Santo do Dia (Rua Pará) – 5/11/1965 – 6ª feira [SD 341 e 342] – p. 6 de 6

Santo do Dia (Rua Pará) — 5/11/1965 — 6ª feira [SD 341 e 342]

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Deve-se venerar as relíquias dos santos por três motivos: eles vivem com Nosso Senhor, seus corpos foram templos do Espírito Santo, e ressuscitarão para a glória * A saliva e o sangue de Nosso Senhor, tendo saído do seu corpo, operaram milagres, pois tinham relação com sua alma * Os restos de ossos, cinzas e carne dos santos canonizados voltarão a fazer parte de seus corpos quando ressuscitarem ao fim da história do mundo, e estarão no Paraíso junto a Deus * Motivos para incentivar os membros do Grupo a praticarem o culto das relíquias * Preocupação com a garantia de autenticidade para expor as relíquias à veneração * Mesmo para com as relíquias não autenticadas o Sr. Dr. Plinio recomenda o respeito * Relíquias nas espadas de dois militares que eram membros do Grupo

* Deve-se venerar as relíquias dos santos por três motivos: eles vivem com Nosso Senhor, seus corpos foram templos do Espírito Santo, e ressuscitarão para a glória

relíquias que se conservam nas igrejas do Brasil e particularmente para nós das que se conservam na nossa capela. É também aniversário de ordenação de Frei Jerônimo van Hintem, diretor do Sodalício Virgo Flos Carmeli.

A propósito da festa de ordenação de Frei Jerônimo, pelo qual nós rezaremos no fim da reunião, eu queria dar um aviso aos senhores: é que amanhã à noite não haverá adoração na Basílica do Carmo, e depois de amanhã não haverá reunião do Sodalício Virgo Flos Carmeli. Esses atos foram cancelados para nós no mês de novembro, realizando-se normalmente no mês de dezembro.

Agora vamos então considerar, ver a leitura do que nos diz D. Guéranger a respeito das relíquias.

No século XVI, a heresia, profanando os túmulos dos santos, pretendeu abolir o culto das relíquias, mas em sentido contrário a esses péssimos reformadores, o Concílio de Trento não fazia senão exprimir o testemunho unânime da tradição, a definição seguinte, onde se encontram resumidas as razões teológicas do culto prestado pela Igreja às relíquias dos santos:

O texto que os senhores vão ler, portanto, é um trecho do Concílio de Trento, em que dá um resumo das razões do culto das relíquias. O resumo das razões pelas quais essa caixa aqui contém exatamente relíquias de numerosos santos, todas elas com as respectivas autênticas, e que nos foram dadas por amigos nossos em Roma e em outros países da Europa, e que está exposta aqui, portanto, à veneração dos senhores.

Então as razões do Concílio de Trento são essas:

Os fiéis devem venerar os corpos dos mártires e dos outros santos que vivem com Jesus Cristo.

Quer dizer, os mártires e os outros santos que estão no Céu já vivendo com Jesus Cristo. Não estão com o seu corpo, ele ainda está na terra, mas a sua alma já está no Céu, eles já vivem com Cristo no Céu.

Eles foram, com efeito, os membros vivos e os templos do Espírito Santo. Eles devem ressuscitar para a vida eterna e para a glória. Deus por meio desses corpos concede aos homens muitos benefícios”.

Aqueles, portanto, que dizem que as relíquias dos santos não merecem ser veneradas e que é inutilmente que elas são honradas pelos fiéis, que é em vão que se visita as memórias e os monumentos dos santos para obter o seu auxílio, esses são inteiramente condenáveis. E do mesmo modo pelo qual eles já foram condenados outrora, a Igreja hoje renova esta condenação.

Os senhores estão vendo, portanto, as razões dadas quais são.

Primeira razão, eles vivem com Jesus Cristo; segunda razão, o corpo deles foi um templo do Espírito Santo; terceira razão, eles devem ressuscitar, mas não ressuscitar como qualquer um ressuscitar, mas é certíssimo que eles ressuscitarão para a vida eterna e para a glória.

O que é que vale cada uma dessas três razões?

* A saliva e o sangue de Nosso Senhor, tendo saído do seu corpo, operaram milagres, pois tinham relação com sua alma

Nós podemos nos dar bem conta do que valem essas razões, se nós considerarmos o Corpo Sacrossanto de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nosso Senhor Jesus Cristo, revestido de um verdadeiro corpo, de verdadeiro homem, Nosso Senhor Jesus Cristo era de tal maneira Sacrossanto e por tudo aquilo que tocava o seu coração… Ele simplesmente com a saliva operou uma cura milagrosa, simplesmente com um toque de suas mãos Ele curava todo mundo, simplesmente com um olhar, com o fixar os seus olhos sobre alguém… o seu olhar, por exemplo, operou a conversão maravilhosa de São Pedro. O seu sangue precioso, caindo sobre o centurião que o perfurou com a lança, curou-o da cegueira e, mais ainda, tirou a sua alma do estado de empedernimento em que ele estava. Quer dizer, isto mostra que o seu corpo santíssimo tinha uma tal ligação com a sua alma e a sua divindade, que realmente Nosso Senhor Jesus Cristo passava algo de divino para todo o seu corpo.

Não se pode dizer que o corpo d’Ele não era divino, e que a divindade estava só na divindade, porque é o todo. Nosso Senhor Jesus Cristo e o seu corpo, alma e divindade, constituem um todo que não se pode separar.

* Os restos de ossos, cinzas e carne dos santos canonizados voltarão a fazer parte de seus corpos quando ressuscitarem ao fim da história do mundo, e estarão no Paraíso junto a Deus

Por aí nós podemos compreender bem qual é a relação do corpo para a alma, e podemos compreender até que ponto qualquer porção de nosso corpo não é apenas um pedaço de carne extrínseco a nós, no qual nós estamos metidos acidentalmente, de passagem, mas que o nosso corpo é uma parcela de nosso ser. E por causa disto, uma vez que nossa alma ainda está no corpo, ela não vivifica, ela não anima, ela não está presente nas relíquias, mas ela conserva uma certa relação com as relíquias.

Estas relíquias que estão aqui, com pedaços de ossos, com cinzas de carne de santos canonizados pela Igreja, estas relíquias vão ser incorporadas ao corpo desses santos quando eles ressuscitarem. De maneira que nós temos uma certeza plena que essas relíquias sacrossantas aqui foram templo do Espírito Santo porque pertenceram a um corpo, estava uma alma que era um templo do Espírito Santo. Essas relíquias que tiveram durante algum tempo alguma ligação com a vida sobrenatural da graça, receberam os sacramentos da Igreja. Essas relíquias que tiveram carne e ossos, que serviram para os santos amarem a Deus imensamente, praticarem atos de piedade, atos de energia, de heroísmo, de combatividade e dedicação, estas relíquias vão ser incorporadas aos santos quando acabar a história do mundo, quando os anjos tocarem as suas trombetas e quando todos se revestirem de sua carne mortal. Então, a respeito dessas relíquias, nós podemos ter certeza que um dia virá em que elas vão estar no paraíso junto de Deus.

Elas dormem aqui nesta caixa de cristal, elas dormem aqui, mas um dia virá em que elas vão estar na glória do paraíso. Os senhores compreendem que é natural que essas relíquias, portanto, sejam o canal das graças de Deus, que ao tocá-las, que ao rezar perto delas, nós obtemos graças especiais dos santos aos quais pertenceram e que elas de algum modo são a presença dos santos entre nós.

* Motivos para incentivar os membros do Grupo a praticarem o culto das relíquias

Quer dizer, portanto, que são canais de graças verdadeiramente estupendos que nós recebemos e que nós devemos o maior respeito, a maior veneração a essas relíquias.

Nós devemos também ter muita confiança na intercessão dos santos a que essas relíquias pertenceram. Porque essas relíquias por disposição da Providência estão aqui entre nós e isto significa que a Providência deseja que nós rezemos para esses santos, para que eles por meio de Nossa Senhora, que é o canal de todas as graças, nos obtenha os favores de que nós precisamos.

Isso é também um incentivo para os senhores para freqüentarem nossa capela e para praticarem o culto das relíquias. Quer dizer, é um incentivo para que os senhores subam à capela e sobretudo nos seus momentos de dificuldade rezem para as relíquias que aqui estão.

Logo que a organização da sede esteja terminada, nós pretendemos estabelecer e ter na capela, à maneira desta lista de intenções aqui, e daquela lista de intenções que está em cima, a lista de todos os santos cujas relíquias temos aqui e pretendemos dar uma rápida biografia de cada um desses santos. De maneira que se possa estabelecer uma relação mais viva entre os que freqüentam a capela e o culto das relíquias que ali se encontrarão.

* Preocupação com a garantia de autenticidade para expor as relíquias à veneração

Aqui os senhores têm representadas nesta concha de cristal que foi lembrança de Da. Julinha e da família Ablas, os senhores têm aqui duas espécies de relíquias da Igreja: as relíquias diretas e as indiretas.

As relíquias diretas a Igreja chama àquelas que são uma porção da carne, dos ossos ou das cinzas de um mártir, de um santo. Essas relíquias estão colocadas nessas pequenas caixas chamadas tecas.

Todas elas — eu insisto na afirmação — são de uma autenticidade absolutamente controlada. Nós temos os documentos da Igreja autenticando essas relíquias. Quase todas procedem, aliás, do Vaticano, que nós obtivemos ao longo de nossas viagens. As outras que não procedem do Vaticano, são absolutamente seguras e comprovadas.

Os senhores têm ao mesmo tempo uma relíquia indireta, duas relíquias indiretas aqui. O que é relíquia indireta? A relíquia direta é um pedaço do santo, vamos dizer; a relíquia indireta é algo que o santo tocou e que recebe consigo uma espécie de bênção que por sua vez se transmite àqueles a quem toca.

Os senhores têm aqui uma seda vermelha que é a capa de cardeal usada pelo grande Cardeal Merry del Val, cujo processo de canonização já está instituído, e que foi Secretário de Estado de Pio XI. Esta capa foi diretamente obtida da Comissão de Canonização, do procurador da causa de canonização — aliás, em minha presença, eu estava no momento da entrega — e ele autenticou na própria capa, ele escreveu na parte de baixo da própria capa, qual era a origem da capa. De maneira que está inteiramente demonstrado.

Então quem quiser pedir ao Cardeal Merry del Val que para a sua canonização ele nos conceda alguma graça, pode pedir-nos inclusive autorização para tocar na capa. Ele pode autorizar de tocar na capa, para pedir uma oração.

Nós temos aqui um outro objeto também muito precioso que é um pedaço do caixão funerário do Papa Pio IX. Os senhores sabem que o Papa Pio IX foi um dos papas mais acentuadamente contra-revolucionários da História. O seu processo de canonização também foi introduzido, e o promotor do processo que formou excelentes relações com o Prof. Fernando Furquim de Almeida, na Europa, o promotor do processo deu-lhe um pedaço deste caixão que também está inteiramente autenticado.

A mesma coisa que eu disse da capa posso dizer do caixão. Posso pedir ao Dr. José Fernando para abrir e para tocar o caixão.

* Mesmo para com as relíquias não autenticadas o Sr. Dr. Plinio recomenda o respeito

Nós temos aqui uma terceira categoria de relíquias, e através dessas os senhores vêem como a Igreja tem cuidado com as relíquias.

Nós compramos um relicário antigo, de madeira, que vai ser usado na sede quando enfim a reforma da sede nos permitir de dar à vida da capela — eu vou usar uma expressão moderna, horrenda — a dinamização necessária. Então nós compramos um ostensório de madeira muito bonito, antigo, no qual havia uma porção de relíquias, mas essas relíquias não têm prova de autenticidade. Então, o que fazer com elas?

Vejam o tato com que o Direito Canônico resolve o caso.

O Direito Canônico dispõe o seguinte: com essas relíquias não se deve prestar culto porque não se tem certeza de que são autênticas, mas como talvez o sejam, devem ser guardadas num lugar de respeito. Então, aqui em baixo, numa caixa especial, elas estão guardadas. Não são objeto de nosso culto, mas estão guardadas com respeito, porque talvez sejam relíquias de santos, talvez sejam restos mortais de pessoas que tenham falecido na graça de Deus. Então aqui estão guardadas, mas não devem ser objetos de nosso culto.

Os senhores vêem com que tato a Igreja dispõe a respeito de todas as coisas.

Os senhores dirão: “Dr. Plinio, que relação especial existe entre essas relíquias e o espírito de combatividade que a Sociedade Tradição, Família e Propriedade tanto inculca?”.

A minha resposta é a seguinte: os guerreiros medievais gostavam de ter relíquias consigo na guerra e colocavam relíquias na copa da espada, de maneira que eles com a própria espada com que combatiam, eles empunhavam relíquias para se defender na hora do combate.

Os senhores estão vendo aí como a relíquia é um elemento ligado ao espírito da Igreja Católica.

* Relíquias nas espadas de dois militares que eram membros do Grupo

Nós temos no nosso movimento dois militares — o Capitão Jarbas Haag e o Tenente Poli — e ambos receberam na copa de sua espada, em atos públicos do Grupo, em Semanas de Estudo, relíquias, e a espada lhes foi entregue com relíquias nessa sessão solene.

Os senhores vêm, portanto, como o espírito de combatividade é afim com o culto das relíquias.

Nós devemos pedir aos santos a graça e a força de combater devidamente. Aí está portanto, um conjunto de noções que convém guardar.

Para a noite de hoje nós vamos pedir aos santos aqui o quê? O que cada um quiser pedir, mas especialmente que nos dêem a compreensão e o fervor para com as relíquias que aqui estão e que a presença delas aqui seja uma razão, um título efetivo para elas serem muito honradas e para eles nos favorecerem.

Há duas intenções que eu gostaria de acrescentar.

A primeira delas é o fato de que os senhores sabem que o José Eduardo Furquim de Almeida sofreu um acidente hoje na Fazenda Morro Alto. O estado de saúde dele é animador, mas nós…

(…)

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