Santo
do Dia (Rua Pará) – 24/11/1965 – 4ª feira
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Santo do Dia (Rua Pará) — 24/11/1965 — 4ª feira [SD 032]
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Descrição do martírio de Santa Catarina, sepultada na região do Monte Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sua lei, que ela guardara tão fielmente escrita no coração * As mulheres que a acompanhavam choravam, mas Santa Catarina estava quieta e com uma grande calma, inundada de graças do Espírito Santo * Ao invocar “Jesus Cristo, meu Deus”, afirmava não reconhecer outro Deus * “Eu Vos agradeço por ter pertencido a Vós” * Uma santa intimidade: pedir a Nosso Senhor que a receba nos braços que foram feridos sobre a Cruz * Os outros pedidos da oração: perdão pelas faltas, ser lavada no Sangue d’Ele, não ter o corpo profanado * Uma graça: ser sepultada no Sinai * Pede para ser intercessora, para glória de Deus * Devemos pedir a ela a serenidade que só a Graça dá, perante a morte
* Descrição do martírio de Santa Catarina, sepultada na região do Monte Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sua lei, que ela guardara tão fielmente escrita no coração
Hoje é festa de São João da Cruz, confessor e doutor da Igreja, reformador da Ordem do Carmo. Século XVI. Amanhã vai ser festa de Santa Catarina, virgem e mártir.
Sobre a morte de Santa Catarina, o Abbé Daras, na “Vida dos Santos”, tem essa narração:
Maximiliano, imperador, ordenou a morte de Santa Catarina. Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte. A virgem caminhava com grande calma. Antes de morrer, fez a seguinte oração: “Senhor Jesus Cristo, meu Deus, eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e de terdes dirigido meus passos na via da salvação. Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso nome. Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue. Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós. Não deixeis meu corpo martirizado por Vosso amor em poder dos que me odeiam. Baixai vosso olhar sobre este povo e dai-lhe o conhecimento da verdade. Enfim, Senhor, exaltai, em vossa infinita misericórdia, aqueles que vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso nome seja para sempre bendito”.
Em seguida, mandou que os soldados cumprissem as ordens e sua cabeça foi decepada de um só golpe. Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados. Os anjos, como ela o desejara, transportaram seu corpo para a santa montanha do Sinai, a fim de que repousasse onde Deus escrevera sobre a pedra sua lei, que ela guardara tão fielmente escrita em seu coração.
Isto é um dos trechos de uma tal elevação, que a gente lamenta ter que comentá-lo. Ficaria mais satisfeito deixando assim o texto brilhando ao céu, no horizonte, suspenso, sem apoio nenhum na realidade, emitindo luzes. Mas já que é preciso comentar, vamos aos pormenores.
* As mulheres que a acompanhavam choravam, mas Santa Catarina estava quieta e com uma grande calma, inundada de graças do Espírito Santo
Foi ela conduzida ao lugar do suplício em meio a uma multidão, sobretudo de mulheres de alta condição, que choravam a sua sorte.
O comentário é baixa de nível, mas se os senhores pensarem que são sobretudo as senhoras de alta condição que constituem a máfia hoje em dia, os senhores vêem como as situações têm mudado. O que ainda tem de possibilidades um país onde as senhoras de alta condição acompanham, ao lugar do suplício, solidarizando-se com ela, chorando junto a ela, uma mártir que foi fulminada pela cólera do imperador! Um imperador onipotente, que pode mandar matar todos aqueles que se desagradarem de alguma atitude dele. Entretanto, essas damas vão todas com Santa Catarina, e vão chorando.
Para verem a diversidade dos dons do Espírito Santo e dos efeitos da graça, o bonito é que elas vão chorando, e é bom que elas vão chorando. Mas contrasta, pela sublimidade, com isso, com esse dom das lágrimas que as mulheres tiveram nesse momento, o fato de que Santa Catarina não chorava. Ela permanecia quieta, e com uma grande calma. Ela caminhava de encontro à morte, inundada de graças do Espírito Santo de outra natureza, por onde ela não chorava para si aquilo que a graça queria que as outras chorassem para ela.
Como deveria ser impressionante este cortejo de damas, andando no meio dos soldados, e ela no meio, a única calma, a aconselhar a todas que tivessem tranqüilidade, que tivessem consolação, até chegar o momento em que ela devia morrer.
Aí, no fim da vida, ela emite uma oração. Essa oração é muito bonita e tem aquela forma especial de beleza que tem certas coisas muito bonitas, quando não são inteiramente conseqüentes na sua lógica. São um conjunto de afirmações que são como raios de luz, que não procedem de um mesmo foco, mas que brilham com uma beleza própria no horizonte.
* Ao invocar “Jesus Cristo, meu Deus”, afirmava não reconhecer outro Deus
Os senhores vêm aqui a idéia dela:
Senhor Jesus Cristo, meu Deus…
É para afirmar que Ele era o Deus dela e que ela não reconhecia outro Deus, senão Ele.
Então a primeira coisa que ela diz, no momento de morrer, a primeira graça, a primeira palavra, o primeiro pensamento dela qual é? É para essa primeira graça:
* “Eu Vos agradeço por ter pertencido a Vós”
… eu vos agradeço terdes firmado meus pés sobre o rochedo da fé e de terdes dirigido meus passos na via da salvação.
Quer dizer, eu vos agradeço de ter pertencido a Vós. Vós que sois a fonte de minha salvação, Vós que sois o ponto de partida de todo bem que pode haver em mim. Eu sou boa, porque Vós sois bom e porque Vós me destes o ser boa. Eu Vos agradeço a fé que me destes e a firmeza que me destes na fé. Eu vos agradeço o amor à virtude que me destes e a firmeza que Vós me destes no amor à virtude. É essa primeira coisa que Vos agradeço, reconhecendo que tudo que em mim há, de vossa iniciativa eu devo, ou à Vossa iniciativa eu devo.
* Uma santa intimidade: pedir a Nosso Senhor que a receba nos braços que foram feridos sobre a Cruz
Abri agora vossos braços feridos sobre a cruz, para receber minha alma, que eu sacrifico à glória de Vosso nome.
Pode haver uma coisa mais bonita do que isso? O Divino Crucificado, com os braços todos sangrando, que os desprende da cruz para receber a alma dela, que sai também inundada do sangue do martírio, para ser recebida por Ele.
Que maravilhosa intimidade! Que encontro do mártir dos mártires com uma mártir heróica e grandiosa. Que idéia do sangue dela misturando-se ao Sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que noção do Corpo Místico de Cristo há nisso! Que sacratíssima e augustíssima intimidade com Nosso Senhor!
Ela tinha de tal maneira a idéia de que a alma dela estava unida a Ele, que a morte selava essa união, que ela pedia que Ele a abraçasse logo que ela entrasse na eternidade. Que certeza de ir para o Céu!
* Os outros pedidos da oração: perdão pelas faltas, ser lavada no Sangue d’Ele, não ter o corpo profanado
Depois dizia:
Lembrai-vos, Senhor, que somos feitos de carne e sangue.
Que somos feitos, hein? Os dois.
Perdoai-me as faltas que cometi por ignorância e lavai minha alma no sangue que vou derramar por vós.
Quer dizer, ela tinha medo de ter por ignorância cometido alguma coisa. Então isso era o que ela tinha para se acusar para si própria. Então: “Lavai a minha alma no Vosso sangue. Antes de ir para o Céu, antes de derramar o meu sangue por Vós, eu quero que Vós laveis a minha alma no Vosso Sangue”.
Não deixeis meu corpo martirizado por Vosso amor em poder dos que me odeiam.
Ela, então, depois de ter pensado na alma dela, ela pede que a alma seja recebida por Nosso Senhor, ela pede, depois, que a alma dela seja lavada das faltas que tenha, e depois ela pensa no corpo dela. Então, no corpo dela, ela pede que o corpo não seja deixado em mãos dos inimigos dela, daqueles que odeiam a ela, porque odeiam a Ele.
Vejam que respeito pelo corpo próprio, que respeito pela santidade do corpo que foi um conosco na realização da virtude.
* Uma graça: ser sepultada no Sinai
Também, que atendimento magnífico dessa oração! Foi só ela morrer, que os anjos vieram e levaram o seu corpo para onde? Para a montanha mais augusta que há na terra, depois do Gólgota, depois do Monte Calvário, e que é o Sinai, onde a Lei de Deus foi dada aos homens. A coisa mais bela depois do Sinai é certamente a Lei de Deus. Então, ali o corpo foi levado.
Os senhores sabem que até hoje o corpo dela está lá, e há um mosteiro de monjas contemplativas, no deserto do Sinai, que guardam esse corpo, e que meditam sobre a Lei de Deus que ali foi concedida aos homens.
Baixai vosso olhar sobre este povo e dai-lhe o conhecimento da verdade.
Ela já não pensa em si, mas nos circunstantes.
* Pede para ser intercessora, para glória de Deus
Enfim, Senhor, exaltai, em vossa infinita misericórdia, aqueles que vos invocarão por meu intermédio, para que Vosso nome seja para sempre bendito.
Quer dizer, ela pede desde já para Deus que atenda todo mundo que por meio dela pedir alguma coisa.
Em seguida, mandou que os soldados cumprissem as ordens e sua cabeça foi decepada de um só golpe.
A calma e a resolução. Feita a oração, nenhum tremor, nenhum desejo de contemporizar um pouco. Também nenhuma precipitação de quem tem medo de enfrentar a morte correndo em direção a ela. Não, ela diz tudo quanto tem que dizer. E terminado isso, ela se entrega às mãos de Deus. Os soldados a matam e a oração dela se atende.
Era o dia 25 de novembro. Numerosos milagres logo foram constatados.
Então, fala dos anjos que foram lá. E assim nós temos a consideração dessa grande santa, mártir, para algum efeito para nós de caráter espiritual.
* Devemos pedir a ela a serenidade que só a Graça dá, perante a morte
Qual é o efeito que nós devemos pedir?
Nós devemos pedir a ela que quando chegar a ocasião da Bagarre, quando chegar a ocasião em que tantos de nós, na luta contra o comunismo, contra outros adversários da Igreja, tivermos que sofrer risco, ou talvez perda de vida, tenhamos aquela serenidade que só a graça dá perante a morte. Porque perante a morte, só há duas espécies de pessoas serenas: o cretino ou o homem movido pela graça de Deus.
A morte é uma coisa tão tremenda, a dissolução entre a alma e o corpo, a liquidação do ser, o aparente afundar no nada, são coisas tão tremendas, que a gente só compreende a serenidade da morte, do cretino que está cronicamente habituado a não medir a importância do que lhe vai acontecer, ou então do homem que está dominado pela graça.
Vamos pedir, então, que em todas as ocasiões da vida nós tenhamos essa calma diante do risco de vida e calma que seja levada até o sacrifício externo, caso essa seja a vontade de Nossa Senhora.
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