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Reunião para o Grupo da Martim 1 — 1966
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Carta Circular aos Amigos da Cruz
Eh! Vamos ler um trecho da Carta Circular aos Amigos da Cruz de São Luis Grignon de Montfort.
Amigos da Cruz que estudais em Deus Crucificado, o mistério da Cruz é um mistério desconhecido dos gentios, repelido pelos judeus e desprezado pelos hereges e pelos maus católicos, é porem o grande mistério que deveis aprender praticamente na escola de Jesus Cristo e que somente em sua escola podeis aprender, procurareis em vão em todas as Academias da cidade um filosofo que o haja ensinado, consultareis em vão a luz dos sentidos e da razão, não achareis senão Jesus Cristo que, com Sua graça vitoriosa vos faça poder saborear este mistério. Tornai-vos hábeis pois nessa ciência supereminente sob a direção de tão grande Mestre em que enche todas as outras ciências, pois ela as compreende todas soberanamente é ela a nossa filosofia natural e sobrenatural, nossa teologia divina e misteriosa, nossa pedra filosofal que muda pela paciência os metais mais grosseiros em metais preciosos, as do as mais agudas em delicias, as pobrezas em riquezas, as humilhações mais profundas em glorias, é aquele dentre vos que melhor sabe levar a sua Crua mesmo que não conheça nem o A nem o B é o mais sábio de todos. Escutai o grande São Paulo que ao voltar do terceiro Céu onde conheceu os mistérios ocultos aos próprios anjos, esclamava não saber e não querer saber senão Jesus Cristo crucificado, regozijai-vos pois pobre idiota ou pobre mulher sem espírito e sem ciência se saberdes sofrer alegremente, sabereis mais que um doutor da Sorbonne que não sabe sofrer tão bem quanto vós.
O que está no fundo deste pensamento, há muitos pensamentos aqui mas de um dobro deste conjunto de pensamentos é um principio de que o amor a Cruz confere a alma uma categoria, uma qualidade pela qual ela se muda numa pedra filosofal, a pedra filosofal admitia os antigos que era uma pedra misteriosa que pelo seu simples contato transmudava em ouro as matérias mais vis.
O amor a Cruz é comparado por São Luis Grignion à pedra filosofal, quer dizer a pessoa que tem a amor a Cruz de Cristo e daqui a pouco eu vou dizer qual é o conteúdo desse amor.
A pessoa que tem o amor da Cruz de Cristo se transforma completamente, e de uma alma banal, de uma alma vulgar , de uma alma sem horizontes, de uma alma tíbia, de uma centralizada na preocupação consigo mesma se transforma pelo amor a Cruz numa alma generosa, numa alma grande, numa alma sobrenatural e os defeitos como que desaparecem, eu digo como que, porque é claro que a raiz do defeito fica sempre mas, o consentimento cessa, e a alma se vai portanto libertada da responsabilidade moral pelo seus defeitos é o que está escrito naqueles versos de São Luis Grignon que Dona Estela Dourado desenho em letras góticas para nós e que é o seguinte: “Sans la croix, l´âme est lâche et trainante”. Sem a cruz a alma é mole, é covarde e não tem forças. Qual é a segunda parte? Não me lembro bem como é? “La croix la rend fervante pleine de vigueur”.A cruz a torna fervorosa e cheia de vigor, agora o que é este amor a Cruz? É claro que como objeto imediato é amor a dor, a Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto crucificado a paixão e dores e a morte de Nosso senhor Jesus Cristo, é o amor a Cruz p objeto material do suplicio dEle, mas é por detrás disso a aceitação do principio, de que depois do pecado original é necessário que o homem sofra e que o homem que não está com a alma resolvida a enfrentar os sofrimentos e é de fato, é sentir o peso dele sobre si, é cumprir o seu dever que esta alma não vale nada, enquanto que, se ela tem esta disposição de aceitar o sofrimento, se aceitar a cruz ela então se transmuda completamente.
Grandes cruzes, pequenas cruzes conforme a escola espiritual de cada um, mas, o que é preciso é a renuncia ao mito de que esta vida deve passar sem cruz, é a renuncia a este horror de qualquer sofrimento, e a formação de uma alma forte neste sentido da palavra que em união com Nosso Senhor Jesus Cristo e com as lagrimas de Maria, obtém energia para sofrer aquilo que a providência dela pela. Grandes sofrimentos se a Providência pede um sofrimento grande, pequenos sofrimentos se a Providência pede sofrimentos pequenos, mas sempre dizendo sim para os pedidos da cruz da Providência, é isto de que se trata neste amor a cruz.
Este amor a cruz é uma graça e uma coisa sobrenatural que não se obtém sem uma graça, é inteiramente inútil, se a pessoa começa a pensar: eu tenho ou não tenho esse amor a cruz pensa uma tolice ter não se tem, tudo mundo tem horror ao sofrimento não tem amor é a qualquer forma de sofrimento é uma graça do céu a ser obtida por meio de Nossa Senhora em vista dos méritos e dores dEla e sobretudo dos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Paixão de Cristo, é esta graça que nós devemos pedir é assim que a alma se torna vigorosa.
Dr. Adolfo estava dando agora há pouco uma narração do cerco do Alcácer de Toledo pelos comunistas durante a guerra civil espanhola de 1936, era uma reação de católicos contra comunistas numa luta aberta em que católicos quaisquer e comuns acorreram ao Alcácer, quase se poderia dizer ao acaso. Quer dizer é gente que quase ao acaso foram ao Alcácer, não há um acaso porque há o designo da Providência nisto, gente que com certeza nunca pensou em ser heróica e entretanto realizou feitos de heroísmo maravilhosos, porque naturalmente uma graça veio, a qual eles corresponderam e que lhes deu a força para fazer coisas absolutamente extraordinárias aí a gente vê o poder da graça, é o homem da rua, é um individuo qualquer e a mulher qualquer, que é levado para dentro de uma fortaleza e que se transforma num herói católico, em uma heroína católica, produzindo em nossos dias um dos feitos de gesta mais importantes do heroísmo católico em todos os séculos.
Ora isto que se passou com eles pode se passar com nós, a graça pode nos colher e pode assim nos transformar em heróis e realmente a vocação de um membro de Catolicismo é para herói do Alcácer. O Catolicismo, a TFP é um Alcácer ideológico tudo quanto se conta daquela fortaleza sitiada é comparável ao nosso lutar [tremento?], a nossos esforços, a nossas reações etc., etc., na ordem moral e deverá ser em determinado momento durante a “Bagarre” um Alcácer material. É preciso portanto que nós peçamos este amor a cruz que naquela gente [inosinadamente?] se tornou tão insigne, o milagre moral do Alcácer, essa coragem a gente dirá, eu diria bem! O povo espanhol é muito heróico etc., etc., é muito heróico mas sabe fugir também, muito bem na Espanha não é terra de Dom Quixote mas é também de Sancho Pança, e no mundo inteiro há seu Sancho Pança não se escapa disto, não é verdade?
Bem! Mas ainda o general Moscardo parece que era o Sancho Pança e mais ainda pior, terminada a epopéia do Alcácer parece-me que ele era o comandante do Alcácer, que se Sancho Pança de novo. Não é? Com os edificantes contactos com o general Franco, está bem, mas na epopéia foi um grande homem e houve verdadeiras maravilhas ali, ali é um exemplo concreto do amor a cruz e de outro lado de como é sobrenatural este amor e eleva de repente a pessoa por uma graça de Nossa Senhora. Eu até sugeri ao Dr. Adolfo que repetisse a conferência para os membros do Alcácer e da Aureliano num dia a ser combinado, poderia ser talvez, Segunda ou Terça da semana que vem e eu tenho certeza que os senhores terão muito proveito em tomar conhecimento dos feitos de heroísmo que naquele lugar ocorreu.
Como é o dia da Santa Cruz eu recebi uma sugestão do Plinio Solimeo de nós fazermos um canto à Santa Cruz lá fora e orações. Mas um canto, a esta hora da noite, eu julgo que é excessivamente provocante para a vizinhança. Nós vamos nos reunir lá e fazer a oração lá diante da Santa Cruz de modo que fica dispensado depois as cerimônias de encerramento e os senhores podem se retirar.
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1 Estava como “Reunião de sábado”. Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.