Santo do Dia (Rua Pará) – 24/1/1966 – 2ª feira [SD 157] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Rua Pará) — 24/1/1966 — 2ª feira [SD 157]

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Nosso Senhor coloca São Paulo diante de sua própria consciência, sem ter o que responder * O apóstolo responde com sua radicalidade, tremendo e atônito, conduzido cego, como uma criança

* Nosso Senhor coloca São Paulo diante de sua própria consciência, sem ter o que responder

essa pergunta se faz a uma pessoa que não tem o que dizer. Ainda mais quando a pessoa caiu do cavalo, que se vai conversar com essa pessoa. A pessoa senta no meio da areia e começa a fazer teologia com Deus. É uma censura: “ Suas razões não valem, não são boas”.

Aqui está a questão: dize-me por quê. Lembra um pouco aquela pergunta de Nosso Senhor durante sua Paixão ao homem que o esbofeteou: “Se eu falei mal, dize-me em quê. Se não falei, por que me feriste? Por que me esbofeteaste?”. Aqui a coisa vem mais acrescida. É a pergunta: por que me persegues? Quer dizer: “Abra os olhos! Atente para sua consciência! Veja que você está fazendo uma ação, que se você fizer um exame de consciência probo, mostra que você não tem razão”. Esse é o sentido da coisa.

Tanto São Paulo não tinha razão nenhuma para dar, que ele não deu razão. Ele perguntou: “Quem és tu, Senhor?”. E logo falando “Senhor” porque sentia quem era.

E Nosso Senhor responde: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Está a coisa clara. Esse “a quem tu persegues”quer dizer: “Veja quem eu sou, vê quem é que tu estás perseguindo. Portanto, vê qual é o teu crime”. Depois uma frase um tanto misteriosa. “Dura coisa é para ti recalcitrar contra o aguilhão”.

Aguilhão é o vento. Recalcitrar contra o vento, o opor-se ao sopro do vento é para ti uma coisa…Vê-se que é o sopro da graça, que há tempo vinha conduzindo a Paulo para se converter. Ele recalcitrava.

O contexto inclina o espírito, pelo menos, a uma hipótese desta natureza.

* O apóstolo responde com sua radicalidade, tremendo e atônito, conduzido cego, como uma criança

São Paulo respondeu com a radicalidade dele. Não perdeu tempo. Viu que estava errado, pôs-se logo ao serviço de Deus. Ele perguntou: “Senhor, que queres que eu faça?”.

Mas ele perguntou como? Dizem os Atos “tremendo e atônito”. Quer dizer, o murro tinha valido. Estava embasbacado e com medo. Levou um tranco, passou por uma minúscula bagarre, por uma bagarre de alguns minutos que o revolucionou inteiro, que sacudiu sua alma. Disse: “Senhor, o que queres que eu faça?”, e o Senhor lhe respondeu: “Levanta-te, entra na cidade e aí eu te direi o que convém fazer”.

Por que Nosso Senhor não lhe disse o que convinha fazer ali na hora? E todo este diálogo foi na caída por terra: “Levanta-te e vai à cidade. Lá saberás o que tens a fazer”. Em outros termos: “Você tem que receber as minhas vontades aos poucos, com sujeição, com humildade, como uma criança recebe as ordens de seu superior. Vai, portanto, tateando e passo ante passo, pé ante pé, vá vendo o que é que eu quero, porque eu sou seu Senhor e mando em você”.

(…)

Fica como um servo, porque o outro é que manda e ele não pode fazer nada. Então, ele não só não sabia o que Deus queria dele, mas podia ser inclusive que Deus quisesse dele que ele ficasse cego a vida inteira.

E ele, o grande Saulo, fariseu, excelente e ilustre, ia entrar como um cego, como uma criança, conduzido por outro, na cidade de Damasco. Quer dizer, era a quebra completa do orgulho do homem.

O trecho datilografado termina assim:

Eles porém, levando-o pela mão, introduziram-no em Damasco.

Quer dizer, ele entrou em Damasco como um cego.

E ali ele esteve alguns dias cego, até que lhe tirassem as escamas dos olhos.

É curioso este outro fato aqui. Os que o acompanhavam ouviam a voz, mas não viam ninguém. Eles tiveram o suficiente conhecimento do fato, para serem testemunhas de que o fato tinha acontecido. Mas eles não viam ninguém, o que é muito freqüente nas aparições. O personagem principal vê e ouve, e alguns circunstantes que servem de testemunha, ouvem e não vêem. Até em Fátima houve isto. Não é uma coisa comum, não é uma coisa invariável, mas é uma coisa muito freqüente nas aparições.

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