Santo
do Dia –17/5/66 .
Santo do Dia —17/5/66
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Leitura de uma ficha sobre São Félix de Cantalício * São Félix e São Felipe Neri: um dos encontros pinaculares da História * Em uma viagem a Roma, nosso Pai e Fundador visitou o túmulo de São Félix de Cantalício * Na biografia de São Félix, a beleza do contraste entre o vermelho e o branco
Apesar de eu já ter tomado muito o tempo dos senhores, eu teria escrúpulo em não ler a síntese biográfica de São Félix de Cantalício, porque eu teria pena de deixar desaproveitado um esforço tão meritório e tão constante como é esse do fornecimento dessas fichas.
* Leitura de uma ficha sobre São Félix de Cantalício
A síntese biográfica é a seguinte — tirada do Rohrbacher, “História Universal da Igreja Católica”:
São Félix nasceu em 1513, em Cantalício, nos Estados Pontifícios, de pais pobres, mas muito virtuosos. Desde criança demonstrou tanta piedade e inclinação para a virtude, que já então o chamavam de santo.
Guardando rebanho ou trabalhando no campo como lavrador, toda sua vida era de oração. Quando lhe perguntavam se sabia ler, respondia: sei somente seis letras, cinco vermelhas e uma branca. As vermelhas são as chagas de Nosso Senhor, a branca é a Santíssima Virgem.
A uma grande humildade reunia uma alegria constante e infatigável caridade.
Um dia tendo saído ileso milagrosamente de um acidente decidiu ingressar na Ordem de São Francisco, onde pediu admissão como irmão converso. Destacou-se logo de toda a comunidade por sua profunda vida interior, suas mortificações, grande compreensão do espírito franciscano e pureza inabalável.
Manifestava sempre especial respeito ao nome de Jesus e à palavra “Deo Gratias”.
Tinha-se por esse religioso uma tão grande veneração em Roma, que quando passava na rua, os príncipes descobriam a cabeça para saudá-lo.
O que se faria hoje com Pelé.
E os cardeais faziam parar as suas carruagens.
Dele se conta que um dia São Felipe de Neri atravessava o Quirinal — que era a residência papal — quando São Félix de Cantalício correu a ajoelhar-se a seus pés e pedir-lhe a bênção, Felipe abraçou-o e assim permaneceram longo tempo sem proferirem uma palavra.
* São Félix e São Felipe Neri: um dos encontros pinaculares da História
Que cena, hein! Em vez de tanta conversinha de sacristia que a gente vê por aí, um santo ajoelhado abraçando outro santo que está de pé. E longamente abraçados, sem dizer uma palavra. Que louvores a graça fazia, de Deus, da alma de um para o outro, e do segundo para o primeiro.
Aí se pode dizer que é o Espírito Santo louvando-se a Si mesmo pela boca dos inocentes, quer dizer, pela boca dos santos. É uma verdadeira maravilha.
São desses encontros pinaculares da História. Pobres de nós! Tão longe disso… Nesse lodo… Se Nossa Senhora das Tempestades não nos ajudar. Bem,
Depois afastaram-se cheios de alegria, como outrora São Luís de França e o Bem-aventurado Giles, companheiro de São Francisco e de São Boaventura. Seus corações tinham falado e isso bastava.
Há esse fato na vida de São Luís. Ele encontrou esse beato Gile, os dois sabiam quem eram, ou por outra, cada um sabia quem era o outro. Então, se abraçaram longamente e depois foram embora.
Estava tudo dito; não tinham mais nada que dizer. Há silêncios que dizem tanto mais do que qualquer palavra…
Quando São Félix morreu, a 18 de maio de 1587, não pôde ser enterrado por muitos dias por causa da multidão inumerável de povo que, encontrando fechadas as portas do convento, escalavam os muros
Como se faz no estádio de futebol, hoje.
Enchiam os pátios, as salas, as ruas, as praças, a Igreja. O santo franciscano foi canonizado em 1712, por Clemente XI.
* Em uma viagem a Roma, nosso Pai e Fundador visitou o túmulo de São Félix de Cantalício
Alguns aqui estiveram em Roma, lembram-se daquela Igreja de Santa Susana que tem no Corso Vitorio Veneto? É quando dá aquela dobra, passa pelo… [inaudível] …e desce para o… [inaudível].
Como? Vitorio Veneto? Bem, e ali tem uma Igreja de Santa Susana e a gente entra num altar que está perto da porta, eu passei e olhei de repente: em baixo, uma figura num esquife e escrito: “aqui estão os restos mortais de São Félix de Cantalício”.
Roma está cheia de maravilhas assim; um santo prodigioso desse, são tantos de toda ordem, que em qualquer canto a gente encontra maravilhas. Esta é a Roma dos Papas.
A Roma irredentista, a Roma post-constantiniana, dela eu não falo. Mas a Roma constantiniana, essa Roma era assim.
Que comentário fazer a respeito de São Félix Cantalício?
(…)
* Na biografia de São Félix, a beleza do contraste entre o vermelho e o branco
…era Nossa Senhora. Os senhores estão vendo que isso tem uma poesia, é tudo feito de contrastes: o vermelho e o branco — são duas cores que estão entre si num contraste — de algum modo, tão categórico quanto o branco e o preto. Porque o vermelho é o sumo — eu ia dizer que é o sumo do rubor, porque está dito tudo com isso — bem, e o branco é tão alvo, tão diferente do vermelho, tão pacífico, enquanto o vermelho é vivaz, castanhola na mão.
Bem, nós temos esse contraste e nós temos um outro contraste: é Cristo sofredor, Cristo chagado, Cristo dilacerado — não é verdade? — ao lado disso, Nossa Senhora, virginal, em quem nunca se tocou com a mão para abrir uma chaga ou para fazer uma ferida e que nos aparece tantas e tantas vezes na sua virgindade sob a forma de um sorriso, sob a forma de uma alegria, sob a forma de uma carícia; a gente poderia dizer que toda a tristeza e toda a alegria do Evangelho, e portanto toda a tristeza e toda a alegria da vida, e se se pudesse falar em tristeza do Céu, toda a tristeza e toda a alegria do Céu, cabem exatamente dentro dessa comparação, dentro dessa justaposição.
Os senhores vejam como isso dá um tema de meditação lindíssimo. Alma puríssima, alma extraordinariamente elevada desde menino, vejam os senhores o mistério de uma vocação: foi preciso, entretanto, que ele sofresse uma doença séria para ele pensar em ser franciscano.
Os senhores vejam bem — eu não quero fazer juízo temerário em relação a um tão grande santo, Deus me livre — mas fica assim um vislumbre de ser preciso sacudir qualquer coisinha. Não é verdade?
Nós peçamos então, nessa novena, que Nossa Senhora sacuda em nós qualquer coisinha para nós sermos inteiramente d’Ela.
Vai nos deixar, amanhã, o nosso amigo José Luís. De maneira que rezaremos especialmente por ele na noite de hoje.
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