Santo do Dia – 23/12/1965 – p. 4 de 4

Santo do Dia — 23/12/1965 — 5ª-feira

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Nota de D. Guéranger a respeito do santo Natal.

A fim de gravar mais profundamente a importância de um dia consagrado na memória dos povos cristãos da Europa. Dos preferidos nos caminhos da divina misericórdia, soberano mestre dos acontecimentos, [quis] que o reino dos Francos nascesse num dia de Natal de 496, quando no batistério de Hans no meio das pompas e das solenidades Clovis “O duro sicambro”, tornando-se doce como um cordeiro foi mergulhado por São Remígio na fonte da salvação da qual saiu para inaugurar a primeira monarquia católica entre as monarquias novas. Este reino de França, o mais belo, alguém disse: “depois do Reino do Céu”.

Um século mais tarde em 597 realmente 101 anos depois exatamente foi a vez da raça anglo-saxônica; o apóstolo da ilha dos bretões, o monge Santo Agostinho após ter convertido ao verdadeiros Deus o Rei Trorrelro avançava na conquista das almas. Dirigindo-se para York aí pregou a palavra da vida a um povo inteiro. E um povo inteiro uniu-se para pedir o batismo. O dia do Natal foi marcado para regeneração destes novos discípulos de Cristo.

No dia do seu nascimento Cristo conta mais uma nação sob o seu império. Um outro nascimento ilustre deveria ainda embelezar este feliz aniversário. Em Roma na Basílica de São Pedro, nas solenidades do Natal do ano 800 nascia o Sacro império Romano ao qual estava reservada a missão de propagar o reino de Cristo nas regiões bárbaras do norte. E de manter a unidade européia sob a direção do Pontífice Romano. Neste dia São Leão III colocava a coroa imperial sobre a cabeça de Carlos Magno, e a terra surpresa reviu o reino de César em um Augusto, não mais sucessor dos Césares e Augustos da Roma pagã, mas revestidos destes títulos gloriosos para vigário daquele que chamamos nos santos oráculos o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores.

O pensamento que D. Gueránger enuncia aqui é um pensamento muito bonito; Nosso Senhor quis marcar na memória dos povos o dia do Santo Natal acentuando esta recordação por fatos menores até infinitamente menores porque tudo que existe por maior que seja é infinitamente menor do que o nascimento do Filho de Deus, mas fatos que em relação a nossa proporção humana são enormes. E que por serem fatos mais recentes por isso mesmo vindicam muito na memória dos povos.

Então Ele acentua estas três datas estas três fundações de três grandes monarquias, das quais a maior delas é sem dúvida a de Carlos Magno, quer dizer o Império Romano do Ocidente que renasce, a Providência quis que isto fosse feito no dia de Natal para ilustrar com ilustrações mais recentes esta data que é eterna.

De outro lado, entretanto, é preciso se dizer que a idéia de fazer nascer coisas no dia do Natal, é uma idéia que contém algo de muito profundo. Por que como Nosso Senhor é o Caminho a Verdade e a Vida, e todo caminho que não tenda por esse caminho, é um desvio, toda verdade que não se harmonize com esta Verdade, ou que não seja uma parte dela de um erro; toda a vida que não nasça desta vida é morte, era natural que todo caminho novo tomando por um povo que toda verdade aceita por um povo, como um patrimônio novo, que toda vida entra por um povo com vida sobrenatural nova, entrasse e começasse por um dia de Natal. É um começo na ordem da verdade, na ordem do caminho e na ordem da vida. E era natural que isto nascesse no dia do nascimento daquele que é o Homem-Deus, quer dizer, aquele que nos remiu, aquele que nos salvou e aquele que nos criou.

E então a idéia de fazer as coisas inaugurarem no dia do Natal, que é a maior de todas as inaugurações contém um pensamento muito profundo, um Reino que era pagão nasce adotando uma nova verdade e então Jesus Cristo é a verdade o reino nasce desta verdade. O reino que errava pelos caminhos da barbárie entra nas vias da civilização, este reino toma uma nova via, e Jesus Cristo é [vida?].

Um reino que vivia na ordem do pecado e afastado da graça de Deus, pelo batismo nasce para a vida sobrenatural e Nosso Senhor Jesus Cristo é a vida, então a Verdade, o Caminho e a Vida inauguram-se num dia de Natal.

Este consolação indica bem quanto havia de profundamente religioso no pensamento dos homens de outrora e como a religião deles não eram destas religiõeszinhas superficiais feitas de pequenas práticas e de pequenos “adeuzinho” par aos Santos que passa pela igreja de umas genuflexões assim meio encatilhadas [enferrujadas?] diante do Santíssimo. Um ar abobado, mas era uma religião varonil. Não é apenas um sulco de sentimentos, o sentimento entra dentro disto, mas não é o fator principal o fator principal é a fé e o aprofundamento da Fé pela meditação, pela oração, de maneira que todas as conseqüências lógicas do dado da Fé, a gente possui e compreende que articulação racional tem com a fé, fazendo portanto disto um edifício intelectual mental sólido estruturado, durável que resista a todos os embarcos e que chega até as últimas conseqüências.

Isto é que é verdadeiramente formação religiosa, tem como base a fé, mas uma fé da qual um raciocínio pujante tira todas as conseqüências na ordem do pensamento e uma vontade fortalecida pela graça tira todas as conseqüências na ordem da ação.

Os senhores vêem aqui isto. Exatamente uma concepção profunda do papel de Jesus Cristo como ponto de partida de tudo e, portanto, da vida dos reinos e das nações. Desta concepção intelectual profunda um ato de alta significação. O batismo da Nação, o começo da nação, a regeneração da nação, se dará na noite Sacrossanta de Natal.

Agora meus caros, quando nós passamos disto para o Natal que nós vamos assistir! É bem preciso fazer “Ambientes e Costumes”.

Como nós pensamos na pequena cidade de Rahans medieval com suas ruas tortuosas e insinuosa com sua população, casinhas pequenas, perto da Catedral que já tem algum tamanho — não é ainda a Catedral gótica mas é um edifício que será substituído pela Catedral gótica — quando nós vemos os povos que durante a noite — os povos acostumados a dormir cedo — durante a noite se levantam, é uma espécie de epopéia levantar quando chega a meia-noite, para ir à igreja. Quando nós pensamos no Natal, ainda próximo da conversão de Clóvis, em que os francos recém-convertidos vão pelas ruas rezando cantando, vão para a igreja para celebrar o Natal, quando nós pensamos no Natal inglês de cem anos depois, ou quando nós pensamos no Natal Romano de outros cem anos depois ou duzentos, em que nós vemos o povo afluir para a Basílica de Latrão e ali o Papa Coroar o Imperador Carlos Magno, quando nós pensamos neste Império que nasce neste homem de estatura fabulosa que era Carlos Magno venerado como santo em vários lugares da Europa, quando nós pensamos no Papa São Leão III que o coroou, quando nós vemos o Papa conduzir Carlos Magno pela mão a um balcão e ali o povo começar a gritar: “Viva Carlos Augusto est intemperat nostrum viva bem eternum” etc., quando nós pensamos nisto, como isto é diferente do Natal que os senhores vão ter daqui a alguns dias! Este Natal comercializado completamente, que é uma oportunidade para promoção de vendas, em que há cruzar febril de presentes, há lojas que já tem banco de compensação. Telefona para um sujeito e diz:

Senhor Fulano, aqui tem três caixas de wisky para o senhor. O senhor quer que eu mande para sua casa?

Não! Mande para Beltrano ou Sicrano.

Aquele wisky sem sair do lugar circula como uma espécie de wisk telefônica, wisk e papel, fica pertencendo a várias pessoas sem ter pertencido a ninguém, e provavelmente ainda termina na loja do Natal se não terminar no ventre de um bêbado.

Bem, este Natal que é completamente laico, em que as manifestações religiosas são empurradas para o lado e que os senhores vão ver um bater de carrilhões transmitido pelo radiofone protestantizado numa atmosfera “adocicada Rotariana” de homens de boa vontade em que os senhores [vêem] penetrando nas igrejas os senhores não vão sentir o surto de fé da Idade Média, mas vão sentir assim uma espécie de Natal de sonegação sem apetecer o Céu, sem apetecer o absoluto, sem apetecer o sobrenatural, mas todos organizados para levar já não diria uma vidinha, mas uma “vidoca” nesta terra. Os senhores notarão que há um verdadeiro abismo entre uma coisa e outra. E nós devemos ter isto em mente para protestar interiormente contra esta situação, contra esta atmosfera, e criar em nosso espírito a atmosfera profundamente oposta.!

Qual é esta atmosfera?

É uma atmosfera de alegria porque o Menino Jesus nasceu. Mas é uma atmosfera de tristeza e esta atmosfera de tristeza vem do fato de que tudo se passa como se quisessem matar o Menino Jesus. Os senhores conhecem bem os acontecimentos recentes de Roma, os senhores conhecem bem a situação do Ocidente, os senhores conhecem bem este último alento da civilização cristã que nós estamos vivendo. Nós não podemos nos associar a este espírito rotariano laico e igualitário.

Neste Natal nós temos que levar conosco dentro da alma o Natal de Carlos Magno, o Natal de Clóvis, o Natal de São Remígio, de São Leão III, é este o Natal que nós temos que levar dentro da Nossa alma.

E que é este Natal? É uma consideração séria do mistério do Santo Natal a compreensão da graça enorme que nos foi dada dos deveres que esta graça traz consigo e do propósito de combater. Porque eu não acredito que possa ser meu amigo um homem que veja que eu seja injuriado, babar de ternura para comigo, mas não me defenda contra quem me agrediu. Não pula para lutar contra aquele que me injuriou. “Quem me ama, ama a quem me ama, e odeia a quem me odeia”. Isto não há por onde escapar!

E Nosso Senhor não tem razão para tomar como séria a nossa ternura ainda que seja ternura tão legitimamente terníssima do Natal, ele não tem uma razão para tomar isto como séria se nosso coração não estiver cheio de tristeza por aquilo que se faz contra Ele e que se faz contra o Reino de Maria. De deliberação de ataque e de combate e é esta deliberação, esta seriedade, esta tristeza que nós devemos nos preparar para pedir ao Menino Jesus por meio de Nossa Senhora na Missa de amanhã à noite.

Fica, portanto, este pensamento aqui marcado para nós termos um Natal de Cruzado e não um Natal daquele que entre “aspas” e caricatamente se tem chamado de “homem de boa vontade”.