Santo
do Dia ─ 27/04/66 ─ 4ª feira .
Santo do Dia ─ 27/04/66 ─ 4ª feira
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“São Luís Grignion é o foco de luz onde se acendeu o pavio do qual temos todas as nossas luzes” * “São Luís Maria Grignion de Montfort é o santo dos santos extremismos” * São Luís Grignion, do alto de uma era histórica da Igreja, abre os olhos sobre a última era e anuncia a vinda dos apóstolos dos últimos tempos * A Oração Abrasada de São Luís pode aplicar-se ao Grupo, constituído de pessoas que, ao sopro da graça, vêm de todas as partes para combater os inimigos de Deus * O que realmente une os réprobos entre si é o ódio ao Bem * O que mais entristece é ver que os que tomam o partido de Nossa Senhora, fazem-no às vezes com meio coração e meia alma
…exatamente no dia da festa ─ hoje é 28? ─ na vigília de dois grandes santos: um é São Paulo da Cruz, confessor, que se consagrou a pregar por toda parte, com singular caridade, o mistério da Cruz, fundou a Ordem dos Passionistas, que fazem o voto de propagar a lembrança da Paixão. Século XIII. E especialmente, do grande, grandíssimo São Luís Maria Grignion de Montfort autor do Tratado da Verdadeira Devoção, doutor, profeta e apóstolo da Contra-Revolução. Sua relíquia se venera em nossa capela, século XVIII.
* “São Luís Grignion é o foco de luz onde se acendeu o pavio do qual temos todas as nossas luzes”
À medida que o tempo vai passando, cada vez mais nós podemos considerar São Luís Maria Grignion de Montfort o nosso Santo. Nós não temos a alegria de poder dizer que ele seja o nosso fundador, mas ele é o nosso mentor, ele é o foco de luz onde se acendeu o pavio do qual temos todas as nossas luzes, e ele é, portanto, para nós o que um fundador é para sua Ordem religiosa, enquanto intercessor no Céu.
E nessas condições é evidente que nós não podemos deixar de comentar, com profunda veneração, na figura de São Luís Grignion de Montfort, duas coisas: em primeiro lugar, falar de seus escritos, em em segundo lugar, falar dele como alguém que entreviu, à distância, os apóstolos dos últimos tempos aparecerem.
* “São Luís Maria Grignion de Montfort é o santo dos santos extremismos”
Dos escritos de São Luís Grignion de Montfort, o que se pode dizer é o seguinte: que eles representam o que há de mais perfeito, de mais radical, de mais categórico em cada um dos temas tratados.
Quer dizer, não é possível, a respeito de formação intelectual, não é possível dizer uma coisa mais alta do que ele disse no Livro da Sabedoria, o Tratado do Amor da Sabedoria. Quer dizer, aquilo, a Sabedoria é a coroação de todas as virtudes, especialmente a coroação das virtudes intelectuais. E ele ali diz a respeito da Sabedoria as coisas mais radicais, mais extremas, mais categóricas que se possam dizer.
Por exemplo… [inaudível] … a Sabedoria como sendo a síntese de todas as virtudes morais, como sendo o fundamento da vida espiritual de todo o católico, como sendo o que cria as condições de receptividade na alma para as virtudes teologais da Fé, da Esperança e da Caridade. Enfim, ele chegou ao extremo nessa matéria.
Em matéria de formação moral, não se pode, além de falar da sabedoria, estar entre a formação intelectual e moral ─ a respeito de formação moral não se pode dizer uma coisa mais alta do que ele disse a respeito do amor à Cruz. Porque se é bem verdade que é por medo do sofrimento que todos os homens praticam… [inaudível] … também é verdade que é para não se recusarem prazeres, e que a recusa do prazer é um sofrimento, que vêm todos os pecados. Incutir nos homens o amor à Cruz é exatamente incutir neles a força de alma para eles evitarem todo o mal e praticarem todo o bem. E, portanto, ainda na formação moral ele pregou a mais alta de todas as virtudes e com o maior extremo das palavras.
Em matéria de devoção piedosa, ele fez o Tratado da Devoção a Nossa Senhora, que é a verdade menos conhecida, mas necessária enquanto tal para a formação do católico, e que nos coloca no caminho de toda a graça, no caminho de toda a santidade, de toda a virtude, que é Nossa Senhora.
A respeito de Nossa Senhora também ele disse as últimas e mais altas coisas que se possam dizer. De maneira que tudo isso junto nos leva a considerar São Luís Grignion de Montfort como o santo do extremismo, o santo dos santos extremismos, que trata dos assuntos de mais extrema importância, e nos assuntos de mais extrema importância, diz as verdades de mais extremo alcance, na linguagem mais extremada, e tudo isso baseado no princípio de que por amor de Deus…
A verdadeira medida para o amor de Deus, dizia São Francisco de Sales, consiste em amá-Lo sem medida. E, portanto, a verdadeira medida da sabedoria, de amor à sabedoria, é amá-la sem medida. A verdadeira medida de amor à Cruz, é amar a Cruz sem medida. E, sobretudo, a verdadeira medida de amor a Nossa Senhora é, com as adaptações feitas a uma criatura, a mais excelsa das criaturas, amá-La sem medida também.
* São Luís Grignion, do alto de uma era histórica da Igreja, abre os olhos sobre a última era e anuncia a vinda dos apóstolos dos últimos tempos
Nessas condições, São Luís Grignion, é para nós, mas é para todos os tempos, uma espécie de santo ápice, santo de cume, santo de perfeição extrema e excelsa, santo que representa o fim de caminho que caminharam todos os santos seus sucessores e, ao mesmo tempo, está no pórtico do Reino de Maria.
Quer dizer, ele, por assim dizer, está no alto de uma era da História da Igreja e olha depois para um caminho que já está pré-traçado por ele, que está contido em gérmen nas obras dele e abre, então, a visão profética… [inaudível] … momento em que deve aparecer um conjunto de pessoas, deve aparecer um conjunto de almas, deve aparecer um conjunto de apóstolos, de apóstolos para a última hora da vida da Igreja ─ notem bem que o fim, os últimos tempos não são o fim; os últimos tempos é a era que está entre a história e o fim da Igreja. Os últimos tempos é a última era da História da Igreja, que pode até ser bem longa.
Ele abre então os olhos para a última era da História da Igreja e fala de um conjunto de apóstolos, que são os apóstolos dos últimos tempos, e que devem viver nessa era, que ele diz que é o Reino de Maria: Reino de glória, Reino excelso, Reino da virtude, Reino magnífico de Nosso Senhor Jesus Cristo em Nossa Senhora, que vai ser, naturalmente, o apogeu da Igreja Católica.
No meio de tanta tristeza, como é dos dias de hoje, é interessante a gente ver o que ele fala a respeito dessa obra; e o que ele fala é verdadeiramente magnífico.
Na sua Oração Abrasada pedindo apóstolos para as atuais calamidades, ele tem essas palavras: Memento Congregationis tuae. Ele pede, então, os apóstolos dos últimos tempos. E ele diz isso: “Lembrai-vos da vossa Congregação”. A palavra congregação é aqui uma palavra de um sentido vasto. Ela tanto pode querer dizer uma congregação religiosa, como pode querer dizer um grupo, uma união. A palavra grupo estaria adequada à palavra congregatio.
* A Oração Abrasada de São Luís pode aplicar-se ao Grupo, constituído de pessoas que, ao sopro da graça, vêm de todas as partes para combater os inimigos de Deus
Bem…
Lembrai-vos, Senhor, de vossa congregação. Só a Vós compete formar, por vossa graça, essa assembléia. Se o homem meter mãos à obra antes de Vós nada se fará. Se quiser misturar o que é dele com o que é vosso, estragará tudo, destruirá tudo. “Tuae Congregationis” é trabalho vosso, grande de Deus. “Opus tuum fac”, fazei uma obra toda divina. Ajuntai, convocai, reuni em todas as partes de vossos domínios os vossos eleitos, para deles fazer um exército contra os vossos inimigos.
Nós podemos dizer que há aqui traços que lembram o Grupo.
Em primeiro lugar, a palavra congregatio. Mas, em segundo lugar, o pressuposto: o pressuposto é uma força divina, uma graça divina, que percorre todos os mundos, todos os domínios de Deus, e que faz exatamente isso, ajunta, convoca e reúne eleitos.
Há uma coisa mais parecida com o nosso recrutamento? É um que vem de cá, outro que vem de lá, sempre trazido pela graça, vindo de todos os lugares, vindo por fim de Buenos Aires, vindo de Santiago do Chile; D. Luís nos manda excelentes notícias a respeito de um primeiro fermento de grupo em Munique; já se começaram a reunir em… [inaudível] … aí então na Alemanha; nós temos já perspectivas interessantes na Espanha. De todos os lados são eleitos que vão sendo atraídos, vão sendo atraídos por uma força que é a força da graça.
Não é a capacidade de nenhum homem. Não é a cultura, não é o talento, não é calor de nenhum homem. Porque nenhum homem tem força suficiente para atrair outro homem para o caminho da virtude sobrenatural e inteira. Isso não é dado a nenhum homem ter. É a graça então que vai atraindo de todos os lados. É uma congregatio que se vai reunindo.
Agora, para que é que se vai reunindo essa congregatio?
Vejam bem, é para a luta, hein. “Para deles fazer um exército contra vossos inimigos”. É exatamente o intuito com que todo o mundo conflui no Grupo, é o desejo de constituir um exército contra os inimigos de Deus. E ele continua:
* O que realmente une os réprobos entre si é o ódio ao Bem
“Vede, Senhor dos exércitos, os capitães que formam companhias completas; os potentados que criam exércitos numerosos, os navegadores que reúnem tropas inteiras, os mercadores que se congregam em grande número nos mercados e nas feiras.”
Nós poderíamos dizer: “os políticos da democracia, os banqueiros da democracia, vede os homens da alta moda da democracia, vede os falsos intelectuais da era do igualitarismo e da Revolução. E poderíamos depois fazer o mesmo comentário que ele faz aqui.
Quantos ladrões, ímpios, ébrios e libertinos se unem em massa contra vós todos os dias. E isso com tanta facilidade e prontidão.
Quer dizer, sem mais nem menos, uma coisa que arrepiaria um “heresia branca”, vai dizendo toda essa gente de ladrões, ímpios, ébrios e libertinos. E realmente é o que eles são. É uma geração de adúlteros e de ladrões como Nosso Senhor disse dos homens do tempo d’Ele. Quem é que hoje em dia não é adúltero ou ladrão? É só [o que há?] adúltero ou ladrão. Quase que se poderia fazer essa afirmação. Bem…
Basta soltar um assobio, rufar um tambor, mostrar a ponta de uma espada, prometer um ramo seco de louros, oferecer um pedaço de terra amarela ou branca, basta, numa palavra, uma fumaça de honra, um interesse de nada, um mesquinho prazer animal que se tem em vista, para num instante reunir os ladrões, ajuntar os soldados, congregar os batalhões, agrupar os mercadores, encher as casas e os mercados, e cobrir a terra e o mar com uma multidão inumerável de réprobos que, embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento de lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem entretanto, se ligam até a morte para vos fazer guerra sob o estandarte do demônio.
Os senhores estão vendo que ele já vai chamando toda essa gente de réprobos.
Que embora divididos entre si, ou pelo afastamento de lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem entretanto, se ligam até a morte para vos fazer guerra sob o estandarte do demônio.
Então, todo mundo no tempo dele, com exceção dos raros eleitos, ele vê assim: é uma multidão de réprobos, que sob o estandarte do demônio se atira para realizar seus interesses próprios, enchendo terras e mares.
Os senhores se lembram que era a época em que os descobrimentos estavam encerrados, mas o povoamento se fazia ainda em grande quantidade. E as pessoas vinham para a América, tentavam sobrepor-se na Ásia, na África, embrenhavam-se por dentro da África, tudo isso por causa das riquezas, por causa de glória, de predomínio nacionalista etc., etc.
Então, ele diz: “É uma multidão de réprobos, chefiados pelo demônio e vendo seus interesses próprios. Mas nunca… [inaudível] … da unidade Contra-Revolução, ele acrescenta uma coisa, ele diz: “É verdade que eles vão por interesse próprio. Mas ainda que se não conheçam, estão todos ligados entre si contra Vós, porque a Vós eles fazem guerra”. Quer dizer, é o ódio que os une. Não é só o interesse, é um ódio contra tudo quanto é bom, contra tudo quanto é verdadeiro, tudo quanto é bom, contra tudo quanto é ultramontano e que faz com que todos eles sejam… [inaudível] … guerreando contra Nossa Senhora. Não é isso? Então é a grande batalha do mundo do tempo dele contra Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Que diria ele se ele ouvisse o que nós ouvimos agora? E se ele visse até onde os estandartes do mal são levados? E até quem colabora, e até como… [inaudível]. O que diria ele de uma coisa dessas?
Bem, ele continua:
* O que mais entristece é ver que os que tomam o partido de Nossa Senhora, fazem-no às vezes com meio coração e meia alma
Em Vós, embora haja tanta glória e tanta doçura, tanta vantagem em servir-vos, quase ninguém tomará vosso partido?
O que confrange é que os que tomam, às vezes tomam com meio coração, tomam com meia alma. Porque se pelo menos todos que tomam partido de Nossa Senhora tomassem com a alma inteira, ainda seria uma maravilha. Mas quantos há que a gente vai ver, tomam olhando para trás, com saudades das cebolas do Egito, com o coração pesaroso por não terem isso ou aquilo que eles abandonaram, com a esperança de encontrarem um pouco de aplauso dos outros, um pouco de condescendência dos outros ao longo do caminho.
Quer dizer o que, em última análise? É gente seguindo a Nosso Senhor, não O seguindo inteiramente; e que Nossa Senhora convida, ainda na noite de hoje, a O seguir com uma alma inteira, sem reserva, sem arriére pensée, sem guardar nada para si, dando de si absolutamente tudo. É a isso que Nossa Senhora convida, é isso que Ela pede.
Quase nenhum soldado se alistará sob vosso estandarte? Quase nenhum São Miguel clamará no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela vossa glória: “Quem como Deus?”
Ah, permiti que brade por toda a parte: “Fogo, fogo, fogo, socorro, socorro, socorro. Fogo na casa Deus. Fogo na casa de Deus…”
Bandeira vermelha na casa de Deus…
“Fogo nas almas, fogo até no santuário. Socorro que assassinam nosso irmão, socorro que degolam nossos filhos, socorro que apunhalam nosso bom pai”.
* O quadro apresentado por São Luís na Oração Abrasada aplica-se inteiramente aos dias de hoje
O que significa essas palavras? Quão raros são aqueles que são convidados, e quão raros são aqueles que atendem e aqueles que se dão inteiramente. Então, ele lamenta: “são tão poucos… Venham pelo menos esses”. E ele começa, ele declara que há fogo na casa de Deus, ele declara que há fogo até no santuário. O que quer dizer que ele sente as labaredas da Revolução já no tempo dele penetrando por toda a parte, e até nos tronos, não é verdade?
E ele então diz isso: eu começo a gritar. São tão poucos, eu começo a gritar. Eu pelo menos direi isso. E eu direi o quê? Assassinam os nossos irmãos, o nosso irmão. É o escândalo que é dado e que leva as almas para o Inferno e que é o assassinato espiritual.
Socorro, que degolam os nossos filhos.
É a mesma coisa. Quer dizer, são decapitados aqueles que deveriam gerar para a graça de Deus.
Socorro, que apunhalam o nosso bom pai.
Eu não sei o que é que ele entende por pai aí, seria Deus Nosso Senhor, o que é que é. Mas afinal de contas é com esse bom brado de alarme que ele termina.
Agora, eu pergunto aos senhores: não se poderia aplicar aqui ─ se ele pode dizer isso do tempo dele ─ não se poderia dizer que na comparação do tempo dele com o nosso, tantas e tantas coisas mudaram, e entretanto, não se poderia aplicar a expressão francesa [plus ça change, plus c’est la même chose?]? Quanto mais muda, mais é a mesma coisa?
Quer dizer, mudou tudo e cada vez mais o quadro ficou sendo o mesmo. E o quadro que era tão carregado no tempo dele assim, esse quadro é mais verdadeiro para nós, para nosso tempo, do que para o tempo dele.
* “Videte vocationem vestram”
Então, os pouquíssimos que há em nosso tempo não são, de algum modo, previstos por essa ficha? Eles não são, de algum modo, prenunciados precisamente em toda essa descrição? Porque se a descrição da calamidade é verdadeira, a descrição dos fiéis por que não há de ser verdadeira também?
Então, meus caros, videte vocationem vestram: vejamos a nossa Vocação, qual é a grandeza de nossa Vocação. E peçamos hoje a São Luís Grignion de Montfort uma graça excelsa, que ele nos peça a Nossa Senhora também: é que se comunique esse espírito dele para nós, como através do manto de Elias o espírito de Elias se comunicou a Eliseu.
Eliseu, para continuar a obra de Elias, pediu sete vezes o espírito de Elias. Ele quis ter muito mais do que o espírito de Elias para fazer o que Elias fez, para continuar Elias.
Nós precisamos sete mil vezes mais o espírito de São Luís Grignion de Montfort.
Vamos pedir a ele, essa noite, que nos comunique o espírito dele. Que atue, pela graça, num fundo misterioso de nossa alma onde possam haver apegos, onde possam haver meios consentimentos, onde possam haver infidelidades. E nesse fundo de alma, ele nos toque para nós sermos inteira e irrestritamente de Nossa Senhora, para nós sermos os apóstolos dos últimos tempos, nessa provação tão grande em que nós estamos, que a meu ver é a última “pré-figura” que há dos tempos finais, em que o mundo vai estar todo em trevas, virá o Anticristo, e virá também Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos disso fazer a oração nossa dessa noite
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