Santo do Dia – 21/9/65 – 3ª feira . 3 de 3

Santo do Dia — 21/9/65 — 3ª feira

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Como conservar-se em união com o Fundador durante a Bagarre tendo de ficar longe do Fundador * Para nós amarmos mais o espírito do Grupo, nós temos de diminuir em nós os obstáculos que temos na alma * É a devoção a Nossa Senhora que nos faz sair de onde estamos e acaba por nos elevar

* Como conservar-se em união com o Fundador durante a Bagarre tendo de ficar longe do Fundador

Hoje é dia 21 de setembro. Mas ontem já não fizemos o comentário da vida de São Mateus?

(Sr. –: …)

Ah, a vigília!, sei.

Hoje é festa do apóstolo São Mateus, o apóstolo Evangelista publicano que deixou seu telônio para seguir o Senhor. Escreveu o primeiro Evangelho. A tradição refere que morreu mártir por ter afirmado os direitos da virgindade consagrada a Deus.

Pediram-me que eu respondesse aqui esta pergunta: esta ainda é uma pergunta das que sobram de uma reunião feita — em que eu, já perto de um ano atrás — a respeito de assuntos vários, dessa reunião que faço vão saindo de vez em quando perguntas.

Então é uma pergunta, é do Gregório, tendo em vista a possibilidade de durante a Bagarre alguns terem de ficar longe do Grupo. Pergunta: como fazer para aumentar em nós o espírito do Grupo estando longe daqueles que normalmente deveriam transmiti-lo a nós?

Esta é uma razão a mais para nós: é termos um grande empenho de possuir o espírito do Grupo, e exatamente para o fato do isolamento que possivelmente fiquemos durante a Bagarre.

* Para nós amarmos mais o espírito do Grupo, nós temos de diminuir em nós os obstáculos que temos na alma

Na realidade, porém, essa pergunta excede de muito a esse argumento porque para nossa própria santificação não há quanto baste de impregnarmos do espírito do Grupo, e é — São Tomás de Aquino é quem diz lá no Tantum ergo, a certa altura “tanto quanto você possa, assim também ouse louvar o Santíssimo Sacramento”, mutatis mutandis comparando uma causa infinita a uma finita, nós podemos dizer que tanto quanto nós ousarmos, procuremos nos embrenharmos no espírito do Grupo e [nos] encher com o espírito do Grupo.

Mas a pergunta chega a esbarrar diante de uma parede e não há saída, porque para nós amarmos mais o espírito do Grupo, nós temos de diminuir em nós os obstáculos que nos impedem de conhecer, de afirmar e de amar o espírito do Grupo.

Ora, esses obstáculos são em geral obstáculos dos mais profundos da nossa vida espiritual e, portanto, fica de pé a pergunta: como resolver os mais profundos dos obstáculos da nossa vida espiritual?

E como é fácil perceber, essa pergunta cai numa espécie de maremagma não conforme a cada pessoa e para a qual não existe uma saída adequada, de maneira que a saída — como para tudo, tem de haver uma saída — a saída tem de estar do outro lado. E a saída, eu tenho certeza que consiste no seguinte:

Realmente — e até tive oportunidade de falar nisso em uma reunião de sábado — realmente nós, devemos considerar este ponto que, como nós não saímos de perguntas destas pelas nossas próprias forças, porque este é o ponto sensível de nossa debilidade, de nossa fraqueza, de nossa culpa, e de nosso pecado, então é preciso que algo extrínseco a nós nos tire disto, e para nós sairmos disto, o que é que é preciso então?

* É a devoção a Nossa Senhora que nos faz sair de onde estamos e acaba por nos elevar

Eu estava dizendo em uma reunião de sábado que toda pessoa pode ter uma devoção a Nossa Senhora medida em graus segundo o seguinte critério: ou esta devoção está na proporção da nossa vida espiritual, ou esta devoção está menor que nossa vida espiritual. Nós podemos encontrar pessoas de uma vida espiritual muito aquém, mas que tem uma devoção a Nossa Senhora que é maior do que naquele estágio de vida espiritual se poderia imaginar. Mas podemos, às vezes, encontrar pessoas que têm um estágio tal e qual na vida espiritual, mas que têm menos devoção a Nossa Senhora do que naquele estágio se poderia imaginar.

E então nós devemos nos perguntar: a nossa devoção a Nossa Senhora que relação tem com a nossa vida espiritual? Nossa devoção é proporcionada à nossa vida espiritual? Ela é maior do que a nossa vida espiritual, ou ela é menor do que a nossa vida espiritual?

E a resposta qualquer que ela seja, deve desembocar no seguinte ponto:

Se nós tivermos essa devoção a Nossa Senhora imensamente maior do que aquilo que está em proporção com a nossa vida espiritual, nesse caso nós somos como um objeto parado, mas que tem uma hélice movendo na frente que acaba girando tão depressa que arranca o objeto do chão. A hélice é a devoção a Nossa Senhora. Esta devoção a Nossa Senhora, se ela for a [tanto?], o ponto mais extremo, mais alto, mais dinâmico de nossa vida espiritual, por miserável que nossa vida espiritual seja, a devoção a Nossa Senhora nos arranca do ponto que estamos; a hélice que é a devoção a Nossa Senhora, nos faz sair de onde estamos e acaba por nos elevar.

Mas se pelo contrário, ela for diminuída, mesquinha, minguada em relação à nossa vida espiritual, a nossa vida espiritual produzirá a passos de cágado ou então não produzirá nada de uma vez.

A fortiori se ela for menor do que a nossa vida espiritual, é apostatar. E aqui nós temoa a sonda, porque pode ser duro para um homem combater os seus defeitos, pode ser que por fraquezas ou por culpa, ele não combata seus defeitos, mas não pode ser duro para um homem ter devoção a Nossa Senhora, não pode ser duro para um homem levar esta devoção aos últimos pontos em que a doutrina católica permite que ela seja levada. E quando ele leva então, Nossa Senhora lhe obtém aquela plenitude do espírito do Grupo, aquele amor de Deus, aquele dinamismo de vida espiritual que a pessoa se eleva por cima de seus próprios defeitos.

E então esta teoria da devoção a Nossa Senhora, enormemente um avanço sobre toda a vida espiritual, esta teoria é a que nos fornece os meios para sairmos do atoleiro que tantas e tantas vezes o homem por culpa própria se atola.

Então, é por essa forma que fica dada a resposta à pergunta feita pelo Gregório.

É tão importante que isto fique claro, que eu abro uma exceção à regra e pergunto aos senhores se está bem claro isto, e se alguns dos senhores querem fazer alguma pergunta.

Umberto?

(Umberto B. -: … [inaudível])

Evidentemente quer dizer, ela deve ser feita com uma intensidade de desejo de dar glória a Nossa Senhora, de servir a Nossa Senhora, de fazer aquilo de acordo com o espírito d’Ela, não é isto? E de ser feito com base no auxílio d’Ela.

O verdadeiro escravo de Nossa Senhora compreende que ele não é nada e que ele não pode nada, e que no fundo ele precisa do auxílio de Nossa Senhora para tudo, e mesmo para as coisas menores e que tenha talvez mais fortemente a impressão de que ele pode fazer só por si, convém pedir o auxílio de Nossa Senhora, não é isto?

Porque é ainda uma forma de unir nossa atividade ou uma determinada empreitada nossa a Nossa Senhora.

Há mais alguma pergunta a me fazer nesse sentido?

Então vamos encerrar.

*_*_*_*_*