Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 8/3/1966 –
3ª feira [SD 164] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 8/3/1966 — 3ª feira [SD 164]
Nome
anterior do arquivo:
O nome de Jesus esmaga o inferno e dá glória a Deus de modo nada ecumênico nem demo-cristão * O tormento do demônio no Inferno dá glória a Deus no Céu e deve nos alegrar * O desejo de reparar deve ser maior do que o alegrar-se nesta terra de luta, reconhecendo a hierarquia de valores muito verdadeira
… e amanhã, 9 de março, festa da Santa Francisca Romana.
Santa Francisca Romana, a respeito dela diz Rohrbacher na “Histoire Universelle de l’Eglise Catholique”:
Era uma dama romana de alta linhagem, que após 40 anos de perfeita vida conjugal, faleceu viúva, na congregação que fundara. Célebre pelas revelações proféticas que recebeu e pelas visões sobre os anjos e os infernos. Século XV.
A santa viu, entre os demônios, o cumprimento literal de que diz São Paulo, “que ao Nome de Jesus todos joelhos se dobrem no céu, na terra e nos infernos.”Quando na terra alguém pronuncia o nome de Jesus com devoção, todos os demônios, tanto aqueles que estão espalhados sobre a terra e nos ares, quanto aqueles que estão mergulhados no abismo, dobram os joelhos não por sua própria vontade, mas malgrado sua vontade.
Aconteceu um dia Santa Francisca, conversando com seu pai espiritual, pronunciou o nome de Jesus. Logo os demônios, que ela via sob formas diversas, tocaram à terra sua boca com grande respeito. Quanto mais a pessoa que pronuncia esse Nome adorável é perfeita, mais os demônios ressentem. Quando os pecadores blasfemam com esse Nome, ou O pronunciam em vão, os demônios são sempre obrigados a reverenciá- lo contra a sua vontade. Mas não são afligidos como quando se louva e se bendiz esse nome. Cada vez que esse nome é pronunciado, não importa como, todos os anjos e santos do céu fazem uma genuflexão cheia de respeito. Se Ele é pronunciado como uma homenagem e bênção, sobretudo por pessoas agradáveis a Deus, essa genuflexão é acompanhada por uma alegria indizível. Acontece o mesmo com o nome de Deus e da Santíssima Virgem, segundo os méritos das pessoas que os pronunciam.
* O nome de Jesus esmaga o inferno e dá glória a Deus de modo nada ecumênico nem demo-cristão
Está aí uma ficha muito pouco democrata-cristã e muito pouco ecumênica, porque nos fala de demônios e nos mostra uma conduta de Deus em relação aos demônios, da qual a gente tinha naturalmente uma idéia, mas que o atual fato concreto dá um pormenor saboroso.
Os senhores podem imaginar para um espírito orgulhoso e rebelde como o demônio, o que que pode ser a obrigação em que ele se encontra de ter uma atitude de reverência, como se fosse uma genuflexão, cada vez que alguém pronuncia o nome de Jesus?
Então, é tudo quanto é Inferno, as vastidões ao mesmo tempo ocas e cheias, sonoras, mudas e silenciosas daqueles espaços, nessas vastidões reboa o nome de Jesus, e mudo como é o demônio que está encarcerado lá, precito, etc., é obrigado a esboçar uma reverência involuntária e interior. Porque evidentemente falar aqui em dobrar o joelho, em se tratando de puros espíritos, é uma coisa que tem um sentido simbólico de uma reverência interior. Os senhores podem imaginar o ódio que deve dar a eles.
Mas também por que é que eles fazem isso?
Eles fazem porque Deus obriga. Quer dizer, cada vez que o nome de Jesus… agora, por exemplo, foi pronunciado Jesus; ou então o nome Maria foi pronunciado agora, Maria. A canalhada toda tem que se dobrar. Quer dizer, e é de cada vez mais uma vez.
E mais ainda: a alegria que nós temos em que eles sejam obrigados a isso, dá glória também a Deus, e Deus triunfa perpendicularmente assim, de achatar de esmagar, o que é exatamente o contrário de um triunfo ecumênico e demo-cristão, assim vário, polimorfo, indeciso. Não, não: é ali, pam! Está compreendendo? Tem que obedecer e acabou. E não se discute. Obedece com tormentos. E eu tenho a impressão de que cada vez que eles são obrigados a fazer isso, o tormento deles recrudesce.
* O tormento do demônio no Inferno dá glória a Deus no Céu e deve nos alegrar
Agora, é legítimo a nós alegrarmo-nos de que o tormento deles recrudesça? Não se deveria dizer que não se deve desejar o tormento de ninguém? E, portanto, também não o tormento do demônio?
É o contrário. Quando se trata de Deus que quer que ele sofra esse tormento, nós nos devemos alegrar com que isso aconteça, porque nós devemos amar o cumprimento da vontade de Deus no Céu, na Terra e no Inferno. E se Deus quer que isso aconteça a eles, se a justiça de Deus se aplaca e se satisfaz com isso, isso é o que nós devemos desejar. E a gargalhada que nós demos há pouco é uma gargalhada boa, porque é o esmagamento de quem não presta e feito por ordem dAquele que é tudo, e que é, por excelência, por essência, a Virtude e o Bem.
De maneira que isso é bom assim e a coisa é para rir mesmo, é para pisar e para esmagar, esmagar mesmo.
Isso dito num auditório demo-cristão causaria naturalmente um frison. Esse frison indicaria solidariedade. Porque no Céu, no Céu é precisamente o contrário. Cada vez que os demônios se dobram, no Céu há também alegria. E há uma enorme reverência de todo mundo.
Então aqui está uma outra expressão da coisa: pronunciamos agora os nomes santíssimos de Jesus e de Maria com devoção, e uma alegria enorme passa pelo Céu inteiro. Essa alegria do Céu é porque esse nome foi pronunciado aqui, mas é também porque em baixo esse nome esmagou, esse nome triturou, esse nome quebrou.
* O desejo de reparar deve ser maior do que o alegrar-se nesta terra de luta, reconhecendo a hierarquia de valores muito verdadeira
Agora, há uma coisa que caracteriza um pouco o espírito do Grupo, e que é uma coisa ingrata de dizer, mas que é positivamente assim. Alguém dirá: “Dr. Plinio, esse seu comentário não está bem” … Se alguém dissesse seria demo-cristão. Eu não acho que haja aqui alguém que diga isto, mas pode haver em alguém aqui um veio demo-cristão que sussurre isto: “Dr. Plinio, esse seu comentário está certo, mas não tem bem a linha. Porque o senhor manifesta mais dinamismo, mais alegria, ao ver os demônios achatados, do que em ver o nome de Deus glorificado pelos santos. Ora, Deus recebe muito mais glória da homenagem voluntária dos santos do que da homenagem involuntária dos demônios. De maneira que se o senhor ama verdadeiramente a glória de Deus, deve alegrar-se mais com a homenagem voluntária dos santos, do que com a homenagem involuntária dos demônios. E no senhor nota-se, pelo contrário, uma espécie de vibração nos demônios arrasados e não tão grande vibração — não é o ponto de sensibilidade de sua alma — pensando nos anjos e nos santos glorificando a Deus. Dir-se-ia que os pontos de atonia e sensibilidade de que o senhor fala no diálogo estão trocados. Ao que é que o senhor responde a isso, Dr. Plinio?”.
E eu diria o seguinte: que se eu tenho um amigo que recebe ao mesmo tempo, numa mesma sala, cheia de gente, uma boa notícia, por exemplo, é aniversário dele e a mãe dele, por exemplo, lhe manda um telegrama e ele recebe naquela hora, e ao mesmo tempo um criado lhe diz uma grosseria, o normal é que eu me indigne mais com a grosseria do criado do que me alegre com o telegrama que a mãe mandou. Porque o telegrama que a mãe mandou é uma coisa que não… vamos dizer, é uma ofensa, é uma coisa que enche a ele inteiramente e que precisa de uma assistência minha para ele gozar aquilo, enquanto o desaforo que ele levou pede uma reparação.
E por causa disso, o normal é que o instinto de reparar seja maior do que o movimento de alegrar-se quando a gente vive nesta terra e nesta vida de luta, sem deixar de reconhecer esta hierarquia de valores muito verdadeira. E por causa disso, o normal é que quando a gente faz meditações ao pé da cruz, a gente pensa muito mais nas ofensas que Nosso Senhor está recebendo da canalha do que na reparação maravilhosa que Nosso Senhor está oferecendo ao pé da cruz.
Se a gente fosse seguir o raciocínio que eu disse há pouco, de mais se alegrar com o louvor do que se entristecer com o ultraje …
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