Santo
do Dia – 2/2/1966 – p.
Santo do Dia — 2/2/1966 — 4ª-feira
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Santo Anacário, Bispo e Confessor, apóstolo da Dinamarca; era bom monge, santificou-se ante a morte de Carlos Magno; o mal atrevido e caluniador sempre combate a santidade; indiferente às críticas, o santo monge prepara-se para a missão no recolhimento.
* Reis “convertedores” * Zelo evangelizador do Imperador * A morte de Carlos Magno santifica o bom monge * Os santos sempre dividem * Em qualquer época há gente ruim e atrevida * Não responde às críticas, recolhe-se e reza pela missão
Santo Anacário, Bispo e Confessor
[Pe.] Rohrbacher dá a respeito dele as seguintes notas:
Procurava o Imperador Luís, o Bom, um missionário para evangelizar os dinamarqueses e normandos, satisfazendo assim o pedido de Haroldo, rei da Dinamarca, que se convertera com toda a sua família. Valla, abade de Corbia, citou o nome de Anacário, monge de excepcional virtude, cuja piedade tornara-se ainda maior após a morte de Carlos Magno, que lhe deixara profunda impressão.
O santo religioso recebeu ordem de se apresentar à corte. Mal chegou, Valla lhe propôs a missão da Dinamarca, declarando-lhe, contudo, que era unicamente senhor de si mesmo para aceitar ou recusar sua penosa missão. Anacário, que só buscava [a] oportunidade de conquistar a glória de Deus, respondeu sem vacilar que aceitava com júbilo.
O imperador, ao saber da resposta, ficou tão satisfeito quanto edificado. Quando, porém, a decisão de Anacário tornou-se pública, falou-se diversamente: alguns não se cansavam de admirar a coragem do santo religioso, que se arrancava à pátria e aos estudos para ir viver no meio de bárbaros idólatras, sem outro intento que o de os conquistar para Deus; outros lhe atribuíam intenções menos puras e o censuravam com violência; alguns até tratavam de o desviar de resolução.
Assim encontra a obra de Deus, por toda parte, sempre contradições. Às vezes, entristece-nos ver outros fazer um bem que nós, pessoalmente, não temos coragem de fazer. Anacário, a fim de não responder a tão vãs palavras e preparar-se para o apostolado na solidão, retirou-se para uma vinha vizinha de Aix-la-Chapelle, onde se entregou à prece e à leitura.
Infelizmente a nota bibliográfica deixa em suspenso, porque termina a ficha no momento em que ele vai executar a sua missão, quer dizer, que a ficha me dá apenas elementos para fazer o comentário de uma cena histórica. Mas como cena história está bastante bem apanhado, e é como nascia a vida de um missionário, a obra de um missionário naquelas épocas tão remotas. E há alguns comentários a fazer aqui, que se prendem a comentários anteriormente feitos no Santo do Dia.
* Reis “convertedores”
Em primeiro lugar, essa figura do Rei Haroldo, da Dinamarca, que se convertera com toda a sua família e que queria, por sua vez, converter o povo, é uma figura a mais na galeria grandiosa desses reis convertedores, fundadores de nações, que têm uma ação tão importante em toda a história da Idade Média. Esses reis fundadores fundam nações e são santos, como outros santos fundaram Ordens Religiosas e famílias espirituais. E a gente vê, assim, toda a fecundidade da Idade Média nascer da única fonte que [realmente] é fecunda em obra de salvação e de Civilização Cristã, que são os santos da Igreja de Deus.
* Zelo evangelizador do Imperador
É também interessante ver o zelo do Imperador Luís, o Bom, pelas missões. Ele é imperador do Sacro Império Romano e está no seu papel, porque o próprio do imperador é promover e estimular a Fé. Então, ele procura um abade de Corbia, chamado Valla, para perguntar quem seria um bom missionário para atender ao pedido do bom Rei Haroldo, da Dinamarca. Então vem como resposta que era muito bom o monge Anacário.
* A morte de Carlos Magno santifica o bom monge
Por que era muito bom? Porque ele já era anteriormente bom, mas tinha melhorado, tinha se santificado com a morte de Carlos Magno, que lhe deixara profunda impressão. Vejam que beleza um homem que se santifica, que faz progressos a mais na vida espiritual, vendo morrer o grande Carlos Magno! E que maravilha um imperador cuja morte é tão edificante, que um santo, Santo Anacário, dá passos grandes na vida espiritual considerando a morte dele. Os senhores vêem aí uma união do Império com a santidade, do Império com o sacerdócio, para a realização da missão da Civilização Cristã e da Igreja, num nível altíssimo e que é uma verdadeira maravilha.
Mas o que aconteceu, então, com Anacário? Anacário chegou e o Imperador Luís, o Bom, lhe propôs para ir à Dinamarca, mas dizendo que ele era livre para ir ou não ir, pois nem o abade nem ele, que tinham poder sobre Anacário a títulos diversos, o obrigavam a ir. Mas Anacário quis ir. E então ele foi.
* Os santos sempre dividem
E agora os senhores vêem aparecer uma outra coisa curiosa, que é uma divisão. Os santos sempre dividem. Não houve santo nenhum que não causasse em torno de si grandes divisões. Um homem, por exemplo, como São João Bosco, que passou a vida inteira cuidando de meninos e que, afinal de contas, fez uma Obra que só podia ser apoiada — é verdade, também, que era um polemista vigoroso contra o protestantismo —, mas até Dom Bosco sofreu atentados a tiros, para matá-lo. Não há santo nenhum que não tenha dividido. Agora, por que essa divisão? É porque enquanto alguns louvavam o ato dele, outros censuravam o ato. E entre outros argumentos dados contra o ato, estava que era uma loucura ele deixar o conforto de sua vida de estudos para se meter no meio de bárbaros idólatras.
* Em qualquer época há gente ruim e atrevida
Os senhores estão vendo, por aí, que mesmo nesse tempo, ao lado de gente boa havia gente ruim, e que essa gente ruim combatia o bem. E que não devemos olhar esses santos, como quem diz: “Bem, eles viviam na Idade Média. Tal será, na Idade Média, que a gente não fosse santo, onde tudo colaborava para a santidade!”. É um erro. O que caracterizou a Idade Média não foi que a impiedade não existisse, não foi que ela não tivesse muitas ousadias; ela existiu e ela teve muitas ousadias. O que caracterizou a Idade Média é que, enquanto ela durou, a santidade venceu sempre, a causa do bem venceu sempre porque tinha defensores diferentes dos fracalhões, desbotados e poltrões que são a imensa maioria dessa pequena minoria que hoje defende a causa do bem. Mas aí os senhores vêem como o espírito mundano, o espírito de oportunidade, o espírito de comodismo censurava os verdadeiros lances de heroísmo, mesmo na Idade Média.
* Não responde às críticas, recolhe-se e reza pela missão
A resposta de Santo Anacário: ele não deu a menor atenção a isto. Pelo contrário, retirou-se a uma vinha vizinha de Aix-la-Chapelle, a cidade onde Carlos Magno morreu, e entregou-se ali à prece e à leitura. Nós não sabemos o resto, a não ser o essencial: que ele foi bispo da Dinamarca, santo, canonizado, e que está na glória de Deus e goza da honra dos altares. Quer dizer, ele venceu e a Dinamarca se cristianizou. É o suficiente saber para compreendermos toda a glória, toda a extensão da glória de Santo Anacário.
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