Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 14/5/1966 – Sábado [SD 211] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 14/5/1966 — Sábado [SD 211]

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Ternura é uma afetividade suave, compassiva, manifestativa e generosa, própria ao Coração da Mãe das mães * Nossa Senhora se manifesta sob formas diversas, sempre com bondade inefável, convidando a abandonar o pecado

Hoje, 14 do mês, se celebra a festa de Nossa Senhora do Deserto. Ao mesmo tempo nós temos, para amanhã, a festa de Santo Isidoro.

A respeito de Nossa Senhora do Deserto o que se diz é o seguinte:

Não longe de Gênova, em lugar solitário entre bosques, havia uma choupana que servia de abrigo para os colhedores de castanhas. Em 1618 tiveram a piedosa idéia de prender sobre a parede externa da casa uma imagem da Santíssima Virgem, imagem rústica: Maria beijando o Menino Jesus, O qual eleva sua mão para benzer. Denominaram-na Nossa Senhora do Deserto por causa da solidão da região e das poucas homenagens que Ela recebia.

Uma pobre mulher, conduzindo seu filho cego, vendo a santa imagem suplicou à Virgem que curasse seu filho. Imediatamente ele recobrou a vista. À notícia do milagre, a população veio se encomendar à Virgem tão clemente. Construiu uma capela para abrigar a imagem milagrosa, que foi solenemente consagrada a 14 de maio de 1893.

* Ternura é uma afetividade suave, compassiva, manifestativa e generosa, própria ao Coração da Mãe das mães

Este pequeno fato tem uma significação muito especial, no que diz respeito a um dos atributos de Nossa Senhora, um dos predicados morais de Nossa Senhora, a respeito do qual São Luís Grignion de Montfort insiste muito, e é a ternura de Nossa Senhora.

Qual é o sentido, o que é que é ternura? O que se entende por essa palavra?

A ternura é uma forma de afetividade, é uma forma de carinho que é especialmente sensível, que é especialmente suave, que é especialmente compassiva, que é especialmente generosa, e que leva a pessoa terna a manifestar muito seu afeto, a sua meiguice; leva a pessoa terna a condescender muito, a perdoar muito, a tolerar muita coisa; leva também a pessoa terna a ser muito generosa, a dar muito de si. Essas são as atitudes que denunciam interiormente essa virtude que se chama ternura.

É evidente que se essa virtude, de todo modo, tem um papel evidente, ou melhor, tem um papel em todo tipo de relação humana, ela tem um papel especial no que diz respeito à mãe nas suas relações com o filho. Mais ainda do que o pai, a mãe representa a ternura.

O protótipo de ternura é o coração materno. Mas especialmente o é o Coração da Mãe das mães, que é Nossa Senhora, que tem em si reunida a ternura de todas as mães que houve, há e haverá e, assim mesmo, é excedida essa ternura de um modo inimaginável. Nossa Senhora é, quase que se poderia dizer, a personificação da ternura.

* Nossa Senhora se manifesta sob formas diversas, sempre com bondade inefável, convidando a abandonar o pecado

Então, para exprimir isso aos homens por formas diversas, Nossa Senhora multiplica suas graças. Ela ora aparece sob a forma de uma Rainha esplêndida, em homenagem à Qual se constroem catedrais magníficas, ora Ela aparece sob a forma de uma Mãe meiga, Mãe de misericórdia, que se contenta com o culto que lhe é dado em pequenas choupanas, que lhe é tributado em lugares minúsculos e onde, entretanto, Ela faz alguns milagres excelentes, que são sempre milagres de misericórdia para tornar mais patente a bondade d’Ela, animar os homens a pedirem com confiança a Ela tudo quanto querem, e amarem a Ela por causa da ternura que Ela demonstra.

Assim, esse fato é interessante por ser um entre mil. Porque mil e mil fatos se contam assim por toda parte. Nossa Senhora que se faz representar numa imagem beijando ou recebendo um ósculo do Menino Jesus. Já é a ternura d’Ela.

Agora, por outro lado, Ela que consente que sua imagem seja veículo de graças numa casinha humilde, como é a casa de um lenhador, uma coisa assim qualquer.

De outro lado, Ela que consente em que esse povinho, com aquela gentinha e naquele deserto, um ótimo, um grande milagre venha manifestar sua ternura. Ela, na sua grandeza, reduzida, intencionalmente, à proporção dos pequeninos; e fazendo-se pequena com os pequenos para os atrair, para não os assustar. Como uma mãe faz com seu filhinho: quando pequeno, ela brinca com o filho como se ela fosse uma criança, para se colocar na proporção e na estatura do filho.

Tudo isso Nossa Senhora o faz para nos dar uma espécie de amostra do que é a bondade inefável de Deus. E para, por essa forma, nos atrair ao serviço de Deus, ver se nós cobramos horror ao pecado, que é uma injúria feita a uma bondade tão soberana; ver se nós cobramos horror a tudo quanto é fonte de corrupção e de impiedade, que é uma blasfêmia feita contra essa ternura. E ver se então, por essa forma, eleva as nossas almas para a apetência de bens celestes, de bens eternos, de bens sublimes, de bens extraterrenos, através dessa distribuição e difusão de bens terrenos.

Então, aqui está um fato que se multiplica por todo o orbe da terra, e que existe em todas as nações e em todos os tempos, que são essas pequenas devoções a Nossa Senhora, que estão para as grandes devoções mais ou menos como durante a noite as estrelas da Via Láctea estão para a Lua. Quer dizer, é uma claridade complementar, discreta, incontavelmente longa, que se soma à claridade das grandes luzes das estrelas maiores e, sobretudo, da Lua. Quer dizer, tudo isso, na noite desta vida, para nos falar a respeito de Nossa Senhora.

O pensamento piedoso que está indicado para este dia é o seguinte, é do Cântico dos Cânticos, uma referência a Nossa Senhora: “Quem é Essa que sobe do deserto como uma coluna de fumaça exalando mirra e incenso?”.

É Nossa Senhora que do deserto desta vida, onde só existe prevaricação e pecado, se levanta como uma espécie de fumaça luminosa, magnífica, espalhando incenso e mirra por toda parte.

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