Santo
do Dia – 2/5/1966 – p.
Santo do Dia — 2/5/1966 — 2ª-feira
Nome
anterior do arquivo:
Santo Anfrido
…dia… [falta palavra] …é festa de Santo Atanásio, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja… [faltam palavras] …defendeu intrepidamente a Santa Sé contra o imperador e os governadores de províncias e inúmeros bispos arianos. É também festa de São Peregrino Laziosi, Confessor, da Ordem dos Servos de Maria. Sua relíquia se venera em nossa capela. Século XIV1.
Amanhã é a festa da Invenção da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Santa Helena, mãe de Constantino. Tenho aqui uma nota de que há duas fichas, para eu escolher, relativamente a amanhã: uma, é uma pequena biografia de Santo Anfrido, que é um santo, para nós, desconhecido, e outra é um comentário da Invenção da Santa Cruz, de Dom Guéranger. Eu deixo a Invenção da Santa Cruz para amanhã à noite, onde nós deveremos, provavelmente, cantar alguma coisa ao pé da cruz, que temos aqui no fundo, e comento então, para hoje, a biografia de Santo Anfrido, Bispo e Confessor. Essa biografia é tirada da “Vida dos Santos”, de Rohrbacher:
Anfrido, conde de Brabante e… [falta palavra] …, seguiu a carreira militar sob os imperadores Oto III e Santo Henrique. Casou-se com… [falta palavra] …, condessa de… [falta palavra] …Tiveram uma filha, guardando depois a castidade, de comum assentimento. Ambos os esposos eram imensamente caridosos. O conde doou… [falta palavra] …ao bispado de Liège e a condessa consagrou sua fortuna na fundação da abadia de… [falta palavra] …
Mais tarde a nobre senhora, juntamente com a filha, tomou o véu de religiosa, vivendo as duas em grande santidade.
Anfrido, nomeado bispo de Utrecht, em 974, depositou as armas, que tanto manuseara em memoráveis campanhas, no altar de Nossa Senhora, dizendo solenemente: “Até hoje combati pela glória temporal em defesa dos direitos dos pobres, das viúvas e dos órfãos. De hora em diante, coloco-me sob a proteção da Virgem Maria e pelejarei, sem descanso, pela conquista das almas, a glória de Deus e minha salvação”.
Sagrado em 985, de quando em quando deixava os trabalhos da diocese para se recolher contritamente num dos mosteiros que fundara. Faleceu a três de maio de 1008, recebendo logo as homenagens devidas por sua vida santa.
É bonita essa transição do guerreiro para a condição do militar, e é bonita a unidade que ele encontrou e que ele pôs em realce entre as duas condições, ante as quais a vida dele se dividia. De um lado, ele viu que ele tinha em mente, que ele tinha sido um guerreiro material, que tinha combatido como um cavaleiro andante a favor dos pobres, das viúvas e dos órfãos, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo; mas que, depois ele, como bispo, ele ia ser novamente um combatente, mas combatente com uma finalidade muito mais alta, que era a salvação das almas. Os senhores estão vendo bem que essa tomada de atitude dele, afirmando a continuidade do combate, é bem o oposto da atitude irenista de nossos dias. Para a atitude irenista de nossos dias, o combate, seja ele combate material ou a guerra, seja ele a luta ideológica, é mau em si; os homens não devem lutar entre si, eles devem estar de acordo entre si, mesmo quando, em aparência, estão em desacordo, porque todo desacordo de idéias é uma ilusão, é um equívoco que se desfaz através do diálogo, e, por causa disso, a luta é um mal em si.
Esse santo nos mostra que não se trata disso. Pelo contrário, quando ele deixou de ser guerreiro, ele não declarou que renunciava à sua vida de guerreiro por a condenar, por achar que era contrária aos ideais católicos. Pelo contrário, a guerra é o estado normal do homem na terra. É claro que a guerra é um mal, mas não é o maior dos males. É um mal… [falta palavra] …intrinsecamente má, e que pode se justificar à vista de um bem maior. Não é isso? E, portanto, há coisas mais preciosas do que a paz, e, a essas coisas, a paz deve ser sacrificada. Está na condição do homem, nessa terra, que, com freqüência, ele deva romper a paz. E quando ele deve romper a paz, ele, de um lado, lamenta de a ter que romper porque ele deve amá-la, mas, de outro lado, ele entra para a luta alegre, porque ele compreende que esse é o modo de servir a Deus e que é para atingir um bem maior. E por causa desse bem maior, ele, de fato, ama então a guerra, e ama a luta. A guerra e a luta recebem uma comunicação da dignidade do bem maior pelo qual são travados. Então, ele entra para o episcopado e diz ele: “Não deixo de ser guerreiro, continuarei a combater. Continuarei a combater num plano mais alto, porque é o plano espiritual e o plano doutrinário; continuarei a combater para um fim mais alto, porque não se trata mais de socorrer os interesses materiais de viúvas, de órfãos e de pobres, mas se trata de atender aos interesses da vida eterna, que valem muito mais do que os interesses dessa vida. Mas, eu continuarei a combater! Grado-me de ser combatente; levo, para dentro de minha condição de bispo, minha alma de batalhador. Sou o mesmo, como bispo, o que era antes como guerreiro, porque na vida tudo é uma guerra, e tudo é uma guerra porque existe o mal, porque existe o pecado original, porque existe o demônio e porque, portanto, o bem está numa atitude permanentemente militante, e, dessa atitude, eu me ufano”.
Esse é um santo canonizado pela Igreja Católica e que tem, portanto, uma perfeição da virtude da caridade, que é a virtude, exatamente, que dizem incompatível com qualquer condição militante, quer ideológica quer material. E aí os senhores vêem a Igreja nos apontando, como modelo, este homem, que é uma pessoa que nós devemos imitar, porque o santo, além de um intercessor, é um modelo. Então, é uma pessoa que nós devemos imitar como realização viva dos ensinamentos de Nosso Senhor no Evangelho. Os senhores compreendem, então, como isso deve reforçar em nós a idéia do caráter militante da Santa Igreja, da alma militante com que nós devemos viver, da alegria e da luta por uma causa superior, que é a causa de Nossa Senhora, que deve estar em nós. E por aí os senhores compreendem, então, que segurança nós devemos ter na doutrina católica, firme como uma rocha contra essa confusão irenística que, por toda parte, se quer espalhar, porque o comunismo está planejando o seu último assalto. Não assalto com mão armada, mas um assalto ideológico, uma proeza de batedor de carteira ideológico, que é a baldeação ideológica inadvertida. E, portanto, por isso ele procura desarmar os espíritos, procura adormecê-los. É a era da vigilância, da luta, e a era da Fé.
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1) No microfilme estava século IV, mas não é possível, pois ele faleceu em 1345.