Santo do Dia – 9/9/1965 – 5ª feira [SD 144] . 3 de 3

Santo do Dia — 9/9/1965 — 5ª feira [SD 144]

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Nossa Senhora aparece a um pastor, no Monte Cabeça — Como nas demais aparições, houve uma nota de maravilhoso e de poético, contrastando com a nota de horror, deformação e perturbação que acompanha tudo o que se refere ao demônio * Nossa Senhora deixou como sinal um milagre inquestionável: a reconstituição do braço do vidente, que era amputado * A invocação a Nossa Senhora da Cabeça passou a ser feita para pedir a cura de males mentais e outras doenças da cabeça, por causa do local da aparição: o Monte Cabeça

* Nossa Senhora aparece a um pastor, no Monte Cabeça — Como nas demais aparições, houve uma nota de maravilhoso e de poético, contrastando com a nota de horror, deformação e perturbação que acompanha tudo o que se refere ao demônio

Hoje é dia 9 de setembro. É festa de Nossa Senhora com uma invocação um pouco singular para os nossos ouvidos, mas que corresponde também a uma dessas coisas muito poéticas e muito bonitas, com uma invocação que [é] como o caso de Portugal de que ontem tratávamos. Mas esse fato não se passa em Portugal; passa-se em Andaluzia, na Espanha. A invocação é Nossa Senhora da Cabeça. O fato ocorrido é o seguinte:

No ano de 1227, a Santíssima Virgem apareceu a um pastor, João de Rivas, no alto do Monte Cabeça, na Serra Morena.

Daí é que vem Nossa Senhora da Cabeça.

Por várias vezes ouvia João de Rivas como que o som de uma campainha que o atraía às montanhas.

Os senhores vejam como tudo isto é poético, não é?

Então, se trata de um pastor que está andando pelo meio das montanhas e ouve uma campainha no meio das solidões em que estava. Ele então procura onde é que o som desta campainha está, e ele se sente atraído por esse som dessa campainha.

A solidão, os montes, o pastor, as ovelhas, a campainha: tudo isso era assim uma espécie de nota de maravilhoso e de poesia que continuamente acompanha tudo quanto se refere a Nossa Senhora. Assim como tudo quanto se refere ao demônio tem uma nota de horror, de deformação, de intemperança, de perturbação, etc., tudo quanto se refere a Nossa Senhora tem esta nota assim. Todas as manifestações da piedade marial são acompanhadas desta nota que é uma nota que ao mesmo tempo compõe muito bem com a virgindade e compõe muito bem com a maternidade, e que exprime a virtude excelsa de Nossa Senhora.

Então a coisa começa de um modo muito poético, como os senhores acabam de ver. E continua da mesma maneira:

Ele se sentiu com medo. Nunca buscara a origem do som, até um dia em que foi como que arrastado por força invisível em direção a um grande luzeiro que encimava a Montanha da Cabeça. Então ele ouve o som, ele espreita de um lado para o outro, mas não tem coragem de ir.

De repente os senhores estão vendo que esse som maravilhoso é substituído, é completado por uma luz e ele é arrastado por uma força invisível em relação àquela luz. Vejam símbolos, não é? Maria é como que um sino que toca.

Por que campana foi traduzida aqui por campainha? Na Espanha é sino.

* Nossa Senhora deixou como sinal um milagre inquestionável: a reconstituição do braço do vidente, que era amputado

Depois, então, Nossa Senhora é uma luz que brilha. O amor de Nossa Senhora é uma força que atrai. Tudo isso tem sentido simbólico muito bonito.

A Santíssima Virgem lhe aparece, pede-lhe que diga aos habitantes de Andorra que ali construam um templo. E para que cressem no pastor, restitui-lhe milagrosamente o braço direito.

Ele era amputado de um braço, e como prova realmente indiscutível, ele aparece então com o braço reconstituído. Os senhores imaginem a cena no ambiente restrito. Porque em São Paulo o sujeito aparece com um braço reconstituído, não é novidade nem na família dele, porque está para tudo hoje, não é? O mundo está de cabeça para baixo. Mas num ambiente sensato, de pequena aldeia, não é isso.

Até onde um homem é conhecido… por exemplo, esse sujeito se chamava o quê? João, não é? Juanito. Não sei como se diz maneta em Espanha.

Como é maneta, o homem que não tem mão?

(Sr. –: Manco.)

Isto, manco. Para nós é o que arrasta o pé, mas, enfim…

Juanito manco, de repente aparece na população o Juanito de longe, dizendo adeus com a mão que ele não tinha, não é? E aqui não há mão, mas, se não me engano, o braço é que ele não tinha, não é?

Bom, efervescência, ele conta, piedoso, irradiando luz, que Nossa Senhora apareceu para ele, etc., “olha meu braço, lembra-se”, etc., e aquela grande sensação.

Os senhores estão vendo que tudo isso no ambiente pastoril, de lugares pequenos de montanha, tudo isso é bonito, e como tudo isso nos fala, em última análise, de Nossa Senhora. É o que acompanha, é o que é completo.

Mas o mais bonito não está aí, nisso. É como é que o homem tinha ficado maneta, ou mutilado de um braço. É o seguinte: o braço, ele havia perdido quando cativo dos mouros, em plena guerra contra os mouros. Esta restituição do braço é uma espécie de reparação de mil mutilações feitas pelos mouros. Uma espécie de manifestação de Nossa Senhora para mostrar o desagrado que Ela tinha com isto. É a pena que Ela tinha de todos que haviam sido estropiados, não é isto? Não era feita uma graça para milhares, não é isto?

Então, é uma espécie de alento da guerra da Reconquista que Nossa Senhora dá por esta forma.

* A invocação a Nossa Senhora da Cabeça passou a ser feita para pedir a cura de males mentais e outras doenças da cabeça, por causa do local da aparição: o Monte Cabeça

A coisa continua:

O desejo da Santíssima Virgem foi atendido. Foi daí a devoção a Nossa Senhora da Cabeça que passou a ser invocada contra os males mentais.

Aqui já é uma evolução muito bonita, não é? O monte chama Cabeça. Como o monte chama Cabeça, Nossa Senhora da Cabeça, então começa a invocar contra os males mentais. Quer dizer, provavelmente as dores físicas na cabeça, psicoses, neuroses … E Ela brilha aos olhos de todos depois de ter sido ocultada por causa dos sarracenos. É uma espécie de ressurreição que prenuncia a ressurreição da Espanha que está sendo laboriosamente arrancada às garras dos sarracenos. Talvez não fosse mais encontrada se a própria Mãe de Deus não tivesse se manifestado ao pastor João Rivas.

Os senhores têm aí, então, o lindo enquadramento dessa devoção a Nossa Senhora da Cabeça.

Nós não podemos tirar daí uma aplicação?

Hoje os males da cabeça, os males físicos da cabeça, se inventaram mil remédios para mais ou menos curar, para nevralgias, para enxaquecas, para dores de cabeça… Há mil remédios que mais ou menos dão algum resultado, pelo menos transitoriamente, mas o que ninguém está conseguindo evitar é que o número de pessoas que sofram de desregramentos mentais, de neuroses de psicoses, se torne cada vez maior. Então, para aqueles que sofrem de algo nessa direção, é extremamente adequado pedir a Nossa Senhora da Cabeça que, em virtude de todas essas maravilhas, dessas glórias, e esses feitos que se ligam a essa devoção, Ela tenha pena de nós e Ela nos consiga um restabelecimento dentro desta ordem.

Ficaria aqui uma sugestão para a noite de hoje.

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