Reunião
Normal – 10/2/65 – Sábado .
Reunião para o Grupo da Martim 1 — 10/2/65 — Sábado
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O sentir-se um na integração da alma universal rumo ao nada é a alegria e a compensação que o demônio dá aos que abandonam tudo e seguem a ele * Este prazerzinho, este sentir-se um, este caminhar para o nada, para o despojamento, este prazer, que infiltrações tem dentro da vida interna do Grupo? * A dificuldade que se tem de resistir às próprias famílias, é porque subconscientemente cada um reputa a sua própria família inteiramente em dia com certos padrões e com certos figurinos * O modo mundano com uma pontinha de cetro do demônio de receber um visitante na sede — O verdadeiro modo de ver a sede * Há uma espécie de obstinação em não ver a realidade fora como ela é — O verdadeiro modo de apresentar o Fundador: um homem fundamentalmente escravo de Nossa Senhora * A época da sinarquia não é o contrário da Belle Époque, mas nasceu de dentro dela, é um desdobramento dela * O indivíduo picado pela mosca da sinarquia, procuraria dar a impressão de que nós somos grandes em tudo quanto é linha da sinarquia
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* O sentir-se um na integração da alma universal rumo ao nada é a alegria e a compensação que o demônio dá aos que abandonam tudo e seguem a ele
Esta situação nos levava a ver nisto um poder do demônio. E o poder do demônio, dando um prazer inexprimível, de caráter pouco mais ou menos místico, embora com o sinal menos na frente, no sentir-se um na integração da opinião mundial e da alma universal, rumo a um nada, que é um nada apresentado como delicioso, enquanto ocasionando prazeres e fruições, que sendo de um caráter preternatural e dirigindo-se à alma, eram fruições e prazeres que davam mais alegrias do que as coisas do corpo.
Seria um pouco como na ordem positiva, o católico. Imaginem por exemplo um daqueles senadores nobres, patrício do Império Romano, dotado de uma cultura imensa, deixam Roma e vão viver num deserto eremítico e ali estão cheios de consolações ininterruptas. A consolação espiritual interna confere um prazer tão superior ao da consolação dos sentidos, que o indivíduo ainda mesmo pelo mero prazer, teria vantagem em ir para um ermo e ficar ali morando.
Ora, um fato deste gênero, mas com o sinal menos na frente daria então o demônio. E era essa espécie de gosto, essa espécie de pacto, de coesão, de aceitação de um prazer dado por ele no fundo da alma, um prazer exatamente ascético, mas que compensa nesse transformar-se para o nada, e que é exatamente a alegria e a compensação que ele dá pelo fato das pessoas abandonarem tudo e seguirem a ele.
Ele pode então — macaco eterno de Deus Nosso Senhor — dizer que ele também dá o cêntuplo nesse mundo àqueles que renunciam a tudo por amor a ele. E por causa disso ter os seus ascetas, ter os seus adoradores que abandonam tudo por causa dele também.
* Este prazerzinho, este sentir-se um, este caminhar para o nada, para o despojamento, este prazer, que infiltrações tem dentro da vida interna do Grupo
Este prazerzinho, este sentir-se um, este caminhar para o nada, para o despojamento, este prazer, que infiltrações tem dentro da vida interna do Grupo, e que manifestações ele tem nas nossas relações com aquilo que é exterior?
Seria preciso dizer antes de tudo o seguinte: que o cetro do demônio, agora se apresenta cada vez mais de um modo ascético. Mas que, vamos dizer, por exemplo, há dez ou quinze anos atrás, sobretudo há quinze anos atrás, no ambiente brasileiro, nesse ambiente, o cetro do demônio era um pouco diferente do que ele se apresenta agora porque havia uns últimos lampejos, no Brasil, de Belle Époque, havia ainda uns últimos lampejos de prazer da vida pelo prazer da vida.
Esta posição do cetro do demônio, era portanto bivalente, porque de um lado, isto que se chama opinião dominante, ainda estufava um certo gosto por estas coisas, e de outro lado, já “des-estufava”. Era uma espécie de ambiente de transição, em que o cetro do demônio estava ainda dando os últimos lampejos de atrativo por aquilo que era natural. Mas já dando muitos atrativos por aquilo que é preternatural, por aquilo que é negativo, por aquilo que ele chamaria de ascético. De maneira que é nesta posição que nós temos de tomar o problema para nós considerarmos as repercussões do cetro do demônio aqui dentro.
O cetro do demônio luziu no momento de transição entre essas duas águas. E, por causa disso, a gente nota também o reflexo desses dois movimentos temperamentais em virtude do prestígio desse cetro do demônio.
Como se faz isto? Uma vertente é exatamente o gosto de imaginar uma vida de luxo, de prestígio, o gosto então de ler as crônicas sociais, de se informar das notícias sociais, de comentar alguns pequenos aspectos da vida intelectual e da vida política ligados à vida social, considerar tudo isso aí mais ou menos como uma espécie de miragem e de contos de fadas que ainda existiria fora, e que todo o mundo então, anseia por ter. Anseia por ter pelo prazer que a coisa traz em si. Vem então uma outra coisa e que é então a admiração pelo trabalho, pelo homem de negócios, pelo banqueiro, pelo político, pelo sucedido, pelo indivíduo que tem uma base já mais democrática e já mais moderna na sociedade, que não é mais a base da atualidade, e do prestígio, mas a base da quantidade e da força.
Então, a força econômica, força política, etc., que representa já de fato uma outra vida e um outro mundo, mas que está, vamos dizer, num desses estados de transição, e que por assim dizer, esses valores ainda ombreiam e em que as pessoas tocadas por esse hibridismo que o cetro do demônio teve em certa época, sentem ora uma coisa, ora outra coisa. E vão tocados na mesma direção.
Agora, o que têm de comum essas duas coisas?
Têm o seguinte: quando a gente presta atenção na atração que as coisas do luxo e do velho cetro do demônio produzem sobre as pessoas da minha geração e das dos senhores, a gente tem a primeira impressão de que a pessoa gosta por exemplo de ir à Europa, para ir à Europa porque a Europa é uma verdadeira maravilha. Que a pessoa gosta de ter objeto decorativos bonitos, por causa dos objetos decorativos. E que o prazer que isto dá, que realmente é a atração que isto contém. É um erro. O que a gente observa bem, o que tem é um gosto, este gosto já com qualquer coisa de natural, mas também com qualquer coisa de preternatural, é um gosto de que a gente esteja de acordo e, em consonância com a opinião geral que ainda gostava dessas coisas. E é para ter esse prazer de ser com, de vibrar com, de receber os elogios de, de maneira em que no dia que a gente se convencesse de que essas coisas não são mais apreciáveis por ninguém, a gente veria que é mais oca do que pensa. E que perderia a coragem de inteiramente e conseqüentemente continuar a gostar dessas coisas.
Quer dizer, através do prazer da arte, do prazer da vida social, da culinária, enfim de tudo aquilo que constitui a vida de outrora…
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… há o prazer do luxo, mas um prazer do luxo que não é por causa dos valores absolutos do luxo que simboliza, mas é por causa da consonância que nós imaginamos com uma opinião fora, com a qual nós gostamos de estar, não apenas por um fenômeno de respeito humano, mas por causa do prazer que essa consonância traz enquanto consonância.
* A dificuldade que se tem de resistir às próprias famílias, é porque subconscientemente cada um reputa a sua própria família inteiramente em dia com certos padrões e com certos figurinos
Até aqui esse fenômeno já tem sido descrito e tem sido descrito sob o signo do respeito humano. É verdade e é legítimo falar que o respeito humano está na raiz disto. Mas a gente se enganaria grossamente imaginando que é o respeito humano sozinho.
Além disso, há uma insegurança diante da opinião dominante, uma debilidade ante a opinião dominante, uma incapacidade de se manter de pé diante do poder e da opinião pública dominante que é uma frustração, que é uma dilaceração, que é algo que arranca de dentro de nós exatamente esse visgo desse gosto, que o demônio põe sem a gente perceber, e que é de fato o elemento mais dinâmico e mais forte de nossa debilidade em nós nos contrapormos à opinião dominante.
É exatamente essa incapacidade, uma espécie de garra que isso deita na pessoa, a garra que deita exatamente, como que por um quebranto e por uma coisa mágica, colocando a pessoa numa espécie de incapacidade de resistir. E que acaba sendo mesmo, quase uma verdadeira incapacidade de resistir.
Os senhores estarão pensando naturalmente na dificuldade que tem as gerações dos senhores de resistir às próprias famílias. Essa incapacidade é porque subconscientemente cada um reputa a sua própria família inteiramente em dia com certos padrões e com certos figurinos.
Quer dizer, ainda que o indivíduo caçoe da própria família, ainda que ele diga que ele não liga para a própria família, algo tem por onde há sempre um risco de uma coisa dessas deitar uma garra nele e ele ficar meio sujeito a isso. E este risco é em última análise porque o cetro do demônio nos aparece manuseado em grande parte pelo prestígio familiar. É a autoridade familiar, é a importância familiar, que tem uma ressonância natural no indivíduo, mas que tem esse ponto: que a pessoa através disso julga o mundo sempre a partir da idéia de que a sua família está em dia com os poderes do mundo. E por causa disto, esse cetro, brilha nas opiniões da família, na escola da família.
Então, isto fica uma espécie de infiltração do cetro do demônio com os restos mundanos antigos, que entre nós sobrevivem.
Agora, qual é o inconveniente disso para nós? O inconveniente disso para nós consiste antes de tudo, na seguinte realidade: além da insegurança e do nervosismo, entra um visgo qualquer que é exatamente esse gosto misterioso da consonância que paralisa, que escraviza, que faz uma ação como dos discos-voadores sobre os motores: as luzes se tornam menores, o dinamismo se torna menor e aqui está exatamente o visgo diabólico dentro da coisa.
* O modo de considerar a sede e alguns valores humanos que nós realmente possuímos
Outra coisa é o modo de considerar a sede e alguns valores humanos que nós realmente possuímos. A nossa sede, realmente, para uma pessoa que tem bom gosto e do tempo da Belle Époque, é uma sede magnífica. Não tem dúvida. É um favor que nós devemos a Nossa Senhora.
Agora, essa sede pode ser vista mundanamente. E no modo de ser visto mundano da sede, a gente não vê a sede como um conjunto de símbolos que se exprimem de um modo adequado em coisas materiais, mas que são sobretudo coisas que são símbolo de um espírito e de uma doutrina, para ver naquilo apenas um efeito decorativo. Mas não é esta visão arquitetônica das coisas da sede. É uma consideração mundana em que a gente vê de todos os lados, ornatos.
A consideração verdadeira é outra: é por detrás disto que artisticamente se defende muito bem, a expressão de um espírito, portanto, de uma doutrina, portanto de uma Causa; do espírito de uma Causa, que não é um espírito qualquer, nem uma doutrina qualquer, nem uma Causa qualquer, mas é o espírito da Causa de Nossa Senhora.
Quer dizer, ver isto de maneira que haja uma preterição completa dos aspectos naturais, preterição eu digo, mas uma preterição exatamente nos aspectos naturais. Mas ver então uma afirmação do nosso espírito aristocrático, do nosso espírito sacral, do nosso espírito portanto ultramontano, ver isto, apetência ao sublime, etc., tudo isto é de fato a gente ter uma visão que supera o mundano dentro da sede.
* O modo mundano com uma pontinha de cetro do demônio de receber um visitante na sede — O verdadeiro modo de ver a sede
A visão mundana é receber um visitante e dizer: “Aqui é um Isabei”. Depois olhar o jardim de esguelha, como quem diz: “Você não tem jardim em sua casa, porque eu sei, eu não tenho também, e ninguém da nossa iguaria tem Isabei; preste continência, porque aqui tem Isabei”. É uma consideração que até colateralmente para entrar na cabeça de alguém pode servir, mas inteiramente secundária. A verdadeira consideração é consideração doutrinária e sobrenatural que está nisso.
Quer dizer, o mesmo grupo em cujo receptáculo se engendrou a RCR, se engendra o MNF, se engendra todos os nossos estilos de vida, todos os nossos estilos de ação, nesse mesmo Grupo se engendrou uma escola de decoração. E esta escola é a expressão sensível daquelas outras coisas. É essa a consideração.
Quer dizer, não o seguinte: “Veja que eu sou com você um pouco a mesma coisa. Eu te dou a pontinha de minha mão para ser a mesma coisa com você, porque eu tenho uma coisa que você gostaria de ter”: isto ainda é uma infiltração do cetro do demônio; mas é o contrário: “Veja como aquilo que você não é e que você não tem, na ordem doutrinária é bom. Se você amar, entre. Se você não amar tome na cabeça, porque isto é bom!”. Esse é o sentido de uma visita à sede.
Mas verdadeiramente os olhos de ver a sede são esses olhos doutrinários. O resto não é nada. Exatamente o que merece que, aqui está uma penetração desse espírito nas nossas coisas, e que é um vestígio da Belle Époque, é uma penetração que ao mesmo tempo aqui dentro faz com que essas coisas nutram uma nostalgia do que está fora. Quando elas, pelo contrário, deveriam afastar do que está fora. Elas deveriam ser uma separação em relação ao que está fora. Não, elas nutrem uma nostalgia em relação ao que está fora.
* Há uma espécie de obstinação em não ver a realidade fora como ela é — O verdadeiro modo de apresentar o Fundador: um homem fundamentalmente escravo de Nossa Senhora
Tudo isto por quê? Por causa de uma espécie de obstinação em não ver a realidade fora como ela é. Isso para o pessoal aí fora acabou; esse pessoal mudou. Nós nos sentimos a nós mesmos por uma espécie de escravização da alma — à qual escravização de alma em última análise é a esse cetro. E é o jugular-se a esta miragem, quando isso acabou, ou está quase completamente acabado.
Parece-me que aqui está bem a coisa. E então também um modo mundano e humano de ver as nossas próprias coisas. Há às vezes uns prodígios dentro da vida do Grupo, e um deles é provavelmente que Nossa Senhora faz com que os senhores me vejam como eu deveria ser. De maneira que eu ouço uns elogios que são filhos dessa ilusão e que de vez em quando me chegam aos ouvidos.
Então, comentários a meu respeito: uma pessoa que conversa muito bem, inteligente, não sei o quê, como se se tratasse de me apresentar para um homem de 1920, ou mesmo da época em que os senhores entraram para o Grupo. Como se se tratasse disso.
Ora, não é isso que tem de ser feito. Pelo contrário: esse aqui é um homem combativo, intransigente, anti-revolucionário enragé, etc..
Conheçam-me! Aquilo que em mim possa haver de qualidades foi modelado por esse princípio. Aqui sim, é uma apresentação. A apresentação não é outra.
Essa apresentação assim como se eu fosse uma espécie de gentil-homme brasileiro, em dia com os padrões sociais, intelectuais, etc., isto não corresponde ao que se deve ver de mim. O que se tem de dizer de mim é o que eu sou; quer dizer, um homem fundamentalmente um escravo de Nossa Senhora. Tout court, de ponta a ponta isto e mais nada. Como tal, combativo, intransigente, isto, aquilo, aquilo outro. E no qual essas coisas podem ter uns reflexos de algumas qualidades humanas. Isto é um modo de apresentar.
Esse outro modo de me apresentar assim como uma espécie de clubman, se quiserem, de outros tempos, esse modo é irmão de um outro: ser o Tarzan da ação, burocrata, que faz tocar coisas e que organiza, e que põe em movimento campanhas, etc.. Quer dizer, é uma versão afidalgada do mesmo homem. Mas que também não é a versão da única coisa que existe nesse homem — ou que pelo menos deveria existir — que é pura e simplesmente o escravo de Nossa Senhora, e não outra coisa. Pode rifar o resto, que não interessa. Esse lado, sim.
Isto seria a respeito desse aspecto.
* A época da sinarquia não é o contrário da Belle Époque, mas nasceu de dentro dela, é um desdobramento dela
Mas eu fixo bem o ponto: é que isto é a nossa apetência desse consenso, é uma apetência que vem no que ela tem de mais dinâmica, não do mero respeito humano, mas deste horror de pensar diferente de todos, deste horror de não se sentir um com um certo conjunto ou com uma certa influência, ou com um certo princípio que é o por onde satanás conduz o baile, é o chefe da quadrilha. Há qualquer coisa aqui, que é tão forte que nós sentimos melhor a força disso, no que vem depois. Este horror de não se sentir com, levou as pessoas a rejeitar todas as amenidades de que gostavam, todos os sorrisos pelos quais vendiam sua alma, para ficar só com esta coisa.
É evidente que isso era algo que já havia no reino do risonho e do gracioso da Belle Époque e que continuou cada vez mais forte. Então, nós percebemos como era a presença disso no reino da Belle Époque.
Eu estou afirmando que havia esse visgo diabólico, no gosto das coisas da Belle Époque, ainda existente na época em que os senhores formaram a sua sensibilidade. É uma tese um pouco árdua, porque essas coisas são gostáveis em si mesmas. E, portanto, não se vê muito como, além desse gostar em si, tem de ficar por detrás um outro título de gostável, quando o gostável natural já explica a coisa de si mesma. Então a resposta é: a época da sinarquia não é o contrário dessa época, mas nasceu de dentro dela, é um desdobramento dela. O que é uma contraprova, de que realmente no gosto para essas coisas, já entrava muito do quebranto e não mais do gosto da coisa.
O que ajuda a justificar a minha tese, de que de fato o quebranto já estava antes, e que era um pessoal oco, que gostava das coisas pelo quebranto muito mais do que pela coisa em si, a partir do momento em que o quebranto exigiu que renunciassem à coisa, eles renunciariam porque o quebranto era a grande delícia deles.
E, aí a gente vê bem o que é a geração oca. O fundo dela é oca, porque não se incomoda com nada, é o prazer de viver para um certo quebrantinho, um certo gostinho em favor do qual tudo se sacrifica. E que é o ser com, estar com, etc.. Quer dizer, isto é o suco do quebranto. É um quebranto fundamentalmente vazio e relativista, como não podia deixar de ser.
* O indivíduo picado pela mosca da sinarquia, procuraria dar a impressão de que nós somos grandes em tudo quanto é linha da sinarquia
Agora, transpondo para o que vem depois. Quer dizer, transpondo o estudo do que vem depois para aqui dentro. Então, é outra coisa. É assim como o indivíduo amoroso dos restos da Belle Époque procuraria adornar isso aqui com todos os troféus, com todos os ouropéis da Belle Époque, o indivíduo picado pela mosca da sinarquia, procuraria dar a impressão de que nós somos grandes em tudo quanto é linha da sinarquia.
Então, eu, para falar diretamente de mim, eu não seria mais uma espécie de edição brasileira do gentil-homme, mas eu seria um homem de ação extraordinário, muito ativo, que emprega seu tempo inteiro, que toca muitas coisas para a frente com um poder disso, daquilo, etc..
Agora, o que é isso?
É em última análise o adorar algo que no fundo também a gente não adere, que é tão louco quanto o anterior, para estar de acordo com, alinhado com, e mais nada do que…
Uma expressão extremamente pitoresca e inteligente para designar a modificação que vai haver. Ele disse que o mundo inteiro vai passar pela transformação pela qual passou a Casa Mappin. É um símbolo muito adequado para dizer numa só palavra a coisa. E que vai ser um mundo de funcionários. Quando chegar nessa ocasião começa a nomeação de funcionalismo.
Pela mesma coisa, então, é do funcionalismo? É dos… [inaudível] da Belle Époque? É das bochechas tubaronescas do banqueiro já semi-demodé de nossos dias?
Não! É de algo que está fora disso, e que é estar com algo que nos esvazie, em função do qual nós somos inteiramente vazios, que nos deixa completamente limpos — na medida em que uma pessoa inteiramente limpa esteja vazia ou na medida que o vazio passa ser reduzido a limpo — de tudo, e de toda opinião própria e de toda a posição própria, e de toda a segurança própria, escravos só de uma coisa: é que tenhamos a bênção desse quebranto. Obtida a bênção desse quebranto o resto está perfeito.
Os senhores querem a prova provada disso: É como nós passamos — não nós dentro do Grupo, porque é algo de fora, não concorremos para isso — mas como se passou do grande automóvel para o Wolkswagem. É característico. De tal modo que mesmos as pessoas dotadas de um grande automóvel, não se consolariam de não ter um Wolkswagem, e de não serem vistas às vezes guiando um Wolkswagem. Por quê? Para estar de acordo com o “deus” quebranto. É uma muleta de um lado e outra de outro lado.
E o prazer muito pouco por uma tomada de posição própria, muito pouco por algo de próprio. É o gosto deste quebranto que nos tira toda a organicidade, toda a vida própria, e nos deixa como a cinza de um cigarro que foi queimado. E não tem mais nada. Uma cinza.
Então, para usar a expressão de alguém, nós ficamos num estado de “sinelício”, ficamos incinerados pelo quebranto. No fundo, se não fosse a vocação ultramontana que nos salva disso, nós seríamos cinzas.
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1) Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.