Santo do Dia – 18/12/1965 – Sábado [SD 151] . 4 de 4

Santo do Dia — 18/12/1965 — Sábado [SD 151]

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Semana da Expectação, durante a qual a Igreja imagina o júbilo e a esperança de Nossa Senhora face ao Messias que iria nascer * As invocações iniciadas por “Ó”, que originaram a invocação a Nossa Senhora do Ó * Ao rezar as antífonas da expectação na última semana do Advento, deve-se pedir a Nosso Senhor a implantação do Reino de Maria

* Semana da Expectação, durante a qual a Igreja imagina o júbilo e a esperança de Nossa Senhora face ao Messias que iria nascer

No dia 18 de dezembro, neste sábado portanto, começa a última semana do Advento, e a Igreja denomina esta semana de Semana de Expectação. Expectação porque faltava apenas uma semana para o nascimento de Nosso Senhor. E durante esta semana a Igreja imagina o júbilo de Nossa Senhora, a esperança de Nossa Senhora diante do fato de que o Messias haveria de nascer, e que Ela haveria de ver por fim a face bendita do Filho que Ela estava gerando nas suas entranhas.

Então Nossa Senhora, que tinha pedido a Deus que apressasse a vinda do Messias, e cuja oração onipotente tinha conseguido de Deus que realmente a data fosse antecipada, Nossa Senhora que depois tinha sido convidada para ser a Mãe do Verbo, tinha aceito e tinha gerado o Verbo Encarnado dentro de seu próprio seio, Nossa Senhora vê chegar não só o momento em que Ela vai ver a face de seu Filho, e com a face de seu Filho um esplendor novo Ela conhecerá, a respeito da alma de seu Filho e a respeito de toda a personalidade de seu Filho. Não só isso, mas Ela vê chegar então a salvação para o mundo, e Ela vê o momento em que a glória de Deus vai deixar de ser ofendida por toda aquela ordem de coisas marcada pelo pecado original, sem resgate; aquele reino do demônio que o mundo foi de modo particular durante 4.000 anos ou mais e que mediava entre o pecado original e o momento da encarnação do Verbo

Tudo isso Ela vê que vai acabar, Ela sente que o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo está próximo, que falta uma semana apenas para acabar o reino do demônio, ao menos o começo do fim do reino do demônio, pelo nascimento do Verbo e do Redentor, que vai acabar com o reino do demônio no momento em que foi Ele foi imolado na cruz.

* As invocações iniciadas por “Ó”, que originaram a invocação a Nossa Senhora do Ó

Isso então enche a alma de Nossa Senhora de esperança, e é por isso que Nossa Senhora nesse período é chamada de Nossa Senhora da Expectação, ou Nossa Senhora da Esperança, ou Nossa Senhora do Ó. Porque então em cada um desses dias que medeiam daqui até o Natal, no breviário há uma antífona que começa com uma exclamação, com uma exclamação tirada de uma “Ó, tal coisa”. Então Nossa Senhora do Ó.

Essa exclamação é baseada em alguns pensamentos do Antigo Testamento, da Escritura, ou alguma idéia piedosa, dos quais nós vimos já uma ontem a respeito da sabedoria.

Era interessante nós considerarmos aqui as seguintes invocações:

Ó, Adonai, filha da casa de Israel, que aparecestes a Moisés no fogo da sarça ardente e lhes destes a Lei no monte Sinai, vem resgatar-nos com a força de teu braço.

Há milhares de anos o povo hebraico considerava o aparecimento de Deus a Moisés e sabia que Deus apareceria ao Povo Eleito de um modo muito mais real, muito mais palpável do que a Moisés. Então, um pedido há mil, há dois mil anos, nem sei quantos anos se deu aquele fato: “Vinde agora renovar este feito, mas com uma excelência incomparavelmente maior, ó Deus que aparecestes a Moisés”.

Depois vem:

Ó raiz de Jessé, que estás posto como sinal dos povos, diante do qual todos obedecerão e a quem hão de invocar todos os povos, vem libertar-nos, não tardeis.

É exatamente isso, é pedir a Nosso Senhor Jesus Cristo que nasceu da raiz de Jessé, que é Nossa Senhora, Nosso Senhor Jesus Cristo diante do qual todos os reis vão ficar quietos e a quem todos os povos da terra vão invocar, que venha a nós, que não tarde, porque a Humanidade geme e não quer mais esperar.

Por fim, quarto:

Ó chave de Davi, e cetro da casa de Israel, que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre, vem e arranca do cárcere o prisioneiro imerso nas trevas e nas sombras da morte.

Nosso Senhor Jesus Cristo fecha e ninguém abre, abre e ninguém fecha, quer dizer, Ele tem o domínio de todas as coisas. Então vem libertar-nos das sombras da morte.

Depois outra invocação, que é a quinta:

Ó oriente, esplendor da luz eterna e Sol de Justiça…

E a justiça é a virtude, é uma palavra que designa toda virtude, o estado de graça.

Então Jesus Cristo é um esplendor da luz eterna, e por outro lado é o sol de todas as virtudes, que ilumina os que vivem nas trevas e nas sombras da morte.

Realmente Nosso Senhor veio, iluminou, e desta iluminação nasceu a Civilização Cristã.

Sexto:

Ó Rei das nações, e por elas desejado, pedra angular que faz dos dois pólos um pólo só, vem e salva o homem que formastes do lodo da terra!

Nosso Senhor Jesus Cristo é a pedra angular de toda ordem humana e nEle todos os dissídios se reconciliam, mas reconciliam verdadeiramente, e não apenas de um modo como que “ecumênico”, no mau sentido da palavra, não é isso? Então, salva o homem, que é criatura d’Ele, que Ele formou do lodo da terra.

A última invocação, então o Natal já está iminente:

Ó Emanuel, nosso rei e legislador, esperança e salvação das nações, vem salvar-nos, Senhor nosso Deus!

Quase se sente Cristo já próximo, dividido de nós, separado de nós, por apenas algumas horas. Então alegria de todas as nações que esperam nEle, de todas as nações que esperam em seu Salvador, se volta para Ele e diz: “Senhor, nosso Deus, vem salvar-nos!”.

* Ao rezar as antífonas da expectação na última semana do Advento, deve-se pedir a Nosso Senhor a implantação do Reino de Maria

Quais são os pensamentos que essas antífonas devem nos sugerir?

Eu já disse isso ontem; é preciso repetir ainda aqui.

Disse o Papa Pio XI na sua famosa encíclica contra o comunismo que nos dias em que esta encíclica foi publicada — portanto, por volta de 1937 — o mundo estava numa situação tal, que estava ameaçado de cair mais baixo do que estava antes da Redenção. E caiu.

Exatamente de 37 a 67 — já não estamos tão longe de 67 — são 30 anos em que a catástrofe se operou, e o mundo remido por Nosso Senhor Jesus Cristo está mais baixo do que antes da Redenção.

Então nós ansiamos por um fenômeno que é parecido com a Redenção, que não é de nenhum modo a repetição da Redenção, que é eterna, definitiva, super-suficiente, mas que é uma renovação dos frutos da Redenção, enquanto considerados na economia da salvação de nossa época. E então as graças que vêm, os homens que são punidos, os homens são, por outro lado, regenerados e reconciliados com Nosso Senhor, e o Reino de Maria que vem.

Então essas antífonas todas devem exprimir na véspera do Natal um pedido ao Menino Jesus que assim como Ele atendeu o pedido de Nossa Senhora que apressou a vinda d’Ele, que Ele atenda agora, mais uma vez, o pedido que nós fazemos, em união com Nossa Senhora, de apressar os dias de uma ação mais enérgica, mais triunfal, mais invencível d’Ele para implantar ou para restaurar na terra, reimplantar o reino d’Ele. Mas reimplantar sob o aspecto mais requintado, mais magnífico, quer dizer, reinar por Maria, com Maria e em Maria.

É esta a oração de Natal, e nos dias dessas antífonas nós devemos pedir que Nossa Senhora obtenha isso d’Ele.

Nós por outro lado devemos pedir que nos obtenha a firme confiança de que isso nos será dado, e é assim que nós transporemos com confiança e com alegria, não só os dias piedosos que cercam a festa de Natal, mas também os umbrais do ano 1966 que se aproxima de nós tão carregado de incógnitas.

É esta intenção que eu ligo ao terço que nas vamos rezar esta noite.

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