Santo
do Dia ─- 01/11/65 (––- Segunda datilografia, sem
conferição final ––-) – 2ª
feira – p.
Santo do Dia — 1/11/65 — 2ª feira
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O bem-aventurado dá alegria ao coro angélico que fará parte porque cada coro é como um acorde, cada nota faz falta * “Quanto mais uma alma tem capacidade e sutileza de entendimento mais ela é saciada da visão beatífica” * Os homens mais chamados pela graça e menos favorecidos pela inteligência terão uma visão de Deus proporcionada à graça que alcançaram * Quando a perfeição moral do Grupo estiver semelhante à do Céu, então ter-se-á a harmonia do espírito hieráquico * Exame de consciência em matéria de observância das hierarquias: alegrei-me com a superioridade do próximo?
(…) Se para chegar aos seus lugares é preciso atravessar alguns coros angélicos, os espíritos desses coros lhe fazem uma acolhida extremamente alegre. Mas nada se iguala à recepção que lhes é feita por aqueles entre os quais eles devem ficar e pelos coros dos Anjos nos quais eles vão substituir algum anjo decaído.
* O bem-aventurado dá alegria ao coro angélico que fará parte porque cada coro é como um acorde, cada nota faz falta
Santa Francisca Romana é uma santa famosa por suas visões a respeito dos Anjos e dos demônios, e toda a ordem celeste foi por ela conhecida admiravelmente. Ela então nos conta as revelações que teve a este respeito.
E o pressuposto desta revelação é um ponto da doutrina católica bem conhecido, segundo o qual os lugares no Céu que os anjos malditos deixaram vazios, esses lugares devem ser preenchidos pelos homens que se salvarem.
Evidentemente não se trata de lugares materiais, porque os Anjos sendo puros espíritos não ocupam lugar material.
O lugar significa o seguinte. Cada coro angélico é como uma sinfonia de notas em que cada Anjo representa um papel. Algumas notas digamos que se tenham revoltado e que tenham pulado fora do teclado. Então nós vamos — com a graça de Nossa Senhora — representar no Céu, naquele coro angélico para a harmonia completa daquele conjunto de Anjos, nós vamos representar ali aquele anjo que caiu.
E então eles — imagina por exemplo — uma alma que vai subindo vários coros angélicos até chegar a um alto coro onde estava destinada. Então ela mostra que os Coros menos elevados que esta alma atravessa, manifestam uma alegria extrema vendo esta alma passar por eles.
Mas quando a alma chega ao coro para onde estava destinada a ficar, ali a alegria é sem par. Porque aquele coro está — para os Anjos não há tempo; hévun — no hévun a espera das almas que devem chegar para completar a beleza de conjunto deles.
Então eles se alegram porque assim poderão dar mais glória a Deus completada a beleza de conjunto do Coro deles. Então eles manifestam uma alegria sem par. É o que diz Santa Francisca Romana.
São enormes demonstrações de alegrias e de amizade, de cânticos de louvores e bênçãos para dar graças a Deus por sua felicidade. E este júbilo dura mais longo tempo nuns coros do que nos outros.
Na ordem dos Serafins uns penetram mais do que os outros na compreensão divina. Há entre eles uma gradação de inteligência que existe igualmente em todos os coros.
Quer dizer, uns Anjos Serafins que são os mais altos, são desigualmente inteligentes. E também tem a graça de intelecção desigual. Por natureza e por graça eles compreendem desigualmente, uns mais do que os outros. E os que compreendem mais contam aos outros o que eles viram em Deus.
Então ela está explicando que em todos os Coros angélicos há uma desigualdade. Não só os coros angélicos são desiguais, mas no interior dos coros não há um Anjo igual ao outro. É metafisicamente impossível haver. Há esta linha descendente de Anjos.
* “Quanto mais uma alma tem capacidade e sutileza de entendimento mais ela é saciada da visão beatífica”
O que digo dos Anjos digo igualmente dos espíritos humanos que lhes estão associados. Todos os espíritos de um mesmo Coro não estão igualmente próximos de Deus.
Ora, quanto mais de perto uma inteligência vê a Deus melhor nEle penetra e portanto mais feliz é.
É natural.
Todos os espíritos humanos colocados na glória não possuem esta glória no mesmo grau.
Alguns quando viviam em sua carne imortal receberam uma inteligência mais sutil, e segundo suas operações intelectuais, segundo sua capacidade ele penetra mais no abismo da divindade. Eles levaram ao Céu um espírito mais capaz e penetrante.
Ora, quanto mais uma alma tem capacidade e sutileza de entendimento mais ela é saciada da visão beatífica. É verdade que no Céu todas as almas são plenamente saciadas, mas cada uma o é segundo a medida de sua capacidade.
Quando os Apóstolos receberam o Espírito Santo todos não obtiveram a mesma medida de graça. Aqueles que tinham mais capacidade, e sutileza em seu entendimento as receberam em mais alto grau. Ora, o que se dispõe a uma maior graça, dispõe igualmente a uma maior glória.
Ela então diz o seguinte: que no Céu, neste coro de Anjo, os homens também vão se inserir dentro desta escala, e eles vão entender menos do que os Anjos, porque os Anjos são mais inteligentes do que nós. E que os próprios homens vão se distinguir, não só pela inteligência que tiveram na Terra, como também pela graça que recebem.
* Os homens mais chamados pela graça e menos favorecidos pela inteligência terão uma visão de Deus proporcionada à graça que alcançaram
Por exemplo, é bem provável que São José de Cupertino tão pouco inteligente, tenha mais inteligência no Céu do que todos nós que estamos aqui nesta sala, se eu não ofendo a ninguém, mas ele era um grande santo, e como tal pela graça ele vê a Deus.
Então nós temos duas coisas a considerar aqui na festa de todos os Santos. Todas as almas santas postas no Céu. As dos homens escalonadas ao longo da hierarquia angélica e encaixadas dentro da hierarquia angélica, e contemplando a Deus numa felicidade perpétua. Mas uma felicidade que não ofende a sua desigualdade. Apesar de eles serem inferiores uns aos outros, eles não ficam com isso menos felizes. É um ponto.
Segundo ponto. Os Anjos por natureza são mais do que os homens. Mas quando eles vêem os homens passarem as várias camadas angélicas para chegar até o Céu, eles ficam radiantes.
Eles quando vêem um homem menos inteligente do que eles mas mais chamado pela graça que passa pelo Coro deles, eles ovacionam, e vêem aquela alma chegar até o coro superior onde ele é inferior aos Anjos que estão lá que também a recebem imensamente bem.
Bom. É claro. Há uma lição de anti-igualitarismo dentro disso. Nós vemos que no Céu onde impera a ordem perfeita das coisas, os Anjos são desiguais, e não sofrem com essa desigualdade.
Pelo contrário é assim que eles cantam a Deus como as notas de música são desiguais, e assim se forma a harmonia da música. Isto já está muito visto, não é preciso insistir.
* Quando a perfeição moral do Grupo estiver semelhante à do Céu, então, ter-se-á a harmonia do espírito hieráquico
Agora, a coisa é diferente. As coisas bem ordenadas e belas da terra são parecidas com as do Céu. No Grupo existe implicitamente e meio explicitamente uma espécie de hierarquia.
Se o Grupo for inteiramente como o Céu, ou quando o Grupo for inteiramente como o Céu. Quando o membro A ou B ou X do Grupo vir entrar um, com muito thau e que o supera, ele fica alegre, e ele tem esse comentário: “Que bom, esse em pouco tempo foi muito mais alto do que eu. Como eu estou alegre.”
Devo indicar qual é o ponto do exame de consciência, ou não? Eu desconfio muito que é supérfluo.
Quer dizer, até que ponto eu estou preparado para o Céu, porque se eu não tenho alegria em que um seja melhor do que eu, eu não estou preparado para o Céu.
No Céu é uma escala de melhores, como é que eu posso estar preparado para o Céu nestas condições?
Outra. Os Santos que pertencem a uma certa hierarquia quando vêem entrar um mísero terreno, que para o Santo é um burro, para o Anjo é um burro.
Santo Tomás que é o sol dos sois em matéria de inteligência, não tinha a inteligência de um Anjo.
Bem. Quando vê entrar São Tomás brilhante voar lá para cima, e entrar no Cenáculo fechado onde a séculos só eles, sem mistura de natureza humana cantam angelicamente a glória de Deus, vê entrar aquele que é tão menor e tem um grau de alegria mais do que em qualquer lugar.
Nós do grupo quando vemos alguém que se iguala a nós, grau de alegria: “Que bom, temos um igual que até há pouco era tão pouco mas que está inteiramente igual a nós, magnificat, vamos louvar a Nossa Senhora porque isto é uma beleza que Ela acaba de fazer.”
Ponto supérfluo do exame de consciência. Bem. Peçamos a todos os santos que nos façam como eles. Que eles nos dêem a graça de querer que todo mundo seja mais do que nós. De ter a alegria em que todos nos passem a frente.
O Cardeal Merry del val naquela famosíssima e eu desconfio um tanto esquecida ladainha da Humildade, tem essa linda súplica: que os outros sejam mais santos do que eu embora eu me torne santo quanto estiver nos desígnios vossos, eu vos suplico, concedei-me.
Quer dizer, querer que os mais inteligentes que eu brilhem mais do que eu nas vias do serviço de Deus. Que os mais finos, os mais nobres, os mais ricos, os mais isto, os mais aquilo, e sobretudo os mais santos do que eu, os que devem ser segundo os desígnios da Providência mais santos do que eu, me superem.
Meu Deus, concedei-me isto, porque eu me alegro com todos os que estão acima de mim. Este é o timbre de voz da alma verdadeiramente católica quando reza.
* Exame de consciência em matéria de observância das hierarquias: alegrei-me com a superioridade do próximo?
Bem. Eu volto a um ponto eterno. Muita gente choraminga porque tem a vida espiritual encalhada, porque não desenvolve a vida espiritual como devia, até porque retrocede. Muita gente choraminga por causa disto.
A gente vai ver, é porque não toma a sério os Santos do Dia assim como este. Porque isto é um programa de vida, é um modo de ser. Como é que a gente faz esse exame de consciência? Uma vez por dia, duas, a gente pergunta o seguinte: notei alguém que me superou hoje em algo? se notei fiquei alegre? Notei alguém que se igualou a mim hoje? se notei fiquei alegre?
Agora vem o requinte: notei alguém que não me igualou nem me superou sem culpa dele, eu soube amá-lo e respeitá-lo porque Deus quer menores do que eu? eu soube ajudá-lo? Eu soube tornar-lhe leve esta inferioridade?
Mais ainda. Se eu notei alguém que não é igual a mim, ou não me superou, ou não era o que devia ser, por culpa dele, eu tive tristeza? procurei ajudá-lo?
Está aí. Estes pontos eu recomendaria aos senhores que fizessem todos os dias um exame de consciência, mas concretamente! Vão percorrendo a vida como se fosse uma espécie de cinema, estive com esse, falei com aquele, cicrano me disse aquilo, beltrano, etc, como é que eu fiquei?
Às vezes eu ouço gente me dizer assim preguiçosamente: “Há, o senhor sabe Doutor Plinio, eu sou mega”.
Eu tenho vontade de dizer: “É pior do você que pensa porque você além de mega você é preguiçoso. Porque se você não fosse preguiçoso já teria conseguido algum resultado contra a sua megalice”. É a verdade, servida nua e crua.
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