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Santo do Dia — 29/3/1966 — 3ª-feira

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Santo Amadeu, Duque de Sabóia, tipo de monarca antes da eclosão da Revolução; não obstante enfermo, foi severo contra os maus; manifestou grande amor aos pobres, pois ainda não fermentava o vírus revolucionário.

* Figura de monarca antes da Revolução * Apesar da má saúde, enérgico contra o mal * Protetor dos pobres sem demagogia

Santo Amadeu de Sabóia

Dele diz [Lagribar?]… [falta palavra] …, na “Vida dos Santos”:

Nascido em Tonon, em 1435, Amadeu IX, Duque de Sabóia, sucedeu a seu pai no governo e desposou Iolanda, irmã do Rei Luís XI, de França, dela tendo sete filhos. Nos anos de seu reinado, no trono do Piemonte de Sabóia, sofreu continuamente ataques epilépticos e teve, por isso, de partilhar o poder com a duquesa, sua mulher.

Amadeu, embora vivendo sempre de acordo com sua alta posição, nunca procurou explorar os súditos, nem fê-los entrar em guerra inutilmente. Entretanto, os libertinos, concussionários e blasfemadores eram constante objeto de sua severidade. Segundo seu exemplo, Francisco Sforza, duque de Milão, impôs multas aos cortesãos que fossem apanhados a praguejar e com as somas assim arrecadadas, construiu uma capela que pode ornar com magnificência.

Observando a extrema bondade que Amadeu testemunhava aos pobres, o mesmo príncipe disse-lhe uma vez: “Percorrendo os vossos Estados, fica-se com a impressão de… [faltam palavras] …viver com os antípodas. Por toda parte, em geral, é melhor ser rico do que pobre, mas nos vossos Estados os pobres é que são honrados”.

O duque praticou sempre a oração e a penitência. Aos que pretendiam dissuadi-lo de jejuar tão rigorosamente, respondia-lhes que nada era tão necessário à sua saúde.

Nos últimos anos da vida agravaram-se os padecimentos. À esposa e seus familiares, que se entristeciam por verem-no assim tão decaído, observava ao terminarem as crises: “Por que vos afligis assim dessa maneira? As humilhações abrem caminho para o Reino de Deus”.

Morreu em Livercheli, Piemonte, na segunda-feira de Páscoa de 1472, com trinta e oito anos.

* Figura de monarca antes da Revolução

Esta figura de rei entra, uma vez que nos estamos dedicando a essas considerações, entra numa linha de um tipo, de um certo tipo de rei que havia antigamente e que, exatamente, a eclosão da Revolução tornou impossível. No tempo em que o espírito revolucionário ainda não tinha penetrado na massa, a autoridade podia mostrar uma bondade e uma afabilidade, uma abertura que depois não lhe foi possível mostrar. E a atitude, por exemplo, de um Felipe II altivo, sobranceiro, esmagador, era uma atitude que a Revolução tornava necessária. Enquanto esses reis e esses duques, anteriores à eclosão da Revolução, podiam ter uma paternalidade, uma abertura, uma misericórdia que está inteiramente de acordo com a idéia da monarquia cristã fora das épocas da Revolução.

* Apesar da má saúde, enérgico contra o mal

Os senhores vêem um desses tipos de rei-duque, pai dos pobres e pai dos povos, exatamente nesse Duque Amadeu de Sabóia. Ele é, antes de tudo, uma pessoa, ele mesmo um pobre e um sofredor. Os senhores estão vendo que ele é um homem epiléptico: um homem que tinha uma [saúde má], é um homem que tinha a saúde tão má que ele era obrigado a compartilhar com a sua esposa o exercício do poder. Entretanto, apesar disso ele tinha uma atuação enérgica. A energia da atuação dele se manifestava no combate aos concussionários, peculatários, atravessadores, a todo mundo que tornava a carestia, para o povo, insuportável e, ao mesmo tempo, ele era o verdadeiro protetor do povo. Um verdadeiro pai do povo, que atendia à miséria etc., etc., mas num ambiente em que essas atitudes absolutamente não despertavam germes revolucionários; pelo contrário, aumentavam o amor do povo para com o rei, para com o chefe de Estado, e, por esse lado, consolidavam um ar de família que o chefe de Estado podia dar em seus Estados.

* Protetor dos pobres sem demagogia

Daí exatamente o comentário insuspeito do Duque de Milão, atravessando os Estados do Duque de Sabóia, quando ele declarou que, nos Estados do Duque de Sabóia, a situação dos pobres ainda era melhor que a situação dos ricos. Não era para abater os ricos, não era para acabar com a nobreza, não era para acabar com as desigualdades sociais, mas era para dotar a sociedade de um ambiente de vida em que os pobres não fossem sofredores, em que houvesse o menor número possível de pobres etc., etc., e que a mansidão e a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo se irradiasse por todo o corpo social. Aí os senhores têm um perfil de príncipe que é verdadeiramente extraordinário e que deve incutir a nossa profunda devoção e a nossa profunda admiração.

De outro lado, acentua-se muito bem aqui que ele vivia de acordo com sua dignidade; que ele, de nenhum modo, demagogicamente, degradava a sua própria dignidade para atender aos pobres. Quer dizer, é um homem de um equilíbrio perfeito nessas coisas.

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