Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 11/3/1966 –
6ª feira [SD 164] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 11/3/1966 — 6ª feira [SD 164]
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Um rei católico supera um não católico como um rei está acima de um particular — Assim também é um católico com relação a um não católico
Papa, confessor e Doutor da Igreja, considerado o fundador da Idade Média no Ocidente. Século VI.
Biografia dada por D. Guéranger:
Durante os treze anos que ocupou o lugar de Pedro, o mundo cristão do Oriente e do Ocidente padeceu emudecido de admiração pelas virtudes desse chefe incomparável e o nome de Gregório foi venerado entre os povos. A França tem o dever de guardar-lhe uma fiel recordação: ele amou nossos antepassados e profetizou a grande cultura de nossa nação, pela fé. De todos os povos novos que se haviam estabelecido sobre as ruínas do Império Romano, a raça francesa foi, por muito tempo, a única a professar a crença ortodoxa, e este elemento sobrenatural valeu-lhe os altos destinos que lhe tem assegurado uma glória e uma influência sem igual. Seguramente, para os franceses, é uma honra da qual devemos ficar sempre orgulhosos, de encontrar nos escritos de um Doutor da Igreja essas palavras, dirigidas desde o século VI, a um príncipe de nossa nação: Carta de São Gregório Magno, ao rei dos francos Guildeberto: “Como a dignidade real eleva-se acima dos outros homens, assim domina sobre todos os reinos dos povos o predomínio de vosso reino. Ser rei, como tantos outros, não é coisa difícil. Mas ser rei católico, enquanto os outros são indignos de sê-lo, isto tem uma enorme grandeza. Como brilhar, pelo esplendor de sua luz um lustre refulgente, na sombra de uma noite escura, assim resplandece e refulge o esplendor de vossa fé em meio às numerosas perfídias das outras nações”.
* Um rei católico supera um não católico como um rei está acima de um particular — Assim também é um católico com relação a um não católico
Esta é uma carta realmente admirável. Ela diz que o rei dos francos é um rei que está acima de um particular. A mesma preeminência que um rei qualquer tem sobre um particular, o rei da França tinha, naquele tempo, sobre os outros reis. E dá a razão: não é por ser o rei da França, mas é por ser o único monarca católico daquele tempo. E um monarca católico está acima dos monarcas não católicos como um rei está acima de um particular.
Os senhores imaginem que, nesta época de ecumenismo, disséssemos o seguinte: um católico é tanto mais do que outro não católico, que é como um rei em relação aos súditos. Quantas pessoas considerariam isto um dito exagerado, agressivo, arbitrário?
Isto está dito numa carta que tem solenidade porque está escrita para um rei. E é um papa que é santo, portanto, foi canonizado pela própria Igreja por ser herói nas virtudes teologais da fé, esperança e caridade, nas virtudes da justiça, temperança, fortaleza e prudência. Portanto, não podia estar errado. Mas nós perdemos esta força de fé, perdemos esse arrojo de fé, somos débeis em matéria de fé e dela não somos capazes de tirar as conclusões a que ela de fato se representa.
Mas o papa disse isto, e se tivesse dito mais do que isto teria razão. Porque se um rei é muito mais do que um plebeu, um vivo ainda é muito mais do que um morto. E de fato, o católico está para o não católico como o vivo está para o morto, porque ele tem a vida da fé, tem a raiz de todas as virtudes, que é a fé, enquanto o não católico não tem essa raiz.
Os senhores vêem como isto contém verdades que estão fora do clima ecumênico que se espalha por toda a parte.
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