Santo
do Dia (Rua Pará) – 25 /8/1965 – 4ª Feira
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Santo do Dia (Rua Pará) — 25 /8/1965 — 4ª Feira [SD 029]
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Os reis santos devem ser humildes, havendo conciliação: a abnegação não podera consistir no abandono dos direitos que também são deveres; a caridade não suprime a justiça, e o amor da paz não prejudica as virtudes guerreiras * A visão “heresia branca” considera a misericórdia de um rei como incompatível com a justiça — O rei seria um homem pacífico, incapaz para uma guerra * Uma linda expressão, bem francesa: “do mais alto de seu batismo”
* Os reis santos devem ser humildes, havendo conciliação: a abnegação não podera consistir no abandono dos direitos que também são deveres; a caridade não suprime a justiça, e o amor da paz não prejudica as virtudes guerreiras
Hoje é festa de São Luís, Rei de França, modelo de estadista católico. Participou de duas Cruzadas. Sua relíquia se venera em nossa capela.
A respeito dele, D. Guéranger, o famoso abade de Solesmes, tem um comentário excelente, porque nós vemos na pena de um grande escritor católico, de um dos eclesiásticos mais importantes de seu tempo, uma série de considerações inteiramente na linha de “Catolicismo”.
Como confirmação das apreciações que nós fazemos de São Luís, não só para saber se São Luís é assim ou foi assim, mas para considerar que assim se pode meditar a respeito de um santo de acordo com os prismas de “Catolicismo”, então para isso nós temos aqui esse comentário que D. Guéranger faz.
D. Guéranger trata de um primeiro problema: um santo deve ser humilde. Como é que um rei que está colocado no alto do poder político, no alto da hierarquia social, pode ser humilde? Não há uma contradição entre uma coisa e outra? Um humilde não deveria tomar ares de um presidente de Cuba? Como é que se conciliam as duas condições, de santo e de humilde? Então ele diz o seguinte:
A humildade dos santos reis não é esclarecimento da grandeza do papel que eles desempenham em nome de Deus. Sua abnegação não poderia consistir no abandono dos direitos que também são deveres. E a caridade não suprime a justiça, e amor da paz não prejudica as virtudes guerreiras.
* A visão “heresia branca” considera a misericórdia de um rei como incompatível com a justiça — O rei seria um homem pacífico, incapaz para uma guerra
Como os senhores estão vendo, é uma ofensiva que D. Guéranger faz contra uma visão “heresia branca” de um rei santo.
Pela visão “heresia branca”, o rei seria de uma humildade indigna. Seria de uma misericórdia que o impediria de exercer a justiça. E seria um homem pacífico que faria dele um homem incapaz para a guerra.
D. Guéranger então diz que um santo rei é o contrário. O rei é humilde, mas com muita grandeza. Ele é caridoso, mas com muita justiça. Por outro lado, ele tem amor à paz, mas tem virtudes guerreiras autênticas. É o contrário do que a “heresia branca” ensinaria.
* Uma linda expressão, bem francesa: “do mais alto de seu batismo”
Depois ele continua, para explicar o que ele diz:
São Luís e seu exército nunca deixou de tratar do mais alto de seu batismo com os infiéis vitoriosos.
Isto é uma linda expressão, “tratar do mais alto de nosso batismo”. É preciso ser francês para saber dizer uma coisa dessas, não é?
Aliás, a expressão é mais bonita ainda, é o seguinte:
São Luís e seu exército nunca deixou de tratar de toda altura, do mais alto de seu batismo com os vitoriosos infiéis.
Quer dizer, os infiéis o venceram, ele chegou a ser prisioneiro dos infiéis, mas ele sempre tratou com a dignidade de quem sabe que é batizado.
Os senhores vejam a expressão tremendamente antiecumênica, não é? Do mais alto do próprio batismo. É uma linda expressão.
Aliás, o Ocidente e o Oriente soube muito cedo e soube cada vez melhor a medida que o rei que ele tinha de santidade, este rei cujas noites se passava rezando para Deus, porque ficava longas horas da noite rezando. Os dias desse rei que decorriam para servir os pobres, entretanto não cedia em nada as prerrogativas da coroa que ele recebera de seus pais.
Quer dizer, um homem, portanto, que tem pena dos pobres, é um homem que sabe rezar, mas é um homem combativo que defende suas prerrogativas.
Não há senão um rei de França, disse uma vez dele, caçando a sentença de seu irmão Carlos de Anjou e os barões do castelo de Beleme. Os ingleses em Taimburg o aprenderam muito cedo.
Foi o episódio de sua energia que tornou famosa.
Frederico II que ameaçava esmagar a Igreja, era imperador do Sacro Império, mas era péssimo, era herege, procurando cúmplices na França, recebeu a seguinte resposta: “O reino da França de nenhum modo está tão enfraquecido que se deixe colocar nas esporas de um imperador do Sacro Império”. De um imperador que era um imperador herege.
Os senhores estão vendo, portanto, uma resposta muito altiva e muito digna de um santo. É interessante isto, porque nós sempre devemos reagir da tendência de considerar à maneira de “heresia branca” os santos e em geral a piedade.
Eu tenho aqui um pedido. Eu pedi o trecho do Veni Sancte Spíritus para alguém e veio um trecho muito pequeno. Ele é muito longo, tem muito mais do que isso. Eu gostaria de fazer um comentário do trecho completo. Eu acho que se pedirem ao Dr. Paulo, ele tem.
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