Santo
do Dia – 13/5/1966 – p.
Santo do Dia — 13/5/1966 — 6ª-feira
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A propósito das aparições de Fátima, nota de tristeza nas igrejas, música sacra e aparições; atitude coerente ante a gravidade do pecado de Revolução; essa tristeza solene é afastada pela atual reforma litúrgica; gosto pela baderna e seus acólitos; esses rejeitam a seriedade profética de Fátima; gravidade da luta atual.
* Tristeza nas igrejas post Revolução * Tristeza na música sacra post Revolução * Acentua essa tristeza a devoção aos Sagrados Corações * Nossa Senhora chorando nas aparições mais recentes * Nota “alegrota” na atual reforma litúrgica * Clima moral de otimismo idiota e seus produtos * Conseqüentemente rejeitam Fátima * Seminários “aggionarti”: apreço à baderna * Sabotam contra Fátima porque querem rir * Fátima, aviso do castigo e graça de seriedade * Fátima e Carmo. Luta contra o anti-Cristo * Dignidade de apóstolos dos novos tempos * Coerentes com seriedade da luta que empreendemos
Nossa Senhora de Fátima
Hoje se comemora o aniversário da primeira aparição da Bem-aventurada Virgem Maria do Rosário de Fátima. Aparecendo várias vezes a três pastorinhos na Serra do Aire, a Virgem Santíssima, recomendando oração e penitência, predisse a perseguição que sofreriam os bons, os erros que a Rússia espalharia pelo mundo e o triunfo do seu Imaculado Coração.
O pensamento marial que está escolhido para o dia de hoje é:
Quão felizes aqueles que têm, dentro do coração, o amor de Maria e que A servem fielmente.
Frase de São Boaventura, ressaltando assim o Doutor Seráfico, mais uma vez a importância da devoção a Nossa Senhora.
* Tristeza nas igrejas post Revolução
A respeito da festa de Nossa Senhora de Fátima haveria um comentário especial a fazer e que diz respeito ao seguinte: os senhores tomam o ambiente eclesiástico próprio às igrejas que estão constituídas segundo a Tradição, e os senhores notam, sobretudo se essas igrejas são de épocas posteriores à Revolução, elas estão impregnadas de uma certa tristeza. Por exemplo, os senhores chegam na Igreja do Coração de Jesus. Os senhores notam que a igreja é muito recolhida, muito elevada, muito serena, mas que há nela uma certa nota de tristeza; uma nota resignada, mas uma nota real de tristeza. Se consideramos todas as outras igrejas construídas no século passado, notam nelas uma marca de tristeza dentro dessas igrejas.
* Tristeza na música sacra post Revolução
Vão ouvir a música sacra, quando não se trata da música sacra propriamente dita, que é o cantochão ou o polifônico, quando se trata dessas músicas sacras toleradas em igrejas… [três palavras ilegíveis] …, são sempre essas músicas impregnadas de uma certa nota de tristeza. É sempre uma tristeza muito temperante, uma tristeza muito digna, uma tristeza muito elevada, eu diria mesmo uma tristeza sobrenatural. Mas é uma verdadeira tristeza. E essa tristeza decorre exatamente do ambiente de desolação, do ambiente de melancolia introduzido nos meios católicos pelos progressos da Revolução. A nota que dominava o ambiente católico antigo era essa nota de pesar, por causa do rumo que as coisas do mundo iam tomando, da maré montante dos pecados.
* Acentua essa tristeza a devoção aos Sagrados Corações
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e o maravilhoso corolário dela, que é a devoção ao Imaculado Coração de Maria, contribuíram muito para acentuar esta nota de tristeza. Porque em todas as suas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque, depois tão repetidas e comentadas por todo o orbe católico, tão difundidas por essa imensa organização que foi o Apostolado da Oração, o Sagrado Coração de Jesus Se apresentava triste, apresentava-se uniformemente, sistematicamente conturbado, lamentando as ofensas feitas pelos homens e pedindo que se rezasse para evitar, para o mundo, grandes catástrofes.
* Nossa Senhora chorando nas aparições mais recentes
Esta nota de tristeza se tornou ainda mais aguda nas aparições de Nossa Senhora. O maior ciclo de aparições mariais que houve na História foi, sem dúvida, o das aparições que começaram no século passado com La Salette e que terminaram nesse século com Fátima. Ou, se os senhores preferirem, mais recentemente, com o milagre de Siracusa. Em todas essas manifestações Nossa Senhora aparece chorando. Aparece chorando os pecados dos homens, aparece lamentando; aparece deplorando a maré montante das ofensas feitas pelos homens a Deus, advertindo: “Convertam-se, façam penitência, mudem de vida, castigos enormes estão para vir” etc. E isto tudo repercutia numa tristeza nos ambientes de piedade, numa prostração do ambiente de piedade, que, muito dignamente e adequadamente associando-se à tristeza da Igreja, fazia como as santas mulheres que se associavam ao sofrimento de Nosso Senhor no alto da Cruz.
Por causa disso, volto a dizer, uma atmosfera de tristeza existia nessas igrejas antigas. Eu notei isto no Brasil, notei isto em igrejas da Europa, notei isto em igrejas da Argentina; todas elas com uma certa nota de gravidade melancólica.
* Nota “alegrota” na atual reforma litúrgica
Os senhores tomem o contrário disso. Tomem a atmosfera que resulta da reforma litúrgica e os senhores encontram uma alegriazinha frascaria e idiota, representada por essas cançõeszinhas em ritornello: “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará, a, a…”. Não sei essas palavras; elas me entraram pelos ouvidos adentro por uma violência física de natureza auditiva; mas todas as outras cançõeszinhas são assim: ritornellos cretinos representando uma alegria babona, com cara de monge budista, inexpressiva, rindo, de um riso de Budamanipanço: “Tudo vai bem, o progresso, o mundo. Veja a evolução: aquele bom [Kossiguin?], como agora está se convertendo”…
* Clima moral de otimismo idiota e seus produtos
Quer dizer, um otimismo idiota que fecha os olhos para a Paixão da Igreja, que procura afirmar que a Igreja não está sendo perseguida, procura afirmar que o mundo moderno não é construído contra a Igreja; em relação ao mundo moderno existe apenas um equívoco, mas não existe uma incompatibilidade com a Igreja. Por causa disso, procura criar nos homens um horror à cruz, ao sofrimento, e uma verdadeira indiferença para com o pecado.
Este é o clima amoral que resulta das reformas litúrgicas que nós tão freqüentemente temos visto: padre de lambreta, padre de mocinho, padre de playboy, com sapatão de borracha de tênis, celebrando missa com uma espécie de sapato que eu nem sei bem qual o tipo, uma sola de borracha desta grossura e, por cima, uma lona ignóbil pouco asseada. Tudo neste estilo. E alegre, lampeiro. Aquele padre udenista que celebra no Coração de Maria às vezes, com ar de vereador udenista que acaba de ser eleito, que acaba de ler uma noticiazinha a respeito dele no “Estado de São Paulo”. Tudo isto é alegre, é bem instalado no mundo. E os senhores encontram aqui (não é a única) uma das rejeições que o mundo moderno fez — e, no mundo moderno, os senhores descubram quem fez, não me compete dizer — das revelações da Fátima.
* Conseqüentemente rejeitam Fátima
É claro que a primeira razão é porque as revelações eram anticomunistas. Até se pode dizer: 1º, porque realçava Nossa Senhora; 2°, porque eram anticomunistas. Mas na linha temperamental, há um número enorme de pessoas que têm birra das revelações de Fátima. E têm birra dessas revelações porque são revelações que criam um clima triste, que abrem os olhos para uma realidade séria, mostram essa realidade como trágica até; prevêem castigos que a gente vê que estão se realizando; e orientam os espíritos para a idéia do Coração de Jesus ultrajado, do Coração de Jesus ofendido, do Imaculado Coração de Maria sumamente alanceado de dor pelos fatos que agora se presenciam, se patenteiam. Por causa disso, convidando os fiéis à penitência, à reparação, à emenda da vida, portanto mantendo aquele clima de seriedade e de tristeza grave e nobre que decorria da era das revelações do Coração de Jesus, e que era a atitude normal perante a Revolução.
* Seminários “aggionarti”: apreço à baderna
[Mas] por que os espíritos de hoje, especialmente os espíritos nascidos ou formados em seminários relaxados, em noviciados relaxados, onde a piada é cultivada como a única forma de espírito e a única forma de popularidade, levam exatamente à brincadeira, brincadeira, brincadeira, trivialidade, superficialidade, não prestar atenção em nada de sério, não querer ver de frente nenhum problema grave, um recuo constante diante da realidade objetiva para poder levar uma vida divertida, para fazer aquilo que, num certo seminário que eu conheço, se chamava baderna.
Lembro-me de que, há anos atrás eu vi este fato, que um professor de seminário me contou com a maior naturalidade. Um grupo de amigos de dois seminários, com seus professores, iam fazer uma viagem, iam para um Congresso Eucarístico ou qualquer coisa. Esse professor perguntou para os outros:
— Quem é que vai?
— Fulanos, Sicranos, Beltranos.
— Vai também o Fulaninho?
O Fulaninho é sempre um padrequinho terrível, pimenta!
— Vai.
— Ah! então eu vou porque vai haver baderna.
Quer dizer, “havendo baderna, brincadeira de lo último, então aquilo é bom e lá a gente vai”.
* Sabotam contra Fátima porque querem rir
Evidentemente, as revelações de Fátima, opostas a este espírito, encontram uma predisposição temperamental para serem recusadas e para se aplaudir toda sabotagem que delas se faça. Porque o homem que ri sempre, o homem estulto, que não tem seriedade, que não tem elevação de espírito, esse tem que detestar as profecias, tem que detestar tudo quanto é sublime, tudo quanto é nobre, tudo quanto é elevado; tem, portanto, que ser favorável a que se fechem os olhos e se fechem os ouvidos a tudo quanto está escrito, a tudo quanto é dito a respeito das revelações de Fátima.
* Fátima, aviso do castigo e graça de seriedade
Vistas debaixo dessa luz, as revelações de Fátima não são apenas um aviso de “Bagarre”, mas são uma tentativa de Nossa Senhora, uma graça de Nossa Senhora que pretende criar um espírito de seriedade na Cristandade, um espírito de objetividade, um espírito de combatividade, como um meio para a regeneração do mundo, como quem considera que o mundo não se regenera fora desse espírito, e que na perpétua piada, na perpétua brincadeira, na despreocupação, na superficialidade de espírito crônica, não pode haver salvação para o mundo. É por isso que as mais altas perspectivas históricas se resumem nas revelações de Fátima e tocam francamente ao sublime.
* Fátima e Carmo. Luta contra o anti-Cristo
Por que razão, por exemplo, Nossa Senhora apareceu ora com a indumentária própria a essa nova devoção, que é a de Fátima, ora apareceu como sendo o Imaculado Coração de Maria, ora apareceu como Nossa Senhora do Carmo? Ela apareceu como o Imaculado Coração de Maria, dando a entender bem o que era o Reino do amor que Ela profetiza e que Ela vai realizar sobre a terra. É, portanto, uma profecia para os próximos acontecimentos, para o reino d’Ela. Ela apareceu sob a forma de Nossa Senhora do Carmo e isto nos diz muito respeito, porque, queiram ou não queiram, nós somos carmelitas, nossa exclusão da Ordem do Carmo foi nula. Ela apareceu sob as características de Nossa Senhora do Carmo como uma evidente alusão ao Profeta Elias, fundador da Ordem do Carmo, o primeiro grande servo e grande filho d’Ela, que teve a revelação sobre a nuvem, sobre a devoção marial, e que fundou essa Ordem do Carmo que irá até o fim do mundo. E é, então, uma alusão a Santo Elias que virá e que, no fim do mundo, vai lutar ainda contra o anti-Cristo. Quer dizer, são as maiores perspectivas históricas que, com isso, se desvendam.
* Dignidade de apóstolos dos novos tempos
Então, devemos tirar disso um fruto para nós. Não devemos ver nessas aparições apenas o aviso de um fato que se dará, mas a recomendação de um espírito, de uma posição psicológica, de uma atitude temperamental em conexão com este aviso. A devoção de Fátima é um convite para que nós, desde já, dia e noite, tragamos dentro de nós a consciência de nossa dignidade como apóstolos dos novos tempos, que vão lutar por Nossa Senhora durante a “Bagarre”. É um convite para vivermos meditando dia e noite nas perspectivas enormes diante das quais nós atuamos, embora a trivialidade do mundo contemporâneo não tome isto em consideração. É um convite para não darmos importância a nada do que é terreno, a nada do que é humano, a nada do que é da sociedade de hoje, para nos preocuparmos exclusivamente com nossa vocação, porque o resto não tem importância e o resto simplesmente não é nada.
Este é o convite que a festa de Nossa Senhora de Fátima significa para nós.
* Coerentes com seriedade da luta que empreendemos
Habitualmente a gente tem a impressão que reza para Nossa Senhora de Fátima fazendo assim, mostrando o outro: “Nossa Senhora, olha aquele que não acredita. Eu estou em dia, porque estou acreditando em tudo”. Meu caro, você está em dia enquanto acreditando; não está em dia se você não cultiva, no seu espírito, a seriedade, a gravidade, a ruptura com esse século corrupto de hoje, o espírito contra-revolucionário, nobre, augusto, majestoso, que é o espírito próprio àqueles que querem servir a Nossa Senhora na Contra-Revolução.
E é isto que devemos pedir a Nossa Senhora na noite de hoje. Devemos pedir para nós, devemos pedir para todo mundo esta grande seriedade, esta grande elevação de alma que caracteriza todas os santos, e que é a condição para que realmente nós estejamos à altura de nossa grande vocação.
As orações da noite vão ser feitas diante da imagem de Nossa Senhora do Carmo, ou melhor, Nossa Senhora de Fátima, que está no hall, e o encerramento dar-se-á ato contínuo.
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