Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 11/1/1966 – 3ª feira [SD 157] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 11/1/1966 — 3ª feira [SD 157]

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São Biscop adornou a Inglaterra com beleza e arte religiosa que se difundiria para a vida civil, foi contemplativo sem deixar o espírito guerreiro

O Santo do dia de amanhã é o seguinte:

São Bento Biscop, de nobre família cristã, nascida no Northumberland, em 621, foi educado na corte do rei de Inglaterra. Ingressou no exército, distinguindo-se particularmente no manejo das armas. Escolheu-o rei Oswi para seu ajudante oficial, e nas campanhas empreendidas por esse monarca, Bento tomou parte saliente. Tendo embora recebido prêmios e provas de estima por motivo de seu valor no combate e por sua fidelidade ao rei, Bento pediu licença do serviço militar e ingressou na vida religiosa. Após uma peregrinação a Roma, voltou à Inglaterra, dedicando-se vários anos ao estudo e à oração. Professou depois na Ordem de São Bento, fundou numerosos mosteiros e reerguendo o fervor naqueles em que a fidelidade à regra havia esmorecido. Foi grande auxiliar de São Teodoro e Santo Adriano nas suas atividades na Inglaterra.

Foi São Bento Biscop que introduziu na ilha inglesa vitrais e pinturas nas igrejas, assim como a música e o canto sacro. Mandou vir da Itália arquitetos e artistas para construção e ornamentação dos templos. Para regularizar as solenidades religiosas escreveu um livro: “Da celebração das Festas”.

Acometido de dolorosa paralisia, que pôs rudemente sua paciência à prova, São Bento Biscop veio a falecer em 690.

* São Biscop adornou a Inglaterra com beleza e arte religiosa que se difundiria para a vida civil, foi contemplativo sem deixar o espírito guerreiro

Para começar por tomar a figura de São Bento Biscop no período de sua vida em que ele foi religioso, é interessante notar a missão especial dele. Quer dizer, ele foi um religioso que, pelo tempo em que nasceu, pertencia à era dos santos que fundaram nações. Esses santos que fundaram nações eram substituídos ou sucedidos por santos que organizavam nações. Então ele foi evidentemente um santo que adornou a nação.

Ele fundou as manifestações artísticas da vida religiosa da Inglaterra, mandando vir da Itália artistas com uma verdadeira inspiração católica, mandando vir vitrais, mandando vir músicos, estabelecendo uma ordem nas festas religiosas, que eram as únicas festas que no tempo se conheciam e, com isso, ia introduzindo elementos de beleza dentro da vida religiosa. Elementos de beleza esses que depois se difundiriam da vida religiosa para a vida civil. Porque em todos os movimentos da História da Cristandade, as coisas começam na vida religiosa, e se difundem através da vida religiosa para a vida civil. E por essa forma ele foi então o adornador da Inglaterra de seu tempo.

Esse bispo adornador, entretanto, não foi um adornador de adornos emolientes, de adornos tolos, de adornos fúteis. Esses adornos tinham os dois grandes elementos de inspiração que todo verdadeiro adorno deve ter:

Antes de tudo, a meditação, a reflexão, a profundidade de quem leva uma vida de um contemplativo e que pensa nesse adornar com toda profundidade de um pensamento, dando à beleza uma riqueza de conteúdo e uma riqueza de expressão que não faz dela apenas algo que agrade aos olhos e aos ouvidos, mas algo que fale ao pensamento.

De outro lado, esse adornar tinha nele as reminiscências do antigo guerreiro. São os homens fortes, são os homens que sabem lutar, são os homens empreendedores, os homens que têm iniciativa, esses são os que presidem à aurora e à ascensão da arte.

Os homens moles, os homens fracos, os homens que têm horror à luta, esses são os que vivem na época da decadência da arte, e que produzem a decadência da arte. Os santos que meditam profundamente, que contemplam profundamente, e que sabem ser guerreiros, esses estão na origem de todo surto artístico verdadeiro.

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