Santo do Dia – 9/5/1966 – p. 3 de 3

Santo do Dia — 9/5/1966 — 2ª-feira

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São Gregório Nazianzeno

Nossa agenda está, hoje, gravemente omissa, porque não menciona um aniversário augusto: hoje é aniversário do Dr. José de Azeredo Santos. Devia figurar aqui na agenda.

Hoje é festa, também, de São Gregório Nazianzeno, Bispo, Confessor e Doutor. Dados biográficos do Rohrbacher:

Gregório nasceu em Nazianzo, na Capadócia, entre 325 e 330. Sua mãe, mulher de virtude extraordinária, é Santa Nona. Teve como irmãos São Cesário e Santa Gorgônia.

Isso é que entrar… [falta palavra] … A introdução, o começo é este. Não é?

O jovem Gregório, demonstrando excepcionais dotes de inteligência e caráter, foi enviado à Atenas com seu amigo Basílio, dedicando-se, nessa cidade, ao estudo da Escritura Santa e das ciências profanas. Após ter passado algum tempo na solidão, foi sagrado bispo [de] Sasima, depois de Nazianzo, enfim, de Constantinopla, em 371.

Um de seus primeiros trabalhos foi de combater a heresia ariana e conduzir numerosas almas à pureza da Fé Católica. Mas, levantando-se contra ele feroz perseguição, já velho e combalido, renunciou ao episcopado. Ao despedir-se de seus diocesanos prometeu que se a língua se lhe calasse, as mãos e a perna combateriam pela verdade. Voltou a Nazianzo, entregando-se à contemplação das coisas divinas e a composição de obras teológicas. Após anos de recolhimento e estudos, adormeceu no Senhor no ano de 390.

Gregório de Nazianzo, amigo de São Basílio, orador insigne e poeta que unia a admirável fecundidade à energia e a elegância, foi um firme defensor da consubstancialidade do Filho de Deus. Obteve o nome de “O Teólogo” pela segurança de sua doutrina e elevação de seu pensamento, o esplendor de sua exposição, pela sua defesa inigualável da Santíssima Trindade.

Agora vem um fato da vida de São Gregório de Nazianzo:

São Gregório e São Basílio encontravam-se estudando em Atenas. Foram de tão excepcional brilho que eram conhecidos de toda a cidade. Tinham por companheiro de estudos um jovem chamado Juliano. Analisando este jovem, os dois amigos consideravam que podiam, nele, descobrir os desregramentos de seu espírito pela sua fisionomia e pelo seu exterior. Era de estatura mediana, pescoço taurino, largas espáduas que ele encolhia freqüentemente, bem como a cabeça… Os pés não eram firmes, o andar inseguro. Os olhos eram vivos, mas esbugalhados e irrequietos. O olhar furioso, o lábio inferior pendente, a boca grande, o nariz desdenhoso e insolente, a barba hirsuta e pontiaguda. Fazia trejeitos ridículos e sinais com a cabeça, sem motivo. Ria sem compostura e com grandes gargalhadas. Arrastava-se no falar e respirava irregularmente. Fazia perguntas impertinentes, dava respostas embaraçadas, que nada tinham de firme nem de metódico.

Gregório dizia, ao vê-lo: “Que peste alimenta o Império Romano. Deus queira que eu seja um falso profeta”. Esse jovem foi Juliano, o Apóstata.

Esses vários elementos biográficos, muito bem colhidos, a respeito de São Gregório Nazianzeno, justificam alguns comentários.

Mais uma vez, nessa desolação dos dias em que nós vivemos, nós notamos essa abundância de santos. Logo de uma vez, quatro grandes santos: São Gregório, Santa Nona, São Cesário e Santa Gorgônia. Mãe e filhos. Por outro lado, um grande amigo; e o grande amigo era, por sua vez, São Basílio. Os senhores vêem aí uma conjunção de santos que iluminou todo o mundo antigo. Especialmente São Gregório Nazianzeno e São Basílio. Os senhores vêem, de outro lado, em São Gregório Nazianzeno, o papel de um grande defensor da ortodoxia, contra a heresia. Um santo desses gigantes de defesa da Fé, cuja maioria se vai compondo, com uma abundância de figuras cada vez maior, à medida que os comentários dos santos do dia vão trazendo a lume o maior número de santos.

Por outro lado, os senhores vêem aqui o papel desse santo do ponto de vista da elaboração intelectual. Quer dizer, ele era um grande literato, ele era um grande poeta. Ele tinha portanto, do seu lado, todo o prestígio que tinha, no mundo antigo, a vida intelectual, qualquer coisa de vagamente parecido com o prestígio do Pelé e, portanto, uma coisa imensa. Bem, e os senhores vêem aí os homens de grande inteligência, de grande força, de grande capacidade, consagrados à ortodoxia. Durante quanto tempo isso deixou de ser assim? E durante quanto tempo nós tivemos os homens inteligentes do lado da heresia e, pelo contrário, do lado da ortodoxia os “pocas”, os pulhas, os desbotados, os decadentes. É uma forma de maldição de Deus exatamente permitir que, de tal maneira, todos os elementos humanos, valores humanos se retraiam dos arraiais da ortodoxia. Exatamente o Movimento do Catolicismo visa — na medida de suas possibilidades tem conseguido isso —, visa quebrar esse desequilíbrio, mostrando exatamente como os valores humanos devem estar ao serviço de boa causa.

Por fim, os senhores vêem aqui o que é um “fassur”. Juliano, o Apóstata, era, na plenitude de termo, um “fassur”. Os senhores estão vendo os dois como olhavam para o colega e faziam dele um juízo que nós indicamos hoje com a palavra “fassur”. Os senhores vêem como é legítimo, ao contrário do que diz a “heresia branca” com seus pânicos a respeito de juízo temerário, como é legítimo olhar para um homem e dizer que ele é “fassur”. E como todas essas coisas assim são expressões de “fassurada”.

Quer dizer… [faltam palavras] …anda bem, quando inculca perspicácia, quando inculca a combatividade, quando inculca a vigilância contra o adversário, analisar o adversário na sua fisionomia. É uma confirmação preciosa das nossas posições. E com isso, nós temos feito os principais comentários a que essas figuras se prestam.

As orações de hoje à noite são pelo Dr. José Luís de Azeredo Santos.

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