, Senhora meu firme apoio, meu baluarte, libertadora, minha Mãe, rocha de refúgio, meu escudo, força da minha salvação, meu asilo”. É ou não é verdade que Nossa Senhora é tudo isso para nós e que sem Ela nós nem estaríamos reunidos aqui, não haveria nada aqui, isso aqui seria um deserto. É evidente, tudo vem d’Ela. Se isso aqui está de pé, é porque Ela mil vezes tem sido para nós tudo isso.

Agora, vem então a deliberação: “eu ultramontano, invocarei a Senhora digna de louvor, e serei salvo dos meus inimigos”. Quem reza para Ela é salvo de seus inimigos.

* Para nós cercaram as vagas da morte, torrentes devastadoras nos aterrorizam, as redes do inferno nos envolvem, os laços de morte nos surpreendem

Agora, é ou não é verdade que para nós cercaram as vagas da morte, torrentes devastadoras nos aterrorizam, as redes do inferno nos envolvem, laços de morte nos surpreendem, na nossa tribulação nós invocamos a Nossa Senhora e clamamos a Ela; e Ela ouviu nossa voz do alto do céu e nosso clamor penetrou seus ouvidos.

Os senhores dirão: “Dr.Plinio, não há um exagero nisso? Nós não estamos por essa forma perseguidos de morte”.

Eu digo: nós estamos perseguidos de pecado, que é mil vezes pior do que a morte. Tentações de toda ordem, provocações de toa ordem nos cercam a todos os momentos. E é essa situação a dificuldade de nossa perseverança. Descreve‑se nesse termos. E por isso esse Salmo adequadamente é nosso. E continua.

Em determinado momento virá a Bagarre. Então:

Foi sacudida e tremeu a terra, os fundamentos dos montes vacilaram e abalaram‑se…

Isso que foi sacudido e tremeu, que vai ser sacudido e tremer, é a Terra. Mas com que dor nós devemos dizer: já algo foi sacudido sem ser derrubado. E tremeu tremendamente ser ser trincado: e é a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

A Igreja está assim; está sacudida e trêmula. É bem o estado atual d’Ela. É o começo da Bagarre que já começou na Igreja e que depois vai para a ordem política e social e depois generalizará até o cosmos.

E essas coisas se dizem da Igreja, se dizem da ordem política e dirão do universo material. São os sucessivos tremores e os sucessivos castigos.

* O que está se passando na Igreja não é castigo de Deus? Não é fumo de ódio que sai das narinas de Deus? Não é fogo que sai de sua boca?

Subiu o fumo porque Deus ardia em ira. Subiu fumo de suas narinas e fogo devorador de sua boca, carvão por ele acesso.

Eu pergunto: o que está se passando na Igreja não é castigo de Deus? Não é fumo de ódio que sai das narinas de Deus? Não é fogo que sai de sua boca?

Tanta tristeza na ordem eclesiástica, por exemplo, não é um castigo para o clero e para o povo inteiro pela moleza e pela condescendência diante da Revolução?

E esse castigo depois não vai passar para as outras ordem? Quem pode duvidar disso?

Se Deus castigou aquilo que Ele mais ama, que é a Sua Igreja, como é que podemos duvidar que Ele castigará aquilo que Ele ama menos, e que é a ordem temporal, ou é simplesmente o cosmos material? Ele continua:

Deus inclinou os céus e desceu, e uma nuvem escura estava sob o seus pés.

Isso até parece lembrar Jesus Cristo quando virá no fim do mundo. Em grande pompa e majestade, incutindo terror por toda parte.

Também em determinado momento nós vamos ver Deus descer sobre o mundo sob a forma de mil castigos e aqui é que está descrita então a Bagarre. É o ódio de Deus, a cólera justiceira de Deus desabando sobre o mundo.

E subiu sobre um querubim e voou.

É um Querubim de extermínio. Dizer que Deus subiu sobre um querubim quer dizer a capacidade de extermínio de Deus foi confiada a um querubim e esse querubim vai devastando tudo quando ele encontra.

E era levado sobre as asas do vento.

A justiça de Deus era levada sobre as asas do vento.

Vestiu‑se de trevas como de um véu, como de um manto de água tenebrosa e densas nuvens.

Aqui parece ser o querubim que se vestiu e não Deus, como eu disse há pouco.

Diante do resplendor de sua presença inflamaram‑se carvões em brasa.

E o extermínio que percorre a Terra inteira e que já agora está percorrendo a ordem espiritual. Quantos extermínios feitos por toda parte por causa de tantos escândalos.

* E o Altíssimo fará ouvir a sua voz e desferirá suas setas com sucessivos castigos vindos do Céu

E o Senhor trovejou do Céu.

Assim será a Bagarre.

E o Altíssimo fará ouvir a sua voz e desferirá suas setas com sucessivos castigos vindos do Céu.

Tremores, epidemias, guerras, confusão geral. Segundo uma revelação particular, até no interior das casas as pessoas se assassinarão umas às outras.

E desbaratou muitos relâmpagos e aterrou‑os.

O relâmpago é outra expressão de cólera e do castigo de Deus.

E apareceram os fundos do mar.

Isso indica uma convulsão que atinge o que há de mais profundo. Uma convulsão tal que não há mais o que convulsionar. Um maremoto tal que até o fundo do mar aparece. Quer dizer, tudo vai ser convulsionado até o último ponto e até o fim.

E ficaram a descoberto os fundamentos da Terra.

É a mesma coisa.

E as ameaças do Senhor ao sopro impetuoso de sua ira.

A ira de Deus com um sopro varrendo a Terra inteira.

Agora, um ultramontano durante a Bagarre, se o ultramontano for fiel, não basta dizer ultramontano, é preciso ser fiel.

Estendeu do alto a sua mão, tirou‑me,…

A mim ultramontano.

e tirou‑me das muitas águas. Livrou‑me do meu fortíssimo inimigo.

Os nossos inimigos vão cair aos pedaços nessa ocasião.

E dos que me aborreciam, que eram mais poderosos do que eu.

Tudo quanto é gente assim vai ser tirada, para onde os senhores podem imaginar.

Eles atacaram‑me no dia de minha aflição…

Que é agora antes da Bagarre.

* A vitória dos ultramontanos no Reino de Maria: “a Senhora me recompensou segundo minha justiça e segundo a pureza das minhas mãos me retribuiu”

mas o Senhor fez‑se meu protetor, retirou‑me para um lugar espaçoso, salvou‑me por que me ama.”

Quer dizer, essa é a assistência que vão ter os que lutarem por Ele durante a Bagarre. Durante a Bagarre vai ser preciso guerrear. A Bagarre não é um quarto escuro; confortável, onde a gente ouve: “Ihn!” Agora é a vez de Fulano. Agora é sicrano que chegou. Agora lá vai o Beltrano. Não, é a uma hora de luta.

Agora, a vitória dos ultramontanos no Reino de Maria. “A Senhora me recompensou segundo minha justiça e segundo a pureza das minhas mãos me retribuiu”.

Qual é a pureza de nossas mãos? É a pureza de nossa vida, a pureza de nossas obras.

Porque eu guardei os caminhos do Senhor e não me afastei, pelo pecado, de meu Deus.

Os senhores estão vendo o que é; o ultramontano exatamente o que quer fazer é isso.

Porque todos os seus Mandamentos estão diante de meus olhos.

Esse é o ultramontano, ao contrário do progressista que faz chicana.

E não repeli de mim os seus preceitos. Antes fui íntegro em sua presença, e guardar‑me‑ei da culpa.

Eles nos acusam de integristas. Nós realmente somos íntegros na presença de Deus. “E a Senhora me retribuiu segundo a minha justiça e segundo a pureza das minhas mãos que estavam a seus olhos”.

Com o homem piedoso, Ela se mostra piedosa, com o reto Ela usa de retidão, com o puro mostra‑se puro, com o astuto mostra‑se prudente… Quer dizer, com o velhaco, naturalmente com cuidado. Com os outros Ela ama.

* “Porque tu salvas o povo humilde, mas humilhas os olhas soberbos”

Porque tu salvas o povo humilde, mas humilhas os olhas soberbos.

O povo humilde é aquele que põe Deus acima de tudo, que põe a causa católica acima de tudo, que quer o Reino de Deus e o Reino de Maria.

Essa é a primeira de todas as humildades, a grande humildade fundamental. A grande soberba fundamental é não querer isso.

Os senhores compreendem então quais são os humildes que vencerão, quais são os orgulhosos que vão ser derrotados.

Porque tu, ó Senhora, fazes brilhar a minha lucerna”. Quer dizer, faz brilhar a luz que o Grupo representa.

Tu, ó Senhora, iluminas minhas trevas, porque por ti acometo os esquadrões inimigos, por meu Deus assalto a muralha.”

Então, nós temos diante de nós um futuro de luta e o que nos compete é isso: é pedir a Ela coragem para atacar os esquadrões inimigos e assaltar as muralhas dos adversários.

Sem mácula é o caminho de Nossa Senhora e sua palavra é provada ao fogo, o seu escudo é para todos que se acolhem a Ela. Quem é Deus fora do Senhor? Ou que rocha há fora de Deus?”

Deus, ou Nossa Senhora, que é a longa manus de Deus, me revestiu de força e fez que meu caminho fosse imaculado. É bem o ultramontano que tem um caminho imaculado e uma via forte.

Uma vez eu fui convidado por uma casa religiosa, para ser paraninfo.

(…)

mandaram dizer isso que é o maior dos elogios para o Grupo.

Era o ano do centenário da Imaculada Conceição. Então, tomaram como lema o seguinte: “tu me deste uma via imaculada” — que se diz da Imaculada Conceição, é tirada da Escritura. E mandaram dizer que era a expressão da obra do Grupo. Que ao Grupo Nossa Senhora tinha dado um caminho sem mancha.

Ultramontanismo. Um caminho sem mancha. Isso foi que Ela nos deu. Vamos pedir que sejamos dignos disso, que é uma coisa muito diferente.

Então:

Tornou os meus pés velozes como os veados.

Evidentemente no ataque e não na fuga.

E me estabeleceu sobre as alturas.

O que são essas alturas? São as alturas do mais alto pensamento, da sabedoria, do pensamento metafísico, lógico, da ortodoxia ilibada. Essas são as alturas, o espírito sobrenatural. Assim deve ser o ultramontano.

* O retrato de tudo quanto Nossa Senhora nós dá para nós sermos lutadores: “Que adestrou as minhas mãos para a peleja, meus braços para retesar o arco de bronze”

Que adestrou as minhas mãos para a peleja, meus braços para retesar o arco de bronze.

O que são essas mãos para a peleja? É claro…

A alma, a nós nos deu uma alma combativa, pronta para a luta, porque assim deve ser o ultramontano.

Então, é o retrato de tudo quanto Nossa Senhora nós dá para nós sermos lutadores, para nós sermos guerreiros.

Depois, continua:

E deste‑me teu escudo salvador, e tua direita me sustentou, e tua solicitude me fez grande.

Se a direita de Nossa Senhora não nos tivesse sustentado, onde é que estávamos? Se não fosse pela solicitude d’Ela para conosco, o que é que nós teríamos? O que há de grande, não em nossas pessoas, mas no Grupo.

* “Tu abriste caminho largo aos meus passos e não vacilaram meu pés”: uma enorme missão que foi aberta para nossos passos

Tu abriste caminho largo aos meus passos e não vacilaram meu pés.

Qual é esse caminho largo? É uma larga vocação, é uma enorme missão que foi aberta para nossos passos. E d’Ela vem que nossos pés não vacilaram. Nós andamos pelo caminho com coragem.

Perseguias os meus inimigos e alcançava‑os e não regressava sem os ter aniquilado.

É bem o nosso espírito. Entrar na luta e não descansar a não ser no Reino de Maria. Continuar a luta de todo lado, e depois do Reino de Maria… descansar.

Nem sequer é uma pausa, mas mudança de combate. Porque enquanto nós, antes do Reino de Maria, lutamos para acabar com o inimigo, logo que o inimigo tiver caído, nós voltamos os olhos para os restos dele, para ver onde estão e exterminar.

E depois de termos exterminados, ficarmos certos que não acabou tudo. Porque não acaba. E começar a olhar por toda a vastidão da Terra para pegar o menor sintoma e esmagar mais uma vez.

Quer dizer, depois da luta material, começar a luta da desconfiança; da desconfiança contínua, constante, intransigente, meticulosa, onímoda, exacerbada, na aparecia exagerada. E… a luta vai continuar. Acabar a luta é só no Céu.

* O finzinho da Bagarre: “Eu lhes quebrei as forças e não podendo levantar, cairão debaixo do meus pés”

Eu lhes quebrei as forças e não podendo levantar, cairão debaixo do meus pés.

E o finzinho da Bagarre. O inimigo terá as forças quebradas, não poderá mais levantar‑se e cairá aos pés dos verdadeiros filhos de Nossa Senhora, que seremos nós e outros, mas pelo favor d’Ela nós estaremos entre eles.

E Vós me revestistes de força para o combate e abatestes debaixo do mim os meus adversários, e puseste em fuga os meus inimigos, e aniquilastes os que me aborreciam.

Isso aí, nós diremos tudo isso quando a Bagarre tiver terminado, quando nós virmos o mundo com muito menos habitantes e procurarmos Fulano, não está mais; Sicrano, ele não é, Beltrano, que era tão horroroso, sumiu. E a fassurada toda que se volatilizou.

Então, nós podemos dizer isso. Está a natureza renovada. Quando a Bagarre terminar, a natureza estará renovada. Haverá uma atmosfera de primavera em tudo. Os homens estarão desenleando dessa forca infernal da Revolução.

E haverá condições parecidas com a noite de Natal, ou com a aurora, a primeira aurora do Menino Jesus. Haverá uma coisa assim desse gênero. E todo o mal, hoje tão poderoso, estará derrotado.

Gritaram e não havia quem os salvasse

Durante a Bagarre, quantos uivos nós vamos ouvir.

Clamaram ao Senhor e o Senhor não os ouviu.

Ouviu‑nos a nós, não a eles…

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