Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 19/11/1965 –
6ª feira [SD 339] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 19/11/1965 — 6ª feira [SD 339]
Nome
anterior do arquivo:
Dados biográficos de São Félix: príncipe da família real da França; chamado para especial vocação; taumaturgo; cruzado; co-fundador dos Trinitários * Imaginando um colar de placas de esmalte, reproduzindo os fatos da vida de São Félix, nosso Fundador comenta: “Os senhores teriam o mais belo colar da História” * O significado dessa biografia: Nossa Senhora contente com a Idade Média e multiplicando prodígios para exprimir sua alegria * O que iremos ver no Reino de Maria, já que vai ser maior que a Idade Média?
* Dados biográficos de São Félix: príncipe da família real da França; chamado para especial vocação; taumaturgo; cruzado; co-fundador dos Trinitários
Hoje é festa de Santa Isabel, viúva, filha do rei da Hungria e duquesa da Turíngia. Século XIII.
Amanhã, dia 20 de novembro, nós teremos a festa de São Félix de Valois, confessor. Da família real da França, fundou, com São João da Mata, a Ordem dos Trinitários para resgate dos cativos.
A respeito dele nós temos na biografia do Abbé Daras, na “Vida dos Santos”, os seguintes dados biográficos:
São Félix de Valois foi grande por seu nascimento e maior ainda por suas virtudes. Seu pai era conde de Vermandois e de Valois, filho do duque de França e neto de Henrique I, rei de França. Sua mãe era filha de Thibaud III, chamado o Grande, conde de Blois e de Champagne.
Quando de sua gestação, sua mãe fez uma novena a São Lupo, arcebispo de Rouen. No último dia da novena, estando de joelhos diante do altar do santo prelado, ela adormeceu e viu em sonho a Bem-aventurada Virgem Maria segurando seu Divino Filho em seus braços. Ao seu lado estava uma outra criança, bela e graciosa. Nosso Senhor levava uma cruz nos ombros, e a outra criança segurava uma coroa de flores na mão. Então elas fizeram uma troca: Nosso Senhor deu sua cruz à criança, que lhe entregou a coroa.
A princesa procurava entender o sentido da visão, quando São … [inaudível]… apareceu e lhe disse: “Esta criança que tu não conhecias é teu filho, que trocará as flores-de-lis de França pela cruz de Jesus Cristo, e ele a dividirá contigo para que ambos se assemelhem a Jesus Crucificado”.
Com efeito, o menino dividiu a cruz em duas partes, dando uma à sua mãe e guardando outra consigo.
Após a morte de sua mãe, São Félix foi chamado à corte onde tomou a cruz para acompanhar o rei numa Cruzada. Um dia em que se exercitava com o príncipe num torneio, o jovem caiu do cavalo, vindo a falecer. O santo correu ao local, tomou a mão do cadáver e lhe diz: “Em nome da Trindade Santa, levanta-te”. No mesmo instante, o jovem levantou-se, curado.
Durante a Cruzada, o jovem príncipe deu mostras do seu valor e virtude. Mantinha, no meio do campo de luta, a vida austera de Claraval, unindo ao ardor e coragem militar, a modéstia e discrição do religioso. Distinguiu-se em todas as batalhas em que tomou parte e, quando voltou a Paris, quis se dar a Deus.
Embora fosse um dos mais próximos herdeiros do rei, trocou realmente a flor-de-lis pela cruz e fez-se religioso.
Após a fundação da Ordem dos Trinitários, para a redenção dos cativos, São Félix foi encarregado da direção do convento de … [inaudível]. Instruídos por sua palavra e seus exemplos, os religiosos levavam vida exemplar, de tal forma que a Santíssima Virgem e os anjos dignaram-se honrar com sua presença esse mosteiro.
Em certa véspera da natividade de Nossa Senhora, o sacristão tendo esquecido de soar as Matinas, São Félix desceu ao coro para preparar o que era necessário. Mas ele já o encontrou ocupado pelos anjos, vestidos com o hábito de sua Ordem. A Santíssima Virgem, também de hábito, sentada sobre um trono, presidia essa assembléia. Parecia que se esperava o santo para começar as Matinas, porque logo que este entrou, a Santíssima Virgem começou a Antífona, que foi continuada pelos anjos com uma harmonia incomparável. E São Félix cantou com os anjos. Quando a visão desapareceu, ficou em sua face extraordinário esplendor.
* Imaginando um colar de placas de esmalte, reproduzindo os fatos da vida de São Félix, nosso Fundador comenta: “Os senhores teriam o mais belo colar da História”
A gente ficaria tentado a não comentar. Porque algumas coisas dessas … [inaudível]… tem de comentar. Deve dizer humildemente que não deveria comentar, porque elas trazem em si o seu próprio comentário.
Os senhores imaginaram esse convento com tanto fervor, em que se dá tal glória a Deus, que num dia, por um desígnio da Providência, o irmão esquece de soar Matinas. E a Providência faz isso para operar uma maravilha maior! Então, imaginar anjos vestidos de religiosos, enchendo as estalas do coro, Nossa Senhora sentada num trono magnífico, Ela fere a Antífona e todos os anjos cantam! E São Félix de Valois que chega lá, e em vez de se espantar e perder a cabeça, entra no canto também, mistura o canto dele com o canto dos anjos e de Nossa Senhora!
Os senhores imaginem isso para nossa confusão: os senhores imaginem alguém entrar aqui durante a noite, entrar aqui para rezar e ver isso aqui cheio de anjos, Nossa Senhora sentada ali ou aqui, e cantando! E os senhores podem imaginar o que nós sentiríamos! Quer dizer, era uma coisa que nem sei o que era o caso de dizer.
Esse foi o ponto-ápice da vida desse príncipe, constante, toda ela, de uma série de fatos tão bonitos, que dava para a gente fazer com eles um verdadeiro colar.
Os senhores imaginem um colar constituído de placas de esmalte, em que cada placa de esmalte reproduzisse um desses fatos. Os senhores teriam o mais belo colar da História, o mais belo colar da Terra, de tal maneira essa vida é maravilhosa.
Os senhores vêem aí o mistério da predestinação. Antes de o príncipe nascer, a Providência tinha resolvido fazer dele uma verdadeira maravilha. Então, os senhores vêem esse sonho admirável que a mãe dele teve, em que aparece o príncipe, aparece o Menino Jesus, aparece Nossa Senhora, e as relações todas que haveria entre o Menino Jesus e São Félix são explicadas para a mãe. Depois os senhores vêem a ele como lutador, como batalhador, como grande guerreiro. Depois os senhores vêem a ele como religioso que renuncia a todas as coisas da Terra para se ocupar só com a ordem religiosa. E, afinal de contas, essa espécie de glorificação na Terra, que é a entrada dos anjos no convento dele para junto com ele glorificarem a Deus!
De cada uma dessas coisa se poderia fazer uma iluminura, ou se poderia fazer um esmalte maravilhoso, e fazer uma biografia das mais bonitas que se possa conceber.
* O significado dessa biografia: Nossa Senhora contente com a Idade Média e multiplicando prodígios para exprimir sua alegria
O que isso significa, essa biografia?
Essa biografia significa, em última análise, o seguinte: a Idade Média dando muita glória a Nossa Senhora, Nossa Senhora contente com a Idade Média, e multiplicado os prodígios para dizer quanto Ela estava satisfeita. Isso é um desses gêneros de prodígios em série, feitos para exprimir a alegria de Nossa Senhora, e que não seriam possíveis numa cidade de hoje em dia.
Salvo um milagre que saísse completamente da ordem comum da Providência, os senhores podem imaginar que esses fatos se dessem no Empire State Building de Nova Iorque? Os senhores podem imaginar que esses fatos se dessem, por exemplo, na Califórnia, como no-la descreveram o José Lúcio, o Martim Afonso e o Mário, com aquela Califórnia do way of life, com aquela … [inaudível]…, aquelas casinhas e tudo? Não era possível, salvo algo que extrapolasse completamente a ordem da Providência.
E por que não era possível? Não há alegria de Deus ali. Como não é possível nas nossas grandes cidades modernas. Como não é possível no nosso interior, tornado tão prosaico pelo espírito das grandes cidades e por causa de outros fatores. Essas maravilhas só acontecem onde há muitas outras maravilhas, e para coroar maravilhas.
* O que iremos ver no Reino de Maria, já que vai ser maior que a Idade Média?
Nós nos devemos, entretanto, deter embevecidos na contemplação desses fatos. Porque aí nós compreendemos o que é a misericórdia de Deus e de quantos esplendores a Civilização Cristã é capaz. E sobretudo isso: se é verdade — e é verdade — que o Reino de Maria ainda vai ser maior do que a Idade Média, se essas coisas se viram na Idade Média, o que é que nós veremos no Reino de Maria?
Então, nós compreendemos que todo o suor, sangue e lágrimas que nós vertemos na época atual para trazer o Reino de Maria na Terra, está muito bem recompensado. Porque quando nós olharmos para essa … [inaudível]… histórica que vem, que nós descobrirmos coisas ainda mais bonitas que essas, e pensarmos que a Providência quis se servir de nós para fazer cessar esses horrores e para vir a era daquelas maravilhas, nós poderemos dizer como Jó: “Bendito o dia que me viu nascer, benditas as estrelas que me viram pequenino, bendito o momento em que minha mãe disse: nasceu um homem”.
Realmente, cada um de nós poderá dizer isso, porque nós teremos, pela força de Nossa Senhora, derrubado toda a cidade da iniqüidade e feito nascer o Reino de Maria, mil vezes mais esplendoroso do que esses esplendores que nós acabamos de ver.
*_*_*_*_*