Santo
do Dia (Dat. P. Sum 5/8/95) – __/__/66 – p.
Santo do Dia — __/__/66
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São lidos trechos do Tratado e dos Manuscritos Autobiográficos de Santa Terezinha * Seja qual for a via da vida espiritual, sem a Misericórdia divina ninguém alcança o Céu * Nossa Senhora foi criada para que a Misericórdia tivesse um caminho por cima ou ao lado da Justiça * Deus se debruça sobre o muito pequeno cuja pequenez torna-se um título de santificação * Um fatinho que ilustra a doutrina da “pequena via” * Não se trata de estar à altura da tarefa, mas de compreender que Deus e Nossa Senhora nos porão à altura da tarefa
Hoje não há Santo do Dia, mas um missivista anônimo com excelentes intenções escreveu um bilhete que é o seguinte:
* São lidos trechos do Tratado e dos Manuscritos Autobiográficos de Santa Terezinha
No verso dessa ficha estão transcritos dois trechos. O primeiro é uma passagem dos manuscritos em que Santa Terezinha, por assim dizer define a “pequena via”; o segundo trecho de São Luiz Maria Grignion de Monfort, extraído do Tratado parece também explicitar de alguma maneira a pequena via, embora com outra formulação. Há fundamento nessa relação que me parece haver entre esses dois trechos? Gostaria que o senhor fizesse algum comentário a respeito.
Manuscritos auto-biográficos, portanto de Santa Terezinha do Menino Jesus, ela diz:
Quero porém, procurar um meio para ir para o Céu por uma via bem reta, bem curta, uma via inteiramente nova. Estamos num século de invenções. Não se tem mais o trabalho de subir os degraus de uma escada, já nas casas dos ricos um elevador substitui vantajosamente. Desejo também encontrar um ascensor para me levar até Jesus. Sou muito pequena para subir a rude escada da perfeição.
Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, portanto de São Luiz Maria Grignon de Monfort.
Do mesmo modo que a natureza tem segredo para fazer em pouco tempo, sem muitos gastos e facilidade, certas operações naturais, há segredos, na ordem da graça, pelos quais se fazem em pouco tempo, com doçura e facilidade, operações sobrenaturais, como despojar-nos de nós mesmos, encher-nos de Deus e tornar-nos perfeitos!
* Seja qual for a via da vida espiritual, sem a misericórdia divina ninguém alcança o Céu
É preciso — como o escritor é anônimo, o missivista — é preciso prestar homenagem que não vai [ferir?] a modéstia dele, porque não se sabe quem é. E ele, depois com certeza não vai dizer quem é, espero.
Levantar a mão agora, não! Porque está soberanamente bem feita a aproximação dos dois trechos.
Eu não creio que São Luiz Maria Grignion de Monfort tenha tido em vista, especificamente em vista, a pequena via, quando ele falou aquilo. Mas ele queria falar a respeito da devoção a Nossa Senhora, na índole da qual está operar em pouco tempo de um modo sobrenatural, com doçura, com facilidade, sem risco, coisas que com uma devoção menos estrita a Nossa Senhora seriam muito mais difíceis.
Ele, entretanto, consagrou aqui um princípio, é o princípio, é o próprio princípio da pequena via.
Se nós formos considerar em tese a grande via, dir-se-ia, aliás, não seria a grande via bem apresentada, mas como ela costuma ser vista, que a grande via é uma grande via contábil, mediante a qual a pessoa faz uma soma grande de sacrifícios e de atos de generosidade, e que com isso adquire um cheque.
De posse desse cheque que vale “X”, aos olhos de Deus, Juiz e justo e que, portanto, remunera sempre na proporção exata do feito, a pessoa abre, bate um [zaich?], Deus aparece e a pessoa diz: “Aqui está, eu fiz tanto, tenho direito a tanto.
“Vossa misericórdia pode acrescentar a isso algo, mas misericórdia [é] algo de bissexto, não é tão garantido quanto a justiça, e eu pelas vias da justiça consegui tanto. De maneira que aqui está, e eu venho então Vos pedir que Vós me deis exatamente o que está na minha retribuição”.
Aquela palavra de São Paulo: “Eu combati o bom combate, dai-me agora o prêmio da vossa glória”, essas palavras de São Paulo por um espírito formado assim podem exatamente parecer justificar essa posição. Quer dizer, então nós estamos diante de um Juiz que vende passagens para o Céu, quem fizer um tanto de sacrifícios obtem isto.
Para ficar na “dependura” da Misericórdia muita gente também acaba entrando: “Não é tão certo porque, de repente, Ele pode não querer, então é melhor a gente garantir a coisa garantida, fazer um esforço sobre-humano, lenhar-se, rachar-se porque a gente consegue o Céu”.
Essa visualização não é uma visualização exata, ela é uma visualização unilateral a respeito da Justiça divina. E na sua unilateralidade ela tem, a meu ver, um fundo de jansenista, porque ela não dá toda a verdade da coisa.
A verdade da coisa é a seguinte: nunca nenhum homem houve — a não ser, naturalmente Nossa Senhora — que tenha durante todo o tempo de sua vida, e em todos os momentos, correspondido de um modo inteiramente satisfatório à graça de Deus.
A fraqueza humana é tal que o homem capaz de fazer esse cheque e de manter com Deus essa estruturação inteiramente exata, esse homem não pode existir. Não existe homem com força suficiente, para não estar a todo momento fazendo alguma coisa por onde encoleriza a Deus.
Deus justo e Juiz infinitamente santo, cujo olhar penetra até aos nossos rins, como diz a Escritura, quer dizer, é um modo figurado de dizer, até aquilo que nossa alma tem de mais inferior e mais recôndido ao nosso próprio olhar, ali chega o olhar de Deus e pousa ali, e vê com seu horror o que existe dentro de nós.
Deus infinitamente justo e inexoravelmente inimigo de toda forma de mal, Deus não pode, pela mera justiça, aceitar esse cheque de ninguém.
E é por causa disso que São Luiz Maria Grignion de Monfort quando ele redige o ato de consagração a Nossa Senhora ele diz, a alturas tantas, quando ele começa a se dirigir a Nosso Senhor: “Como em mim não há o que não mereça de Vós rejeição e cólera”, etc., então vai se consagrar a Nossa Senhora.
Quer dizer, portanto, que todos nós não vivemos da Justiça, todos nós vivemos da Misericórdia de Deus, e se não fosse a Misericórdia de Deus nós não alcançaríamos o Céu. Quer dizer, portanto, que aquele que pensa que pode subir ao céu na escada da Justiça como numa escada de bombeiro esse se engana. Havia cem outras razões para provar isso, mas essa razão basta.
Esse se engana. Diz a Escritura muito bem, que o justo peca sete vezes por dia. Ele não corresponde tão perfeitamente, como deveria, à graça de Deus e que, portanto, começa a atrair, a determinar uma retração da graça, porque Deus se retira um pouco.
Então, se não fosse a Misericórdia ninguém perseveraria. E por causa disso um dos salmos penitenciais de David diz uma coisa muito bonita: “Si iniquitatis observaveris Domine, Domine qui sustinebit?”: “Senhor, se Vós fosseis tomar em consideração os pecados dos homens, Senhor, Senhor quem é que se sustentaria diante de Vós?”
Esta é a verdade. Quer dizer, diante de Deus infinitamente puro, debaixo desse ponto de vista inexorável, tudo que há no homem são manchas. E por causa disso o homem se salva pela misericórdia. O homem pensar que ele se salva sem misericórdia, é um verdadeiro absurdo.
Por causa disso tantos foram os santos que têm morrido recitando o miserere:
[O Senhor Doutor Plinio recita o miserere]
“Senhor tende compaixão de mim segundo a vossa grande Misericórdia, e segundo a multidão de vossas bondades, apagai a minha iniqüidade”, quer dizer, perdoai-me, intervindo em minha alma, para tirar de dentro de minha alma defeitos que estão dentro, erros que estão dentro, pela ação de vossa graça, de maneira que eu consiga Vos agradar.
E um outro dos Salmos Penitenciais — eu recomendei aqui a leitura desses Salmos Penitenciais. É o que há de mais bonito:
Um outro dos Salmos a horas tantas diz: Asperges me hissopo et mundabor, lavabis me et super nivem dealbabor. “Vós me lavareis com o hissopo — que é um instrumento de expressão — e eu me tornarei limpo e ficarei mais alvo do que a neve”.
Quer dizer, para eu tomar aquela Inocência, aquela virtude que Deus quer de mim para me amar, eu preciso da Misericórdia d’Ele, lavando-me. Eu preciso da Misericórdia d’Ele tendo pena de mim, e para que Ele me torne depois mais puro do que a neve.
De maneira que em qualquer via da vida espiritual, grande ou pequena, a idéia de precisar da Misericórdia e de não poder se arranjar sem a Misericórdia é uma idéia fundamental.
* Nossa Senhora foi criada para que a Misericórdia tivesse um caminho por cima ou ao lado da Justiça
E exatamente a Misericórdia se obtém por meio de Nossa Senhora. Nossa Senhora que é a Mãe, Nossa Senhora que é advogada, Nossa Senhora que em cujo papel não está o de fazer Justiça, mas em cujo papel está fazer a Misericórdia, criada por Deus para a Misericórdia ter um caminho por cima ou ao lado da Justiça.
A Misericórdia tem um caminho, por onde nós vamos ao Céu, nos leva ao Céu.
Alguém poderia me dizer: “Mas então nós não somos tratados de acordo com a Justiça?”
Somos. Nós recebemos tudo o que merecemos, mas não tenhamos ilusão, isso não é grande coisa. Nós além disso, nós temos a Misericórdia, é pela Misericórdia que nós recebemos, não aquilo que merecemos, mas aquilo que precisamos, que é incomparavelmente mais do que aquilo que merecemos.
Os senhores compreendem, portanto, que São Luiz Maria Grignion de Monfort fundamentando a necessidade da devoção a Nossa Senhora, em grande parte na necessidade da Misericórdia, ele abre a idéia de que se nós nos colocarmos nos canais de Deus, se nós nos colocarmos ao alcance das vias por onde Deus faz Misericórdia, a Misericórdia pode, em pouco tempo e de um modo fácil, fazer em nós maravilhas que com uma quantidade menor de Misericórdia nós não conseguiríamos.
E então, se compreende que o princípio de uma via mais fácil, de uma via mais eleita, de uma via de que as pequenas almas podem caminhar mais, de que este princípio já esteja profundamente colocado em São Luiz Maria Grignion de Monfort e que esteja muito bem sintetizado neste trecho bem escolhido que está aqui.
* Deus se debruça sobre o muito pequeno cuja pequenez torna-se um título de santificação
Agora, que relação tem isso com a doutrina de Santa Terezinha sobre a pequena via, que se encontra aqui?
Eu creio que não é um trecho capital de Santa Terezinha, mas é um trecho muito significativo. Encontra aqui uma expressão analógica, uma expressão metafórica muito tocante. Ela diz que as almas antigas, galgavam o Céu como quem galga uma escada. Não porque precise só da justiça, não é o que ela dá a entender, mas ela diz: mesmo pelas vias da misericórdia era preciso andar passo a passo, etc.. E que na pequena via não se galga escada: existe um elevador.
A gente vê pelo modo dela falar aqui que o elevador é o último luxo naquele tempo. Ela diz, naturalmente, que elevadores, aqueles elevadores trêmulos do século XIX dos quais há na Espanha alguns, ouviu?
Eu me lembro ter andado em Madri, num elevador em forma de cesta de flores de ferro, datava desde o tempo de Cristovão Colombo. Mas era um elevador prodigioso, naturalmente conduzia à sede do carlismo, porque, elevadores assim só se encontram em carlismo, etc..
Grande progresso, o carlismo se instalou num prédio com elevador. Era aberto em cima, de maneira que a sujeira do teto poderia cair na cabeça da gente, um rato, uma raposa, sei lá o que, podia cair em cima da gente. A gente navegava assim ao lado, no meio das flores de ferro, no elevador trêmulo.
Naturalmente no tempo de Santa Terezinha era grande luxo. De onde aqui a expressão dela, que nas casas dos ricos existia elevador, etc..
Bem, mas a gente vê a idéia dela qual era: ela tomou uma coisa, vamos dizer, que com certeza tinha impressionado a ela, essa invenção tinha impressionado: o elevador. Ela tomou então por essa idéia de elevador, a gente sobe sem força, é um segredo da natureza pelo qual o homem sobe sem esforço e mais rapidamente para o mesmo ponto para onde subiria o outro com esforço.
Então, o que está ali no sistema de Santa Terezinha é uma escola especial que tira, que transforma num fator possante de santidade aquilo que seria um obstáculo para a santidade.
Porque são as pequenas almas, as almas “capengas”, as almas que sentem que não têm estrutura nem estatura para os grandes gestos, nem para as grades coisas, que tomam a sua própria pequenez e baseadas nessa pequenez esperam da Misericórdia divina que as leve muito mais alto por um processo novo.
Então, aquilo que anteriormente seria um obstáculo para a santidade, acaba sendo um título para a santificação, acaba sendo motivo para a santificação. Um motivo misericordioso. Deus se debruça sobre o muito pequeno e, tomado por aquela espécie de amor especial que tem para com o muito pequeno, Ele trata o muito pequeno como um pequeno e lhe dá toda espécie de auxílio exuberante que não se daria para aquele que por si mesmo pode andar.
* Um fatinho que ilustra a doutrina da “pequena via”
Eu me lembro, quando era muito pequeno — não era tão pequeno assim, eu tinha sete ou oito anos — eu tinha uma governante alemã que ia passear comigo, e me obrigava a andar a pé extensões enormes, ou que eu reputava tais, porque para mim um quarteirão já era uma imensidade. Não mudou muito, mas eu já era muito inimigo de andar a pé.
Então minha governante ia andando a pé, de um lado minha irmã, sempre à direita, porque as senhoras têm a direita, tudo bem prussiano ou germânico. À esquerda dela ia eu, e uma prima mais moça carregada no braço.
E eu andando e pensando: “Por que eu não sou pequeno para ela me carregar no braço?” Porque eu quereria ser tratado como muito pequeno. Porque aí eu me sentia bem. Plum! pulava com o peso inteiro nos braços dela e ia olhar as coisas e pensar um pouco sobre as coisas — eu já pensava um pouquinho— Isso é bom. Agora aqui, esse caminho… eu detesto andar. Depois, essa mulher tem um passo assim, meu passo é pequeno, eu não acerto o passo dela. Ela não quer tomar em consideração, dizendo que um homem tem de saber andar mais depressa que uma mulher. Como é que eu posso com um passo assim? Andar com esse [braganço?] que tem um passo assim!”
Podem imaginar os protestos aqui — que favorável do fundo e do mais fundo de minha alma porque eu ficava sentido até o fundo de minha alma com esse tratamento.
Bem, eu ficava com inveja da minha prima, tanto mais que minha prima de cima caçoava de minha preguiça. Ela com a vida fácil e eu com a vida dura. Ela dizia: “Anda, anda preguiçoso”, não sei mais o quê. “Se ao menos você estivesse ao meu alcance…”; todas as misérias caíam sobre mim, todos os infortúnios da infância caíam sobre mim nessa ocasião.
Essa imagem indica bem isto. Quem é uma criança com uma estatura assim clama por andar no chão! Quem é uma criança menor ainda vai para o braço e a mãe anda por elas.
Isso poderia dar um pouco a idéia do que é a pequena via.
É gente tão “capenga” — Santa Terezinha não era “capenga”, mas parece que ela previa a “capenguice”, pois eu não sei a salvação sem a pequena via como se daria — então, gente tão “capenga” e tanta coisa — me desculpem — que o Professor e eu chamaríamos de desatinada, com tanto despropósito, e que portanto tem de acertar, tem vocação para o ultramontanismo, para isso, para aquilo e deve fazer isso e aquilo.
* Não se trata de estar à altura da tarefa, mas de compreender que Deus e Nossa Senhora nos porão à altura da tarefa
Qual é o processo?
O processo é exatamente o compreender que não se trata de ficar à altura da tarefa, mas que Deus, Nossa Senhora sustenta e põem o sujeito à altura da tarefa. Penetra na alma do indivíduo opera o que for necessário e leva a fazer o que for necessário, sem ele procurar ser grande homem.
Se procurar ser grande homem, arruína o negócio todo.
Este é um ponto fundamental. Então o que é que é? É esperar infusões, infusões e infusões da Misericórdia. Com essas infusões da Misericórdia é como um elevador, a pessoa sobe.
Eu compreendo bem que uma pessoa pode me dizer:
“Doutor Plinio, o que o senhor faz do livre arbítrio? Como é que o senhor escamoteia dentro desse negócio o livre arbítrio? Aliás, Doutor Plinio, a própria imagem de Santa Terezinha é uma imagem esquisita, porque se a pessoa entra dentro do elevador não tem esforço, e se não tem esforço não tem livre arbítrio, e se não tem livre arbítrio toda doutrina tradicional católica vai aos frangalhos. Essa doutrina da qual o senhor é o representante com o seu perpétuo inculcar de força, energia, etc., etc.”.
A própria imagem do elevador indica o contrário. O indivíduo é levado para cima pelo elevador, mas é porque ele quer, porque então ele podia não entrar no elevador.
Quer dizer, ele é libérrimo de aceitar ou não os benefícios do elevador. Ele sobe porque ele quer. O elevador é compassivo para com ele e o leva para cima. Mas ele, livre arbítrio tem.
O que é que a pequena via supõe?
A pequena via supõe uma compreensão, pelo menos intuitiva, pelo menos inexpressa, mas grande; uma compreensão do que é que é realmente aquilo que se deve querer. O “Thau” que faz ver as coisas como devem ser, e faz com que a gente as deseje como elas devem ser.
Bem, agora quanto ao mais, os grandes esforços postos nas mãos de Nossa Senhora. Ela vai fazer as coisas de um jeito ou do outro. Ela vai fazer caminhar ou de um jeito ou de outro. E muita coisa nós a muita altura nós chegaremos por meio do ascensor. Eu não vejo muita capacidade de subir sem ascensor.
Quer dizer, esta é propriamente a posição inerente à pequena via. Por isso Santa Terezinha tinha uma expressão muito curiosa. Ela dizia: “Eu tenho olhos de águia e corpo de passarinho”. Eu vejo, eu desejo, eu quero as mais altas coisas, mas isso são os olhos, esta é a mente, este é o “Thau”; na hora de fazer eu não tenho senão corpo de passarinho. Então é preciso que o vento faça em muitas ocasiões o passarinho voar.
É preciso que venha a águia e desça sobre o cordeiro que não pode andar e levante até o mais alto. Quer dizer, é preciso que a graça faça subir. Esta aceitação da graça é um ato efetivo do livre arbítrio. Há uma humilde aceitação do vácuo da gente, do nada da gente, do tudo o que é Deus, o receber por esta forma as graças que vêm do Céu.
E por causa disso é que a gente compreende que a pequena via estará bem ligada à devoção a Nossa Senhora, a devoção de São Luiz Grignon de Montfort é uma devoção para os pequenos. Na época dos pequenos, em que a humanidade de tal maneira baixou e de tal maneira caiu, em que a devoção a Nossa Senhora se manifesta super-materna, super misericordiosa, super bondosa, em que a gente compreende bem, portanto, como todo aquele clima da pequena via de Santa Terezinha se insere dentro disso com perfeição e com naturalidade.
Uma palavra por fim. Os senhores poderão me dizer o seguinte:
“Doutor Plinio, entretanto, o senhor no Santo do Dia inculca constantemente as virtudes mais árduas, dos santos que parecem estar mais opostos, mais diversos dessa pequena via, por quê isto?”
Porque faz parte da pequena via ter olhos de águia, e amar e admirar imensamente essas coisas. Quanto a praticá-las, é preciso contar com os favores excepcionais que Deus deu às almas pequenas para fazerem pequenas coisas e com isso se tornarem muito grandes. Aí está, a meu ver, os traços da pequena via.
Então eu julgo ter respondido, tanto quanto eu posso, à consulta do nosso missivista anônimo.
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