Santo do Dia — 21/08/1965 — Sábado – p. 3 de 3

Santo do Dia — 21/08/1965 — Sábado

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Santa Joana de Chantal discípula de São Francisco de Salles; determinação de Santa Joana e postura “heresia branca”; funda as Visitandinas; contemplação e intransigência no desapego dos bens; contemplação e variedade de famílias de alma.

* A influência de São Francisco de Sales na vida de Santa Joana de Chantal * A atitude de Santa Joana desagrada a “heresia branca” * Contemplação e desapego na Ordem da Visitação * O tesouro das Ordens contemplativas e o mosaico das famílias de almas

SANTA JOANA FRANCISCA PREMIOT DE CHANTAL

Distinguiu-se pela nobreza da família, pela santidade de vida que conservou em quatro estados diferentes e pelo dom de milagres.

Diz dela o Martirológio. Ela fundou com São Francisco de Sales a Ordem da Visitação. Sua relíquia se venera em nossa capela. Do século XVII.

* A influência de São Francisco de Sales na vida de Santa Joana de Chantal

Haveria vários episódios da vida de Santa Francisca de Chantal para mencionar. Ela era viúva de um Barão de Chantal e tinha filhos. E depois do marido dela ter falecido, ela começou a sentir um atrativo para a santidade, para percorrer as vias mais altas da vida espiritual etc. Ela começou a ser, então, influenciada por São Francisco de Sales.

São Francisco de Sales, como os senhores sabem, era famoso pela suavidade. Ele escreveu livros de vida espiritual que jamais seria suficiente elogiar, como, por exemplo, a “Filotéia” e o “Tratado do Amor de Deus”. Entretanto, sobre a suavidade de vida dele, muita coisa de errado se diz. E os senhores têm um exemplo a respeito do modo pelo qual ele tratava as senhoras a quem queria influenciar.

Uma ocasião ele encontrava-se com Madame Chantal, a futura Santa Joana de Chantal, encontrou-se com ela no jantar. Era época em que os bispos e as pessoas da nobreza etc., tinham um certo convívio social. Encontrou-se com ela no jantar, um jantar um pouco aparatoso, se não me engano na casa do próprio pai dela, e ela estava muito bem vestida. Então ele perguntou para ela: “Madame, a senhora pensaria de novo em casar-se?” E ela, um pouco assustada com a pergunta, disse o seguinte: “Mas, Monsenhor, não”. Disse ele: “Numa casa onde não há artigo para vender, não se põe tabuleta”. Quer dizer, por que a senhora está tão enfeitada se a senhora não quer se casar? Aí os senhores percebem qual era a qualidade dessa doçura, quer dizer, a coisa que não deixava até de ter uma ironia bem mordiscante e bem beliscante!

Sob o bafejo da direção dele, ela foi se transformando numa grande santa. Em certo momento, ela quis colocar-se, então, sair para adotar o estado religioso, E aí houve este episódio clássico da vida dela, que não quisesse que ela ficasse religiosa, e um filho dela deitou-se na soleira da porta e disse a ela: “Mamãe, a senhora só sairá de casa passando sobre mim”. Ela teve um pequeno susto de passar sobre o filho e, com toda a decisão, ela passou sobre o filho! Isto é fruto da direção de São Francisco de Sales. E isto é uma santa.

* A atitude de Santa Joana desagrada a “heresia branca”

Como isto haveria de doer num “heresia branca”! Os senhores querem ver? Imaginem o sentido contrário. …[faltam palavras]…do “heresia branca” com a narração assim: O filho deitou-se na soleira da porta e ela foi. Quando chegou lá, as entranhas maternas nela se comoveram e ela disse: “Meu filho, não. O Deus de bondade e misericórdia, que fez com que eu te engendrasse, não queria que eu te pisasse. Eu compreendo, através de seu ato, que Deus não pode querer fazer violência a um coração de mãe, e por isso eu volto para trás”.

Todo o mundo diria: “Que fé!” E ficariam babados! E ela não teria ficado santa. Ela teria exatamente deixado de corresponder à graça. Aí os senhores compreendem bem como a vida dos santos é diferente do sentimentalismo meloso do “heresia branca”. 

* Contemplação e desapego na Ordem da Visitação

Aí ela fundou a Ordem da Visitação. Esta Ordem da Visitação é consagrada especialmente a meditar os mistérios da Visitação de Nossa Senhora, e as freiras são estritamente contemplativas. E aí os senhores vão ver outro traço do espírito dela e do espírito de São Francisco de Sales; o sentido de não ter propriedade particular levado tão longe nessa Ordem, que elas se consagram a serviços comuns, por exemplo, bordados etc., etc., que são vendidos para a manutenção das religiosas. São Francisco de Sales, que com Santa Joana de Chantal, fez essa regra, determinou o seguinte: nunca uma freira faça um bordado inteiro, os bordados são rotativos dentro da casa, para ninguém ter apego ao bordado que fez. Os senhores vêem como nos últimos pormenores a noção de propriedade comum para produzir desapego completo foi levado longe lá. E os senhores vêem como um dado se presta muito a isto, quando o direito de propriedade é de direito natural. Quando um indivíduo é levado a um estado de vida em que não deve ter propriedade, quanto cuidado precisa ter para não se apegar à propriedade! De tal maneira a alma humana converge toda para qualquer fiapinho ou restinho de propriedade que lhe fique. Então, os grandes fundadores de Ordens, os cuidados que tomam para evitar qualquer forma de apego, de apropriação. 

* O tesouro das Ordens contemplativas e o mosaico das famílias de almas

Nós podemos tirar dessas coisas alguma lição, alguma reflexão útil, além desses comentários sobre o espírito de São Francisco de Sales?

Eu creio que se poderia tirar daí um comentário útil, vamos dizer, dois comentários úteis. Em primeiro lugar, a importância das Ordens contemplativas. Numa época cheia de Ordens contemplativas, em que havia muitas vocações para Ordens contemplativas, São Francisco de Sales funda com esta Santa mais uma Ordem contemplativa. Os senhores estão vendo por aí que isto é um tesouro que nunca há na Igreja [em] quantidade suficiente. Não há o que baste, desde que a Ordem seja realmente fervorosa.

Outra consideração que também merece ser notada aqui é a necessidade dessas Ordens contemplativas, como que, constituem famílias de almas de graças na Igreja e cada uma com seu espírito próprio. Então, com o seu espírito próprio formando uma espécie de conjunto do mosaico em que se vê formado um tom em cada coisa. Na Visitação, a extrema suavidade, a regra extremamente suave, mas, de outro lado, a estrema exigência em tudo aquilo que pode tratar da verdadeira virtude.

Aqui estão alguns dados que podem servir para a meditação desta noite.

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