Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 19/11/1965 – 6ª feira [SD 339] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 19/11/1965 — 6ª feira [SD 339]

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A FESTA DE SANTA ISABEL DA HUNGRIA NÃO É DIA 17/11? JÁ EXISTE UM ARQUIVO COM A DATA DE 19/11. AVELINO

Biografia de Santa Isabel da Hungria sob o ângulo do itinerário de muitos santos: drama com a santificação inicial, chegando ao heroísmo, período de estabilidade e morte * Santa Isabel: glória da Ordem Franciscana e ornamento da Idade Média * As três etapas da vida de muitos santos correspondem à ordem de tudo aquilo que existe, vive e atua * Essas três etapas na vida e na luta de nosso Pai e Fundador * Devemos nos preparar para a luta com muito entusiasmo e combatividade, pedindo a Santa Isabel que nos dê a coragem para as grandes horas

* Biografia de Santa Isabel da Hungria sob o ângulo do itinerário de muitos santos: drama com a santificação inicial, chegando ao heroísmo, período de estabilidade e morte

Hoje é festa de Santa Isabel, viúva, filha do rei da Hungria e duquesa da Turíngia. Século XIII.

Eu me lembro que já existia Santo do Dia no ano passado, quando nós fizemos o comentário de Santa Isabel da Hungria, e que eu dei alguns traços biográficos a respeito, que eu não vou repetir. Eu gostaria de considerar a biografia dela debaixo de outro ângulo, que é um ângulo muito interessante, que é o seguinte:

Como o itinerário da vida de muitos santos, vamos dizer, a linha geral da vida de muitos santos, parece com a de Santa Isabel da Hungria. É uma situação inicial, a santificação inicial cria um drama, esse drama leva até ao heroísmo, depois existem alguns anos de aperfeiçoamento e de estabilidade na quietude e no heroísmo, e depois vem, então, a morte.

Quer dizer, há uns casos, o caso revolve a pessoa inteira e muda a pessoa de situação, e quase que muda a pessoa, quase que a pessoa perde … [inaudível]… consigo mesma, e deixa a pessoa na posição que poderia definir. Aí a pessoa passa mais alguns anos e depois vem a morte.

Os senhores encontram isso em quase todos os santos que mudaram de estado de vida.

O santo mais característico assim é Santo Inácio de Loyola. Santo Inácio de Loyola que vive, é um gentil-homem que freqüenta a corte, que quer fazer carreira, que é guerreiro, e que tem todas as ambições costumeiras a um gentil-homem secundário de uma casa boa de seu tempo. Depois o drama.

O drama começa com o ferimento no cerco de Pamplona e termina com ele fundando a Companhia de Jesus. Quer dizer, aquele período convulsionado, dificílimo, etc., etc., da vida dele. Funda a Companhia de Jesus, então é um período de luta, mas de luta menor, de estabilidade. Daí a algum tempo depois ele morre.

Assim nós temos, por exemplo, Santa Teresa de Jesus. Santa Teresa de Jesus tíbia, que é a mesma nessas duas fases, quer como pessoa no século, quer como religiosa relaxada nos carmelitas calçados, que depois se transformaram tanto, a ponto de serem um vergel de santidade nos dias de hoje e que naquele tempo representavam o ramo relaxado da Ordem do Carmo. Depois de certo momento, o drama. É a religiosa tíbia que passa a ser religiosa fervorosa e fundadora. Então, aquela briga toda com … [inaudível]…, aquela tragédia. Depois, um ponto de fixação: a obra está fundada, ela fica Geral da obra, dirige a obra por algum tempo e morre.

* Santa Isabel: glória da Ordem Franciscana e ornamento da Idade Média

A mesma coisa com Santa Isabel da Hungria. Santa Isabel da Hungria, os senhores se lembram, era filha do rei da Hungria, ela foi casada com o duque da Turíngia. Era, portanto, uma senhora de alta posição social, que vivia com muita virtude sempre. Não se pode falar propriamente de uma conversão dela, mas ela vivia feliz no século. Deus a destinava a ser uma glória da Ordem Franciscana para iluminar toda a Idade Média, e algo de mais alto do que só uma glória da Ordem Franciscana, mas um dos ornamentos da Idade Média.

A Idade Média pode ser considerada como uma catedral do lado de fora, da qual existem na fachada muitos santos. Uma dessas figuras ornamentais e inspiradoras é exatamente Santa Isabel da Hungria.

Mas, então, aí um drama: é o marido que vai para a Cruzada, é ela que fica sozinha, depois ela perde o ducado, depois ela é perseguida, depois é chamada para uma vida muito mortificada e muito miserável. Nisso tudo ela passa por dilacerações tremendas, e, nessa coisa, a boa moça se transforma numa heroína. E depois, a heroína se transforma na santa que vive … [inaudível]… tempo na santidade e que depois morre.

São as três etapas de numerosíssimas biografias de santos.

* As três etapas da vida de muitos santos correspondem à ordem de tudo aquilo que existe, vive e atua

Ao que é que correspondem essas três etapas, no fundo? Correspondem mais ou menos à ordem de tudo aquilo que existe. Tudo aquilo que vive e que atua é assim: nasce, cresce até o ponto de luta, depois trava sua luta, e quando vence, vence. Durante algum tempo vive para presidir a obra que fundou, para conservá-la. E terminada a obra, morre.

Os senhores vejam, por exemplo, na vida: é uma série de princípios da estética do universo. Por exemplo, a vida humana comum. Uma família se constitui, começa a haver a luta para ganhar a vida e para formar os filhos, para santificar os filhos e fazer deles verdadeiros ultramontanos. Quando há uma batalha e que se vence isso, então já os pais estão velhos. Tem um período de estabilidade … [inaudível]… confia … [inaudível]… e depois disso ele morre.

Quer dizer, há o jardinar e o florescer. Há o presidir e depois há o presidir a concretização daquilo que se presidiu. E daí … [inaudível]… constante do que dizem as biografias.

* Essas três etapas na vida e na luta de nosso Pai e Fundador

Isso também provavelmente se dará conosco. Quer dizer, nós temos um período de germinação, mas uma germinação que já está plenamente chegado para o lado da luta. Porque cada vez mais a nossa luta vai se tornando intensa, vai se tornando grande, vai se tornando universal, e não tenham os senhores dúvida disso: ela vai estourar num drama e vai estourar num estouro que não sei como é que será, mas será um estouro … [inaudível]… e que vai se entrelaçar com a Bagarre. Depois vem o Reino de Maria, e aqueles de nós que sobrevivermos estaremos na fundação do Reino de Maria … [inaudível]… sempre com força, sempre com vida, mas numa espécie de paz que já é meio vizinha da eternidade, a obra que for possível fazer transpor a todos os obstáculos, a todas as dificuldades. E depois também chegará a nossa ocasião de preparar a nossa alma, apresentarmos as nossas contas para Deus.

Os senhores estão vendo que existe, portanto, nessas coisas, uma arquitetura. E essa arquitetura é particularmente visível com os membros mais provados do Movimento. A história de um membro muito provado do Movimento e, portanto, membro predileto de Deus, de Nossa Senhora, a história é assim: a coisa vai indo bem, assim, tram, tram, lá, lá, lá, em certo momento sai uma … [inaudível]…, uma encrenca interna tremenda, uma coisa qualquer. Vem a … [inaudível]… e daí … [inaudível]. E, às vezes, vem várias vezes seguidas … [inaudível].

Nós devemos compreender, portanto, que todos esses dramas fazem parte dessa arquitetura e que a vida não seria vida e não teria sentido se não fosse exatamente essa face de luta, e que nessa arquitetura, essa face de luta, essa face de tragédia, essa face de martírio é o … [inaudível]… em função do qual todo o resto vive. Uma coisa é a preparação e outra é a conclusão, mas sempre é essa parte de luta, é essa face viva, essa face dramática, em que o homem dá tudo quanto tem, tudo quanto pode, etc.

* Devemos nos preparar para a luta com muito entusiasmo e combatividade, pedindo a Santa Isabel que nos dê a coragem para as grandes horas

E nós devemos nos preparar para isso com muito entusiasmo, muita combatividade, como um cavaleiro se preparava durante sua vigília de armas. Quer dizer, compreendendo que toda a nossa vida vai ser essa fase, e essa fase, sobretudo: alguma hora interior em que o indivíduo sua o sangue que Nosso Senhor suou no Horto das Oliveiras. Mas ele tem um ponto de fidelidade e toca para frente … [inaudível]…, misericórdia e toca para frente. Porque é o ápice da vida, é o ponto mais alto da vida.

Feliz da vida que apresenta muitos ápices e, por cima destes ápices, um ápice que é o ápice central. E aí os senhores compreendem que beleza é a vida de cada homem, considerada … [inaudível]… , porque essas vidas de … [inaudível]…não são nada, mas quando é uma vida de filhos de Deus, que beleza é toda essa arquitetura e que sentido faz … [inaudível].

A vida de Santa Isabel da Hungria nos apresenta exatamente um exemplo muito frisante, muito importante. Vamos pedir a Santa Isabel que nos dê a coragem nessas grandes horas, e nos dê o desejo dessas grandes horas, porque é assim que … [inaudível].

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