Santo do Dia ─ 2/4/66 ─ Sábado . 3 de 3

Santo do Dia ─ 2/4/66 ─ Sábado

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Deus dá a algumas almas uma missão estritamente reparadora, como por exemplo a incumbência de consolar apenas a Ele * Nossa luta tem um objetivo mais alto do que o próprio espírito de reparação: além da reparação, somos instrumentos da implantação do Reino de Maria

Para hoje não há propriamente santo do dia a comentar, mas a festa comemorativa da morte de Francisco Marto será na segunda-feira. De maneira que seria interessante o comentário de um trecho do famoso livro do padre De Marchi sobre Fátima: “Era uma Senhora mais brilhante do que o sol”, a respeito de um desses três videntes de Fátima. Então, aqui está um diálogo que ele teve na doença em que ele acabou por falecer.

* Francisco e Jacinta faziam sacrifícios pela conversão dos pecadores

Pergunta que a Irmã Lúcia faz a ele:

Francisco, sofre muito?

Sim, sofro, mas sofro tudo por amor de Nosso Senhor e Nossa Senhora. Quereria sofrer mais, mas não posso.

E assegurando-se de que a porta estivesse bem fechada procurava a corda cilício debaixo das roupas e [a] entregava à prima.

Toma, leve-a antes que a mamãe a veja. Agora já não sou capaz de a ter à cinta.

Momentos depois lá ia também a Jacinta com seu bocadito de corda que depôs nas mãos da prima, não sem pesar:

Guarda-ma, que tenho medo que minha mãe a veja. Se eu melhorar, quero usá-la outra vez.

Essa corda era a única coisa do mundo a que os pequenos tinham apego. Para Francisco e Jacinta era a única coisa que tinha verdadeiro valor. E para nós também ter-nos-ia sido a mais preciosa relíquia, se Lúcia não a tivesse queimado antes de ir para o colégio das Dorotéias, em [Vilar?].

Olha, Lúcia ─ continuava Francisco ─ já me falta pouco para ir para o Céu. A Jacinta vai pedir muito pelos pecadores, pelo Santo Padre, por ti. Tu ficas cá, porque Nossa Senhora o quer. Olha, faz tudo o que ela te disser.

Enquanto a Jacinta ─ comenta a Irmã Lúcia ─ parecia preocupada com o único pensamento de converter os pecadores e livrar as almas do inferno, ele parecia só pensar em consolar Nosso Senhor e Nossa Senhora que lhe tinham parecido estar tão tristes.

Estou mal, muito mal, Lúcia ─ repetia Francisco. Já me falta pouco para ir para o Céu.

Então, vê lá, não te esqueças de lá pedir muito pelos pecadores, pelo Santo Padre, por mim e pela Jacinta.

Sim, eu peço, mas olha, essas coisas pede-as à Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer quando vir a Nosso Senhor e depois antes eu quero consolar.

Os senhores estão vendo aí o seguinte: essas três almas a quem Nossa Senhora deu a missão sublime de A verem em Fátima e divulgarem algo a respeito do segredo de Fátima, das três almas partiam três missões: Lúcia deveria ficar na Terra para conservar a mensagem. O Francisco e a Jacinta deviam ir para o Céu. Mas deviam ir para o Céu tendo nesta Terra e no Céu missões diferentes. Ela deveria ter a missão de rezar pela conversão dos pecadores. Ele, não. Ele tinha uma função reparadora de uma outra natureza. Era uma pura reparação diante da tristeza de Nosso Senhor e de Nossa Senhora pelos pecados que tinham sido cometidos e que tinham motivado a mensagem de Fátima.

* Deus dá a algumas almas uma missão estritamente reparadora, como por exemplo a incumbência de consolar apenas a Ele

Quer dizer, nós vemos aqui a importância da função reparadora. Apesar de todo o empenho de Nosso Senhor em que se salvem as almas, a uma dessas almas Ele deu uma missão estritamente reparadora. Quer dizer, a incumbência especial e específica de apenas consolar a Ele.

É claro que essa consolação teria um reflexo a favor da salvação das almas. Mas, enfim, o objeto diretamente focalizado era essa reparação.

Nós podemos, então, nos dar conta por aí da importância que Nosso Senhor e Nossa Senhora dão a uma reparação feita, embora com reflexos para a salvação das almas, sem uma preocupação outra principal que não a de reparar.

E nós compreendemos então quanto é importante aquela intenção reparadora que nós queremos incluir nas nossas reuniões de sexta-feira, e esse espírito de reparação ao Coração Imaculado de Maria pelas ofensas atrozes que vem sofrendo.

Agora, isso se passou em 1917. Nós estamos praticamente a cinqüenta anos disso. Nós estamos em 1966, nós vamos para 67 daqui a pouco.

Nesses cinqüenta anos, [vejam] como a maré montante dos pecados tem crescido: pecados individuais, pecados públicos, pecados das nações, pecados das instituições, incomensuravelmente.

E isso nos obriga também a considerar que a ofensa cresceu, e que se a ofensa cresceu a reparação também se fez mais necessária. Então, a oportunidade desse espírito …. silenciam e não movem guerra ao pecado. Quer dizer, a maré montante dos pecados cresceu incomensuravelmente. E isso nos obriga também a considerar que se a ofensa cresceu, a reparação também se faz mais necessária.



* Nossa luta tem um objetivo mais alto do que o próprio espírito de reparação: além da reparação, somos instrumentos da implantação do Reino de Maria

E então [devemos considerar] a oportunidade desse espírito de reparação que nós devemos lutar. Não é o único nem é o principal objetivo de nossa luta o espírito de reparação: nossa luta tem um outro objetivo mais alto do que o próprio espírito de reparação. Nós não queremos apenas reparar a Deus, mas nós queremos ser instrumentos de Nossa Senhora para a implantação do reinado d’Ela nesta terra. Quer dizer, nós queremos acabar com o inimigo d’Ela e queremos que Ela reine, que todos os obstáculos ao reino d’Ela cessem, e que Ela reine inteiramente. Isso é o que nós queremos.

Mas nós devemos querer isso tendo colateralmente o espírito de reparação. Exatamente nós queremos que Ela reine para acabar com os ultrajes que fazem pelo reino do demônio, em que nós atualmente estamos. Nós queremos que Ela reine e nós, portanto, nos indignamos com as ofensas feitas a Ela. E esse espírito de reparação está muito associado à nossa obra e ao nosso espírito.

Nessas condições eu acho que nós devemos pedir ao Francisco que nos obtenha esse espírito, nos obtenha esse desejo ardente de reparar ao Coração Imaculado de Maria, [e] por meio do Coração Imaculado de Maria [reparar] ao Coração Sagrado de Jesus as coisas inenarráveis que eles estão no momento sofrendo. Agora, é preciso dizer bem: dessas coisas inenarráveis, eu tenho impressão que a mais inenarrável é a inimaginável, porque tudo quanto é inimaginável é inenarrável. E o que nós temos de inimaginável são certos pecados que se praticam dentro da Igreja por quem a gente nunca poderia pensar e que constituem o pecado dos pecados.

Então, por isso nós devemos ter um espírito de reparação especial. Ainda há pouco, em baixo, nós estávamos conversando a respeito de quantas coisas se passam na Igreja, que são desedificantes ao último ponto, e muito dolorosas.

É bom, é ótimo, é indispensável mencionar e analisar. Mas é muito conveniente acrescentar a isso o espírito de reparação a Nossa Senhora e Nosso Senhor Jesus Cristo pelo fato. É com isso que o comentário toma aquela piedade, toma aquela compostura, aquela unção que deve sempre conservar. De maneira que aqui fica então uma sugestão para o modo pelo qual nós devemos tocar ou incrementar entre nós o espírito de reparação.

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