Santo
do Dia (Rua Pará) – 24/8/1965 – 3ª feira [SD
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Santo do Dia (Rua Pará) — 24/8/1965 — 3ª feira [SD 029]
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O membro do Grupo deve ser tal, que possa se aplicar o elogio que Nosso Senhor fez a São Bartolomeu: um verdadeiro católico no qual não há fraude, ou seja, nenhuma concessão ao demônio e à Revolução * Santa Joana de Thourret resistiu ao arcebispo, sendo por isso penalizada, mas manteve-se fiel ao Papa: pelo espírito de obediência esclarecido, ela não se deixou deslumbrar pela simples autoridade próxima * Nossa Senhora é a Virgem Melíflua: tão doce que atrai toda forma de benevolência, exatamente pela bondade que exala * Nossa Senhora é a mais luminosa das estrelas, que nos guia e consola nas trevas desta noite que é a nossa vida terrena
* O membro do Grupo deve ser tal, que possa se aplicar o elogio que Nosso Senhor fez a São Bartolomeu: um verdadeiro católico no qual não há fraude, ou seja, nenhuma concessão ao demônio e à Revolução
Hoje é festa de São Bartolomeu, apóstolo, verdadeiro israelita, no qual não havia fraude. Ao confessar sua fé no Messias, provocou o primeiro testemunho que Jesus deu de si mesmo.
A respeito de São Bartolomeu, é sempre interessante repetir o elogio de Nosso Senhor. É um dos maiores elogios que se possa fazer de alguém. Porque o israelita é o filho do povo eleito, é portanto o protótipo do homem amado por Deus. Porque o habitante ou o filho do povo eleito, do povo amado, que seja ele verdadeiro israelita, era um homem verdadeiramente amado por Deus. O verdadeiro israelita no qual não há fraude, no momento em que a nação eleita estava completamente degradada e era um vaso de fraude.
Ele era, portanto, dentro da nação eleita, o contrário daqueles que eram o vaso de fraude na nação eleita. E ele estava, portanto, em oposição em relação da degradação da nação eleita.
A este título há uma relação muito grande entre ele e um ultramontano, que deseja ser — na medida em que ele é verdadeiro ultramontano, ele é — o verdadeiro católico no qual não há fraude. Em face da Revolução, em face do espírito do demônio, não dá concessão nenhuma e que, enquanto católico, odeia tudo quanto o demônio ama e ama tudo quanto o demônio odeia, odeia tudo quanto a Revolução ama e ama tudo quanto a Revolução odeia, e por causa disto nele não há fraude nenhuma. Ele merece inteiramente o nome de católico.
De maneiro que esta integridade de São Bartolomeu, faria com que os fariseus do tempo dele o chamassem de integrista. E a nós tão freqüentemente chamados de integristas, é natural que nós peçamos o auxílio da intercessão de São Bartolomeu.
* Santa Joana de Thourret resistiu ao arcebispo, sendo por isso penalizada, mas manteve-se fiel ao Papa: pelo espírito de obediência esclarecido, ela não se deixou deslumbrar pela simples autoridade próxima
Quanto a Santa Joana de Thourret, os senhores sabem que a França conservou ressaibos de galicanismo até há pouco tempo. Até o momento em que a Santa Sé começou a promover a Revolução, até esse momento a França era galicana. A partir do momento em que ela começou a promover a Revolução, o episcopado francês começou então a ser energicamente papalino.
Santa Joana de Thourret era muito fiel à Santa Sé, no tempo em que a política da Santa Sé era reflexo dos deveres da Igreja. E isto levou ela a tomar uma atitude de muita obediência, etc. O Arcebispo de Besançon então a perseguiu energicamente, se não me engano ela chegou a ser excomungada, mas ela se manteve sempre fiel.
Isto aqui é a prova de um espírito de obediência esclarecido, que não se deixa deslumbrar pela simples autoridade próxima e imediata do Sr. Bispo, mas que sabe ver por cima de tudo a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, expressa em seu pastor supremo e universal, que é o Papa.
Quer dizer, é uma pessoa que compreendia bem … [inaudível]… bispo, bispo, bispo, não pode ensurdecer ninguém.
E é nesse título — merece também, é natural — que nós volvamos a ela os nossos olhos, e portanto peçamos a ela nossa proteção. E como é legítimo a gente argumentar com santos, nós podemos dar a ela um argumento. Deve ter custado muito a ela esta reação que ela desenvolveu. Porque católico só se resigna a duras penas e sempre sofrendo com o papa de estar em atitude de oposição a seu prelado. Ela que … [inaudível]… a aflição imensamente maior do que nós estamos, e que portanto tenha pena de nós e nos assista nesta aflição. Ela nos dá toda a força e todo o senso de medida que a nossa posição supõe.
* Nossa Senhora é a Virgem Melíflua: tão doce que atrai toda forma de benevolência, exatamente pela bondade que exala
Ó Virgem Pulcherrima, ó Mater Meliflua…
Ó Virgem Lindíssima, ó Mãe Melíflua, da qual escorre o mel. Fluere, do verbo escorrer. Escorre o mel, quer dizer, Ela está toda circundada de mel.
A conjugação não é puramente fortuita, entre a beleza e a doçura, porque há certas formas de beleza, que sendo embora majestosa como forem, são belezas que exalam doçura de todos os modos e que no exalar a doçura é uma forma nova de beleza que está muito acima da trivialíssima palavra de hoje “simpatia”.
Simpatia é um modo muito comercial, muito besta, de dizer isto que está expresso aqui. Esta forma de beleza que não é só lindíssima, mas que é tão doce, que atrai toda forma de benevolência, exatamente pela bondade que ela exala.
Então Nossa Senhora é a Virgem Melíflua. Todos aqueles que se aproximam d’Ela, sentem a doçura d’Ela.
* Nossa Senhora é a mais luminosa das estrelas, que nos guia e consola nas trevas desta noite que é a nossa vida terrena
O Dei Filia, o Stella Claríssima.
Ó Filha de Deus, ó Estrela Luminosíssima.
Bem, aqui a seqüência é a seguinte: ó Filha de Deus, depois segue uma série de outras coisas que são não mais como as três primeiras, que são a Virgem, a Mãe e a Filha de Deus. Quer dizer, são propriamente predicados d’Ela diretamente designados. O resto são imagens poéticas para fazer sentir a beleza d’Ela.
Então, ó Filha de Deus, naturalmente porque Nossa Senhora é a Filha do Padre Eterno e enquanto Filha do Padre Eterno é a primeira de todas as criaturas, a mais amada, a mais excelsa, a mais rica em dons, a mais rica em graça. Por excelência é Ela Filha de Deus, acima d’Ela existe apenas a natureza humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas nascida d’Ela. De maneira que Ela tem … [inaudível]… insondáveis decorrentes de sua condição de Filha de Deus.
Bem, e Estrela Luminosíssima. Realmente vem muito a propósito, porque no firmamento há muitas estrelas, mas Ela é a mais luminosa das estrelas, quer dizer, Ela é a mais luminosa das criaturas.
Agora, por que se fala de estrela? Porque na noite brilha a estrela, e esta vida é para o católico uma noite, esta vida é um vale de lágrimas, é uma época de provação, de perigo, de apreensão. Na eternidade nós vamos ter o dia, mas esta vida terrena é noite para nós, e nesta noite nós temos uma estrela que nos guia, que é a consolação nas trevas. Uma estrela é uma consolação para quem está de noite olhando para o céu. Então Ela é a mais clara de todas as estrelas, a mais luminosa de todas as estrelas.
O Rosa Puríssima.
A rosa é a mais bela das flores. Nossa Senhora, portanto, é a mais bela das almas, é a mais bela das criaturas de Deus. E é chamada de flor, porque a flor tem uma nota de beleza entre todas as outras criaturas e a rosa entre todas as flores.
A gente poderia dizer que a rosa é a flor das flores, que concentra em si toda a beleza da criação. E Ela então é uma rosa, Ela é a Rosa Mística.
Mas tem-se a impressão que o autor do canto, ao chamá-La rosa, teve um certo pesar de não poder chamá-La lírio, e não querendo sobrecarregar muito as imagens, juntou então o “puríssima”. É uma Rosa Puríssima que tem da rosa toda beleza, mas tem uma nota que é mais especial ao lírio. Ela é então a Rosa Puríssima. É uma rosa lirial.
Os senhores vêem, então, com quantanta ternura, com quanto amor tudo isto é concebido.
O Pacem Filia.
Ó Filha que sustenta.
Há uma espécie de contradição numa coisa dessas, porque o próprio da filha é ser sustentada e não sustentar. Eu tenho a impressão de que isto aqui é alusão ao fato de que Ela, Filha de Deus, sustentou depois o Filho de Deus. Deve ser isto uma alusão aqui contida, não vejo outra interpretação.
O Lúmen luminum.
Ó Luz das luzes.
O Flós convalium.
Quer dizer, são duas outras metáforas.
Ela está para todas as luzes, como as luzes estão para a terra. Quer dizer, Ela é tão luminosa, que em comparação com qualquer luz, a outra luz é treva, de tal maneira Ela é luz. Nada é luz a não ser Ela.
Agora, em que sentido?
Mais uma vez esta idéia de que nós estamos numa vida de tristeza, de peregrinação, não temos a … [inaudível]… permanente, abandonados, lutando longe de Deus, mas Ela é a Luz de todas as luzes. E a esse título, então, Ela deve ser amada por nós.
Agora, por que Flor dos Vales?
É sabido que os vales têm muitas vezes uma docilidade especial, e que por causa disto em certos vales as flores se apresentam com uma beleza muito grande. Há vales que têm uma doçura, uma amenidade, uma poesia, que contrasta com a majestade e o caráter agreste da montanha.
Ela é, portanto, a Flor dos Vales, quer dizer, a Flor daquilo que há de mais delicado, mais terno, de mais esplêndido.
É o modo de indicar mais uma vez como Ela é uma criatura magnífica.
Ó isenta de culpa, ó glória das virgens.
Isenta de culpa coloca Nossa Senhora num estado. A isenção de culpa, que merece ser mencionado no meio dessas belezas todas.
Os senhores imaginem um homem como nós que vê, por exemplo, um leproso. Ele tem uma sensação física de horror do leproso. Mas se uma pessoa concebida sem pecado original olhasse para nós, teria uma sensação talvez pior. Porque nós somos sujeitos a desordens morais a que uma pessoa concebida sem pecado original não é sujeita.
Nós não temos o domínio de nosso organismo. A pessoa concebida sem pecado original tem. Nosso organismo é uma fonte de mil matérias horrendas que nós expulsamos de nós, a pessoa sem pecado original não tem isso. A … [inaudível]… não adoecem, Ela não tem cansaço, Ela está acima de tudo isto.
Nós somos uma gente miserável em comparação com isto. Então se compreende que no meio de todas essas belezas, se mencione essa glória de estar sem o pecado original.
Ó isenta de culpa, ó glória das virgens.
Mais uma vez essa idéia. Ela é a glória de todas as virgens. Quer dizer, é a Virgem entre todas as virgens. Todas as virgens são virgens por comparação a Ela, em união com Ela. DEla não referentes a Deus, mas referentes à própria santidade d’Ela. Ela é isenta de culpa. Ela é glória das virgens. Ela é a esperança dos fiéis.
Por que é que Ela é a esperança dos fiéis? Porque Ela é a medianeira de todas as graças e, portanto, só nEla se pode esperar.
Ó repleta de graças.
Quer dizer é completamente cheia de graças. Está isso na Ave-Maria, não é?
Mãe Filha, faz que amemos Seu Filho perpetuamente.
Então isto aqui é uma espécie de epílogo, porque chama de tudo isto, para acender em nós a confiança de obter e para tocar a alma d’Ela e ver se Ela concede isto: que faça com que nós amemos o Filho d’Ela perpetuamente.
Por que pedir isto?
É porque precisamente isto é impossível ao homem sem um pedido de Nossa Senhora.
É uma coisa incrível, mas o corolário: lembram-se daquele princípio de Donoso Cortez, de que a Igreja conseguiu influência muito grande no mundo, não porque Ela ensina toda a verdade e todo o bem, mas apesar dela ensinar toda a verdade e todo o bem, porque os homens são tão corruptos, e se não fosse a graça, ele destruiria a Igreja cheio de ódio. De tal maneira o homem é inimigo da verdade integral, embora goste de algumas verdades esparsas. Inimigo do bem integral, embora goste de algum bem esparso.
Por causa disto, nós podemos imaginar Nosso Senhor, como no Santo Sudário de Turim … [inaudível]… esplendoroso, lindíssimo, majestoso, boníssimo, com todos os atributos que nós podemos imaginar. Sem a graça, o movimento do homem era pular com uma pata em cima d’Ele. Por quê? Porque Ele é assim. E depois de dizer para Barrabás: “Venha reinar”.
Isto é o próprio da nossa natureza, quando nós recusamos a graça. Então eu preciso pedir a Nossa Senhora que me liberte dessa miserável apetência de Barrabás, que existe dentro de nós, porque é com Barrabás que nós simpatizamos, tutti quanti, se a graça não nos amparar, e que nos dê o favor de amar o Filho d’Ela. Coisa que sem a graça não vai para a nossa natureza corrupta.
E como isto é o favor dos favores, isto é que precisa ser pedido, porque amando a Ele, amamos tudo, temos tudo. Quem ama a Nosso Senhor Jesus Cristo tem tudo.
Mãe Filha, faz que amemos Seu Filho perpetuamente.
Este “perpetuamente” diz muito, não é? É uma referência à fraqueza nesta vida. Podemos amar e daqui a pouco não amar mais. Então devemos pedir que O amemos perpetuamente.
E conduz-nos para a felicidade.
Quer dizer para a felicidade eterna.
Ó o mais suave dos refrigérios. Ó Maria.
Mais suave dos refrigérios, por quê?
Isto foi composto para um país quente. Para um país cheio de desertos, com sóis que torram, horrorosos. Então Nossa Senhora é o refrigério, mas é o mais suave de todos os refrigérios. E termina cantando numa síntese a palavra “Ó Maria”, como contendo num epílogo tudo quanto conteve antes. Quer dizer, a palavra que tem em si todo o resto.
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