Santo do Dia (Sem dados) – 22/9/1965 – 4ª feira [SD 169] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Sem dados) — 22/9/1965 — 4ª feira [SD 169]

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São Maurício encoraja seus comandados, que iriam em seguida sofrer o martírio * Dúvidas a respeito da alocução de São Maurício: se a legítima defesa seria possível, se o interesse da Igreja permitiria a revolta, se a fuga seria moralmente permitida * Uma situação análoga: virgens que cometiam o suicídio e eram consideradas mártires, o que pode ter sido uma inspiração do Espírito Santo

* São Maurício encoraja seus comandados, que iriam em seguida sofrer o martírio

Foi oficial da Legião Tebana.

Aqui há um trecho da alocução de São Maurício aos soldados da Legião Tebana antes do martírio:

Camaradas e irmãos, qualquer exército com soldados de vossa têmpera conquistaria o mundo. Mas os governantes e chefes ainda não perceberam que vossa força e valor vem da fé; ainda não sabem que é a formação da consciência cristã que decorre o vosso destemor e a fidelidade ao dever militar.

É com ardente entusiasmo que contemplo vossa intrepidez e vossa emulação ao martírio. Pela lei de Cristo, que vos impõe respeito à autoridade, é que se vos atam as vontades valerosas para não oferecerdes resistência às imposições do tirano. Dotados, como sois, de armas invencíveis e de bravura sem igual, poderíeis resistir ao jugo do tirano, reivindicando a liberdade de consciência e impedindo a carnificina dos vossos irmãos. Mas como com isso vos privareis dos privilégios do martírio, por uma glória efêmera e deixareis de pleitear vosso próprio sacrifício.

Tendes ouvido da galhardia dos mártires, que esses afrontavam sorrindo feras e carrascos pela fidelidade a Cristo. Agora, camaradas, sois vós que dais exemplo ao mundo como é fácil imolar a vida pelos ideais da fé.

Ontem mostrastes a César como lhe éreis fiéis e dedicados na vigilância do Império, na luta contra o inimigos. Servindo a César, obedeceis a Cisto.

Agora, porém, é mercê do dever militar, as nossas armas não se podem erguer contra César. Abatei-as aos seus pés em sinal de submissão à sua autoridade.

Nossas almas, porém, receberão o símbolo da cruz … [inaudível] … foram santificados pelo Espírito Santo.

Levantai a Deus o espírito, e quando o ferro homicida varar vossos corações, oferecei a Deus o último pensamento pela expiação dos verdugos e pelo bem da pátria.

Esta alocução foi dirigida por São Maurício aos soldados da Legião Tebana, que eram todos católicos, e que iam ser martirizados.

* Dúvidas a respeito da alocução de São Maurício: se a legítima defesa seria possível, se o interesse da Igreja permitiria a revolta, se a fuga seria moralmente permitida

Essa alocução tem sido invocada, às vezes, como um argumento contra a guerra santa, porque nela São Maurício parece afirmar que o direito de imperador vai tão longe aos seus soldados, que esses não devem levantar armas contra o imperador nem sequer em legítima defesa, tendo a passibilidade de derrubá-lo.

En segundo lugar, que a disciplina vai tão longe, que os soldados podendo, ainda que não em legítima deles, mas apenas no interesse da Igreja, derrubar um tirano execrável, não devem derrubá-lo. E o que é mais curioso é que parece estar aí afirmado que os soldados não devem nem sequer fugir.

Não está dito claramente, nem eu sei se as circunstâncias permitiam a fuga, mas a tomar o texto como ele está, não se vê aparecer a possibilidade de fuga como uma solução para o caso.

São desses documentos da história da Igreja, que são interpretados variamente.

Já ouvi interpretar este texto, dizendo-se que a circunstância em que a Legião Tebana aqui se encontrava, não queria dizer que fosse possível derrubar o regime pagão dos Césares, mas que morto esse César, viria outro César pagão. Portanto, essa revolta não representava solução no caso dos católicos; era mais uma revolução para salvarem-se eles de uma perplexidade num determinado momento. Por causa disso, não haveria legitimidade para a revolta.

Realmente, um dos títulos dessa legitimidade cairia, restando a questão da legítima defesa.

Se podiam evitar a morte defendendo-se, não se vê como a legítima defesa não lhes pudesse ser útil no caso.

Inúmeros moralistas dizem ser legítimo eles terem se revoltado contra o imperador, em legítima defesa, etc. Então, como explicar isso?

* Uma situação análoga: virgens que cometiam o suicídio e eram consideradas mártires, o que pode ter sido uma inspiração do Espírito Santo

Há outro caso análogo a este que parece projetar alguma luz sobre esse problema, sem o esclarecer inteiramente. É o caso das virgens que, perseguidas e ameaçadas de perder sua honra, suicidavam-se e eram admitidas como mártires, e o suicídio é considerado um ato incompatível com a moral católica.

A explicação que os historiadores dão é que, com certeza, era uma inspiração do Espírito Santo. De fato, o Espírito Santo tem o direito de dar uma inspiração dessas. É claro que a solução oferece, na ordem prática e pastoral seus perigos, mas em tese é uma solução correta.

Talvez se tratasse de alguma coisa pouco mais ou menos nesse gênero.

De qualquer forma, deve-se registrar, com cuidado e proveito esse lado: como tinham consciência de que o segredo de sua coragem era a fé e como sabiam bem que eram os melhores militares do império e que era por causa da fé que o eram.

A afirmação da fé como sendo a fonte da plenitude do espírito militar é aqui muito interessante e deve ser anotada como proveitosa para a formação a que se destinam os comentários do Santo do Dia.

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