Santo do Dia – 24/12/1965 – 6ª feira [SD 151] . 3 de 3

Santo do Dia — 24/12/1965 — 6ª feira [SD 151]

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Ao adorar a Deus recém-nascido, devemos também considerar a presença dos efeitos do pecado no presépio * Junto ao presépio devemos nos lembrar de nossa tremenda inferioridade em relação à vocação que temos: necessidade de reparação, pedido de perdão, de indulgência, de misericórdia, e um ato de amor * Diante do presépio devemos também suplicar que sejamos dignos da luta à qual somos chamados, pedindo que o quanto antes venha a nós o Reino de Maria e a exaltação da Igreja

* Ao adorar a Deus recém-nascido, devemos também considerar a presença dos efeitos do pecado no presépio

Então oferecemos uma revoada dos nossos anjos voando sobre nós, nós nos aproximamos do presépio e oferecemos nosso amor às verdades esquecidas.

Depois das verdades esquecidas, vem uma referência especial ao … [inaudível]. Então adoramos a Deus não só como um Menino suavíssimo ali deitado, mas como a pedra de escândalo que divide os homens, para que se revele as cogitações de muitos corações. Para nós não podemos ver apenas um menino sorrindo para Nossa Senhora e Ela com o Menino. Sem dúvida este é o ponto de atração central na meditação do Natal. Mas é preciso outra coisa. É lembrar a presença dos efeitos do pecado no presépio.

São José e Nossa Senhora foram recusados, pois não havia lugar para eles. Ninguém se interessava, ninguém percebia, ninguém se entusiasmava com a humilde nobreza e virtude que havia neles. E eles foram para a gruta, recusados por todos. Ao longe estava a cidade orgulhosa e sensual, ao longe estavam todos os representantes qualificados do povo hebraico, sinédrio, rei, classe sacerdotal, o povo, todos longe do presépio, pois o tinham recusado.

Havia a isolamento, havia uma seleção: Cristo já tinha dividido, separado. Porque se não fosse a maldade do povo hebraico, que como os senhores não foi deicida, onde Nosso Senhor deveria nascer era no palácio de Herodes ou nalguma dependência do Templo O rei deveria lhe ter cedido seu palácio, e logo que Ele nascesse, deveria ser aclamado pela nação inteira, deveria ser levado para a Arca da Aliança e ser ali colocado para a adoração de todo o povo de Israel.

Nada disso aconteceu, e Ele nasceu numa manjedoura porque fora recusado. Mas Cristo é o centro de tudo isso: recusado, Ele recusa; recusando, Ele julga; julgando, Ele divide entre bons e maus.

E ali está Nosso Senhor Jesus Cristo como um guerreiro invencível … [inaudível]… como chefe daquela luta tremenda, e que Nossa Senhora é seu instrumento, marechala dos exércitos de Deus.

Então, aos pés do presépio, lembremos que são os homens das verdades esquecidas que estavam lembrando, aos pés do presépio, esta tremenda verdade.

* Junto ao presépio devemos nos lembrar de nossa tremenda inferioridade em relação à vocação que temos: necessidade de reparação, pedido de perdão, de indulgência, de misericórdia, e um ato de amor

Mas nós não podíamos também deixar de ter nossa verdade esquecida. E esta seria nossa tremenda inferioridade em relação à nossa vocação. De onde, então, a necessidade da reparação, de um pedido de perdão, de um pedido de indulgência, de misericórdia e de um ato de amor que reparasse o mal que fizemos.

* Diante do presépio devemos também suplicar que sejamos dignos da luta à qual somos chamados, pedindo que o quanto antes venha a nós o Reino de Maria e a exaltação da Igreja

Depois disso, a súplica. Porque é o quarto ato de culto que estava faltando.

Qual é essa súplica? Essa súplica será feita oficialmente nesta noite sagrada.

(…)

Para pedir que sejamos dignos desta luta e para pedir que quanto antes viesse a nós o reino de Maria e a exaltação de Santa Madre Igreja.

Com estas últimas palavras, Santa Madre Igreja, a meditação, como que pressionada pelo quadro que de repente se lhe põe, muda de rumo. Cessados os quatro atos de culto, a alma dos que meditam nesse momento se abisma na idéia da situação atual da Igreja.

Então aqui há uma palavra : “Ó a situação da Igreja, Senhor!” e o coro canta; nós paramos e o coro, com toda a expressão, canta: “Ó vós que andais pelo caminho, parai e vede se há uma dor igual a minha dor”. Quer dizer, é a Igreja que fala. A Igreja é a grande traída, a grande abandonada, a grande humilhada.

E assim como o Profeta Isaías dizia, referindo-se a Nossa Senhora e Nosso Senhor, em sentido profético “Ó vós que passais pelo caminho, parai e vede se há dor igual a minha”, do mesmo modo parai e vede se há dor igual à da Santa Igreja Católica Romana em nossos dias.

Então, vem a denúncia do denunciado igualitarismo que está querendo mudar os aspectos externos da Igreja, a sua face, como pretexto, como modo de dar a entender que foi mudada a sua alma. E mudar a alma da Igreja é mudar a doutrina da Igreja. Isso é impossível, mas se fosse possível, era matá-la.

Mais uma vez se pede a Nossa Senhora que desvie esse flagelo. Então são as súplicas finais:

1º que venha o reino de Cristo por meio do reino de Maria;

2º dai-nos força contra nossos adversários, porque a Bagarre está chegando e temos que ser fortes;

3º o pedido de uma bênção: nos cum prole pia, benedicta Virgo Maria.

Depois as orações comuns do Grupo, realçadas com um canto de Natal, porque a noite de Natal deve estar muito presente, já outras foram cantadas, Puer Natus, O Regem Coeli, o Credo é a profissão de nossa fé, depois vem a Salve Regina e a Beata Infância. Rezam-se as orações do Grupo com as jaculatórias e tudo termina com uma consagração a Nossa Senhora de acordo com São Luís Maria Grignion de Montfort.

Os senhores estão vendo que a leitura desse caderno equivale a uma meditação, onde tudo foi raciocinado, contado, pesado e medido para aproximar nossa alma de Nossa Senhora, Nosso Senhor e de São José. Mas aproximar nossa alma; não qualquer alma em tese, em qualquer lugar, com qualquer vocação. A aqui é a tese do ultramontano que tendo em vista a sua missão, reza ao Menino Jesus por meio de Nossa Senhora, e a Nossa Senhora por meio de São José, apoiado no s eu anjo de guarda, reza para dizer o … [inaudível]… e para obter o seu … [inaudível].

É, portanto, a tentativa de fazer uma meditação de Natal verdadeiramente ultramontana.

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