Santo
do Dia — 16/9/1965 — 5ª feira [SD 220] – p.
Santo do Dia — 16/9/1965 — 5ª feira [SD 220
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Santo Alberto, São Martinho I e Bem-aventurado Vitor III, nexo conosco; o papado enquanto fundamento de toda boa ordem social; quem corta com Roma, decai e desaparece;
* Três santos de épocas diversas. Relação conosco * Santo Alberto, redator da regra do Carmo * S. Martinho I, Papa. Perseguição de Imperadores heréticos * Papado, pedra angular de todos os poderes * Imperadores do Oriente rompem com o papado. Cisma * Quem está ligado ao Papado, floresce * O Bem-aventurado Vítor III, da linha de Papas inspirados por Cluny e que fizeram a Idade Média
Santo Alberto de Jerusalém - São Martinho I - Bem-aventurado Vítor III
Hoje há três santos no nosso calendário. Primeiro: Santo Alberto de Jerusalém.
Bispo, confessor e legislador da Ordem do Carmo. Patriarca de Jerusalém e Legado Pontifício, a pedido do Prior Geral redigiu a Regra da Ordem do Carmo no século XII.
São Martinho I, Papa e mártir. Banido pelo Imperador herético Constâncio por ter condenado como hereges a Sérgio, Paulo e Pirro, findou seus dias consumido de dor pela Fé Católica. Século VII.
Bem-aventurado Vítor III, Papa e confessor. Sucessor de São Gregório VII cercou de novo esplendor a Sé Apostólica e alcançou com o auxilio de Deus uma insigne vitória contra os sarracenos. Do Martirológio. Século XI. Leão XIII confirmou-lhe com culto imemorial.
* Três santos de épocas diversas. Relação conosco
Como os senhores estão vendo, são três santos de séculos diversos, século XII, século VII, século (IX?), e de condições e de vidas inteiramente diversas. Entretanto, todos eles têm uma certa relação com as nossas preocupações, e da intercessão de todos, podemos nos recomendar.
* Santo Alberto, redator da regra do Carmo
Santo Alberto; Patriarca de Jerusalém foi que redigiu a regra da Ordem do Carmo. Enquanto legislador da Ordem do Carmo, à qual Ordem nós pertencemos enquanto Terceiros, enquanto tal, que ele é mais especialmente venerado por nós.
* S. Martinho I, Papa. Perseguição de Imperadores heréticos
São Martinho I, Papa e mártir. Os senhores vêem aí mais um santo na longa série de lutas que houve entre os Imperadores Romanos — depois da criação do Império em Constantinopla — e a Igreja Católica.
Os Imperadores Romanos, em grande número hereges. Os Imperadores Romanos sentiam [que] a onipotência deles era limitada pela existência do Papado e pelo poderio dos Papas. E por causa disso, então, várias vezes dando apoio a hereges e desencadeando perseguições religiosas conta a Igreja. O que determinava, então, conflito com os Papas. Então, vários Papas se santificam nessa luta.
* Papado, pedra angular de todos os poderes
Agora vem aí exatamente a loucura dos Imperadores Romanos do Oriente. Eles não entendiam que, ao contrário de uma diminuição para a autoridade deles, o Papado era uma confirmação da autoridade deles. Porque não há autoridade na terra, de qualquer natureza ou qualquer espécie que, próxima ou diretamente, não aufira toda a sua força do Papado. É porque o Papado existe, e é porque o Papado está à testa da Igreja Católica que todos os poderes têm nesta terra algum poder. E tudo se reduziria a uma mera força bruta ou a um caos completo se exatamente o Papado não fosse a pedra de ângulo viva, histórica e também doutrinária, de todos os poderes que existem na terra.
* Imperadores do Oriente rompem com o papado. Cisma
Agora, os senhores imaginem a mentalidade do Imperador. Ele rompe com o Papado, como acabaram por romper os Imperadores do Oriente, forçando o Cisma do Oriente com o Papado. O que é que aconteceu? O Império Romano do Oriente se reduziu a pedaços, desapareceu completamente, e desapareceu por culpa desta mania dos Imperadores. Se eles tivessem obedecido ao Papado, eles teriam resistido aos maometanos, eles teriam resistido aos turcos, nós teríamos cristandades florescentes no norte da África, na Ásia Menor, o esforço missionário teria podido penetrar na Ásia muito mais do que penetrou, e toda a história do Universo seria diferente do que é. Mas exatamente porque eles não quiseram isso, houve então o Cisma. E então os senhores vêem os resultados do Cisma: os maometanos tomam conta da África do Norte, tomam conta de toda a Ásia Menor, a Rússia cai no Cisma, e por causa disso o comunismo arrebenta com a Rússia de uma vez só. Quer dizer, males incontáveis provenientes do simples fato de que os Imperadores, na mania de mandar, não compreenderam que eles estavam cerrando a própria cadeira, as próprias bases do trono sobre o qual eles estavam sentados.
* Quem está ligado ao Papado, floresce
Esta consideração nos põe em evidência o seguinte ponto: que a base de tudo na História é o Papado, e que quem se afasta do Papado, morre. Quem se separa de Roma, desaparece, e quem é fiel a Roma, mesmo e sobretudo nas circunstâncias dificílimas em que nós vivemos, de uma fidelidade com discernimento, de uma fidelidade com inteligência, de uma fidelidade que sabe inclusive, portanto, por amor à própria fidelidade, distinguir um e outro tipo de ensinamento etc., etc.; bem, mesmo nessa circunstância, quem se separa do Papado está condenado à morte. Porque foi dito “Pedro tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela”. E é só contra Ela que não prevalece, de maneira que se a gente não quiser que as portas do inferno prevaleçam, é ligar-se ao Papado.
* O Bem-aventurado Vítor III, da linha de Papas inspirados por Cluny e que fizeram a Idade Média
As condições são bem diferentes no que diz respeito ao Bem-aventurado Vítor III. São Gregório VII, como os senhores sabem, fez parte de um movimento que hoje se chamaria Ultramontano. Ele era Cardeal Hildebrando e era chefe de uma ala reacionária, direitista em toda a Igreja, que era baseada no movimento de Cluny, dos monges beneditinos de Cluny. E ele indicou vários Papas. Depois foi ele próprio eleito Papa. O sucessor dele ainda foi um bem-aventurado Papa. Creio que ainda, um outro ainda, estava nesta linha. E representou exatamente o que a Idade Média tinha de mais admirável: esta linha de Papas que inspirados por Cluny fizeram propriamente a Idade Média. De maneira que este aqui se liga àquela época da História do mundo em que melhor apareceu a luz da Igreja, aquela época cuja irradiação hoje se quer a todo custo abafar, aquela época em cujo enlevo nós estamos e cuja irradiação nós em todos os momentos e de todos os modos queremos restaurar. Os senhores compreendem, portanto, quanto nos é grata a festa do Bem-aventurado Vítor III.
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