Santo
do Dia (Rua Pará) – 26/11/1965 – 6ª feira
[SD 032] – p.
Santo do Dia (Rua Pará) — 26/11/1965 — 6ª feira [SD 032]
Nome
anterior do arquivo:
São Pedro de Alexandria, preso, foi prevenido pelo Menino Jesus de que seria instado a perdoar Ario, que temia morrer excomungado * O Menino Jesus manifestou-se com os dois lados da veste rasgadas, simbolizando o mal feito por Ario à Igreja, comparável à túnica de Cristo * São Pedro de Alexandria estabeleceu penitências, que foram definidas para os vários tipos de pecado * Naquele tempo havia penitências públicas, associáveis a pecados de escândalo, assim como as leis determinavam penas infamantes para certos crimes civis *
* São Pedro de Alexandria, preso, foi prevenido pelo Menino Jesus de que seria instado a perdoar Ario, que temia morrer excomungado
É interessante lembrar que o ano litúrgico finda hoje e amanhã, com o primeiro Domingo do Advento, começa o ano litúrgico de 66-67.
Nós temos no dia 26, hoje, a vigília de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. E temos duas fichas concernentes a São Pedro de Alexandria, cuja festa também é amanhã.
Severidade de São Pedro de Alexandria para com Ario
O antecedente do fato é que São Pedro havia excomungado Ario.
O santo foi preso e Ario temeu que ele morresse sem lhe dar absolvição. Pediu, então, aos principais membros do clero que intercedessem por ele junto ao bispo. Os eclesiásticos, uma vez na prisão, foram visitar São Pedro.
Depois da oração costumeira, prosternados todos por terra, beijaram a mão do prelado e disseram: “Por vosso próximo martírio, usai de indulgência para com Ario. Perdoai-o”.
O homem de Deus respondeu-lhe com indignação, levantando as mãos para o céu: “Ousais suplicar por Ario? Ario, nesse mundo e no outro, está para sempre separado da glória do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo”. Perceberam que uma inspiração divina levava o bispo a falar dessa maneira.
De fato, mais tarde, São Pedro contou a um sacerdote, seu companheiro de prisão, porque fora aparentemente tão severo: “Alexandre, a loucura de Ario ultrapassou toda iniqüidade. O que eu disse, não disse por mim. Esta noite passada, quando a Deus endereçava minhas orações e vós dormíeis a meu lado, apareceu um menino de rara beleza, de seus doze anos, envolto numa luz que eu não podia suportar. Passada a primeira surpresa, perguntei-lhe: ‘Senhor Menino, quem te dilacerou assim as vestes?’
Porque o menino trazia a túnica de linho rasgada, de alto a baixo, de ambos os lados.
Respondeu-me: ‘Foi Ario que assim me pôs’. E acrescentou em seguida: ‘Guarda-te de não o teres na comunhão, porque amanhã virão interceder por ele. E diz a Aquila e a Alexandre, que serão teus sucessores e governarão a minha Igreja, que também não o recebam. Quanto a ti, próximo, muito próximo está o teu fim’.”
* O Menino Jesus manifestou-se com os dois lados da veste rasgadas, simbolizando o mal feito por Ario à Igreja, comparável à túnica de Cristo
Os senhores vêm que o fato é sublime.
São Pedro de Alexandria estava preso e delineava-se um movimento para que ele, antes de morrer, perdoasse Ario. E Ario, naturalmente, só queria esse perdão, por maldade, por falsidade. Ele não tinha nenhuma intenção boa, não tinha nenhuma contrição verdadeira. Ele queria fazer mau uso desse perdão para mais uma vez iludir os bons e arrastar um número maior deles para a perdição.
Então, para evitar o mal que adviria em que São Pedro atendesse esse pedido, realizou-se uma aparição durante a noite. E o Menino Jesus se manifestou a São Pedro com os dois lados de sua veste rasgados, para mostrar exatamente que Ario tinha feito assim com a Igreja, que é comparada à túnica de Cristo. E depois dizendo: “Não o receba, e os teus dois sucessores que não o recebam também”. E, mais ainda, dizendo que para Ario já não havia perdão; que era tal o mal que ele tinha praticado, que nesta terra para ele não haveria mais perdão.
Os senhores estão vendo a severidade divina até onde pode chegar, por vezes, em relação a uma pessoa viva.
* São Pedro de Alexandria estabeleceu penitências, que foram definidas para os vários tipos de pecado
São Pedro foi bispo de Alexandria, ao tempo das perseguições de Diocleciano, Galério e Maximino Daia. Ao iniciar-se a primeira perseguição no tempo de seu episcopado, prescreveu penitência, durante a Páscoa, para os católicos que tivessem cedido aos perseguidores. Haviam católicos que se deixavam intimidar, e que cometiam a abominação de queimar incenso aos ídolos. Depois, iam desesperados procurar a Igreja, para pedir perdão.
Então, São Pedro de Alexandria determinou que se fizessem penitências pelas ações infames que eles tinham praticado. Assim, aos que não suportavam a prisão e a tortura por causa da fragilidade do corpo, declarava que quarenta dias de jejum eram necessários para que se purgassem.
Aos que tendo sofrido a prisão, deixavam-se vencer no combate, um ano de penitência. Aos que nada tendo sofrido, eram dominados pelo temor e vinham à penitência, propunha-lhes a parábola da figueira estéril: se depois de um ano apresentassem frutos dignos, tinham direito de ser socorridos. Quanto aos impenitentes desesperados, a esses era dado conhecer a parábola da figueira maldita: não adianta nada, é preciso cortar e jogar fora.
Os senhores estão vendo por aí as formas de penitência extremamente categóricas da Igreja antiga, mas ao mesmo tempo penitências que tinham esse lado bonito: que deixavam, em quase todos os casos, o caminho aberto para o perdão. Quer dizer, exceto aqueles que não se penitenciavam, então para os outros estava aberto o caminho do perdão.
* Naquele tempo havia penitências públicas, associáveis a pecados de escândalo, assim como as leis determinavam penas infamantes para certos crimes civis
Mas os senhores notem bem: era um tempo em que havia penitências públicas. Em que não era apenas penitências privadas, mas que quem dava um escândalo, para ser admitido de novo aos Sacramentos, tinha que publicamente sofrer um vexame correspondente ao mal que tinha praticado. Era essa a coisa.
Então os senhores compreendem o desagravo que a moralidade pública com isso recebia. Os senhores imaginem isso transformado num costume do nosso tempo e os senhores compreenderão o caráter profundamente salutar dessa lei.
Transformado num costume do nosso tempo, dava o seguinte:
Uma atriz célebre, por exemplo, que levou uma vida escandalosa, participando em filmes imorais, ela quer voltar a receber os Sacramentos. Muito bem, recebia com todo carinho e com todo afeto. Porém, como o seu pecado foi público, ela tem que comparecer, várias vezes em seguida, a várias igrejas da diocese onde mora e ela tem que ler publicamente um pedido de perdão a Deus e a todos aqueles a quem ela escandalizou pelo mal que ela fez. Quer dizer, assim se reconstitui a dignidade pública ultrajada, e assim se remedeia a glória de Deus.
Era isso exatamente num tempo em que as leis também tinham penas infamantes para certos crimes civis. Por exemplo, quem era pego em pecados contra a carne, quem era pego em pecados de adultério e outros pecados, por exemplo, esses eram induzidos com uma espécie de cola, enrolados nus e depois em grandes camadas com penas de pato e penas de galinha. A pessoa ficava toda ridícula eriçada de penas. Mas, ao mesmo tempo, cuidadosamente coberta, não aparecia nada. Assim, descalço, era obrigada a percorrer, com a molecada, as ruas centrais da cidadezinha onde morava.
Os senhores compreendem que os moleques não perdem ocasião para fazer uma festa e para dizer tudo quanto lhes ocorra. Depois a pessoa volta para casa e fica explicado o que ela fez.
Agora, com isso a moralidade pública é desagravada. E com isso o perdão não significa uma atitude de fraqueza, mas é uma atitude de genuína bondade.
Então os senhores compreendem isso praticado pela Igreja e praticado pela sociedade temporal, a força que tem a moralidade pública para punir todos que escandalizam. Os senhores compreendem como na situação atual isso é diferente. Peca: “Ah, coitado! Vamos perdoar, coitado, não teve culpa. Foi uma atenuante. Tal coisa foi atenuante para ele. Ai de quem atirar contra ele a primeira pedra! Ai de quem falar mal!”.
Quer dizer, quem representa o papel da moralidade pública, recebe todas as pedradas se falar. E o pecador está lá comodamente, sem nenhum desagravo, no meio dos outros. Os senhores compreendem como isso aí é errado.
Então os senhores têm aí uma idéia do valor dessas penas públicas que a antiga Igreja praticava.
*_*_*_*_*