Santo do Dia – 8/12/1965 – 4ª feira [SD 153 e 228] . 7 de 7

Santo do Dia — 8/12/1965 — 4ª feira [SD 153 e 228]

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Leitura de trecho da Bula Inefabilis Deus, em que Pio IX reafirma sua confiança na Santíssima Virgem * A frase longa permite relacionar vários pensamentos numa só sentença, e os superlativos indicam que as realidades mais profundas são superlativas * Os superlativos se aplicam particularmente a nossa Senhora, Rainha que está acima de tudo que é visível e invisível, exceto Deus * Cada uma das frases é uma espécie de diadema em que há uma série de jóias para ornar a coroa de Nossa Senhora * Pio IX agradece por ter sido escolhido para definir esse dogma e expressa grande alegria por defini-lo * O poder das chaves deu ao papa o poder de colocar um diadema nAquela que está tão acima dele * A beleza de Nossa Senhora não seria inteira se não fosse triunfal e esmagadora * Razão de confiança e alento: Nossa Senhora esmagou o demônio e pode afastar qualquer alma da influência de seu império * Ela é a alegria e a beleza do Céu, seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxílio * Poderosíssima medianeira e reconciliadora não só dos indivíduos, mas da sociedade humana com seu Filho * É ornamento da Igreja e sua solidíssima defesa * Pedir-Lhe que faça cessar o atual estado de coisas, desencadeie os castigos e instaure seu Reino * Notícias que nos fazem esperar que Nossa Senhora esteja atuando a fundo nos acontecimentos

* Leitura de trecho da Bula Inefabilis Deus, em que Pio IX reafirma sua confiança na Santíssima Virgem

Dante tem uma afirmação que infelizmente eu não saberia dizer em italiano, mas que acaba dizendo o seguinte: como é triste nos dias de miséria, lembrar-se das alegrias de outrora.

(Sr. –: [Diz em italiano].)

Então os senhores entenderam, não é ?[Risos]

Hoje é 8 de dezembro de 1965, e vou ler um documentário do tempo em que era papa Pio IX, de 8 de dezembro de 1854: a Bula Inefabilis Deus:

A nossa boca está cheia de alegria e nossos lábios de exultação, e damos e daremos sempre as mais humildes e as mais vivas ações de graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos haver concedido a graça singular de podermos, embora indigno, embora imerecedor, oferecer e decretar esta honra, esta glória, este louvor, à sua Santíssima Mãe.

E depois reafirmamos a nossa mais confiante esperança na nossa Beatíssima Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação do mundo; nAquela que é a glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e glória de todos os santos, seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxílio de todos os que estão em perigo, poderosíssima medianeira e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito, fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa.

Reafirmamos a nossa esperança nAquela que sempre destruiu todas as heresias, salvou os povos fiéis de gravíssimos males de todo gênero e a nós mesmo tem livrado de tantos perigos que nos ameaçam.

Confiamos que Ela queira, com a sua eficassíssima proteção, fazer com que a nossa Santa Madre Igreja Católica, superando todas as dificuldades e desbaratando todos os erros prospere e floresça cada dia mais no meio de todos os povos e em todos os lugares.

* A frase longa permite relacionar vários pensamentos numa só sentença, e os superlativos indicam que as realidades mais profundas são superlativas

Este trecho eu creio que causa um pouco de estranheza às gerações de hoje, por duas razões especiais, condenadas pelo estilo literário comum:

Eu tenho a impressão — não calculei bem — que esse trecho todo se reduz em umas três frases. E o estilo de hoje gosta de frases curtas e com poucos superlativos.

Entretanto, é o mérito da frase longa relacionar uma série de pensamentos numa só sentença, e o mérito dos superlativos, quando eles são bem aplicados, está em fazer quebrar os padrões comuns dentro dos quais nós nos movemos, e entender que as realidades mais profundas são as realidades superlativas, aquelas para as quais a linguagem humana só encontra uma referência superlativa. Tudo aquilo que é invisível, tudo aquilo que é sobrenatural, tudo aquilo que, portanto, é imensamente maior do que essa ordem visível na qual nós nos movemos, tudo isso é tão maior do que nós, que a linguagem humana só se refere a isto em termos superlativos.

* Os superlativos se aplicam particularmente a nossa Senhora, Rainha que está acima de tudo que é visível e invisível, exceto Deus

E se isto é verdade em relação a tudo quanto é invisível, é particularmente verdade em relação a Nossa Senhora, que é a Rainha de todas as coisas visíveis e de todas as coisas invisíveis, mas que está acima de todo visível e invisível, e que por causa disto tendo acima de si apenas Deus, todos os superlativos… isto para nós estala, nós não temos em nossa linguagem nenhuma referência, nenhum modo de exprimir adequadamente os predicados d’Ela. De maneira que, então, acumulando superlativos, uns em cima dos outros, afirmamos a insuficiência de todos eles para dizer aquilo que deve ser dito. E aí, à maneira de ensaio, à maneira de artifício de estratagema, nós conseguimos de algum modo dar a entender o que a nossa mente concebe a respeito da grandeza de Nossa Senhora.

* Cada uma das frases é uma espécie de diadema em que há uma série de jóias para ornar a coroa de Nossa Senhora

Pio IX reúne uma série de idéias dentro dessas frases grandes, porque são ciclos. Cada uma dessas frases é uma espécie de diadema em que há uma série de jóias para ornar a coroa de Nossa Senhora.

Ele dá algumas idéias sucessivas a propósito da Imaculada Conceição, fazendo-nos ver que enquanto concebida sem pecado original, e concebida sem pecado original na perfeição de ser Mãe de Deus, Ela tem um cúmulo de glórias de todas as ordens. E é isto que ele fez ver, então, nesses trechos aqui.

* Pio IX agradece por ter sido escolhido para definir esse dogma e expressa grande alegria por defini-lo

Os senhores acompanhem o método do pensamento dele, lendo mais vagarosamente o texto.

Primeiro, há uma ação de graças que ele faz pelo fato de ter sido escolhido ele como oapa para definir o dogma da Imaculada Conceição. Então, diz ele:

A nossa boca está cheia de alegria…

Ele não diz: nossa boca está alegre. Ele diz que está cheia, que está repleta de alegria, porque todo o texto é superlativo.

Realmente, não há boca humana que possa conter suficiente alegria pelo fato de ter sido a Imaculada Conceição definida, tanto mais na boca daquele homem que foi chamado a ser o Príncipe dos Pastores, Sucessor de São Pedro, e para instrumento dessa definição.

Bem, e nossos lábios estão cheios de quê, de alegria? Não. De uma superalegria: exultação. A boca está cheia de alegria e os lábios estão cheios de exultação. Quer dizer, uma alegria que sai da boca para fora, que inunda os lábios e que na flor dos lábios se transforma em exultação.

Alegria, por quê? Porque Nossa Senhora foi definida — e porque ele foi o instrumento da definição — como sendo a Imaculada Conceição.

Ele continua:

e damos e daremos sempre as mais humildes e as mais vivas ações de graça…

A linguagem é sempre fácil:

damos e daremos as mais vivas ações de graças, as mais humildes…

É tudo superlativo.

a Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos haver concedido a graça singular…

Não é uma graça qualquer, é uma singular, que não tem seu igual.

de podermos, embora imerecedor, oferecer e decretar esta honra, esta glória e este louvor à sua Santíssima Mãe.

* O poder das chaves deu ao papa o poder de colocar um diadema nAquela que está tão acima dele

Agora os senhores vejam o que é a grandeza de um papa, o que é a grandeza do Pontificado Romano, e o que é o poder das chaves.

Nossa Senhora está acima de todo os anjos e de todos os santos, Ela está como que sentada num trono ao lado de Nosso Senhor Jesus Cristo, está bem. Um papa, um simples homem vivo na terra, pode dizer isto, que ele ofereceu e decretou esta honra, esta glória e este louvor a sua Santíssima Mãe. Quer dizer, o poder das chaves lhe deu de colocar um diadema nAquela que está tão acima dele.

Isto é o imenso poder do Papado e a imensa grandeza do papa. Esse é o primeiro pensamento.

* A beleza de Nossa Senhora não seria inteira se não fosse triunfal e esmagadora

Agora vem outro pensamento:

E depois reafirmamos a nossa mais confiante esperança na nossa Beatíssima Virgem que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação do mundo…

É a primeira parte da frase, a frase continua depois. O pensamento está muito claro: que Nossa Senhora, por ser imaculada, e enquanto imaculada e bela, esmagou a cabeça do demônio. Os senhores vêem que as idéias são inseparáveis.

O papa pensa na beleza de Nossa Senhora, ele pensa no poder dela, ele pensa imediatamente, por contraste, na hediondez do demônio, ele pensa no demônio enquanto esmagado por Ela. Quer dizer, a beleza dela não seria inteira — uma vez que é o demônio — a não ser que esta beleza fosse uma beleza triunfal e esmagadora sobre o demônio.

O demônio é o escabelo necessário d’Ela. Uma vez que Ela é tão pura, uma vez que Ela é tão linda, não bastaria que todas as criaturas deste mundo e do Céu A homenageassem, e do Purgatório. Mas era preciso que o inimigo estivesse quebrado aos pés d’Ela.

Então, a idéia completa da glória d’Ela envolve logo a idéia do demônio babando, estraçalhado, humilhado, com o rosto no chão, porque Ela quis e porque foi Ela instrumento de Deus para liquidar com ele. Isto faz parte da beleza d’Ela.

Isto é muito profundo dentro de nossa doutrina, porque é mais uma manifestação de nossa idéia de que o homem só apreende todo o fulgor da beleza e todo o fulgor do bem, quando é colocado em contraste como o erro, com o mal e com a feiúra, não é verdade?

Isso numa imagem da Imaculada Conceição fica muito claro, não é?

Bem, e depois dizer que nisto nós confiamos nEla. É porque Ela é bela, é porque Ela é imaculada, mas é porque também Ela esmaga o demônio.

* Razão de confiança e alento: Nossa Senhora esmagou o demônio e pode afastar qualquer alma da influência de seu império

E nós nos lembramos disso nas nossas horas de tentação? Estamos tentados, o demônio está procurando nos levar para o mal, temos medo de fracassar, de pecar, e, infelizmente, que Deus nos livre, digamos que algum tenha pecado. Nossa Senhora esmagou a cabeça do demônio e Ela pode, portanto, arrancar qualquer pecador das garras do demônio, pode afastar qualquer alma tentada da influência do império do demônio.

Como isto é uma razão de confiança e como isto deve dar alento à nossa vida espiritual.

* Ela é a alegria e a beleza do Céu, seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxílio

Continua. Aqui é um ponto e vírgula, o pensamento continua.

Então, primeiro, Nossa Senhora enquanto imaculada; depois, Ela enquanto bela e imaculada esmagou a cabeça do demônio; segundo, Ela enquanto imaculada é:

a glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos mártires, alegria e glória de todos os santos,…

Quer dizer, Ela é não só a que esmagou o demônio, mas Ela é a alegria e a beleza do Céu.

Terceiro, Ela é:

seguríssimo refúgio e o fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo,…

Os senhores estão vendo o que Ela é, não é? Não é o refúgio seguro, não é um auxílio fiel, não é? É um refúgio seguríssimo e é um auxílio fidelíssimo dos que estão em perigo.

Que relação tem isso com a imaculada conceição?

Nossa Senhora, que não teve esses perigos e foi confirmada em graça desde o primeiro instante de seu ser, quanta pena terá dos filhos que Ela vê vagando por este mundo, sujeitos a todos esses riscos.

Não há uma mãe católica, verdadeiramente tal, pelo mundo, que não tenha hoje em dia o coração nas mãos, continuamente, pelo medo do que pode suceder a seu filho.

Ora, Nossa Senhora quanto melhor mede isso, quanto melhor Ela vê isso, quanto mais — entre aspas — podemos dizer que Ela “se aflige” com a nossa situação, tanto mais certeza podemos ter de ser socorridos.

Isto é o que está entendido aqui.

* Poderosíssima medianeira e reconciliadora não só dos indivíduos, mas da sociedade humana com seu Filho

Depois continua:

poderosíssima medianeira e reconciliada de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito,…

Aqui vem uma impressão que não é mais dos indivíduos, mas é da sociedade humana como tal, é da Humanidade inteira, dos estados e das nações, da ordem pública que Ela reconcilia, e não apenas os indivíduos, não é isto?

* É ornamento da Igreja e sua solidíssima defesa

Bem, depois:

fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa.

Então Ela é o terror dos demônios e a honra e a glória do Céu. Ela é a proteção dos homens, Ela é o ornamento. Por quê? Porque a Igreja é um paraíso, é uma prefigura do Paraíso celeste, e se Ela é a honra do Paraíso celeste, Ela tem que ser a honra da Igreja Católica também.

Depois continua:

Reafirmamos a nossa esperança nAquela que sempre destruiu todas as heresias,…

Todas, inclusive as que mais possam angustiar.

salvou os povos fiéis de gravíssimos males de todo gênero…

Inclusive dos males que mais possam nos alarmar.

e a nós mesmos tem livrado de tantos perigos que nos ameaçam.

Confiamos que Ela queira, com sua eficassíssima proteção, fazer com que a nossa Santa Madre Igreja Católica, superando todas as dificuldades…

Inclusive as menos esperadas e mais tremendas.

esmagando todos os erros…

Mesmo aqueles que incidentalmente a gente pode conter num amplexo, como o “Estado de S. Paulo” apresentava hoje.

prospere e floresça cada vez mais no meio de todos os povos e em todos os lugares.

Esta afirmação de prosperar a Igreja no meio de todos os povos e em todos os lugares parece quase o antegozo do Reino de Maria.

* Pedir-Lhe que faça cessar o atual estado de coisas, desencadeie os castigos e instaure seu Reino

O que é que nós devemos pedir a Nossa Senhora hoje?

Eu tenho a impressão de que nós devemos dizer a Ela: “Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu”.

Nós devemos pedir a Ela hoje à noite que o Reino d’Ela venha logo e que cesse esta ordem de coisas em que a vontade d’Ela não é aceita na terra, em que os homens na terra não cumprem mais a vontade d’Ela, em que mesmo onde mais se poderia esperar que a vontade dela fosse comprida, esse cumprimento não existe.

O Reino d’Ela na terra é este. Este é que nós devemos pedir, e para isto nós devemos pedir a realização daquilo que Catarina Emmerich numa previsão gloriosa anuncia:

Num determinado momento, quando o mundo está posto numa confusão tremenda, quando ninguém mais se entende, quando há guerra de todo lado, morticínios de todo lado, ela vê de repente Nossa Senhora que entra no Vaticano — é curioso esse entrar, porque dir-se-ia que está dentro —, sobe ao alto da cúpula de São Pedro, do alto da cúpula Ela cobre a terra toda com o manto d’Ela, e a partir desse momento tudo começa a voltar à ordem, o mal se enfraquece, o bem vence estrepitosamente e Ela instaura o Reino d’Ela no mundo.

Isto, afinal, devemos pedir na noite de hoje. Que o mais urgentemente possível Ela suba à cúpula de São Pedro e que lá Ela faça cessar essa ordem de coisas, desencadeie os castigos necessários sobre o mundo, lave o mundo, e, a final de contas, instaure o Reino d’Ela.

* Notícias que nos fazem esperar que Nossa Senhora esteja atuando a fundo nos acontecimentos

Coincidência curiosa: os jornais deram hoje duas notícias eclesiásticas do encerramento do Concílio, e uma outra notícia bem menos notada e entretanto muito importante. E a notícia é de que a Rússia resolveu aumentar muito o seu orçamento militar por considerar que o perigo está muito grande, de uma conflagração mundial.

Essas duas notícias saem no mesmo dia: a notícia de que na França o unanimismo “deugaliano” foi vigorosamente derrotado, e uma outra notícia que indica um movimento de alma inteiramente inesperado.

São três coisas a bem dizer no mesmo dia que nos fazem esperar que Nossa Senhora esteja atuando a fundo dentro dos acontecimentos.

Vamos pedir a Ela que sempre seja mais e mais a fundo, para a maior glória d’Ela.

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