Santo do Dia – 15/1/1966 – p. 2 de 2

Santo do Dia — 15/1/1966 — Sábado [APC1_19_422=RG]

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Não havendo hoje santo do dia, pediram-me que fizesse um comentário a respeito da relação — eu me lembro que há muito tempo eu ofereci isso — relação entre os dizeres de um canto que o nosso coro executa, e que é chamado Virgo Pulcherrima, e dão os dizeres e os elogios que nesse canto se fazem a Nossa Senhora, e a relação disso com a Igreja Católica.

O texto é: “O Virgo Pulcherrima, o Mater Melíflua, o Dei filia”. São as três primeiras invocações.

Então, isto que se diz de Nossa Senhora, que aplicação tem à Igreja Católica?

A Igreja Católica, quando Ela é considerada comparativamente às outras instituições da terra, quer dizer, aos reinos, às repúblicas, às instituições temporais de toda ordem, Ela tem um caráter virginal, em que Ela se destaca da mãe de família, ou em outras circunstâncias, como a virgem se destaca da mulher impura.

E por que isto? Porque, embora a Igreja Católica tenha um aspecto humano, Ela de fato, em seus fundamentos, Ela é divina. Ela é divina em sua doutrina, Ela é divina na sua organização, Ela é divina na vida da graça que circula dentro d’Ela, e por causa disso os aspectos humanos da Igreja Católica são aspectos fugazes, são aspectos secundários, são aspectos que não dão a nota dominante d’Ela.

Na sua verdadeira nota dominante, a Igreja Católica é Virgem como Nossa Senhora é Virgem, e é uma Virgem Pulcherrima, porque a Igreja Católica é toda refulgente de beleza: a sua doutrina é linda, a sua organização é linda, a sua liturgia é linda, os seus costumes são lindos, as suas Ordens Religiosas são lindas, a matriz de toda beleza existe na Igreja Católica, de tal maneira que se pode dizer que toda beleza que existe fora da Igreja, ou foi criada para Ela, por Ela, ou foi criada por Deus para Ela, para realçar a beleza d’Ela.

Mas verdadeiramente, em comparação com todas as instituições do mundo a Igreja Católica é uma Virgem Pulcherrima.

Como, além de Pulcherrima, Ela é Mãe Melíflua, quer dizer, Aquela da qual escorre mel, da qual sai mel. Realmente, Nossa Senhora… a Igreja Católica é Melíflua, porque embora a Igreja, levada pelo amor a seus filhos, seja severíssima em relação ao mal, Ela em relação ao pecador de servis endurecida, em relação ao pecador que sustenta que o mal que ele faz é bem, e que quer induzir os outros ao pecado, em relação a esses Ela é de um vigor insuperável. Mas em relação ao pecador fraco, ao pecador que reconhece o mal que faz, ao pecador que procura não induzir os outros ao pecado, mas que num canto da igreja, como o publicano, bate no peito, pede perdão, a Igreja Católica com suas leis, com seus ensinamentos, com seus santos, Ela é dulcíssima, Ela espera, Ela perdoa, Ela convida ao arrependimento, ela acaricia, Ela alenta, Ela evita o desespero, e realmente em relação a esses então Ela é Mãe doce. E se Ela é Mãe doce para com os pecadores, quanto mais Ela é doce para com os filhos fiéis!

A Igreja Católica é cheia de indulgência, cheia de misericórdia, Ela dispensa aos borbotões os maiores tesouros, Ela está aberta dia e noite para receber todo o mundo. O trato normal da Igreja com cada alma é um trato de muita consideração, de muita deferência, de muita afabilidade, no que a Igreja Católica também se parece com Nossa Senhora.

E a terceira exclamação é: “O Dei filia”. Nossa Senhora era Filha de Deus.

Há alguém ou alguma instituição a que mais se possa aplicar o epíteto de Filha de Deus do que à Igreja Católica, fundada diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, e da qual Ele é Ele mesmo a Cabeça Mística? A Igreja Católica é por excelência entre todas as coisas da criação a Filha de Deus, como Nossa Senhora é também a Filha de Deus por excelência. Quer dizer, a reversibilidade se faz inteira.

Mais adiante vem: “Ó Stella Claríssima, ó Rosa Puríssima”. Quer dizer: Ó Estrela Luminosíssima!

Esta invocação de Nossa Senhora como estrela, é habitualmente ligada à idéia do mar. Nossa Senhora era Estrela do Mar. Ela fica à noite, quando os navegantes correm todos os riscos da vida marítima, incerta durante a noite, Ela é que brilha por cima de tudo. Nossa Senhora é que indica o caminho da vida, Nossa Senhora é que ilumina no meio das trevas.

A Igreja Católica não é bem isso também? Ela é uma estrela no firmamento. Ela não muda a sua doutrina, Ela jamais deixa de existir, Ela jamais se fecha aos olhos de todos os homens, e todas as instituições da terra, perecíveis, se agitam pelo mar da História, e tantas afundam, tantas envelhecem, tantas passam por transformações e que perdem a sua própria identidade, mas a Igreja Católica, como Estrela do Mar, está constantemente fixa, luminosa na noite desta vida, para nos conduzir até a eternidade. Ela é portanto bem exatamente uma Estrela do Mar.

Depois diz: “Ó Rosa Puríssima!” A rosa tem uma forma de beleza que consiste na beleza sem jaça. A rosa perfeita não tem feiúra nenhuma. A rosa perfeita é escoimada de qualquer coisa que atente contra a sua estética. A mesma coisa se pode dizer da Santa Igreja Católica, que nos seus aspectos divinos, é como diz a Escritura uma dama sem rugas nem mácula. Ela não tem nada de envelhecimento, Ela não tem nada de decrépito, Ela não tem nada de feio nos seus aspectos divinos, Ela é verdadeiramente uma rosa cheia de beleza.

Assim ficam aqui essas cinco primeiras analogias, e as outras analogias eu darei no momento oportuno, porque são tantas ao longo dessa estrofe que seria impossível esgotá-las nessa noite.

Então me lembrem, que depois, noutra noite, eu continuo estas analogias.

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