Reunião
Normal – Martim Francisco – 25/9/65 – Sábado
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Reunião para o Grupo da Martim 1 (Sala dos fundos da Martim Francisco) — 25/9/65 — Sábado
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O mundo se tornou uma coisa sujeita ao poder do demônio depois do pecado original, tornou-se o reino do demônio, e não é apenas num sentido metafórico da palavra * O mundo era o reino do demônio antes da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo — As referências do Evangelho às numerosas possessões * Tudo leva a crer que havia também uma possessão do demônio mais difusa, em casos mais numerosos do que aquele que o Evangelho conta * À medida que a decadência espiritual da Cristandade foi se acentuando, houve uma manifestação progressiva do demônio que cada vez mais foi conseguindo iludir e desviar os homens * Outras palavras de Nosso Senhor no Evangelho mostram bem que estamos no reino do demônio — A rejeição da Redenção é pior ainda do que o pecado de nossos primeiros pais * Até que ponto o cetro do demônio penetra em mim? De que natureza ele é? Quais são as relações de minha vocação com essa ação do demônio? * O que coloca a pessoa fora do cetro de fumaça é a pessoa ter uma rejeição completa, sem meia condescendência de soslaio, sem uma meia estima passada por debaixo do pano * O amor à trivialidade, o amor à bagatela e o amor à ninharia é a expressão mais sensível do cetro do demônio entre nós
* O mundo se tornou uma coisa sujeita ao poder do demônio depois do pecado original, tornou-se o reino do demônio, e não é apenas num sentido metafórico da palavra
A respeito da questão do cetro do demônio e depois do poder exorcístico que é oposto ao cetro do demônio, eu gostaria de lembrar antes de tudo o seguinte: que para ajudar a admitir o que eu disse, a bem dizer, a crer no que eu disse nas reuniões passadas sobre o cetro do demônio, seria preciso lembrar que do ponto de vista absoluto, considerando as coisas absolutamente, não é de modo nenhum tão extraordinário e tão fora do que se poderia imaginar que esse cetro do demônio exista. Porque com efeito, o mundo se tornou uma coisa sujeita ao poder do demônio depois do pecado original, tornou-se o reino do demônio depois do pecado original, e o reino do demônio evidentemente não é apenas num sentido metafórico da palavra, mas num sentido próprio da palavra.
Assim como por exemplo também do ponto de vista do Reino de Maria, vencendo o demônio, nós teremos de fato o reinado de Maria, quer dizer, não é uma coisa metafórica, não é uma coisa teórica, não é um modo bonito para designar o império comum que Nossa Senhora tenha sobre as coisas, mas de fato Nossa Senhora vai exercer um império de direito que Ela já tem, Ela vai exercer mais amplamente de fato depois da Bagarre e assim também o reino do demônio é um reino que se exercia antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, de fato. O mundo, o demônio e a carne são três coisas consectárias e dessas três coisas, naturalmente a mais ativa é o demônio.
Por que o mundo e a carne? A carne é a parte mais física do que espiritual. O mundo é constituído por homens. Onde há três aliados e um dos quais tem natureza angélica, o outro tem uma natureza humana e o outro tem, plutôt, uma natureza animal, o demônio com a natureza angélica, mundo com a natureza humana, e a carne representando aquilo que há de mais animal na natureza humana, é claro — como dizia Bismarck — entre aliados há sempre uma relação de cavalo e cavaleiro.
Ora, qual é o cavaleiro onde os cavalos são estes?
Evidentemente, o demônio tem de montar nos dois, e o reino do demônio, quer dizer, o poder que tem o demônio de jogar com o mundo e com a carne para fazer a vontade dele, evidentemente é uma coisa que ninguém pode negar.
* O mundo era o reino do demônio antes da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. As referências do Evangelho às numerosas possessões
Aliás, as referências à Redenção estão cheias disso, que o mundo era o reino do demônio antes da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo e que Nosso Senhor nos resgatou do cativeiro do demônio e esse cativeiro do demônio evidentemente não se dá apenas assim de um modo, porque o demônio atua sobre o mundo e a carne, ele é o rei, mas dava-se por uma ação direta dele.
Os senhores devem ter visto várias vezes no Evangelho referências a possessos do demônio e os doutores esclarecem que esses possessos do demônio eram mais freqüentes naquele tempo porque não tinha havido ainda a Redenção. E as interferências diretas dos demônios, clamorosas, berrantes, de pessoas possuídas pelo demônio, eram muito mais numerosas naquele tempo do que hoje.
Como eram muito mais numerosas nos países de antes das missões, antes de chegarem os missionários, embora essas raças já tivessem sido remidas, mas o grosso dos frutos da Redenção palpáveis e sensíveis não tinham chegado até lá, porque até lá não tinha chegado a presença benfazeja e divina da Igreja Católica.
* Tudo leva a crer que havia também uma possessão do demônio mais difusa, em casos mais numerosos do que aqueles que o Evangelho conta
Agora, aonde havia aflorações tão grandes de poder diabólico como era o grande número de possessões demoníacas, eu pergunto aos senhores se não é evidente que deveria haver, em número muito maior, manifestações menores e difusas do poder do demônio. Há uma regra em tudo no Universo. Uma regra da ordem do Universo que se aplica muito bem assim para os nossos olhos:
Onde há um cume muito alto, deve se imaginar que haja perto um sistema montanhoso com contrafortes que vão indo até a planície, mas é muito raro um cume existir sozinho.
Assim como, por exemplo, do ponto de vista do mar, onde há uma ilha, tudo leva a crer que em volta exista uma porção de montanhas submarinas, porque a ilha não é senão uma montanha dentro do mar cujo pico sai além do mar e portanto deve haver uma porção de montanhas submarinas em torno da ilha.
Aquele princípio que nemo summo fit repenter, esse princípio tem uma contra-aplicação nesse sentido: nada de extremo existe sem que uma porção de fenômenos que representam aquele extremo em graus diversos existam vizinhos e correlatos e, portanto, onde havia grande possessões do demônio, tudo nos leva a crer de que havia também uma possessão do demônio mais difusa, mas em casos mais numerosos do que aquele que o Evangelho conta.
Se nós tomamos em linha de conta que o demônio conseguiu fazer-se adotar em muitos casos como sendo o verdadeiro Deus, ora sobre a forma de deuses horripilentos como o dos Etruscos, ora sob a forma de deuses falsos como eram os ídolos que todos os antigos padres da Igreja chamavam de demônios, para eles era líquido que aqueles ídolos tinham uma infestação diabólica. Se a gente imagina povos incontáveis indo aos templos do demônio para fazer uma adoração do demônio, os senhores compreendem bem que o demônio não [precisa] cerimônia para se apresentar, porque ele é sem-vergonha por natureza, porque é só chamá-lo que ele vem, a questão é só de Deus dar a ele essa permissão. Os senhores imaginam como era difuso por todas as sociedades antigas o império do demônio.
* À medida que a decadência espiritual da Cristandade foi se acentuando, houve uma manifestação progressiva do demônio que cada vez mais foi conseguindo iludir e desviar os homens
Ora, se o demônio pôde ter um verdadeiro império social sobre o mundo antigo não é natural que ele tenha um império social sobre o mundo que apostate de Nosso Senhor Jesus Cristo?
E como toda a decadência espiritual é um processo, normalmente é um processo, não é natural em que à medida do processo da Revolução — que foi a decadência espiritual do mundo medieval e da Cristandade — se venha acentuando, tenha [havido] uma manifestação progressiva do demônio representada pela teoria do cetro do demônio que cada vez mais foi conseguindo iludir os homens e desviar os homens?
E não seria surpreendente admitir que nós tivéssemos chegado a uma tal anorganicidade, a uma tal rejeição de todos os valores naturais, a uma tal inversão, até de toda a ordem como é essa que nós estamos?
Com o mundo inteiro fora da ordem natural procurando um bem que para ele é um mal, e que é exatamente esse cetro misterioso, esse fator esquisito que transforma todo homem e toda senhora em um asceta e um asceta de um tipo tal que esta disposto a renunciar a tudo para correr atrás de um certo ponto que para eles tem de ser gostoso. Não é natural atribuir-se ao demônio este jogo, este malabarismo? Não é sumamente provável, sumamente explicável, não seria muito surpreendente que fosse de outra maneira que isto fosse exatamente o manejo do demônio?
Agora, se isto é o manejo do demônio, e se tem do demônio todas as características, quer dizer, a lábia, o visgo, a repulsa de toda ordem natural, o gosto pelo privar-se, pelo fazer mal a si próprio, a contrário da lógica, do ilogismo a desordem, a correr atrás do vazio, que tudo são coisas do demônio e são anti-naturais, se toda a ordem natural está como que invertida, quando na nossa natureza apesar do pecado original a tendência seria evitar pelo menos a inversão da ordem natural, se tudo isto se dá não é muito razoável, muito normal atribuir isso ao demônio? Tanto mais que a sociedade contemporânea cometeu um pecado que é um pecado péssimo, é o pior dos pecados, é o pecado da apostasia e no pior sentido; então, que normalmente [isso] traria a posse do demônio.
* Outras palavras de Nosso Senhor no Evangelho mostram bem que estamos no reino do demônio — A rejeição da Redenção é pior ainda do que o pecado de nossos primeiros pais
Depois mais, Nosso Senhor não disse exatamente as almas que são exorcizadas que tomam cuidado porque se elas relaxassem e elas facilitassem, o demônio vendo que a casa estava vazia e limpa, voltaria com outros sete piores.
Agora, a Humanidade de hoje, especialmente a Cristandade, ela especialmente, não foi exorcizada do poder do demônio? É claro que a Humanidade foi, mas muito especialmente esse exorcismo se aplicou à Cristandade, a Cristandade não foi exorcizada do poder do demônio? Foi.
E agora não é normal que ela tendo voltado a um pecado igual e em grau mais grave do que o pecado anterior — porque a rejeição da Redenção é pior ainda do que o pecado de nossos primeiros pais, por alguns lados — que também o demônio voltasse com os sete piores?
Agora, omitindo que o demônio esteja aqui, o que é que mais faz a obra do demônio do que este cetro de fumaça misterioso, que é esse visgo inexplicável?
É inteiramente natural, é inteiramente consentâneo com a ordem das coisas, é de acordo com as boas regras que de fato nós admitamos que existe então uma obsessão do demônio acompanhado de numerosos casos de possessão. Mas uma obsessão do demônio difusa em torno do mundo contemporâneo e que faz com que o demônio seja como que um chefe de quadrilha e que conduz a quadrilha por uma farândola maluca durante uma dança, dentro de um baile, e que satã…[inaudível]
* Até que ponto o cetro do demônio penetra em mim? De que natureza ele é? Quais são as relações de minha vocação com essa ação do demônio?
Agora, esta ação então mais do que normalmente devo atribuir a algo do demônio, essa ação eu devo procurar naturalmente perguntar-me a mim próprio até que ponto ela penetra em mim, de que natureza ela é, e quais são as relações de minha vocação com essa ação do demônio.
São perguntas que é normal que eu faça para uma visão de conjunto do assunto que foi tratado, é bem dizer, é um encerramento do assunto que foi tratado.
Eu então agora quero ocupar disso, cogitar disso. O que eu tenho verificado é o seguinte: é que há um certo número de almas que a gente vê que de um modo muito especial foram livres dessa ação do demônio.
Duas almas me chamam a atenção nesse sentido, uma alma é São Luiz Gonzaga e outra alma é Santa Terezinha do Menino Jesus.
* Almas como São Luiz Gonzaga e Santa Terezinha estão de tal maneira ancoradas na verdade objetiva, na lógica, na sanidade mental, que estas almas estão livres desta ação do demônio
A gente toma aquela pureza imaculada de São Luiz Gonzaga, a gente vê que ao lado dessa pureza enquanto horror ao mal da impureza entra conjugado com isso uma espécie de incontaminação por onde ele não tem nenhuma forma nem de condescendência, nem de simpatia para qualquer outra forma de mal.
Ele é infenso àquilo, ele é avesso àquilo, ele poderá sentir os efeitos do pecado original, isto é uma outra questão, mas o consentimento dele está inteiramente intacto. Nele não entrou nada que representasse qualquer forma de simpatia, qualquer forma de conivência, qualquer forma de estima com o pecado original. Isto na vida dele é o que se [faz] com o pecado da impureza e com qualquer outra forma de mal que possa tentar o homem.
E a gente tem a impressão que ele colocado diante da heresia, diante do roubo, diante da mentira ou diante do assassinato, ele teria uma reação idêntica a isso, seria uma reação de uma completa rejeição, completa! Ele não quereria nem um pouco. É claro que uma alma assim é uma alma que está de tal maneira ancorada na verdade objetiva, ancorada na lógica, ancorada na sanidade mental que entre o bem e o mal, a verdade e o erro, essa alma sente todos os abismos e diante de qualquer insinuação diabólica esta alma tem uma rejeição, ela não quer, ela tem horror àquilo, etc..
Uma outra alma nesse gênero foi Santa Terezinha do Menino Jesus. Basta a gente ler a “História de uma alma” que a gente tem por detrás de tudo — eu tive essa impressão, não sei se os senhores tiveram — por detrás de todas aquelas manifestações dela da pequena via, da confiança em Deus, do desejo de sacrificar-se pela Igreja, etc., por detrás disso existe uma atitude de alma de uma limpeza, de uma integridade, de uma Inocência, de um completo alheamento, tão completo a qualquer forma de mal que aquilo é a bem dizer, o fundo de quadro de toda a vida de Santa Terezinha.
É impossível a gente ler qualquer episódio da vida de Santa Terezinha e ver como é que ela comenta aquele episódio e ver como ela desenvolve aquilo, como aquilo repercute nela, etc., sem perceber uma incontaminação, uma pureza dentro daquilo, mas pureza que não é só de sexto Mandamento, mas é de tudo. Uma Inocência, para usar a expressão, uma Inocência, mas é uma Inocência que não é só de quem não pecou, mas de quem nunca internamente teve uma conivência com o pecado, portanto, uma inocência de consentimento que é uma coisa adamantina e por assim dizer transcendente e que dá um perfume especial, um encanto especial, qualquer coisa dita por alguém que faz com que as coisas mais insignificantes dela tenha uma espécie de efeito sobre a alma que é um efeito curativo. A gente lendo aquelas coisas de Santa Terezinha cicatriza as próprias feridas da alma da gente.
Agora, isto é por quê?
É exatamente por causa dessa pureza transcendental, dessa pureza enorme que existia dentro da alma dela, nesse sentido da palavra pureza.
* Almas com a pureza, nobreza, desprendimento e grandeza como a de Santa Joana D’Arc, o cetro do demônio não pode nada
Esta posição de pureza assim, nós a notamos também muito em Santa Joana d’Arc, a gente vê que tudo nela, o modo de combater, o modo de tratar com os homens, o modo de se portar diante da própria carreira que ela estava fazendo, etc., era de um desprendimento, era de uma nobreza, era de uma grandeza e era de uma limpeza absoluta que é meio fulgurante. Eu não sei se os senhores lendo a coisa de Santa Joana d’Arc tiveram a mesma impressão que eu, mas a gente tem a impressão que as pessoas que tratavam com ela, como que gostariam de usar óculos escuros, quer dizer, é tal o fulgor de neve batida pelo sol na vida dela, que até por vezes a gente vê um ou outro espantado, e mais cego com aquele fulgor de neve da vida dela.
Essas são almas nas quais exatamente nunca houve nenhuma forma de transigência, de conivência, de amor com o mal. São almas que estão incontaminadas disso, e em relação às quais por causa disto, o cetro do demônio não pode nada.
Bem diferente disto, exatamente, são as almas — e notem bem, eu não vou aqui falar das almas que caíram em pecado, porque é evidente as almas que caíram em pecado perderam, enquanto uma grande contrição não remove as coisas, perderam isto, mas não é disso que eu vou falar — são as almas que não caíram em pecado, quer dizer, não praticaram uma ação que lhes tenha tirado diretamente o estado de graça, mas que colocadas diante do mal, não tiveram aquele não consentimento, não conservam aquela rejeição inteira, aquele alheamento absoluto de que acabei de falar.
Naturalmente, num modo ou noutro em todos os santos, mas nesses são exemplos tão palpáveis que eu tomo esses santos de um modo muito especial.
* O suco da rejeição do pecado não é não cometê-lo, mas compreender o que ele tem de ruim e de detestável
Quer dizer, essas almas a gente vai ver um mundo de pecado que elas não cometeram, mais ainda, de que nada na ordem da fraqueza humana faça supor, que elas venham a cometer, a gente considerando a posição dessas almas em face dos pecados dos outros, é uma posição muito diferente, meio condescendente, uma posição meio transigente. É uma posição de quem não faz aquilo, mas não dá àquilo uma rejeição que aquilo deveria ter, não tem em relação àquilo o alheamento que aquilo deveria ter. Mantém uma tal e qual transigência, uma tal e qual coisa porque o suco da rejeição do pecado não é não cometê-lo, mas compreender o que tem de ruim e detestá-lo. Não cometer é conseqüência de compreender o que ele tem de ruim e de detestar. Mas o compreender o que ele tem de ruim e detestar isto é o suco da rejeição do pecado.
Ora, o que é que os senhores encontram? Os senhores encontram ao longo desses séculos de Revolução, um número cada vez maior de almas que não pecando, não têm esse horror pelo pecado.
Quer dizer, a tragédia não é só das almas que pecaram, mas é da condescendência diante do pecado, de uma certa indiferença, diante do pecado pelas almas que de fato não pecaram. E mais ainda, a zona de condescendência dessas almas é cada vez maior. Esta gente assim fica de algum modo sujeita também ao visgo de demônio, à “baguete”, ao cetro de fumaça do demônio.
* O que coloca a pessoa fora do cetro de fumaça é ela ter uma rejeição completa, sem meia condescendência de soslaio, sem uma meia estima passada por debaixo do pano
E aquilo que pode colocar a pessoa fora desse cetro de fumaça é o a pessoa ter essa rejeição completa, essa rejeição sem uma meia condescendência de soslaio, sem uma meia estima passada por debaixo do pano.
Isto, por exemplo, em relação ao mundanismo, há muita gente que não vai a baile, que não freqüenta sociedade, mas que se embevece mais com uma crônica de Marcelino de Carvalho ou com uma crônica de Guilherme de Almeida, ou com uma conversa mundana do que gente que vai a baile e à sociedade. Tem umas [tanguas?] com aquilo e têm umas ingenuidades da solteirona com aquilo que uma porção de fassuras marinheiras dessas águas de todo o jeito, por experiência própria viram o que aquilo tem de factício, de balofo e de mentiroso, e achariam coisa de mocinhas cândidas dar essa importância àquilo e, entretanto, há muita gente que numa coisa dessas se embevece.
Agora, isso o que é que é? Isto é em última análise uma irradiação da ação do demônio sobre almas que de fato não se deram a ele mas que conservam para com ele uma certa simpatia, uma certa condescendência, uma coisa assim.
Agora, qual é o resultado? Toda alma que tem essa incontaminação, e exatamente aí a gente compreende porque é que, por exemplo, os grandes penitentes do deserto se mortificaram terrivelmente, é para acabar de expungir pelo sofrimento, por meio de suas vivências todas as coisas que ainda falavam do pecado e que davam alguma condescendência pelo pecado.
Então, a gente compreende porque todas essas pessoas faziam isso e a gente compreende então também esse ponto que todas as pessoas que estão de tal maneira incontaminadas, essas pessoas são as pessoas que o cetro do demônio não pode nada. E que na medida em que entra numa época de infestação, quase universal, à medida em que entra uma tal ou qual condescendência com o mundanismo, uma tal ou qual condescendência com coisas à maneira de sensualidade e de mundanismo, o cetro do demônio entra logo depois e entra uma espécie de fascínio pelo jogo do demônio.
Então ficam, por exemplo, os ultramontanos sendo os “bolas-pretas” do baile do demônio. Eu dou mil razões, mas graças a Deus não dançam, é bem verdade, mas com que interesse [olham?] para a dança, que admiração têm pelo demônio enquanto condutor da quadrilha, como eles apreciam a verve daquilo que está se passando, como eles lambem os beiços por aquilo em que de fato não estão.
Eu pergunto: com isso assim não é facílimo que entre neles algo do império do cetro de fumaça do demônio?
Eu me explico de um modo matizado: eu estou dizendo que é algo, eu não estou dizendo que não é tudo, mas há alguma coisa mais triste para nós que somos filhos de Nossa Senhora do que na nossa alma entrar algo do cetro de fumaça do demônio? E entretanto, não pode entrar? Vamos pensar um pouco.
Essas pessoas, de tanto achar graça nele, ficam ilesas da ação dele? O achar graça nele não é exatamente beber algo, não é concordar? Quer dizer, concorde, fazer o coração apertar com. Não é portanto ingerir algo de? Não é pôr dentro algo de? É, e quanto! Nesse mundo de hoje, nós tomamos essa posição em relação a algo que nós sabemos que está intoxicado pelo cetro do demônio.
Eu pergunto aos senhores se não é verdade que nós ficamos como uma pessoa que está atrás de um ônibus e toma aquele esguicho de fuligem do ônibus. Algo entra pela pele, algo entra pelo corpo, algo intoxica, mas intoxica do quê? De um gás diabólico. Quer dizer, há uma participação de algo do demônio.
Os senhores vejam agora o seguinte: esta participação entra na alma do ultramontano como uma espécie de efeito minor e não como uma espécie de efeito maior.
É claro que o efeito minor pode transformar-se em efeito maior, mas não é normal, assim como por exemplo, uma gripe pode transformar-se em tuberculose galopante, mas não é o normal, não é o caminho comum da gripe. Assim também esse efeito minor entra na pessoa e não se transforma numa coisa assim maior.
* O amor à trivialidade, o amor à bagatela e o amor à ninharia é a expressão mais sensível do cetro do demônio entre nós
Bem, os senhores vão examinar cada uma dessas almas, sabe o que é que apareceu? O demônio pegou o cetro dele e virou um pouquinho, quer dizer, vendo que o aspecto pecaminoso do cetro dele estava chocando, ele muda um pouco e apresenta — imaginem um cetro [triédrico?] — ele desvia um pouquinho e mostra a outra face do cetro, então, de uma vidinha normalzinha, direitinha, sem recusa séria, sem recusa séria da coisa do demônio que se está se passando, porque se houvesse recusa séria, gostariam de falar, de combater, teriam zelo mas não recusa séria.
O demônio vendo que a pessoa está muito zangada por causa do pecado que está acontecendo, diz à pessoa: “Ah, não, você está zangada, quer sair daqui? Não! Sai daqui para uma cadeira de “bola preta”, experimenta como é gostoso!” Isto dá exatamente em esclerose.
Então essas conversinhas, essas coisinhas assim são um modo de fugir de dentro do Grupo, dos temas e da vocação inerentes ao Grupo, e o deleite que a gente encontra nisso é o deleite que tem o homem sempre que ele é chamado para fazer uma coisa mais difícil quando ele está em face de uma coisa menos difícil, aí é o deleite que ele encontra.
Assim também com o grande rio do visgo do demônio, para algumas almas o demônio apresenta o seu cetro e sua dança no grande estilo. Mas há algumas almas que não são pequenas almas no sentido de Santa Terezinha do Menino Jesus, que era uma grande pequena alma, mas são almas mesquinhas, pequeninas o que é uma coisa diferente, pusilânime, para as quais no próprio golfozinho minúsculo e marginal existe tudo na estatura onde elas se deixam cair e existe então inclusive a correnteza e o perigo de desabamento, etc..
Estas almas de que eu falo, o demônio faz então para elas uma espécie de micro-riozinho, de um micro-visguinho, e uma micro-vidinha, e uma micro-coisinha contanto que elas consigam se diminuir naquele ponto. Por que isto? Porque assim, pequenininho, agrada a gente. É meio “bola preta” do baile do demônio, é meio “bola preta” do ultramontanismo também.
A gente assiste meio de cadeira o drama ultramontano também, a gente fica entre as duas coisas. De vez em quando olha para fora e vê a luta dos Anjos, e depois olha para dentro e vê o baile do demônio, e das duas coisas a gente compõe uma posição que é a posição do amor à trivialidade, do amor à bagatela e de amor à ninharia que é ao meu ver, a expressão mais sensível do cetro do demônio entre nós.
* O amor à trivialidade, à bagatela e à ninharia tem feito mais mal ao Grupo do que todas as infidelidades grossas que se tem cometido
Eu creio que isto tem feito mais mal para emperrar o Grupo do que todas as infidelidades grossas que dentro do Grupo se tem cometido, mas esse, eu creio, não é senão uma forma de polidez para não ser muito taxativo.
porque na realidade quando a gente observa o mal que o Grupo sofre pelo número de almas assim, e as compara com o mal que o Grupo sofre por causa de algumas que saíram, a gente vê bem como a coisa é.
Quer dizer, a coisa de fato pega deste jeito, não é verdade? E no fundo a gente compreende bem, porque a luz primordial do Grupo sendo os píncaros mais sublimes, o espírito metafísico mais alto, o maior amor ao absoluto, eu pergunto [se] o pecado capital seja o outro [extremo] e quem rejeita essas luzes fica sujeito exatamente a esse gosto da ninharia, e esse gosto da bagatela que é uma forma de cegueira e castigo exatamente correspondente a isto. É uma coisa normal.
Agora, é tão antinatural no ultramontano, é tão diverso a todo dinamismo da lógica do ultramontano, conduz para rumos tão diferentes daqueles onde tudo no próprio ultramontano conduz que é uma aberração lógica parecida com a aberração das senhoras a respeito da própria magreza: esquelética e urrando contra a fome que passa o operário, cinco vezes mais gordo do que ela, e que come cinco vezes mais do que ela. É absolutamente isso, é absolutamente isso.
* Estamos numa época de infestação geral do demônio e é normal que as almas que facilitem, sofram essa infestação. O embevecimento pelas coisas do demônio é um comércio com ele
Bem, e é então a forma da coisa contra a qual eu tenho a impressão que nós devemos premunir mais insistentemente o espírito daqueles que trabalham e atuam conosco, e é exatamente esta forma de amor à bagatela que é um amor, que é amor por extravasão ao grande, ao sério, ao profundo, e que só assim se explica e que é no fundo o resultado do fato da pessoa estar a maneira de “bola preta” no baile do demônio, o resultado é que sem a gente se dar conta, a gente fica também “bola preta” no combate dos Anjos e no combate dos ultramontanos. Seria uma aplicação interna para nós desta coisa.
Os senhores dirão: “Doutor Plinio, por que introduzir o demônio dentro disso?”
Eu explico. Introduzir porque nós estamos numa época de infestação geral do demônio e é normal que as almas que facilitem, sofram essa infestação, porque os fenômenos gerais são dotados de um poder de penetração maior e, portanto, é muito mais fácil admitir que todo o mundo sofra a ação dele.
Bem, de outro lado também é verdade que essa posição nunca existe sem que haja em embevecimento de espectador pelo baile do demônio, e o embevecimento pelas coisas do demônio é um comércio com ele, é uma aceitação de um atrativo que ele propõe e como ele não propõe esse atrativo senão para penetrar, é normal que a gente, aceito esse atrativo, a gente penetre.
Agora, a gente dirá: qual é esse atrativo? É exatamente formas de condescendência interna, mental, doutrinária, em relação às coisas do demônio. Não aquela posição absolutamente intransigente, absolutamente dinâmica e absolutamente incontaminada que é própria das pessoas do tipo Joana d’Arc, Santa Terezinha do Menino Jesus.
* A nossa vocação implanta em nós uma semente que trabalha em sentido oposto ao atrativo do demônio para nos levar a acreditar em sério na missão do Fundador, na missão do Grupo
Bem, eu acho que a nossa vocação implanta em nós um gérmen, uma semente que trabalha em sentido oposto e que é só nós começarmos a tomar a sério interiormente as coisas de nossa vocação, acreditar por exemplo, naquele princípio de que a Maquininha mais a ocasião, mais a Providência, é igual a queda da Revolução. Mas acreditar em sério, e acreditar em sério na minha missão, na missão do Grupo, na função que nós temos de derrubar a Revolução hoje em dia, acreditar em sério na aliança de Nossa Senhora, misericordiosa aliança de Nossa Senhora com o Grupo, é só a gente acreditar nessas coisas que daí nasce como um reflexo, como uma conseqüência exatamente essa parte incontaminada de alma na qual possa pousar a vocação, [e que] vai se dilatando, se dilatando…
Eu, por mais que aborreça, tristezas que possam dar, eu confesso que eu tenho mais medo pelo destino das almas que possam ir neste arrastão, do que em arrastões piores.
* O Fundador dá um resumo de toda reunião
Então, o resumo é: eu primeiro mostrei como essa tese de que através desta coisa vácua, deste desejo de destruição, o demônio põe na sua lábia uma coisa agradável, e que isto é o cetro com que ele dirige o mundo.
Eu mostrei então com vários argumentos, ora históricos, ora teológicos-históricos, que isso é uma coisa muito admissível, muito normal para chegar à seguinte conclusão:
Aquilo que a nossa experiência parece mostrar e que parece chegar a conclusões muito inverossímeis, aquilo dentro de uma visão mais alta é uma coisa verossímil, é uma coisa normal.
Eu não considerei, portanto, os argumentos de hoje e como uma prova, rigorosamente falando, eles não são provas, mas a prova é a observação, e aqui é o caso de dizer como o João Sampaio: “quem viu, viu, quem não viu, não viu”. Quer dizer, qual é a prova de que essa coroa está aqui?
Bem, é razoável acreditar nos que viram a coroa, porque é normal que houvesse uma coroa aqui dentro. Então é um argumento de probabilidade para dar maior repouso na afirmação desta…
(…)
…do demônio, as pessoas que não vêem, mas entrevêem fragmentos da coisa, etc.. Isto era preciso porque sempre que a gente passa para as aplicações concretas é preciso um reforço de fé. É preciso ter fé para aceitar algo, é preciso mais fé ainda para este algo passar dos princípios aos fatos concretos.
Então por causa disso, eu dei uma primeira parte que não tem uma relação lógica mas tem uma relação psicológica com o que eu desenvolvi. [É] o seguinte: que esta ação do demônio que eu lembrei que…, cuja probabilidade de existência eu tentei demonstrar, essa ação do demônio pelo fato de ser tão ampla, atinge também o Grupo.
Esta é a tese geral. Depois em que sentido atinge? A forma preponderante em que tem sido mais nociva é de pessoas paradas à beira do caminho esclerosadas por gosto da bagatela.
Então, esta é a tese e a minha argumentação se desenvolveu em função esta tese.
Para provar isto, eu comecei então por mostrar que a atração dessas coisas do demônio se dá muito freqüentemente nas pessoas que rejeitam as coisas do demônio, a pessoa fazer no seguinte sentido: “Eu estou fora desta dança, portanto, eu nada tenho a ver com ela”, que é uma coisa errada. A pessoa deve ter em relação a essas coisas não apenas a rejeição de não as praticar, mas de as detestar, de ser incontaminado com elas.
É apenas na medida que a pessoa é incontaminada, assim que ela está fechada para a ação do cetro do demônio.
Então para se ter a idéia de que é uma pessoa incontaminada assim, eu dei três exemplos que são: São Luiz, Santa Terezinha e Santa Joana d’Arc. Para o que é que eu dei esses três exemplos?
Os senhores conhecem um pouco a biografia dessas pessoas e podem ver diretamente essa incontaminação o que é que é, como ela é etc., para fazer a comparação conosco, como nós não somos assim. Depois de ter mostrado o que é que é a alma incontaminada, pelo contraste fica fácil ver que nós não temos essa posição de intransigência, que nós temos uma posição de rejeição que nós não fazemos. Nós, quer dizer, muitos dentre nós, não fazemos as coisas que nós censuramos, mas nós não a censuramos tanto quanto deveríamos censurar.
Quer dizer, há em nossa alma um fundo de displicência, um fundo de latitudinarismo, um fundo de condescendência, um fundo de conaturalidade — e a palavra conaturalidade diz aqui bem o que eu quero — para com essas coisas.
Então, eu dei como exemplo disso a leitura feita com ênfase, com sofreguidão, com mil imaginações corolárias, paralelas, etc., do Guilherme de Almeida e do Paulo de Carvalho, Marcelino de Carvalho, etc.. Livros de boas maneiras, e outras coisas assim.
Agora, o que é que é isso?
No fundo, é um misto, é gostar de algo da tradição, do passado, mas é gostar de algo do cetro do demônio e nesse gostar do cetro do demônio, existe exatamente essa simpatia subconsciente para com as coisas do demônio que dá no tipo de “bola preta”.
o que é que é a “bola preta”?
É a senhora que antigamente ia levar a filha ao baile e formava uma verdadeira crosta de duas fileiras ou três em torno da sala do baile, de senhoras que já não dançavam, e que ficavam ali olhando e comentando. Com mais sensacionalismo e com mais interesse do que as próprias pessoas que dançavam.
As coisas do demônio são sempre assim: de fora para dentro, elas aparecem mais bonitas do que de dentro para fora. Há uma coisa mais bonita do que uma grande cidade vista de longe, com aquelas imensos arranha-céus? A gente tem impressão de palácios; mas não, são cortiços firmes como tudo e está um mundo de gente morando dentro do cimento.
De fora, parece uma beleza, um verdadeiro palácio, as coisas do demônio são sempre dessas.
Também o baile é muito mais sedutor para a limpadeira da sala de baile que fica do lado de fora olhando para a sala do que para a “bola preta”, e é mais sedutor para a “bola preta” do que para quem dança, porque as coisas do demônio são essas.
Então, fica a “bola preta” ali que não dançariam inclusive por protesto moral, porque acha as danças imorais de hoje horríveis e comenta a filha da outra, como fica ridículo dançando aquilo, mas vê a sua própria filha passar, ela é fina, ela é espertinha… é esse o comentário.
Bem, então eu estava dizendo que a posição de muitos dentre nós acaba sendo esta posição. Qual é o resultado dessa posição? É o seguinte: há duas formas de mundanismo, há o grande mundanismo, e há o pequeno mundanismo. O grande mundanismo do mundo geral, mas há pessoas que vivem em ambientes que são ambientes muito circunscritos, muito fechados em que se organiza uma espécie de pequeno mundanismo.
Daí vem aquela imagem da cruz, a micro-hagiografia que reproduz em todos os seus lances a grande hagiografia. E por isto gente no trato do problema de saber se no aniversário da titia, a cunhada da titia que brigou com a titia vai ou não vai, isso é uma coisa que enche completamente.
Então é uma espécie de mundanismo microscópico. Até [é] mundano quanto o outro, [mas] acontece que o mundanismo da “bola preta” é esse, ela dá um… [inaudível] no mundanismo grande e se delícia nas pequenas emoções do mundanismo pequeno, é este o mundanismo “bola preta”.
Este mundanismo “bola preta”, aliás — outra idéia — como é que pega rapazes que de nenhum modo foram feitos para isso? O assunto minúsculo interessa quando a gente, está diante de um grande esforço, então qualquer bagatela a gente acha muito engraçado e se interessa. É uma forma de evasão.
Então a discussão pela lâmpada… [inaudível].
Acaba sendo uma evasão do mais alto e uma evasão do mais alto determinada pela posição de “bola preta” dentro do baile do demônio.
Agora, alguém perguntará: é verdade que essa situação de “bola preta” dá para o visgo entrar? Eu dei para isso a imagem do moço da visão do Santo Cura de Ars que está conduzindo o baile.
Quem gosta da brincadeira do demônio aceita o atrativo dele. Daí naturalmente a atitude do quê? Opaca de uma espécie de dúvida difusa, preguiçosa em face de coisas inerentes à nossa vocação. Quais são essas coisas?
Por exemplo, que nós em nossa vida vamos derrubar a Revolução, que a Maquininha, mais ocasião, mais ajuda da Providência é igual a sucesso. Acreditar na nossa missão, acreditar no nosso thau, acreditar em tudo aquilo que é uma espécie de teologia do Grupo e em relação a qual existe, evidentemente, ou uma preguiça de acreditar ou uma preguiça de pensar em alguns de nós, e então a gente fica parado nas prateleiras.
Agora, então se isto é assim a cura. Aqui vem um princípio que me parecia interessante expor em outra reunião, se me lembrassem. E eu digo sumariamente. A vocação enquanto não rejeitada é dentro da alma uma semente de incontaminação, de intransigência incontaminada, basta nós cooperarmos com ela para ir crescendo dentro de nós, e cooperar com ela é antes de tudo aceitar os horizontes dela, aceitar os firmamentos dela, crer nela, e admirá-la é antes de tudo isto.
E com isto vai se empurrando o resto de lado, e a gente vai então dilatando os espaços da própria alma onde à maneira de semente existe esta incontaminação.
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1) Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.